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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Peronismo – Parte 6: o exílio e a volta triunfal.

Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 1, Volume set., Série 24/09, 2010, p.01-07.

A chamada “Revolução Libertadora”, encabeçada pelo general Eduardo Lonardi, derrubou o general Juan Domingo Perón, em 16 de setembro de 1955.

No entanto, o peronismo sobreviveu à queda de Perón.
Logo depois de ser destituído, ele partiu para o exílio no Paraguai, ficando no país até 6 de novembro do mesmo ano, quando então foi recebido no Panamá.
Em 8 de agosto de 1956, partiu para Caracas, capital da Venezuela, onde foi protegido pelo ditador Pérez Giménez, cuja queda do poder, obrigou Perón a se exilar na República Dominicana.
Finalmente, em 26 de janeiro de 1960, conseguiu asilo na Espanha do ditador fascista, general Francisco Franco, a quem os nazistas haviam ajudado a colocar no poder pouco antes do inicio da 2º. Guerra Mundial.
De longe, Perón organizou um movimento para tentar retornar a Argentina e retomar a direção da nação.


Enquanto Perón estava na Espanha.
Na Europa, Perón teve sua residência fixada inicialmente nas Ilhas Canárias, instalando-se depois em Madri, de onde regressaria para a Argentina somente em 27 de novembro de 1972.

Ao longo de todo o período do exílio, que durou exatamente dezessete anos e dois meses, Perón continuou a ter voz ativa na política argentina.
Tamanha a influencia de Perón entre os argentinos que o governo que o substituiu proibiu lemas e canções do partido peronista.
Chegou até a proibir que se pronunciassem termos como: Perón, peronismo, justicialismo e Eva Perón.
Isto só fez proliferarem os eufemismos para fazer referência a sua pessoa e ao período peronista, tais como: “o tirano prófugo”, “o tirano deposto”, “a segunda tirania”.

Demonstrando, por outro lado, que os próprios peronistas tinham consciência do caráter fascista do movimento.
Acontece que grande parte dos peronistas não consideravam uma ofensa serem taxados de fascistas, mas uma honra.
Foi dentro deste contexto que os membros da esquerda peronista começavam a ficar insatisfeitos com a orientação fascista.
Destarte, as várias leis que ficaram conhecidas como decretos da “Revolução Libertadora”, colocando o peronismo na clandestinidade, não conseguiriam fazer calar os peronistas.
Mesmo na clandestinidade e rachado, o partido peronista continuou se articulando para trazer de volta ao país o seu líder.
A imagem do peronismo, enquanto movimento sectário, fortemente associado a um período de abundância do país, continuou enraizado no imaginário popular argentino.

Sendo transmitido de pai para filho, dando origem a “juventude peronista”, a qual constituiria uma nova massa de manobra para Perón.
A crise política e econômica se agravou em 1966, chegando ao seu ápice em 1968, abrindo a oportunidade que os peronistas precisavam para trazer à tona a ausente figura de Perón.
Ele foi transformado em um messias capaz de restaurar a unificação nacional.
Os militares já não conseguiam mais controlar a situação do país, quando, em julho de 1972, temendo uma revolução popular, começaram a enxergar em Perón uma saída.
 Grupos de guerrilheiros de esquerda proliferavam por toda a América Latina, Perón parecia então o único capaz de evitar a chagada dos vermelhos a Argentina.
Os militares iniciam o processo de abertura, colocando restrições para impossibilitar a candidatura de Perón à presidência.
Ele finalmente pode retornar do exílio em 17 de novembro de 1972, chegou no famoso avião preto, o qual havia sido objeto dos sonhos dos peronistas durante longos anos.


A volta triunfal.
Perón retornou a Argentina em meio a um grande caos político e econômico, assumindo uma atitude conciliadora.

Estando impedido de concorrer às eleições, indica como seu candidato Héctor Cámpora, concorrendo à presidência pela “Frente Cívica da Libertação Nacional”.
Héctor Cámpora representava a ala ligada a extrema direita do movimento peronista, principalmente a juventude peronista, o que causou forte oposição da esquerda, mas a candidatura acabou oficializada em janeiro de 1973.
Em 11 de maio deste mesmo ano, os candidatos peronistas, Cámpora e Vicente Solano Lima foram eleitos, respectivamente, presidente e vice-presidente da república Argentina, com 49,5% dos votos.
O que representou mais a volta triunfal do peronismo ao poder, além da vitória do setor mais radical do movimento, nítida e declaradamente fascista.


Um novo governo peronista e problemas a vista.
A posse de Cámpora, em 25 de maio de 1973 desencadeou a revolta das bases operárias, gerando um conflito direto e físico, chegando ao enfrentamento armado entre operários e a juventude peronista.

