Curiosidades e tudo que você sempre quis saber...


Para entender a história... é uma publicação técnico-científica on-line independente brasileira, indexada pelo IBICT, Latindex, CNEN e LivRe; no ar desde sexta-feira 13 de Agosto de 2010.
Não possui fins lucrativos, seu objetivo é disseminar e difundir o conhecimento através de artigos com qualidade acadêmica e rigor cientifico, mas linguagem acessível ao grande publico.

Periodicidade: Semestral (edições em julho e dezembro) a partir do inicio do ano de 2013.
Mensal entre 13 de agosto de 2010 e 31 de dezembro de 2012.

Livros com preços promocionais a partir de 4,99.

sábado, 12 de março de 2011

Conceitos básicos da Sociologia: algumas considerações.

Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume mar., Série 12/03, 2011, p.05-08.


Existem três conceitos básicos em sociologia: formas de organização social; cultura; estrutura e papéis sociais.
Para entender várias discussões sociológicas é necessário dominar estes conceitos, por isto abordaremos aqui brevemente cada um deles.


Formas de organização social.
A unidade fundamental para a sociologia é o grupo social, um conjunto de pessoas que interagem formando padrões, unidas em torno de interesses em comum ou aglutinadas segundo a identidade que tentam reproduzir.
Os grupos sociais se dividem em primários e secundários.
Grupos primários são aqueles em que os indivíduos possuem laços mais estreitos, mais próximos, propiciando maior intimidade e coesão, dentro dos quais os interesses comuns se estendem por longos prazos e, por vezes, são substituídos pela afetividade.
Um bom exemplo de grupo primário é a família, onde se um membro modificar seus interesses, nem por isto deixa de pertencer ao grupo.
O interesse em comum que existe dentro da família pode ser simplesmente o bem estar do outro, quer seja consciente ou não.
Grupos secundários são formados por indivíduos com interesses em comum que, depois de satisfeitos, dentro de certo prazo, terminam com a dissolução do grupo.
Colegas de faculdade exemplificam perfeitamente um grupo secundário, pois existe o interesse em comum de concluir o curso, o que, uma vez realizado, dissolve o grupo, embora ele possa se tornar um ou vários grupos primários.
Conforme os grupos crescem podem se tornar formais e informais, ou seja, com regras e normas explicitas ou implícitas.
Um grupo pode se tornar uma organização, um aglomerado de pessoas unidas em torno de objetivos, formando uma combinação de esforços individuais em prol de propósitos coletivos.
Neste sentido, assim como os grupos, as organizações podem ser voluntárias ou coercitivas.
Grupos ou organizações voluntários são aqueles onde os membros se reúnem espontaneamente.
Coercitivas são aqueles em que os membros são forçados a se reunirem, a estarem juntos.
Diferente de uma organização, uma instituição pode ser definida como um conjunto de pessoas que, não tendo necessariamente objetivos coletivos, é unificado pelo conjunto de tradições que segue.


A cultura e sua formação.
A cultura pode ser definida como um conjunto de valores que une e confere identidade a um grupo, ditando parâmetros de conduta que unificam comportamentos e ações, fornecendo modelos que podem compor estereótipos.
Estereótipos são modelos nos quais os indivíduos são encaixados conforme as aparências, nem sempre correspondendo a realidade.
A dinâmica de formação e modificação da cultura leva em consideração influencias internas e externas, sendo integrado pela cultura ideal, a cultura real e a contracultura, além de subculturas.
A cultura ideal ode ser definida como o conjunto de valores fixados pela elite, vinculado, portanto, com a cultura erudita, o saber cientifico e escolar.
A cultura real corresponde aos valores fixados pelo senso comum ou cultura popular e de massa, respondendo pelos valores em voga na prática.
Aqui cabe uma distinção, pois a cultura popular é aquela que nasce espontaneamente, enquanto a cultura de massa é fabricada pela mídia de grande circulação e, em geral, possui objetivos mercadológicos.
As subculturas pertencem à cultura real, constituindo variações da cultura regionalizadas, que não contrariam, necessariamente, a cultura ideal, como por exemplo a cultura nordestina ou gaucha, ambas pertencentes a cultura brasileira.
Em meio ao processo de constante modificação da cultura, alguns indivíduos que não concordam com aquilo que é imposto pela cultura ideal e real, não conseguindo adequar os parâmetros oficiais, terminam optando por defender novas idéias.
Estes indivíduos acabam criando movimentos de contracultura que, com o tempo, podem modificar a cultura.


Estrutura e papeis sociais.
Ao contrário do que poderíamos imaginar, nem sempre os indivíduos controlam totalmente se comportamento.
Para facilitar o convívio, a sociedade está organizada segundo uma hierarquia, compondo uma estrutura social.
Cada individuo, conforme suas inclinações pessoais e sua formação social, tende a ocupar um lugar na estrutura, exercendo um papel social especifico que fará com que se comporte conforme as expectativas do grupo, independente de sua vontade.
O comportamento das pessoas envolve o que se espera delas ou aquilo que ela mesma imagina que é esperado, determinando papéis sociais que conferem status.
Por exemplo, um diretor de uma empresa jamais irá usar gírias em uma reunião de diretoria, pois considera que não atenderá as expectativas do grupo e diminuirá seu status.
Entretanto, quando alguém ocupa mais de uma posição ou está presente em mais de uma estrutura, desempenhando múltiplos papéis, podem surgir conflitos de papéis.
A esposa, por exemplo, sendo ao mesmo tempo mãe, devendo desempenhar funções distintas, pode confundir papéis.
Tratando o marido como filho e criando uma tensão sexual com o filho, a esposa pode deixar os outros membros da família desorientados.
Quando a mãe parece ter mais status para o marido que a esposa, a dita esposa pode tentar compor a expectativa que pensa que o marido tem para com ela.
Resultado, a esposa passa a tratar o marido como mãe, buscando o status que julga não ter como esposa.
Assim, o fator que faz com que as pessoas confundam papeis é o status, a busca pelo reconhecimento dentro da estrutura social.
Quando um papel é considerado pelo individuo como estando abaixo do respeito e admiração almejado, o individuo tende a transferir seus desejos de reconhecimento para outra parte da estrutura ou outra estrutura onde pensa que terá maior probabilidade de sucesso.
De qualquer forma, os conflitos de papeis desarticulam as relações e desest5ruturam os grupos sociais, causando inúmeros problemas para o individuo e o conjunto da coletividade.


Concluindo.
Esperamos que as breves descrições apresentadas neste artigo modesto possam contribuir para o entendimento das relações sociais.
Entretanto, sugerimos que os leitores aprofundem seus estudos pesquisando mais sobre o assunto e consultando a bibliografia indicada.


Para saber mais sobre o assunto.
GIDDENS, Anthony. Sociologia. Porto Alegre: Artmed, 2005.


Texto: Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Esteja a vontade para debater idéias e sugerir novos temas.
Forte abraço.
Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.