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Para entender a história... é uma publicação técnico-científica on-line independente brasileira, indexada pelo IBICT, Latindex, CNEN e LivRe; no ar desde sexta-feira 13 de Agosto de 2010.
Não possui fins lucrativos, seu objetivo é disseminar e difundir o conhecimento através de artigos com qualidade acadêmica e rigor cientifico, mas linguagem acessível ao grande publico.

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terça-feira, 3 de maio de 2011

Ditadura eis a questão?


Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume mai., Série 03/05, 2011, p.01-05.



Frente aos eventos que vem ocorrendo no oriente, o conceito de ditadura ganhou destaque nestes últimos meses na mídia mundial.

Diante destes acontecimentos surgem muitas dúvidas ligadas ao conceito de ditadura.


Muitos dos que questionam os conflitos que ocorreram no Egito e na Líbia, nem sequer, tinham conhecimento que nestes países viviam em um regime ditatorial.


Assim, o professor que esta na sala de aula deve aproveitar o momento para melhor desenvolver o conceito de ditadura.

Para boa utilização dos conceitos, o professor tem de contextualizá-los junto com os alunos, tendo em vista que as concepções são construídas de forma pragmática e que assumem inúmeras variáveis ao longo da história.

Esta construção ocorre quanto o professor quebra os antigos paradigmas oriundos da escola moderna: onde a função da docência se resumia a transmissão e irradiação do conhecimento.

Para quebrar com estes paradigmas o professor deve perceber que a escola moderna encontra-se em um processo de reconstrução, rumo à escola contemporânea.

Para que esta escola contemporânea se torne realidade, o professor deve assumir o papel de produtor/mediador do conhecimento junto aos alunos.

O trabalho com os conceitos ganha valor pela instrumentalização dos educandos para a compreensão dos acontecimentos históricos.




O conceito de ditadura.

Em uma definição geral e ampla, a ditadura é todo o regime pelo qual ficam suprimidos os direitos democráticos, de um indivíduo, grupo, partido ou classe social.

Engessando o poder nas mãos de um único grupo.

Diferente de um regime democrático que se caracterizada pelo direito a participação ativa do povo no governo por meio do voto, que tem como seu principio básico a soberania do povo.





As formas de classificação.

As ditaduras se dividem em dois tipos: autoritárias e totalitárias.

As ditaduras totalitárias se caracterizam pelo repúdio à democracia formal, sua forma de imposição se dá pelo meio do discurso ideológico.

Este é divulgado pelos meios de comunicação em massa, sendo absorvido pela população que será a base para a construção de uma nova sociedade civil.

Forjada por esta ideologia, que está fora dos parâmetros da antiga e então vigente democracia formal.

Assim, os grupos políticos e socais que se mostram contra o regime são punidos.

Nesses casos se adotada um sistema político uni-partidário, não sendo nenhum outro grupo político reconhecido.

Nos regimes totalitários, o ditador é a personificação deste novo estado, sendo sua representação máxima.

As ditaduras autoritárias são regimes políticos ditatoriais onde os direitos individuais ficam à mercê de um confuso sistema de segurança nacional.

Nestes casos, o sistema político e formado por mais de um partido político, mas estes não têm poder de interferência nas decisões tomadas pelo governante ou grupo no poder,

Os partidos fazem sua escolha feita por voto indireto.

Estes regimes vivem de aparências, tentando passar a população uma visão deturpada da sua verdadeira imagem opressora.

Quando este tipo de governo está no poder, busca eliminar todas as formas de oposição e movimentos sociais que possam ameaçar a ordem.

Estes governos são normalmente manipulados pelos interesses das classes mais altas, deixando de lado qualquer desejo das classes inferiores.

Para conter o desagrado destas categorias desvaforecidas, o governo ditatorial constrói um forte aparto repressor usando os aparelhos de Estado (polícia, exército e judiciário).

Neste tipo de regime ocorre um controle quase que absoluto dos meios de comunicação, fazendo assim a desinformação o único tipo de informação necessária ao povo.

Coerção faz os grupos militares acabarem adquirindo grande força, já que é a principal arma contra a mobilização popular.

A repressão é feita para que os interesses das classes dominantes (empresários, comerciantes, militares, políticos, etc.), sejam garantidos.

 As formas de governo ditatoriais são expressão máxima da impugnação do direito público democrático, totalmente contrárias ao Estado de direito.

Opondo-se a todo e qualquer Estado que busca garantir o respeito às liberdades civis e direitos humanos.

Cerceam  as liberdades fundamentais, como o direito de ir e vir, livre expressão, dentre outros.




Concluindo

O trabalho realizado pelo professor, com a utilização de conceitos, possibilita aos alunos a aquisição das “ferramentas” para uma melhor compreensão do mundo em que vivem.

Capacitando o educando para vida em sociedade, sendo um dos desafios a ser vencidos por quem ensina história.

Os rastros do passado servirão como fonte para os debates, mas, para que isso ocorra, o professor deve desprender-se da antiga percepção de que ele é o irradiador do conhecimento, assumindo uma posição de mediador.

Os usos dos conceitos introduzidos pelo professor serão a base auxiliar para que os alunos possam compreender os fenômenos históricos.

Para boa utilização dos conceitos, o professor tem de contextualizá-los junto com os alunos, tendo em vista que o saber será construído de forma pragmática, assumindo inúmeras variáveis ao longo da história.

A conscientização sobre o passado é uma tarefa contínua do historiador/professor, a responsabilidade de reescrever e revisitar o passado deve ser vista como uma atividade coletiva que não é privativa dos acadêmicos.





Para saber mais sobre o assunto.

BITTENCOURT, Circe Maria. Educação na América Latina. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura. 1998.

BOBBIO, Norberto (Org.). Dicionário de política. Brasília: UNB, 1998.

CARDOSO, C. F &VAINFAS, R. (Orgs.). Domínios da história: ensaios de teoria e metodologia. São Paulo: EDUSP, 1996.

KARNAL, Leandro (org.). História na sala de aula. São Paulo: Contexto 2005.

RÜSEN, Jorn. História Viva Teoria III: formas de conhecimento histórico. Brasília: UNB, 2007.

SPINDEL, A. O que é ditadura. São Paulo: Brasiliense, 1985.



Texto: Cássio Michel dos Santos Camargo.
Licenciado pelo Instituto Metodista IPA do Sul, Pós-graduando em História e Geografia Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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