Publicação brasileira técnico-científica on-line independente, no ar desde sexta-feira 13 de Agosto de 2010.
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Periodicidade: Semestral (edições em julho e dezembro) a partir do inicio do ano de 2013.
Mensal entre 13 de agosto de 2010 e 31 de dezembro de 2012.

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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

A importância do Tutor no EAD: Uma Compreensão da Atuação dos Tutores Internos e Externos no EAD do Centro Universitário Leonardo Da Vinci-Uniasselvi.


Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 8, Volume dez., Série 20/12, 2017.

Prof. Esp. Daniel Rodrigues de Lima.

Licenciado em História - UNIASSELVI.
Especialista em Ensino de História - FETREMIS.
Especialista em Educação a Distância - UNIASSELVI.
Mestrando em História Social - UFAM.


RESUMO: O objetivo é compreender a atuação de tutores internos e externos no modelo EAD da Uniasselvi. O trabalho foi desenvolvido a partir de revisão bibliográfica, além de uma análise documental, pois utilizou o documento que serve como diretriz para compreender e analisar os tipos de tutoria (interna e externa) no modelo de EAD da Uniasselvi. Este documento é o livro “Educação a Distância”, produzido pelo NEAD da UNIASSELVI em 2013, que nas páginas 56 e 57 apresentam as funções de tutoria interna e externa. Por fim, a intenção não é esgotar a discussão, mas fomentar novos questionamentos, pois ainda no ano de 2017 a UNIASSELVI criou cursos em EAD nas modalidades flex e 100% Flex que acabaram por estabelecer novas atribuições aos Tutores Internos (à distância) e Externos (presenciais). Sendo assim, produzir novas pesquisas se faz necessário para ter respostas significativas e satisfatórias no que tange as abordagens relativas à EAD da instituição em questão.
PALAVRA-CHAVE: Educação à distância, Tutor, Uniasselvi, EAD, Tutoria EAD.

ABSTRATC: The objective is to understand the role of internal and external tutors in the Uniasselvi distance learning model. The work was developed from a bibliographic review, in addition to a document analysis, as it used the document that serves as a guideline to understand and analyze the types of tutoring (internal and external) in the Uniasselvi distance learning model. This document is the book “Distance Education”, produced by NEI from UNIASSELVI in 2013, which on pages 56 and 57 present the functions of internal and external tutoring. Finally, the intention is not to exhaust the discussion, but to encourage new questions, as in 2017 UNIASSELVI created distance learning courses in the flex and 100% Flex modalities that ended up establishing new assignments to the Internal (distance) and External Tutors (in person). Thus, producing new research is necessary to have meaningful and satisfactory responses regarding the approaches related to distance education at the institution in question.
KEYMORDS: Distance education, Tutor, Uniasselvi, EAD, EAD tutoring.

INTRODUÇÃO.
Pretendemos estudar a importância do tutor em EAD e, com isso, melhor compreender como atua estes agentes pedagógicos no Centro Universitário Leonardo da Vinci.
Acredita-se que a pesquisa é de extrema relevância, pois irá permitir discussões acerca da importância da tutoria em EAD como mediadores de conhecimentos e processos ao longo dos cursos de Ensino superior, em especial, do Centro universitário Leonardo da Vinci.
Além disso, a escolha do tema ocorreu pela necessidade pessoal e profissional de refletir sobre a própria atuação como tutor do Centro Universitário Leonardo da Vinci, sendo assim, melhorar a prática em tutoria na EAD.
A pesquisa consiste na compreensão pessoal acerca da atuação enquanto tutor externo no Centro Universitário Leonardo da Vinci.
Duas perguntas relevantes podem ser elencadas: Qual a Importância do tutor em EAD?; Quais atribuições dos tutores internos e externos nos cursos de EAD da UNIASSELVI?.
Portanto, os objetivos propostos e que se pretende alcançar são: compreender a atuação de tutores internos e externos no modelo EAD da Uniasselvi; entender o que é a EAD; descrever um breve histórico sobre EAD e conceituar o que é Tutor em EAD.
O trabalho será desenvolvido a partir de revisão bibliográfica, além de uma análise documental, vai utilizar o documento que serve como diretriz para compreender e analisar os tipos de tutoria (interna e externa) no modelo de EAD da Uniasselvi.
Este documento é o livro “Educação a Distância”, produzido pelo NEAD da UNIASSELVI em 2013, que nas páginas 56 e 57 apresentam as funções de tutoria interna e externa.

O QUE É EAD?
O termo Ensino a Distância pode ser visto como um limitador, pois a expressão apenas abrange um elo do processo didático-pedagógico, que é o ato de ensinar, um conceito que não direciona ao processo de aprendizagem.
Assim, verifica-se que o termo ensino pode ser entendido como um ato de transmissão de informações ou conhecimentos.
No que se refere ao conceito de Educação à Distância, este sim, possui maior abrangência no que se refere à imensidão do processo didático-pedagógico em suas dimensões de ensino e aprendizagem, em que a dialética é constante e permanente no cotidiano educacional, e, ainda, pode-se entender que discentes e docentes são partícipes ativos no processo educacional.

Acerca disso tem-se o seguinte:

Dessa forma, faz-se necessário esclarecer o conceito de educação à distância. Muitos autores usam o termo ao invés de distância, o que, em nossa educação a opinião que o ensino a distância, acaba limitando o seu conceito. A educação a distância não se limita ao ensino, mas ela engloba todo o processo de ensino-aprendizagem (SCHULTER; PIERI, 2013: 01).

Dessa forma, acredita-se que o conceito de Educação à Distância é o mais apropriado para nossa pesquisa pelo fato da sua maior abrangência acerca da dimensão do ensino/ aprendizagem, no que se refere a ensinar e aprender.

