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Periodicidade: Semestral (edições em julho e dezembro) a partir do inicio do ano de 2013.
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Repensando o papel da mulher no mundo contemporâneo.


Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume dez., Série 07/12, 2011, p.01-03.


Por quê o dia Internacional da Mulher, instituído em 1975 pela ONU, para comemorar conquistas e combates femininos?

Resposta: essas lutas surgem, na segunda metade do século dezenove, momento em que as mulheres começam a participar mais ativamente da vida pública e em especial do mundo do trabalho.
Mas um mundo do trabalho cruel.
As indústrias que começavam a se proliferar, cuspindo fumaça por grandes chaminés, empregavam em alguns setores uma população majoritariamente feminina.
Em São Paulo, na última década do século XIX, por exemplo, elas eram 90% do contingente de trabalhadores.
E as mulheres trabalhavam nas mais rudes condições: dez a doze horas sem interrupção, em instalações sem higiene, sem condições de salubridade, açodadas sexualmente por capatazes e gerentes, e como hoje, recebendo salários bem mais baixos do que os dos homens.


O contexto histórico internacional do trabalho feminino.
No século XIX, muitas mulheres, ao voltar para casa, tinham que enfrentar o descontentamento dos maridos, pois estes eram tempos em que médicos e juristas acreditavam que o trabalho feminino fora de casa, destruía o lar, provocava a infelicidade dos filhos e tornava a mulher uma prostituta.
Nos EUA é o momento de grandes passeatas e alguns mitos: passeatas de mulheres em NY, onde se encontrava o grosso das indústrias têxteis.

E mitos como o de um incêndio na fábrica Cotton – não comprovado - que teria matado 127 operárias, as primeiras mártires do trabalho feminino.

A revolução russa, desencadeada em 1917, também vai contar com mobilização das mulheres operárias de São Petersburgo, para manifestar sua desaprovação com as terríveis condições em que viviam.

Por fim, os vários congressos socialistas e comunistas que começavam a se organizar, encontraram em militantes como a sindicalista alemã Clara Zetkin, porta-vozes contra a exploração de que eram vítimas as mulheres.
Tudo isto vai colaborar para que nos países industrialmente avançados, e sobretudo, nos meios socialistas, se comece a discutir a necessidade de um dia internacional da Mulher.


O trabalho feminino no Brasil.
No Brasil, lutava-se não só por melhores condições de trabalho, mas também para estudar e votar.
Alguns marcos desta luta: só em 1879, as mulheres têm autorização do governo para freqüentar instituições do ensino superior, pelo que foram ridicularizadas.

Em 1887, formou-se a primeira médica brasileira, Rita, Lobato Velho.

Em  1885, num romance intitulado Memórias de Marta, Júlia Lopes de Almeida denunciava pioneiramente a dificuldades da vida das mulheres pobres.

Em 1917, a professora Leolinda Daltro liderou uma passeata exigindo a extensão do voto às mulheres. Ano de 1922, fundada a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino.
Em 1929 é eleita a primeira prefeita: Alzira de Souza, em Lages, Rio Grande do Norte.
Em 1931, criada a Cruzada Feminista Brasileira e em 32, no governo de Getúlio Vargas, o novo código eleitoral institui o voto feminino.
E só em 1945, uma Carta das Nações Unidas, reconheceu a igualdade de direitos entre homens e mulheres.


Concluindo.
Hoje, passadas as lutas mais renhidas, as mulheres são quase 10% da representação política em instituições como Senado, Câmara ou prefeituras.
E o quê elas, que se beneficiaram dos combates anteriores, estão construindo para suas filhas?
Muito pouco.
Tanto que no dia 8 de março mais se pensa em distribuição de rosas e música do Roberto Carlos, do que em agendas que de fato modifiquem a vida das mais desfavorecidas.
Para as que pensam que a atual trajetória das mulheres, transformou um passado de lutas em mais uma data comercial, fica a sugestão: criar também o Dia Internacional do Homem.


Para saber mais sobre o assunto.
DEL PRIORE, Mary. A Família no Brasil Colonial. São Paulo: Editora Moderna, 1999.
DEL PRIORE, Mary. Ao sul do corpo, Condição Feminina, Maternidades e mentalidades no Brasil Colônia. UNESP: São Paulo, 2009.
DEL PRIORE, Mary. “A vida cotidiana no Rio de Janeiro” In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, v. 436, 2007, p. 313-333.
DEL PRIORE, Mary. Histórias do Cotidiano. São Paulo: Contexto, 2002.
DEL PRIORE, Mary. L'Histoire de la vie privée dans le monde luso-americain: l'exercice d'une nouvelle approche? In : Cahiers de L'histoire Du Brésil, Sorbonne - Paris, 2000.