Órgãos estatais, universidades, hospitais e outras instituições públicas tornam-se palco de conflitos sangrentos.
Um conflito que pode ser explicado pelo fato da ausência de Perón do país durante o exílio ter aberto espaço para modificações na base operária peronista.
Ela havia se transformado de fascista em socialista.
Estava então mais consciente do que no passado, os operários não acreditavam mais em discursos e propaganda.
Não bastava mais apenas dizer-se social, sem assumir de fato uma postura de luta pela igualdade de classes.
A população saiu às ruas gritando palavras de ordem como “Cuba e Perón, um só coração”; exigindo que Perón assumisse um novo posicionamento, não mais de direita, mas uma guinada a esquerda.
Verdadeiramente, o movimento peronista se encontrava rachado; de um lado a extrema direita exigia o expurgo do “trotskismo”; de outro a esquerda exigia o aniquilamento do caráter fascista.
Perón começou a perceber que, apesar da volta triunfal, sua base estava visivelmente debilitada.


Novamente o começo do fim.
Visando tentar sanar o racha entre peronistas, através de uma nova ilusão das massas, Perón alterou seu discurso, passando a dirigir-se não mais aos operários, mas aos descamisados.

O artifício falhou, ele não conseguiu convencer os operários, agora extremamente politizados.
No entanto, este novo governo peronista contava com aliados poderosos, havia chegado ao poder com o apoio dos Estados Unidos da América, representado pela CIA.
O mundo se encontrava em pleno clímax da guerra Fria, o peronismo parecia aos norte-americanos à única coisa que poderia impedir os comunistas de tomarem a Argentina.
Orientado por Perón, Cámpora endureceu o combate ao comunismo.

Centenas de pessoas foram mortas, muitas vezes em confrontos diretos com a juventude peronista, que havia se tornado uma organização paramilitar a semelhança das SA e SS de Hitler.
Confrontos diretos com a polícia massacraram manifestações; a tortura e o encarceramento sem fundamentação jurídica tornaram-se comum.
Em meio à confusão inicial, Perón, um tanto transtornado e perdido, alternou períodos em que estava presente no país, com períodos em que procurou se auto-exilar em Madri.
Ele deixou uma brecha que foi explorada tanto pela esquerda como pela direita, ora associando sua imagem a uma ou outra tendência.


O fim ou seria o começo.
Pouco a pouco, Perón procurou deixar clara sua posição pró-direita e declaradamente fascista.

Em outubro de 1973, o governo passou a ser acompanhado mais de perto por Perón justamente porque estava a frente dele depois de ter sido eleito presidente.
Em represaria as tendências de esquerda da ala sindical do movimento peronista, Perón iniciou uma reforma na lei sindical, com vistas a manter um controle mais rígido sobre os sindicatos.
Em meio ao tumulto surgiu o grupo terrorista de esquerda “ERP” (Exercito da Revolução Popular).
Através de atentados este grupo procurou se opor ao peronismo.
Em janeiro de 1974, o “ERP” lançou um atentado à bomba a uma guarnição militar.
Mais uma vez deixando claro seu caráter fascista, Perón obrigou o governador da província a renunciar, já que tinha sido incompetente.


Iniciou em seguida um novo endurecimento no combate ao comunismo, entrando em choque direto com os sindicatos.
A reação não tardou, em 1a. de maio de 1974, tradicional dia de comemoração da ala sindical do partido peronista, dia do trabalho, a oposição organizou uma enorme manifestação na “Praça de Maio”, em Buenos Aires.
Como no passado os argentinos manifestaram a insatisfação com o governo peronista; obtendo o apoio de diversos setores da sociedade, chegando a contar com cinqüenta mil pessoas.
Pouco depois, em 1a. de julho de 1974, Perón faleceu; assumiu o governo a vice-presidente, no caso a terceira esposa do presidente morto, Maria Estela Martinez de Perón, cujo verdadeiro nome era Isabel.

Ocupando o governo da Argentina em condições internas deterioradas, a nova presidente enfrentaria o agravamento da crise, com um aumento da inflação que chegou a 920% ao ano em 1976.


A ausência definitiva de Perón do cenário argentino fez aumentar os atos de terror e violência.
Os quais ganharam a proporção de uma verdadeira guerra civil.
Tornam-se comuns os combates e atos de terror provocados pela “Triple A” (Alianza Anticomunista Argentina) e pelo “Comando de la Arganización”, que assassinam militantes e líderes de esquerda.
Estas organizações rivalizavam com o “Ejército Revolucionario del Pueblo” (de origem Trotskista).
Enquanto, por sua vez, a juventude peronistas continuou atuante, agravando o caos e instabilidade social.
A viuva de Perón em breve seria derrubada da presidência por uma novo golpe militar.


Para saber mais sobre o assunto.
Acompanhe a próxima postagem neste blog.
Amanhã a última parte sobre a temática peronismo, abordando indicações de leituras.


Texto: Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.

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Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.

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