OS TIPOS EAD AO LONGO DA HISTÓRIA: UM BREVE HISTÓRICO.
Existem afirmações que nos conduzem a compreensão de que a educação à distância está presente desde os períodos mais remotos, o momento da existência das sociedades ágrafas, em que os homens daquele período histórico praticavam a denominada arte rupestre e, consequentemente, compartilhavam saberes e rituais com os membros do grupo.
Com a criação da escrita por volta de 4.000 a. C., esse fator também, pode ter sido um contributo para o desenvolvimento da educação, inclusive a educação à distância, pois os textos produzidos pelos seres humanos com informações e conhecimentos ali codificados passaram a ser transmitidos e apropriados por diversas pessoas e muitas vezes em locais distantes e diferentes.
Principalmente com a criação do Estado, onde o próprio Estado buscava informar sobre a situação administrativa para os membros que o compunham ou ao menos uma parte dele.
O filósofo Platão e o apóstolo Paulo, ambos utilizavam cartas para ensinar.
Platão ensinava por meio de cartas sua filosofia idealista; já Paulo buscava, através das cartas, ensinar ou transmitir os princípios da doutrina cristã.
Estes argumentos permitem concluir que a educação à distância está presente desde os primórdios da humanidade, mas ainda de maneira informal e não institucionalizada.
A partir do século XIX, pode-se dizer que ocorre o processo de institucionalização do ensino ou da educação à distância no mundo, com os denominados cursos por correspondência, embasado em materiais autoinstrutivos.
Em meados dos anos de 1950, com a maior difusão do rádio e da televisão, o ensino ou a educação à distância torna-se mais abrangente, outro fator importante também é a criação das Universidades Abertas, surgidas na Inglaterra.
No caso brasileiro, o ensino a distância estruturado por meio de tecnologias audiovisuais foi iniciado pelo Projeto Saci no Rio Grande Norte na década de 1960 e, posteriormente, diversos outros projetos surgiram como: O Telecurso 2000 e o Salto Para o Futuro/MEC.
Ainda no que tange ao Brasil, a LDB - lei 9.394/96 - possui no seu parágrafo 80, nas disposições gerais, informações e orientações acerca da educação a distância.
Na metade da década de 1990, acontece um grande momento para a difusão e proliferação da educação a distância, pois a criação da internet proporcionou um alargamento de fronteiras nunca visto no que tange ao EAD, devido à promoção de maior interação e interatividade a partir de ações sincrônicas e assincrônicas que poderiam ocorrer.

Diante do que foi exposto tem-se:

A EAD surgiu há muito tempo e avançou de modo lento e gradativo por longa data. Ela já vem sendo realizada desde as cartas de Platão e as epístolas de São Paulo. Teve grande impulso com a invenção da imprensa por Gutemberg. Durante a II Guerra Mundial, houve uma sistematização da educação à distância, quando foi utilizada na recuperação social dos que foram vencidos na guerra, e também na capacitação profissional das populações vindas do meio rural [...] Porém, nos últimos cinco anos com a evolução das TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) e o acesso à Internet cada vez mais presente e ao alcance da população das mais variadas classes sociais, houve um avanço considerado da EAD. Essa modalidade iniciou por meio de correspondência, depois via rádio e TV, até chegar à estrutura que atualmente temos, com suporte tecnológico como computadores em redes e que alicerçam formas diversas softwares de comunicação por meio de plataformas como o moodle (SCHULTER; PIERI, 2013: 02).

Este é um breve histórico da EAD ao longo do tempo, sendo importante a descrição histórica para consequentemente compreender os diversos modelos de EAD, que acabaram por existir ao longo de diversos momentos e que ainda hoje, basicamente, todos ainda existem.

O QUE É O TUTOR E QUAL A SUA IMPORTÂNCIA.
A etimologia da palavra tutor é proveniente do latim tutor-tutoris, que diz a respeito de um sujeito que possui a função de defender, guardar, preservar, sustentar e socorrer.
No EAD, o termo ou conceito exposto acima não é apropriado, uma vez que:

O termo “tutor” tem origem no latim tutor-tutoris e se refere ao que possui o papel de defender, guardar, preservar, sustentar, socorrer. É um despropósito atribuir tais funções ao docente da educação a distância, que deve sim buscar que o aluno gere suas próprias capacidades de autonomia para o estudo e a aprendizagem. (BETANCOURT, 1995 apud LOCH, 2009: 12).
             
Sendo , o tutor é aquele que orienta a aprendizagem dos discentes, é o esclarecedor de dúvidas, além disso, incentiva, aperfeiçoa e provoca os educandos.
Deve ser visto como o elo entre a instituição de ensino e os discentes: “O tutor é o “tênue fio de ligação entre os extremos do sistema instituição-aluno” (GONZALEZ, 2005 apud LOCH, 2009: 12).
O tutor é o mediador do processo de ensino-aprendizagem, mas também é aquele que faz a condução e mediação acerca da compreensão de todo o processo estrutural do funcionamento da instituição e dos cursos EAD.

A tutoria é necessária para orientar, dirigir e supervisionar o ensino-aprendizagem. Ao estabelecer o contato com o aluno, o tutor complementa sua tarefa docente transmitida através do material didático, dos grupos de discussão, listas, correio-eletrônico, chats e de outros mecanismos de comunicação. Assim, torna-se possível traçar um perfil completo do aluno: por via do trabalho que ele desenvolve, do seu interesse pelo curso e da aplicação do conhecimento pós-curso. O apoio tutorial realiza, portanto, a intercomunicação dos elementos (professor-tutor-aluno) que intervêm no sistema e os reúne em uma função tríplice: orientação, docência e avaliação (MACHADO; MACHADO, 2004: 10-11).

Deve-se salientar que as funções, práticas e tarefas de um tutor EAD não são as mesmas da educação presencial, existem competências e habilidades variadas em ambos os casos:

Geralmente, quem atua na EAD como tutor é o professor do ensino presencial, ou seja, é o professor que possui experiência com a modalidade presencial. Cabe a ele o desafio de realizar o processo de ensino nesta nova modalidade. No entanto, partindo-se do pressuposto que a maioria dos professores universitários não possui formação pedagógica na área da educação, mas apenas em suas áreas de conhecimento, podemos concluir que boa parte deles não teve nenhuma formação para o uso das novas tecnologias, nem na sua formação inicial, nem na sua formação continuada. E sabemos que, quando esta temática permeava as discussões nos cursos de formação, elas foram, em sua maioria, descontextualizadas ou tiveram outro enfoque. (LOCH, 2009: 40).