Texto: Profa. Dra. Mary Del Priore.
Doutora em História Social pela USP, com Pós-Doutorado na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (Paris/França).
Lecionou História do Brasil Colonial nos Departamentos de História da USP e da PUC/RJ.
Autora de mais de cinqüenta livros e atualmente professora do Programa de Mestrado em História da Universidade Salgado de Oliveira - UNIVERSO/NITERÓI.
Membro do Conselho Editorial de "Para entender a história..." desde 14/01/2011.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Em torno das comemorações do sete de setembro: qual Independência?


Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume set., Série 07/09, 2011, p.01-04.


Há palavras cuja grafia parecem misteriosamente encarnar um sentido.
Assim, “independência”, menos do que lembrar o Sete de Setembro, significa para muitas de nós autonomia, liberdade em relação a alguém ou alguma coisa, ausência de subordinação e imparcialidade diante de críticas.
Lendo a lista de sinônimos, fica-se com a impressão de que ela é quase como o grito do Ipiranga: é independência ou morte!
Mas mesmo que um sentimento vital nos empurre nesta direção, ser independente é bem mais complexo do que simplesmente respirar.
Podemos, por exemplo, nos enganar sobre o grau de independência que desejamos ter.
Sabemos, também, que mesmo os imbecis querem ser independentes ou que há milhares de maneiras de se sentir independentes.
Conclusão?
É mais importante defender um valor e um significado para sua independência, do que simplesmente decretar “independência ou morte”.


A independência como processo.
Só para refrescar a memória: a Independência, movimento por nossa liberdade, foi uma ação elitista.
Quase uma disputa entre aristocratas portugueses e elites brasileiras.
Ao romper com a antiga pátria-mãe, sagrando-se imperador a 12 de outubro de 1822, D. Pedro I reunia as várias províncias num único projeto.
O de esvaziar as cortes legislativas portuguesas, criando uma similar, nacional.
A medida deu certo e a ela se deve o sucesso do “grito do Ipiranga”.
É bom lembrar, contudo, que se não contasse com o apoio das elites cariocas, paulistas, mineiras, baianas e piauienses, o gesto passaria para a história, como mais um “berro” inconseqüente do autoritário D. Pedro.
Ao longo da história não faltaram grupos dispostos a reivindicar uma humanidade livre, desembaraçada de opressões, de dogmas ou de constrangimentos.
Multiplicaram-se os revolucionários desejosos de um mundo sem contradições, sem sofrimento, sem dores, fixados na excelência e na felicidade eterna.
Aqui e ali não faltou os que negaram o poder das autoridades, de Deus ou da família.
Os que proclamaram a morte da tradição ou da transcendência.
Todos serviram às suas consciências, mesmo sob o risco de prisão, tortura e mesmo fogueira.
No início do século passado, Freud via na atitude contestatória um valor positivo.
A revolta seria uma forma de interrogar-se sobre as normas vigentes, de inquietar-se, de colocar questões.
Mais. Ela traria em si a urgência de compartilhar laços e projetos, enfim, de olhar na mesma direção.
Concordo. Se houve mudanças ou revoluções na sociedade brasileira, elas foram feitas no sentido de criar redes que permitam a cada um de nós responder e exprimir a necessidade de solidariedade.
Diferentemente do comportamento das elites na Independência, voltadas para seus exclusivos interesses, mais e mais encontramos pessoas envolvidas com ações que implicam em trabalho solidário, voluntariado e projetos comunitários.
Num país onde persiste a confusão política e moral, a desigualdade, a violência, cresce o número dos que falam em cidadania, responsabilidade corporativa e sociedade sustentável.
É como se neste início de século, o sentimento de rebeldia fosse irmão gêmeo de outra palavra: compaixão. 
E tal forma de engajamento nos lembra, o tempo todo, que uma nação é feita de deveres e não apenas de direitos.
Um dos nossos deveres como cidadãos é o de nos inquietarmos.
O movimento Basta de violência, criado no Rio de Janeiro, é um bom exemplo.
Pena que suas faixas, ainda não tremulem nas favelas do Alemão ou Rocinha, ficando restritas aos prédios de uma aterrada Zona Sul da cidade.
Outra preocupação nasce da sensação de que estamos caminhando para a globalização por meio de um modelo no qual a liberdade significa adaptação à produção.
Mas esta não é a única versão para o conceito.


Concluindo.
Os filósofos contemporâneos mostram que a liberdade pode ser sinônimo de um eterno recomeço, um milagre de nascimento vivido por cada um de nós.
Por cada um que queira se questionar, ter compaixão pelo Outro e engajar-se em projetos solidários.

O importante é achar espaços sociais onde este milagre possa se reproduzir.

E, no Brasil, eles não faltam.