Não podemos e nem devemos afirmar que exista apenas um único modelo no que concerne à tutoria em EAD, pois é no âmbito institucional que é normatizada a metodologia que deve ser executada pelos tutores em suas práticas docentes de tutoria.
Corrobora com a afirmação o que diz Belloni (1999) apud Loch (2009), explicando que a função da tutoria deve ser praticada ou executada respeitando três formas ou maneiras institucionais de agrupamentos de tutores, sendo assim, tem-se:

Belloni (1999) continua sua explicação, dizendo que, de maneira institucional, os tutores podem ser agrupados em três grupos distintos: um responsável pela concepção e realização dos cursos e materiais; outro pelo planejamento e organização da distribuição de materiais e da administração acadêmica; e o terceiro, responsável pela atividade de tutoria e acompanhamento dos alunos  (LOCH, 2009: 26).

Além disso, o tutor a dever executar sua prática de ação didático-pedagógica a partir de pelo menos quatro competências básicas e necessárias: pedagógica, didática, tecnológica e pessoal.
Segundo em Schulter e Pieri (2013: 07), em seu quadro síntese das competências dos tutores, temos o seguinte:



Pensando no que está exposto e discutido no presente quadro síntese, o tutor possui papel significativo no processo de ensino-aprendizagem em EAD, devendo ter uma preocupação que extrapole a questão do conteúdo e, dessa maneira, ajuda na formação de cidadãos plenos, pois:

A educação e formação de adultos na modalidade de EAD é uma atividade específica, comprometida com a realização do sujeito em todas as perspectivas de vida: humana, social, política, tecnológica, sob uma visão sociológica, ética e crítica da sociedade (MARTINS, 2002: 50).

Dessa forma, verifica-se que a função e do tutor em EAD possuí um caráter múltiplo como: conhecimento interdisciplinar, cooperação, colaboração, autoaprendizagem, conhecimento sobre o desenvolvimento cognitivo de seus discentes, comunicação clara e precisa e utilização das novas tecnologias da comunicação e informação em sua prática.

Com isso se pode afirmar:

O trabalho de Tutoria realizado constitui-se em ponto de fundamental importância para o desenvolvimento da EAD. Para isso, é necessário que internamente, o setor/serviço de Tutoria esteja continuamente realizando uma autoavaliação, autoreflexão, no sentido de verificar se os objetivos propostos para o trabalho dos Tutores estão sendo cumpridos ou se necessitam de revisões (SANTOS, 2009: 08).

A importância do tutor na EAD se dá pelo fato deste ser o grande responsável pela execução e organização das atividades dos cursos de educação à distância e, sendo assim, partícipe imprescindível e fundamental para o funcionamento do processo no tange as relações instituição-aluno, aluno-professor e instituição-professor-aluno.

OS TIPOS DE TUTORIA EAD DO CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI.
A estrutura do programa de Educação a Distância da UNIASSELVI conta com uma infinidade de profissionais ou atores pedagógicos que fazem com que a engrenagem da EAD.
Os encontros presenciais da UNIASSELVI proporcionam aos acadêmico-discentes a compreensão e a interação com todos os profissionais que promovem a execução de atividades da EAD da UNIASSELVI, como: “supervisor de disciplinas (docentes); tutores (interno e externo), articuladores e colegas de classe” (NEAD, 2013: 33).
No que tange a presente discussão, busca-se fazer uma análise em dois importantes atores pedagógicos do modelo EAD da UNIASSELVI: tutor interno e externo, em que se especificar qual a atuação de cada no modelo em questão.

A. Tutoria Interna.
Os tutores internos, na modalidade de EAD do UNIASSELVI, atuam a distância, ou seja, fazem o atendimento a partir do polo do NEAD em Santa Catarina, onde estabelecem contato com os acadêmicos e tutores externos que estão distantes geograficamente.

De acordo com o NEAD/UNIASSELVI (2013: 55), são estas as atribuições do tutor interno:

1. Esclarecer dúvidas pelos fóruns de discussão da internet, pelo telefone ou por participação em videoconferências;
2. Promover espaços de construção coletiva de conhecimento, selecionar material de apoio e sustentação teórica aos conteúdos;
3. Participar dos processos avaliativos de ensino e de aprendizagem;
4. Encaminhar ao setor competente os pedidos, as solicitações de informação e as dúvidas feitas pelos acadêmicos e pelo Tutor Externo;
5. Incentivar os acadêmicos a participarem dos encontros presenciais e dos fóruns programados pelo professor;
6. Alertar aos acadêmicos para o cumprimento doe cronograma do curso;
7. Orientar os acadêmicos na realização das atividades de autoestudo e de avaliação;
8. Orientar os acadêmicos e os Tutores Externos, quando necessário, sobre estágio, a prática, o trabalho de graduação e demais disciplinas;
9. Auxiliar os professores na elaboração dos materiais instrucionais (trilhas de aprendizagem; banco de questões; objetos de aprendizagem; entre outros).

Diante do exposto, sabemos agora que o Tutor Interno faz atendimentos via os canais de comunicação da UNIASSELVI, por meio dos seguintes meios: Davinci Talk, o 0800 (via telefone) e mensagens através do Ambiente Virtual de Aprendizagem-AVA, em que promovem um espaço para sanar dúvidas dos Tutores Externos e acadêmicos, acerca de questões pedagógicas e institucionais.
Atua ainda no processo de convalidações em que dá suporte e auxílio ao coordenador do curso em que executa sua função de tutoria em EAD.
É também um grande parceiro do professor (docente supervisor da disciplina), pois ajuda na correção de avaliações e produz materiais pedagógicos.
Como se pode perceber, são diversas as atividades executadas pelo Tutor Interno e, no que se relaciona à sua formação acadêmica, possuí aderência ao curso que atua.
Portanto, deve ter como requisitos, para seu exercício profissional, formação na área; graduação, especialização, mestrado ou doutorado.

A. Tutoria Externa.
O Tutor Externo, no universo da modalidade EAD da UNIASSELVI é o conhecido tutor que atua de forma presencial, ou seja, executa sua prática docente nos polos de apoio presencial da UNIASSELVI espalhados por todo o Brasil.
Esse ator pedagógico é conhecido como um generalista de seu curso, sendo formado em nível de graduação na área que atua ou vai atuar como tutor e, ainda, no mínimo possuindo especialização lato sensu para executar as atividades de tutoria.
Em todos os cursos da UNIASSELVI de EAD existi um Tutor Externo (presencial), este possui diversas atribuições como: gestão das atividades dos encontros presenciais; mediar à comunicação dos discentes com os demais atores pedagógicos (supervisor de disciplina, tutor interno, coordenação de curso e etc).
O Tutor Externo (presencial) deve ainda colocar em funcionamento a prática metodológica estabelecida pela UNIASSELVI para seus cursos de EAD.
Para tal, deve estar bem preparado com conhecimentos nas diversas disciplinas que compõem a matriz curricular do curso que atua, para que, com eficiência e eficácia, desenvolva suas atribuições.
Além disso, deve planejar, orientar, coordenar, zelar e auxiliar diversas atividades durante os encontros presenciais e fora deles, em que, de acordo com o NEAD/UNIASSELVI (2013: 56) tem-se o seguinte:

1. Auxiliar os acadêmicos no desenvolvimento de suas atividades individuais e em grupo, fomentando o hábito da pesquisa, esclarecendo dúvidas em relação a conteúdos específicos, bem como o uso das tecnologias disponíveis;
2. Coordenar a realização das atividades previstas para os encontros presenciais;
3. Favorecer a interação entre os acadêmicos da turma;
4. Responder pedidos, prestar informações e encaminhar requerimentos que favoreçam os acadêmicos no desenvolvimento de suas atividades discentes;
5. Incentivar os acadêmicos a participarem dos encontros presenciais e dos fóruns programados pelo professor;
6. Orientar os acadêmicos na realização das atividades de autoestudo e de avaliação, com atenção para o cumprimento do cronograma;
7. Efetuar correções das redações e exercícios produzidos pelos acadêmicos, seguindo as orientações do professor;
8. Manter contato permanente com o Professor, o Tutor Interno (a distância) e a Coordenação do Curso;
9. Orientar e supervisionar o estágio supervisionado;
10. Orientar o trabalho de graduação e a prática;
11. Zelar para que a sala destinada aos encontros esteja sempre limpa e asseada e com todos os equipamentos em perfeito funcionamento;
12. Zelar para que os encontros transcorram em clima de compreensão e respeito.

Enfim, o Tutor Externo (presencial) em suas diversas atribuições se torna um ator pedagógico de extrema e fundamental importância e relevância, sendo fundamental para o desenvolvimento dos cursos em que atua.

CONCLUINDO.
O presente artigo buscou compreender a atuação de Tutores Internos (a distância) e Externos (presenciais) na EAD desenvolvidos pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci-UNIASSELVI.
Em que a experiência como Tutor Externo (presencial) na Instituição nos permitiu perceber de maneira mais significativa qual a função de cada um desses atores pedagógicos.
Descreveu-se de forma breve um contexto histórico acerca da EAD, em que se pode perceber que a Educação a distância pode estar presente na vida dos seres humanos desde os primórdios até a contemporaneidade.
Também, discutiu-se sobre o que é ser tutor em EAD, onde se pode compreender as diversas tipologias de tutoria existentes; mas se percebeu, além disso, que os tutores devem possuir competências como: pedagógica, didática, tecnológica e pessoal; pois a falta de qualquer umas dessas competências podem comprometer sua atuação e função.
Igualmente, optou-se pelo conceito de Educação a Distância em detrimento ao conceito de Ensino a distância, pois o primeiro permitir abranger todo o processo didático-pedagógico, o com isso, pensar a tutoria em EAD como um processo de ensino-aprendizagem em suas diversas dimensões.
Por fim, a intenção não é esgotar tal discussão, mas fomentar novos questionamentos; pois, ainda no ano de 2017, a UNIASSELVI criou cursos em EAD nas modalidades flex e 100% Flex que acabaram por estabelecer novas atribuições aos Tutores Internos (a distância) e Externos (presenciais).
Sendo assim, produzir novas pesquisas se faz necessário para com isso ter respostas significativas e satisfatórias no que tange as abordagens relativas à EAD da instituição em questão.

PARA SABER MAIS SOBRE O ASSUNTO.
LOCH, Marcia. Tutoria na Educação a distância. Indaial: Grupo Uniasselvi, 2009.
MACHADO, Liliane dias; Machado, Ellian de Castro. O Papel da tutoria em ambientes de EAD. Disponível em: http://www.abed.org.br/congresso2004/por/htm/022-TC-A2.htm Acessado em 15/01/2017.
MARTINS, Onilza. Teoria e prática tutorial e Educação a Distância. Curitiba: IBPEX, 2002.
NEAD. Educação a distância. Indaial: Uniasselvi, 2013.
SANTOS, Fransciléia Giacobbo dos. A importância do tutor presencial na educação a distancia. Disponível em: http://www.abed.org.br/revistacientifica/Revista_PDF_Doc/2009/A_IMPORTANCIA_DO_TUTOR_PRESENCIAL_NA_EDUCACAO_A_DISTANCIArbaad2009.pdf
Acessado em 20/01/2017.
SCHULTER, Cléder; PIERI. EAD: A função do tutor presencial em suas diversas dimensões. Anais do IV Simpósio sobre Formação de Professores -SIMFOP/Universidade do Sul de Santa Catarina, Campus de Tubarão, Tubarão, de 7 a 11 de maio de 2012. Disponível em: http//www.linguagem.unisul.br/paginas/ensino/pos/linguagem/eventos/.../_Cléder_Schulter.pdf Acessado em 17/12/2017.




sábado, 20 de dezembro de 2014

A análise da representação e do discurso sobre o feminino no livro didático da 9ª série do Ensino Fundamental.


Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 5, Volume dez., Série 20/12, 2014, p.01-10.




Prof. Daniel Rodrigues de Lima.

Licenciado em História pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci-UNIASSELVI.

Especialista em Ensino de História pela Faculdade de Educação e Tecnologia da Região Missioneira-FETREMIS.