Desta perspectiva, ser independente significa bem mais do que ser livre para viver como se quer.
Significa, basicamente, viver com valores que façam a vida ser digna de ser vivida. Não basta um estado de espírito.
Não basta, como diz o samba, “vestir a camisa amarela e sair por aí”.
Tampouco, basta sentir-se autônomo, fazendo parte do bando.
É preciso algo mais.
Ora, um dos valores que vêm sendo retomado pelos filósofos e que cabe como uma luva nesta questão é o da resistência.
Na raiz da palavra “resistere”, se encontra um sentido: “ficar de pé”.
E ficar de pé implica em manter vivas, intactas dentro de si, as forças da lucidez.
Esta é uma exigência que se impõe tanto em tempos de guerra, quanto em tempos de paz.
Sobretudo, nestes últimos quando costumamos achar que está tudo bem, que está tudo “numa boa”.
Quando recebemos informações de todos os lados, sem tentar, nem ao menos, analisá-las e terminamos por engolir qualquer coisa.
Resistir como uma forma de ser independente é, talvez, uma maneira de encontrar um significado num mundo em que ficar de pé e melhor do que andar só.
Daí que para celebrar a independência - do país ou a nossa individual – vale mesmo é desconstruir o mundo, desnudar suas estruturas, investigar a informação. Fazer isto sem cansaço para depois termos vontade de, novamente, desejá-lo, inventá-lo e construí-lo.
De reencontrar o caminho da sensibilidade, diante de uma paisagem, ao abrir um livro ou a porta de museu.
Independência, sim, para defendermos a vida, para defendermos valores para ela, para que ela tenha um sentido. Independência de pé, com lucidez, com prioridades.
Clareza, sim, para não continuarmos a assistir, impotentes, o espetáculo de nossa própria impotência. 


Para saber mais sobre o assunto.
DEL PRIORE, Mary. O Livro de Ouro da História do Brasil. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002.


Texto: Profa. Dra. Mary Del Priore.
Doutora em História Social pela USP, com Pós-Doutorado na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (Paris/França).
Lecionou História do Brasil Colonial nos Departamentos de História da USP e da PUC/RJ.
Autora de vinte e nove livros e atualmente professora do Programa de Mestrado em História da Universidade Salgado de Oliveira - UNIVERSO/NITERÓI.
Membro do Conselho Editorial de "Para entender a história..." desde 14/01/2011.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Criança e sofrimento: algumas considerações.

Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume ago., Série 03/08, 2011, p.01-02.


A primeira cena é clássica: a criança abre o presente, sorri, está contente.
Mas a segunda cena, também: muxoxos, palavras condescendentes, troca de implicâncias entre os pais.
Seus corpos falam sem nada dizer.
A tensão aumenta.
A corrente elétrica se instala entre pólos contrários.
Eles se evitam, se procuram, se encostam, se irritam.
Uma pergunta aciona a descarga: “mas o que é que você tem?”.
A tal pergunta assinala o mal entendido, à distância entre o que cada um deseja, a falha na demanda nunca atendida.
As portas batem, os lábios se cerram, as lágrimas rolam, os insultos explodem contra a parede.
Eles se dizem coisas inomináveis.
E no interior dessa cena, onde cada um tem seu lugar, percebe-se furtivamente uma criança que chora, refém da tormenta entre seus pais.
É a criança a quem se pede que seja testemunha, que escolha um campo.
Começa, muitas vezes, assim, o duro aprendizado da separação.
Cada vez mais, crianças “vêem esse filme”.
Na vida real ou na virtual que lhes apresenta a televisão, lá está a briga, a violência, a disputa.
Natural e incorporada ao quotidiano, sua reprodução é tão mais perigosa quanto ela não dá espaço para que a criança se revolte e diga: basta!
Mas, há ainda outra cena na qual a criança ouve: “é para o seu bem”.
E em nome desse bem, quantas punições injustas, humilhações arbitrárias e violências cometidas.
Quantos pequenos corpos não trazem as marcas desse texto ilegível?
O pior é quando paira um silêncio suspeito na cena e a cortina cai.
Frente ao mutismo da criança, os pais concluem: “ela é difícil...”.
Vivendo numa sociedade açodada pela violência fora (nas ruas, na cidade, no mundo) poucos de nós se dá conta da violência dentro: no coração do social, na família.
Alguns especialistas tem chamado a atenção para a “surdez psíquica” dos adultos, surdez que os impede de ouvir a voz das crianças.
Afinal, não são elas que nos colocam as perguntas mais radicais ou espinhosas?
“Por que vocês brigam?”: é uma delas.
Muitos pais negam a violência por sua total incapacidade de elaborá-la ou porque preferem reproduzi-la “para educar”.
Não são poucos os que ainda não entenderam que a infância é lugar de alegria, sonho e felicidade.
Ou como dizia Cecília Meirelles: “nossa infância é o último esquecimento, derradeiro consolo e suprema poesia de nossa existência.
Tudo mais pode cobrir-se de sombras – nossa infância será um sol nítido – mesmo quando não haja sido tão brilhante, nem feliz”.
Boas palavras, as da educadora e poetisa, para serem, sempre, lembradas.