Mestrando em História na Universidade Federal do Amazonas-PPGH-UFAM.

Membro da Associação Brasileira de Educação a Distância-ABED.


Pesquisa realizada para disciplina Estágio II, do curso de graduação em Licenciatura  Plena em História pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci- UNIASSELVI. Sendo orientado pelo professor especialista Júlio César de Souza Queiroz.  A pesquisa em questão foi desenvolvida na Escola Estadual Maria Rodrigues Tapajós, em Manaus, no Estado do Amazonas, no período do primeiro semestre de 2013.



A análise da representação e do discurso sobre o feminino no livro didático da 9ª série do Ensino Fundamental é o tema de nosso artigo, sua escolha ocorreu por entendermos que é muito comum ainda hoje, e em muitos livros didáticos, encontrarmos uma história feita só por homens, onde a participação das mulheres quando não é de coadjuvante, é de constante invisibilidade de sua atuação e participação nos processos históricos sociais.

Acreditamos que a discussão é de extrema relevância, pois desta forma podemos identificar as mulheres como sujeitos históricos em seu processo de viver cotidianamente, portanto, diante disso, mostraremos que assim como os homens, estas fazem e produzem a História.

As obras consultadas como fonte de fundamentação teórica acerca da área de concentração: História das mulheres e relações de gênero são os artigos de Cristiane Manique Barreto (2009), Rachel Soihet (1997) e Mary Del Priore (1998), onde as autoras nos informam sobre o conceito de história das mulheres e relações de gênero, além de desenvolverem balanço historiográfico e também analisar como estas foram e são representadas pela produção histórica ao longo dos tempos.

O conceito de Representação que utilizaremos é referente ao aporte teórico desenvolvido por Roger Chartier (2002) em “A Beira da Falésia”, em que salienta que o real não é a realidade em si, mas uma representação da mesma.

Para entendermos o que vem a ser um livro didático recorremos à análise de Circe Bittencourt (2004), onde a autora nos mostra como este produto educacional foi e continua sendo utilizado no processo de ensino aprendizagem de diversas gerações, os quais nos ajudam a compreender o que vem a ser um livro didático.

Acerca da análise do discurso sobre o feminino no livro didático utilizaremos como base para nossas análises os artigos “Livros didáticos de História e questões de gênero” (MARQUES; MAGALHÃES, 2012) e “A mulher na História Contemporânea nos livros didáticos: uma trajetória invisível?” (PORTO, 2011), onde as autoras buscam evidenciar como são forjados os discursos acerca da participação do feminino na história, em que chegam à conclusão de que os espaços reservados à mulher são sempre de apêndices do masculino, coadjuvantes nos eventos históricos ou simplesmente ignoram sua participação enquanto sujeitos ativos da história.

O artigo segue estruturado da seguinte forma: 2-Obejtivos, em que traçamos o que se pretende alcançar com a discussão e problemática que apontamos; 3- Metodologia, nesse item, discutiu sobre os materiais e métodos, além de técnicas de pesquisa para elaboração dos resultados do artigo; 4- Resultados e discussões é o momento de expormos nosso referencial teórico, além dos resultados provenientes de nossa intervenção nas turmas da escola que fizemos a pesquisa; Conclusão aqui colocou nosso ponto vista acerca de tudo que foi trabalhado, e também, fazemos um balanço sobre o alcance de nossos objetivos iniciais e novas possibilidades de se pesquisar sobre o tema; e por fim temos, Referencias, ou seja, a lista das principais obras que colaboraram para execução da tessitura de nosso texto.

 


OBJETIVOS.

Os objetivos que pretendemos alcançar nestas páginas são os seguintes: como objetivo geral: Analisar a representação e o discurso sobre o feminino presente no livro didático da 9ª série do Ensino Fundamental utilizado na Escola Estadual Maria Rodrigues Tapajós.

Os objetivos específicos são: Conceituar a História das mulheres e relações de gênero, livro didático, representação e discurso; Identificar historiograficamente como as mulheres foram representadas ao longo dos mais variados processos históricos; Compreender os motivos da invisibilidade das mulheres na História e examinar se os alunos conseguem visualizar a condição em que é alçado o feminino no livro didático de História.

 

METODOLOGIA.
 
A disciplina Estágio II, possibilitou a atuação na área de formação, ou seja, o ensino da disciplina História, em que realizamos as atividades in loco, durante todo o primeiro semestre de 2013, na Escola Estadual Maria Rodrigues Tapajós, instituição mantida pela SEDUC-AM .
 
A Escola Estadual Maria Rodrigues Tapajós, está localizada na Rua Goiânia, nº 701, no Bairro da Redenção, na zona centro-oeste da cidade de Manaus. O ato de criação está contido no Decreto-Lei nº 5.442, de 29 de dezembro de 1980.
 
A escola possui ótima estrutura física, onde funciona nos três turnos (Matutino, Vespertino e Noturno), ofertando no turno diurno os ensinos de nível Fundamental (7° ao 9°) e Ensino Médio (1º ao 3º), que também é ofertado no período noturno.

Identificado o aspecto físico da instituição, lançamos mão dos materiais disponíveis para coleta de nossas informações, dessa forma, o livro da 9ª série do Ensino Fundamental foi uma de nossas fontes de análise.

O livro didático padrão da 9ª série do ensino fundamental, na turma 1, da Escola Estadual Maria Rodrigues Tapajós é a obra “História: sociedade e cidadania”, de Alfredo Boulos Junior, em que se analisou e desenvolveu a caracterização da representação e do discurso sobre o feminino, ou seja, procuramos apresentar como o autor trata o feminino, se é como sujeito ativo no processo histórico, como coadjuvante ou simplesmente ignorando sua condição de agente histórico.

Além disso, com os alunos desta turma, 9º ano na turma 1, aplicamos questionário para entendermos se os mesmos conseguem identificar a visibilidade ou invisibilidade do feminino no livro didático de história pelo qual orientam seus estudos.

 
           

RESULTADOS DA PESQUISA E DISCUSSÃO.

Entendemos que é de extrema relevância conceituar o que é História das mulheres e a categoria gênero, enquanto análise histórica. 

Diante do exposto temos a conceituação sobre gênero de acordo com Cristiane Manique Barreto:

Quando falo em gênero, estou falando de relações. Não de mulheres, nem de homens, mas de como historicamente e socialmente foram construídas as relações entre homens e mulheres. Portanto, a categoria de análise-gênero-remete a cultura e não ao biológico. (BARRETO, 2009, p.146)

Dessa forma entendemos que a diferenciação sexual é biológica, ou seja, as questões relativas às formas físicas de diferenciação entre masculino e feminino não explicam e nem determinam as relações entre os sexos no contexto histórico.

As análises acerca da categoria de gênero só podem ser entendidas em suas relações sociais e culturais, ou seja, ser homem ou mulher é uma construção tanto social e cultural, criando-se uma relação de poder que envolve a sexualidade como organismo sociocultural com seus ritos, linguagens, representações e símbolos.

A historiadora Rachel Soihet em “História das Mulheres” salienta que não devemos trabalhar com a história da mulher, mas com história das mulheres, pois estas possuem as mais variadas diferenças, de classe, religião, étnica entre outras, onde se busca entender que: “[...] as mulheres são alçadas à condição de objeto e sujeito da história” (SOIHET, 1997, p. 399), ou seja, objeto por poderem ser estudadas em suas especificidades e diferenças, assim como em suas similitudes, e sujeitos por em seu processo cotidiano de viver em sociedade produzirem a história.

Em “História das Mulheres: As Vozes do Silêncio”, Mary Del Priore nós faz compreender e entender, a abordagem acerca da História das mulheres e relações de gênero, onde considera de suma importância a produção de uma história das mulheres, pois desta forma visualiza-se que mesmo subsumidas da História oficial, estas estão presentes nos mais variados setores da vida social e cotidiana, em que suas “vozes do silêncio”, podem ser encontradas em diversos arquivos e fontes variadas, portanto, segundo a autora:

[...] para que serve a história das mulheres? E a resposta viria simples: para fazê-las existir, viver e ser. Este é, afinal, uma das funções potenciais da História. [...] Sua função maior deve ser a de enfocá-las através da submissão, da negociação, das tensões e contradições que se estabeleceram, em diferentes épocas, entre elas e seu tempo; entre elas e a sociedade nas quais estavam inseridas. Trata-se de desvendar as intricadas relações entre a mulher, a sociedade e o fato, mostrando como o ser social que ela é articula-se com o fato social que ela mesma fabrica e do qual faz parte integrante. [...] Mas história da qual não estejam ausentes os pequenos gestos, as práticas miúdas e repetitivas do cotidiano, as furtivas formas de consentimento e interiorização das pressões, simbólicas ou concretas, exercidas contra as mulheres. (PRIORE, 1998, p. 235)

Entendemos que a história das mulheres deve privilegiar não a mulher singular, mas as diversas mulheres, enfocando seus processos de viver em sua prática social que produzem as formas de submissão, da negociação, das tensões e contradições existentes em seu universo social, onde devemos compreender os pequenos gestos, suas práticas miúdas, intimas no viver cotidiano, e com isso, fazê-las existir.

 


LIVRO DIDÁTICO, REPRESENTAÇÃO E DISCURSO: CONCEITOS.

É a partir, deste destaque maior acerca da inserção e participação do feminino na história que analisaremos o discurso e representação das mulheres e das relações de gêneros nos livros didáticos.

O livro didático é em muitos casos o único material didático pedagógico utilizado por professores e alunos no cotidiano escolar em várias regiões de nosso país, dessa forma conceituar esta ferramenta educacional é importante. Corroborando com nossa afirmação Brissola apud Oliveira nos informam:

O livro didático brasileiro, ainda hoje, é uma das principais formas de documentação e consulta empregadas por professores e alunos. Nessa condição, ele tem impactos sobre o trabalho pedagógico e sobre o cotidiano da sala de aula. Ainda, de acordo com o Guia, ‘é fundamental dispor de um livro didático diversificado e flexível, sensível à variação das formas de organização escolar e dos projetos pedagógicos, assim como às diferentes expectativas e interesses sociais e regionais’. (2011, p. 16)

 
Circe Maria Fernandes Bittencourt com um capítulo em obra que organiza, “O Saber Histórico na Sala de Aula”, intitulado “Livros didáticos entre textos e imagens”, nos mostra uma análise histórica deste produto educacional e as políticas de incentivo a produção e difusão do livro didático no Brasil ao longo dos anos, além de definir um conceito acerca do que são livros didáticos e sua função no ensino e aprendizagem, desenvolve uma forma de análise deste objeto através dos aspectos formais, conteúdos históricos escolares e conteúdos pedagógicos. Acerca do conceito do livro didático a autora afirma:

Ele é portador de textos que auxiliam, ou podem auxiliar o domínio da leitura escrita em todos os níveis de escolarização, serve para ampliar informações, veiculando e divulgando, com uma linguagem mais acessível, o saber científico. Possibilita, igualmente, a articulação em suas páginas de outras linguagens além da escrita, que podem fornecer ao estudante uma maior autonomia frente ao conhecimento. Por seu intermédio, o conteúdo programático da disciplina torna-se explícito e, dessa forma, tem condições de auxiliar a aquisição de conceitos básicos do saber acumulado pelos métodos e pelo rigor cientifico. (2004, p. 73)

 
Por sistematizar e organizar, os saberes escolares a partir de sua existência, os livros didáticos dentro da esfera do saber institucionalizado pela escola são ferramentas pedagógicas importantes no processo didático pedagógico, porém são também portadores de discursos muitas vezes estereotipados e preconceituosos em relação a diversos segmentos étnicos, culturais, sociais e de gênero, que privilegiam a atuação de determinados sujeitos históricos em detrimento de outros.