Texto: Profa. Dra. Mary Del Priore.
Doutora em História Social pela USP, com Pós-Doutorado na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (Paris/França).
Lecionou História do Brasil Colonial nos Departamentos de História da USP e da PUC/RJ.
Autora de mais de cinqüenta livros e atualmente professora do Programa de Mestrado em História da Universidade Salgado de Oliveira - UNIVERSO/NITERÓI.
Membro do Conselho Editorial de "Para entender a história..." desde 14/01/2011.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Viajar é preciso... mas adquirir cultura deveria ser o principal objetivo: turistas e viajantes.

Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume jul., Série 20/07, 2011, p.01-04.


Viagem e evasão caminham de mãos dadas; o desejo de romper com os ritos sufocantes do quotidiano tem levado, desde tempos imemoriais, homens e mulheres a partir.
Se alguns buscam na viagem o prenúncio de coisas novas, de paisagens diversas onde cheiros e gostos nunca dantes provados lhes satisfaçam os sentidos, há, por outro lado, os que procuram, lá longe, o mesmo, o idêntico.
Buscam hotéis onde poderão comer da mesma comida e quartos com a mesma televisão que os conduza, pelos caminhos da globalização, ao mesmo programa habitualmente visto lá na terrinha que se deixou para trás.
Para esses, um cenário diferente fica congelado, entre outros tantos, na máquina fotográfica ou na filmadora de última geração para ser consumido, de volta, numa sessão de pipoca e Coca-Cola, com os amigos.
Esse tipo de viagem desenvolve um exotismo, mas um exotismo “ocular”.
Ela só pode ser visitada através de lentes.


Todos somos turistas.
No prolongamento do “voyeurismo” turístico, há os que viajam através dos programas de televisão, visitando sem esforço, riscos e custos, mundos distantes.
Desde a Idade Média, a Ásia é a campeã de audiência.
A rota das especiarias e da seda, trilhada em lombo de camelo por comerciantes do Mediterrâneo foram substituídas por escaladas no Himalaia, visitas a templos budistas, mergulhos entre peixes multicoloridos e balonismo nas ilhas do Pacífico.
O lema é: Seja um viajante, - mas na sua poltrona.
Renuncia-se a idéia de ser ator para ser espectador da viagem.
Existem, por fim os que viajam “para dentro”, capazes de transportar-se para lugares do passado ou do futuro graças a certa melodia, perfume ou imagem, deslizando docemente para um universo silencioso de sentimentos nostálgicos.
Viajamos para longe, de verdade ou de mentira, em busca daquilo que, estando próximo, não reconhecemos mais.
Mas se viajar é maravilhoso o mesmo não se pode dizer da criatura nascida deste desejo desabrido de locomover-se: o turista.
Na verdade, viajando por terras desconhecidas ou pela TV, somos todos turistas.


O outro ao nosso lado.
Para cada viajante, o indivíduo que vai sentado ao lado, no avião, é o inimigo potencial.
Os signos de identificação, na maior parte das vezes, são óbvios.
Ele fala alto, carrega uma mala que precisa de três aeromoças para caber no compartimento da bagagem de mão e, embora tendo escolhido o assento da janela, levanta-se mil vezes durante a noite.
O fato de só andar “em bando”, o que lhe dá mais segurança, permite-lhe, também, gritar todo o tempo, pois afinal, o melhor amigo está do outro lado da aeronave.
Quando vem de Miami, desembarca com o chapéu do Mickey e algumas toneladas de excesso.
Sobre ele e suas malas, o comentário que mais se ouve às portas do desembarque é sempre: mas, afinal, onde está a crise?!
Suas estórias são de arrepiar: protegido pelo anonimato e pela dificuldade da língua, o turista desrespeita o que pode e não deve.
Tenta burlar o vendedor da loja, o garçon do restaurante, o funcionário do quiosque de informações.
Aplica lá fora a “lei de Gérson”.
Carrega como uma formiga todo o estoque de xampus e sabonetes do hotel e é um milagre quando não leva junto o cinzeiro e as toalhinhas de mão.
Afinal, para ele tudo é “souvenir”.
E a programação?
Via de regra, ela começa pelos chamados pontos turísticos, um eufemismo para encobrir lojas e shoppings em perpétua liquidação cuja característica suplementar é a farta distribuição de brindes.
Como é raro ver brasileiros em museus, galerias ou livrarias, no exterior! 
Quando o fazem, é porque deu no jornal que é chique.