O conceito de representação do qual nos utilizaremos para entender como o feminino é desenvolvido pelo autor Alfredo Boulos Júnior, no livro didático “História: Sociedade e Cidadania”, da 9ª série de ensino fundamental são elaboradas a partir das conceituações de Roger Chartier, contida na celebre obra “A Beira da Falésia”, onde o autor propõe:

[...] à noção de ‘representação coletiva’ autoriza a articular, [...] três modalidades da relação com o mundo social: primeiro, o trabalho de classificação e de recorte que produz as configurações intelectuais múltiplas pelas quais a realidade é contraditoriamente construída pelos diferentes grupos que compõem uma sociedade; em seguida, as práticas que visam a fazer reconhecer uma identidade social, a exibir uma maneira própria de estar no mundo, a significar simbolicamente um estatuto e uma posição; enfim, as formas institucionalizadas e objetivadas graças às quais ‘representantes’ (instâncias coletivas ou indivíduos singulares) marcam de modo visível e perpetuando a existência do grupo, da comunidade ou da classe. (2002, p.73)

A partir do exposto, ao analisarmos a representação do feminino no livro didático, verificaremos como o autor do livro constrói a realidade histórica e, com isso, analisamos em qual posição este inseri as mulheres no mundo histórico, e aí identificaremos a visibilidade ou invisibilidade das relações de gênero na obra em análise.

Com relação à análise do discurso sobre o feminino presente na obra didática, quem nos fundamenta teoricamente é, Marli dos Santos Porto, onde está autora faz uma análise do discurso sobre o feminino na história contemporânea, baseada nas ideias de Michel Foucault, e nos informa o seguinte: 

Nem tudo o que se quer demonstrar está explicitamente exposto. Em muitos casos, o verdadeiro sentido das coisas permanece nas entrelinhas dos discursos. A correta leitura de determinados fatos pode ser vislumbrada nas minúcias do discurso que é produzido com a finalidade de legitimar a superioridade de determinados fatos sobre outros. É o caso de eventos históricos cuja participação de alguns agentes é destacada, enquanto que outros são suprimidos no tempo e no espaço ou, ainda, são demonstrados como meros coadjuvantes da história contada. (2011, p. 91)


A autora continua sua análise do discurso, afirmando: 

Por falar em discurso, tradicionalmente este é entendido por sua natureza carregada de conteúdo e símbolos que são complexos na sua essência. Esse conteúdo, em sua maioria, é fecundo de juízo de valor, quase sempre oculto, distorcido, intencional, dissimulado e cheio de representações escondidas pelo texto. Contudo, analisar o discurso, na perspectiva de Foucault (1986), é dar conta das relações históricas que estão presentes nos discursos que podem ser extraídos ‘[...] no nível das existências das palavras’. (PORTO, 2011, p. 93)

 
Desta forma,   o que pretendemos em nossa análise é identificar como o autor do livro didático “História: sociedade e cidadania” da 9ª série do Ensino Fundamental, Alfredo Boulos Júnior explicita a participação feminina em seu texto historiográfico contido na obra em questão, se como agentes participativos ou como meras coadjuvantes na vivência dos processos históricos.

Ao longo dos processos históricos representados por aqueles que produziram a História, os historiadores homens, das diferentes épocas, relegaram a condição do feminino sempre o segundo plano. Onde de acordo com Mary Del Priore:

Numa obra clássica, O segundo sexo, publicada em 1949, Simone de Beauvoir fez uma observação fundamental: as mulheres não tinham história, não podendo, consequentemente, orgulharem-se de si próprias. Ela dizia, ainda, que uma mulher não nascia mulher, mas tornava-se mulher. [...] Beauvoir sabia que o território do historiador manteve-se, durante muito tempo, exclusividade de um só sexo. Paisagem marcada por espaços onde os homens exerciam seu poder e seus conflitos, empurrando para fora destes limites os lugares femininos. [...] Sobre este solo da história, as mulheres, de forma precária, tornaram-se herdeiras de um presente sem passado, de um passado decomposto, disperso, confuso. (1998, p. 217)

O século XX, porém é o lugar onde os estudos sobre as mulheres se tornarão comuns, principalmente com March Bloch e Lucien Febvre, na criação da Escola dos Annales, deslocando o foco do político para o social, cultural, econômico e cotidiano, alargando as abordagens históricas e ampliando a concepção de fontes.

Mas deve-se salientar muito mais a atuação dos movimentos feministas a partir da década de 1960, que proporcionaram conquistas expressivas no cotidiano feminino, onde diante disso, viu-se necessário a construção de uma História à qual inserisse as mulheres, não como vitimas ou heroínas da História, mas: 

[...] buscando-se visualizar toda a complexidade de sua atuação. Assim, torna-se fundamental uma ampliação das concepções habituais de poder — para o que cabe lembrar a importância das contribuições de Michel Foucault. Hoje é praticamente consensual a recomendação de uma revisão dos recursos metodológicos e a ampliação dos campos de investigação histórica, através do tratamento das esferas em que há maior evidência da participação feminina, abarcando as diversas dimensões da sua experiência histórica. Tais recomendações convergem para a necessidade de se focalizar as relações entre os sexos e a categoria de gênero. (SOHIET, 1997, p. 404)

 
A História que foi produzida da Antiguidade até as duas primeiras décadas do século vinte, foi movida pelos grandes feitos dos heróis masculinos, onde a mulher é sempre ligada ao irracionalismo, mantida no isolamento do lar, sem direitos de cidadania e com muitos deveres na sociedade, sendo mantida sempre na invisibilidade e em silêncio.

Contudo, a partir do advento da História dos Annales as mulheres são alçadas a condição de sujeitos e objetos da história, onde com isso, são visualizadas e ouvidas, saindo da invisibilidade de que por muito tempo ficaram submetidas.

 

A ANÁLISE DO LIVRO DIDÁTICO “HISTÓRIA: SOCIEDADE E CIDADANIA”, DA 9ª SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL.
 
O autor da obra didática que nós propomos analisar, Alfredo Boulos Júnior é Mestre em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) e Doutor em Educação pela PUC- São Paulo. É autor da coleção “História: Sociedade e Cidadania”, além de outras coleções didáticas como: “Construindo Nossa Memória” e “O Sabor da História”.
 
A coleção “História: Sociedade e Cidadania” são promovidas e organizadas, a partir, do Plano Nacional do Livro Didático (PNLD) do Ministério da Educação (MEC) para o triênio 2011-2013.
 