E a aquisição de cultura... onde entra?
Na realidade, um roteiro cultural só é cumprido para fazer parte das tantas coisas consumidas e depois trocadas numa conversa social.
O turista obedece assim às leis de uma sociedade produtivista capaz de criar bens de consumo (as viagens) correspondentes à lógica do mercado. 
Tudo indica que nesta viagem aparentemente “de verdade”, nada é verdadeiro.
Refiro-me ao interesse que deve ter um viajante pelos caminhos plurais das culturas nas quais se podem mergulhar graças ao deslocamento geográfico.
Penso em coisas concretas como a comida, a língua, as festas religiosas, as artes, fenômenos das quais se participa dividindo com os locais, as emoções, o respeito e mesmo a curiosidade que eles nos inspiram.
A capacidade que tem o viajante de se apropriar dessas experiências só lhe pode ajudar a compreender de onde, uma sociedade que difere da sua, tira a substância de sua inteligência e de seus sonhos, obrigando-o a se afastar de apressadas generalidades capazes criar preconceitos contra o quê, e os que não se conhece.


Concluindo.
Alheio a possibilidade de aprimorar sua cultura e abrir o olhar para expandir horizontes, instalado no frenesi do lazer e do consumo, o turista vê na viagem uma compensação ou uma revanche contra a vida diária e o trabalho.
A viagem do consumista desenvolve um tipo de passividade do qual ela já é o efeito primordial.
Quanto mais tempo ou mais rapidamente se viaja, menos se escolhe as viagens.
Nelas, pouco se cria e tudo se consome, pois tudo o que o turista perde em termos de conhecimentos lhe é vendido em objetos.
Distinguir, contudo, um turista de um viajante não é difícil.
O primeiro traz na bagagem, o efêmero.
O segundo uma lembrança para a vida inteira, buscando carregar consigo para sempre o conhecimento de novas culturas e não apenas demonstrar status pelo poder de consumo de poder visitar outros lugares.


Texto: Profa. Dra. Mary Del Priore.
Doutora em História Social pela USP, com Pós-Doutorado na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (Paris/França).
Lecionou História do Brasil Colonial nos Departamentos de História da USP e da PUC/RJ.
Autora de mais de cinqüenta livros e atualmente professora do Programa de Mestrado em História da Universidade Salgado de Oliveira - UNIVERSO/NITERÓI.
Membro do Conselho Editorial de "Para entender a história..." desde 14/01/2011.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Lembrar os mortos é reviver a história.

Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume jun., Série 29/06, 2011, p.01-03.


A vida é uma sucessão de separações graças às quais, não paramos de crescer.

A cada instante, morremos para nós mesmos, para os outros, para o mundo ou para o tempo.
É como se a experiência da perda estivesse geneticamente inscrita. 
Perder alguém sempre significa reativar um sentimento que já foi vivido.
Perder um ente querido, no amor como na morte, significa desconstruir o velho sonho do “para sempre”.
O sofrimento, então, só nos faz pensar no “nunca mais”.


Luto e história.
Psicanalistas e filósofos concordam: para fazer o luto é preciso vive-lo, ou seja, adentrar a história.
Ora, frente à dor, a vida de hoje parece não autorizar mais manifestações externas, individuais ou coletivas.
Ninguém chora ou grita.
Os rituais laicos ou religiosos se reduziram ao mínimo.

Apaga-se o luto, que se tornou uma aventura estritamente privada. Aventura vivida em segredo e pudor.
Antigos cemitérios, cujos jazigos funcionavam como uma espécie de consciência genealógica, - nossos bisavós e avós aí repousam - se tornaram necrópoles turísticas.
A nova cidade dos mortos é um jardim anônimo.
Hoje, vale o ditado: longe dos olhos, longe do coração.
Mas longe mesmo.
Os americanos já pensam até na satelitização das cinzas.
Evacuadas, esquecidas, estocadas, por que não manda-las ao céu?
A verdade é que o silêncio e o apagamento dos entes queridos não são signos de uma vitória contra a dor.
São, apenas, produtos anti-sépticos para dissimula-la.
Resultam de um esforço imposto pelos imperativos da “boa educação”.
A banalização, via televisão, de guerras e acidentes que não nossos, transforma em espetáculo a morte dos outros, sedando ou esvaziando o horror das mortes em massa.
Mas toda a vida se acaba, sem ter verdadeiramente acabado.
Os mortos não deixam de existir. Talvez, por isso, uma das tarefas dos vivos é falar do morto, reconstruindo sua existência.


Concluindo.
O luto não serve para esquecer, ao contrário, prepara para refazer o personagem – parente, criança, amigo perdidos – implica em construir o retrato que guardaremos na memória, evitando-lhes uma segunda morte.
Alguém já disse que os mortos precisam dos vivos.

Só nós podemos lhes fazer viver na lembrança.

Depois do luto, chega o tempo das conversas e de contar as vidas que tanto mais entendemos quanto mais falamos delas.

Só assim nossos desaparecidos encontrarão seu lugar em nossa memória, e na memória dos nossos.
Lugar, não sob a forma de incômodos cadáveres, mas como doce companhia, modelos ou cúmplices de nosso universo.
Desta perspectiva, lembrar dos nossos não é mais triste.


Texto: Profa. Dra. Mary Del Priore.
Doutora em História Social pela USP, com Pós-Doutorado na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (Paris/França).
Lecionou História do Brasil Colonial nos Departamentos de História da USP e da PUC/RJ.
Autora de mais de cinqüenta livros e atualmente professora do Programa de Mestrado em História da Universidade Salgado de Oliveira - UNIVERSO/NITERÓI.
Membro do Conselho Editorial de "Para entender a história..." desde 14/01/2011.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Os esportes como possibilidade de objeto de estudo para historiadores, sociólogos e filósofos.

Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume jun., Série 15/06, 2011, p.01-03.


Nas últimas semanas, o futebol nos pareceu a bobagem mais séria do mundo!
É copa no Brasil, o estádio que será construído ou não, atrasos no cronograma, jogo toda quarta-feira televisionado em canal aberto, final da libertadores da América.
Paralelamente aos ditos e não ditos da imprensa, às gafes e previsões fora do lugar feitas por comentaristas, historiadores, há muito vêem o esporte como um grande revelador social.
Antes de estabelecer criticas aos esportes, especialmente ao futebol, como ópio do povo, dentro do âmbito da política do pão e circo, deveríamos olhar para as práticas populares com uma visão mais branda.
Será que os esportes não são um excelente objeto de estudo para historiadores, sociólogos e filósofos.


A paixão nacional.
Por trás das bandeiras coloridas, rojões e batucadas, ou seja, da “paixão” pela “gorduchinha”, encontramos uma série de valores que fundam as sociedades contemporâneas.
A “bobagem mais séria do mundo” se enraíza numa série de características: a simplicidade das regras, a exaltação emotiva durante os jogos, a valorização do mérito e da solidariedade, o lugar irredutível da sorte ou do azar.

Mas, praticar o esporte ou torcer por um time é também uma questão de identidade.

No futebol, mais do que nunca, nos identificamos a um clube, a uma cidade, a um país.
Haja vista o cinza das cidades coberto pelo verde e amarelo.
Dizem alguns estudiosos, que o futebol, assim como outros esportes, não seriam mais do que uma forma moderna de barbárie, ou, se preferirmos, um substituto emocional para os grandes espetáculos que outrora se realizavam nas arenas.
A diferença é que hoje a máquina capitalista substitui a vontade dos Césares romanos.
Daí o lugar cada vez maior do dinheiro, da violência, do populismo, da corrupção e do “dopping”, no espetáculo esportivo.
Dizem outros que a lógica dinheirista capaz de irrigar o bolso de cartolas e dirigentes, caminha junto com a vontade de controle social destinada a impor uma falsa consciência das realidades a torcedores e telespectadores.
É a lógica do pão e circo.
Ou da grana mascarando a fraternidade humana.
Neste sentido, os esportes no Brasil simbolizam muito, dizem quem somos.
Resta aos doutores estudarem este fenômeno com maior seriedade e um olhar mais brando.


Concluindo.
Para além das várias interpretações, o que acompanhamos roendo as unhas, frente à televisão, é um espetáculo de beleza único.
Os corpos se estiram cada vez mais alto e mais longe; momentos de graça se alternam com gestos rudes; a coreografia dos músculos se conjuga à serenidade dos campeões; mesmo o caminhar tenso dentro do corredor que leva ao campo, parece um percurso iniciático que termina sob as luzes e os gritos da torcida.
A copa, mais uma vez, é nossa!
Graças a ela, enxergamos além dos gramados e vemos uma nação atravessada pelo medo, a violência e a insegurança mostrar um sorriso feliz.
Graças a ela, uma equipe de futebol pode ser um vetor de coesão, uma metáfora viva de integração, uma esperança de dias melhores.
Graças a ela, o verde da esperança derrama-se para além do estádio, cobrindo o país.


Para saber mais sobre o assunto.
DEL PRIORE, Mary (Org.). História do Esporte no Brasil do Império aos nossos dias. São Paulo: UNESP, 2009.


Texto: Profa. Dra. Mary Del Priore.
Doutora em História Social pela USP, com Pós-Doutorado na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (Paris/França).
Lecionou História do Brasil Colonial nos Departamentos de História da USP e da PUC/RJ.
Autora de mais de cinqüenta livros e atualmente professora do Programa de Mestrado em História da Universidade Salgado de Oliveira - UNIVERSO/NITERÓI.
Membro do Conselho Editorial de "Para entender a história..." desde 14/01/2011.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Uma reflexão sobre o dia das mães: o simbolismo do aleitamento materno.


Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume mai., Série 11/05, 2011, p.01-03.




Dia das mães? Não seria melhor, um dia do amor materno?

Dia que nos tirasse das práticas consumistas e que nos fizesse refletir sobre o que seja ser mãe nos dias de hoje?

Comecemos, pois, pela imagem inicial: o filho que se alimenta e a mãe que o come de beijos, em um círculo fechado e fundamental. 

Fundamental, pois esse gesto de amor básico irá condicionar a relação da criança, futuro adulto, com a vida.

A primeira aventura amorosa com a mãe que, simultaneamente, dá leite e mel, ajuda a crescer e repara, ou melhor, preenche todas as carências.

Seio e beijos são uma espécie de sinal verde para a vida.




O leite materno.

No passado, acreditava-se que o leite era sangue embranquecido.

A lactação era o mecanismo que permitia a transformação do sangue que se encontrava no útero, durante a gravidez, em leite que fluísse para os seios.

Da Vinci tem uma gravura que ilustra tal concepção: mostra as veias saindo da parte superior do útero, levando aos seios o sangue catamenial.

Daí a acepção “mãe de leite”.

As mães tinham, então, o domínio sobre o aleitamento e se tornavam nas suas comunidades figuras de grande força, associadas à alimentação e manutenção de pequenas vidas.

A importância do bom leite tinha também forte conotação como valor simbólico.

Aleitar trazia marcas culturais de segurança, de recompensa, de conservação da prole, presentes, aliás, nas representações sobre Nossa Senhora do Leite.

O seio gordo e cheio junto ao rosto do menino traduzindo o espelhamento simbólico do gesto de aleitar na imaginária do período.

A necessidade satisfeita, somada ao prazer dividido e à contemplação profunda entre mãe e filho configura, ontem e hoje, o quadro do aleitamento.




O debate em torno do aleitamento: criticas as amas de leite.

Ao amamentar, a mulher modela a criança à sua imagem e semelhança, e a intimidade nascida do aleitamento forja laços entre ela e seu rebento.

A importância da lactação fora percebida tanto por doutores quanto pela Igreja desde o século XVI.

Já se louvava na amamentação, o prazer de alimentar e acariciar a criança.

No século seguinte moveu-se um ataque cerrado às amas-de-leite por sua relação mercenária com o gesto duplo de alimentar-amar a criança.

Enquanto a amamentação passou a ser um meio de vida para mulheres pobres, mães revezavam-se em torno de fórmulas para conservar a beleza dos seios.

Desde o século XVIII, o aleitamento no seio da mãe é uma constante na literatura de pensadores, médicos e moralistas que combatem toda a forma de aleitamento artificial. 




Concluindo.

Uma existência pode ficar premida entre dois beijos e dois seios: aqueles que se deram e os que não se deram.

Gestos maternos de amamentar e beijar traduzem amor, mas, podem igualmente representar sofrimento.

Basta que sejam recusados.




Para saber mais sobre o assunto.

DEL PRIORE, Mary. A Família no Brasil Colonial. São Paulo: Editora Moderna, 1999.

DEL PRIORE, Mary. Ao sul do corpo, Condição Feminina, Maternidades e mentalidades no Brasil Colônia. UNESP: São Paulo, 2009.

DEL PRIORE, Mary. “A vida cotidiana no Rio de Janeiro” In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, v. 436, 2007, p. 313-333.

DEL PRIORE, Mary. A História das Crianças no Brasil. São Paulo: Contexto, 1999.

DEL PRIORE, Mary. “Crianças e adolescentes de ontem e de hoje “ In: Helena Bocayuva e Sílvia A. Nunes. (Org.). Juventude, subjetivações e violências. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2009, p.11-24.

DEL PRIORE, Mary. Histórias do Cotidiano. São Paulo: Contexto, 2002.

DEL PRIORE, Mary. L'Histoire de la vie privée dans le monde luso-americain: l'exercice d'une nouvelle approche? In : Cahiers de L'histoire Du Brésil, Sorbonne - Paris, 2000.




Texto: Profa. Dra. Mary Del Priore.

Doutora em História Social pela USP, com Pós-Doutorado na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (Paris/França).

Lecionou História do Brasil Colonial nos Departamentos de História da USP e da PUC/RJ.

Autora de mais de cinqüenta livros e atualmente professora do Programa de Mestrado em História da Universidade Salgado de Oliveira - UNIVERSO/NITERÓI.

Membro do Conselho Editorial de "Para entender a história..." desde 14/01/2011.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Família e Casamento.

Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume mai., Série 04/05, 2011, p.01-04.



Casamento, hoje?

“Até que a vida os separe”, responde o psicanalista.

As estatísticas não o deixam mentir.

Desde a década de 80, os números de casamentos vêm declinando e o de divórcios, aumentando.

Quem contabiliza é o IBGE. Golpes e mais golpes fustigam a família.

Será que desagregação familiar não passa também pela falência do casamento?




O conceito de família.

Como poderíamos definir a família hoje?

Menos sensível às sansões religiosas, menos atenta às tradições, ela já é chamada por cientistas sociais na Europa de “família pós-familial”.

Segundo estudiosos, a família só continua a existir na imaginação ou na memória.

A culpa?

É do casamento que não resistiu às mudanças.

A revolução tecnológica permitiu a emancipação econômica dos indivíduos desobrigando-os da vida familiar.

Até recentemente a família era uma proteção contra as ameaças do mundo, lá fora.

A Amélia - que se encarregava de lavar e passar para o marido - foi substituída pelo micro-ondas.

A pílula e a emancipação da mulher alteraram definitivamente as relações dentro da família.

Como se não bastasse, envolvimentos extraconjugais fascinam uns e outros, enquanto cresce na sociedade industrializada o número de pessoas que querem viver sozinhas.




O casamento hoje: falta conversa.

A auto-felicidade vem na frente dos cuidados entre os cônjuges e daqueles com os membros da família.

Hoje, sou “eu”,depois o “tu”, e bem mais longe, “eles”.

Enfim, a modernidade parece querer dispensar o casamento e a família de sua função histórica básica: garantir a nossa sobrevivência.

Se posso acrescentar uma modesta idéia à lista concebida por especialistas do mundo todo, diria que o casamento está morrendo porque as pessoas vêem televisão demais e conversam de menos.

Essa “arte de ser feliz junto” como já disse um filósofo sobre a conversação, vêm sendo ameaçada pelo lixo que a telinha joga para dentro de nossas casas à noite.

Todos sabemos que o prazer é coisa misteriosa e que, aquele que extraímos de uma boa conversa deve a bem pouca coisa: um clima de conivência, certa confissão inesperada, um sorriso velado entre uma e outra frase.

Parece pouco, mas é muito.

Que maravilha deixar-se levar pela vagabundagem da palavra, saindo de si e se aventurando na terra do outro, pondo um fim à discussão com um beijo.

E o que dizer da conversa que fica em segundo plano feita de tudo o que não ousamos dizer, de nossos medos, de nossas crenças e esperanças.




Concluindo.

Para restaurar o equilíbrio do casamento e da família, a conversação não deve ser só ócio e abandono, mas uma porta para a verdade, a felicidade, a amizade e a sociabilidade.

Um espaço de ironia e seriedade, riso e gravidade, cólera e medida.

Não aquilo em que se transformou: algo de útil e eficaz.

Uma boa conversa permite aproximação, incentiva compromisso, encontra um vocabulário comum.

Nela, haverá sempre um tempo para falar e outro para escutar.

Afinal, conversar é também saber calar.

Pois não se trata de ter a última palavra, mas de construir junto essa coisa preciosa e cada vez mais rara: o momento compartilhado.

“Enfim sós”?

Sim e, de preferência, para conversar...




Para saber mais sobre o assunto.

DEL PRIORE, Mary. A Família no Brasil Colonial. São Paulo: Editora Moderna, 1999.
DEL PRIORE, Mary. Ao sul do corpo, Condição Feminina, Maternidades e mentalidades no Brasil Colônia. UNESP: São Paulo, 2009.
DEL PRIORE, Mary. “A vida cotidiana no Rio de Janeiro” In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, v. 436, 2007, p. 313-333.
DEL PRIORE, Mary. A História das Crianças no Brasil. São Paulo: Contexto, 1999.
DEL PRIORE, Mary. “Crianças e adolescentes de ontem e de hoje “ In: Helena Bocayuva e Sílvia A. Nunes. (Org.). Juventude, subjetivações e violências. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2009, p.11-24.
DEL PRIORE, Mary. Histórias do Cotidiano. São Paulo: Contexto, 2002.
DEL PRIORE, Mary. L'Histoire de la vie privée dans le monde luso-americain: l'exercice d'une nouvelle approche? In : Cahiers de L'histoire Du Brésil, Sorbonne - Paris, 2000.




Texto: Profa. Dra. Mary Del Priore.
Doutora em História Social pela USP, com Pós-Doutorado na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (Paris/França).
Lecionou História do Brasil Colonial nos Departamentos de História da USP e da PUC/RJ.
Autora de mais de cinqüenta livros e atualmente professora do Programa de Mestrado em História da Universidade Salgado de Oliveira - UNIVERSO/NITERÓI.
Membro do Conselho Editorial de "Para entender a história..." desde 14/01/2011.