O livro da 9ª série do Ensino Fundamental “História: Sociedade e Cidadania”, utilizado na Escola Estadual Maria Rodrigues Tapajós, é uma obra que possui 320 páginas, dividida em seis unidades e dezenove capítulos, contendo ainda: Bibliografias, mapas de apoio e glossário.

O livro didático em análise foi desenvolvido de acordo com Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), através do eixo temático que orienta o ensino e aprendizagem da 9ª série, “Nações, povos, lutas, guerras e revoluções”, onde os conteúdos são apresentados de acordo com a concepção da História Integrada, ou seja, História Geral, do Brasil e América em único volume.

Os conteúdos e temas contemplados em seus capítulos são: Industrialização e Imperialismo; A Primeira Guerra Mundial; Revolução Russa; Inicio da República no Brasil: Republica Velha: Dominação e Resistência; Capitalismo e totalitarismo; A grande Depressão; O Fascismo e o Nazismo; A Segunda Guerra Mundial; O Primeiro Governo Vargas; A Guerra Fria; Independências: África e Ásia; O Socialismo Real: China, Vietnã e América Latina; Guerra e Paz no Oriente Médio; Dutra e Getúlio; Redemocratização Limitada; De Juscelino a Jango: crescimento econômico e populismo; Regime Militar de Castelo Branco a Médici; A distensão do Regime Militar; Geisel a Sarney; O Fim da URSS e a democratização do leste Europeu; a Nova Ordem Internacional e o Brasil Contemporâneo e de Collor a Lula.

A obra prossegue com bibliografia, mapas de apoio e glossário.

 

A REPRESENTAÇÃO E O DISCURSO SOBRE O FEMININO PRESENTE NA OBRA: “HISTÓRIA: SOCIEDADE E CIDADANIA”.
 
A obra “História: Sociedade e Cidadania” de Alfredo Boulos Júnior da 9ª série do ensino fundamental, que é utilizada na Escola Estadual Maria Rodrigues Tapajós é bastante ilustrada, onde as imagens presentes na obra privilegiam vários grupos e segmentos que compõem a sociedade: negros, índios, trabalhadores, mulheres e crianças.
 
Buscando salientar com a inserção destas imagens, que a história é uma construção de todos os agentes e sujeitos presentes na sociedade.
 
Nesta obra existem 384 imagens, entre fotos, charges, pinturas e gravuras, onde destas 103 possuem a imagem do feminino representada.

Observamos que a imagem do feminino é bastante explorada na obra, as mulheres são mostradas e visualizadas em vários momentos como no período das Guerras (1ª e 2ª), Movimentos Feministas, Condição feminina no Oriente Médio e entre outras situações.

Contudo as legendas não são tão informativas no sentido de orientar aos alunos sobre a condição de sujeito e agente ativo no processo histórico que as mulheres possuem, cabendo ao professor tal tarefa.

O autor deixa questionamentos da participação das mulheres na construção da história, onde na apresentação da unidade 1intitulada “A Era dos Impérios”, evidencia a participação da mulher no mercado de trabalho, porém mostra que esta participação se deu mais devido a ida dos homens a Guerra do que pela sua real capacidade de desempenhar as funções determinadas.

Outra questão importantíssima é relativa à mulher na Revolução Russa, onde sabemos que a greve das tecelãs teve influência fundamental para o desenvolvimento e eclosão da revolução, porém não há nenhuma uma imagem evidenciando tal participação, apenas um questionamento deixado pelo autor para os alunos: “As mulheres tiveram importante papel na Revolução Russa; por que será que os livros geralmente não narram isso?” (BOULOS JÚNIOR, 2009, p. 45).

Diante disso, fica uma autocrítica, pois ele questiona o porquê dos livros didáticos não evidenciarem a participação das mulheres, mas o próprio autor e sua obra não evidenciam esta participação.

Acerca do discurso construído pelo autor da participação do feminino na história, o que podemos observar é que seu texto base privilegia datas, fatos e heróis masculinos em geral, onde deixa pouco espaço para falar da participação do feminino como agente e sujeito histórico.

A observação da representação das mulheres através de imagens e suas participações mostram-se constantes no processo histórico, porém o autor Boulos Júnior continua tratando de acordo com seu discurso as mulheres como apêndices, coadjuvantes ou mesmo ignorando a participação destas como agentes históricos.

O que constatamos é o seguinte: apesar do livro didático em análise possuir imagens em profusão de mulheres representadas em várias ações histórico sociais, o discurso elaborado por seu autor, causa um paradoxo em não conter em seu texto base uma maior evidencia das mulheres na construção de sua cidadania e de seu viver em sociedade, ou seja, não amplia através de seus escritos a discussão acerca da real participação do feminino no processo histórico, deixando sérias lacunas em seu texto e imagens.

 

O FEMININO NA SALA DE AULA: ALGUMAS QUESTÕES PARA DISCUSSÃO.

O estagio II, foi desenvolvido na Escola Estadual Maria Rodrigues Tapajós, na turma 1 da 9ª série de Ensino Fundamental, onde fizemos nossas observações e praticamos a ação pedagógica através das Regências de aulas.

Ao chegarmos à escola conversamos com a diretora Tânia Maria Castelo Branco, que nos autorizou a execução das atividades de estágio, supervisionadas pela professora licenciada em história Janaina Barreto dos Santos

A partir, de então, fomos à série do 9º ano turma 1, onde está possui 52 alunos em uma sala com capacidade para 45 alunos, sendo a faixa etária de 12 a 14 anos de idade dos discentes.

Então, diante disso, conversamos com a professora sobre a regência, onde esta nós deixou a vontade para desenvolver as atividades.

Elaboramos cinco planos de aula para execução de nossas regências, onde encontramos uma turma um pouco dispersa, existindo falta de atenção antes das aulas terem início, contudo estas ocorreram de maneira satisfatória.

Trabalhamos os seguintes assuntos com alunos nestas cinco aulas: Imperialismo, Primeira Guerra Mundial e Revolução Russa de 1917, onde nos auxiliamos do livro didático e do suporte didático contido na sala de informática, através dos slides que produzimos para melhor desenvolvimento das aulas, em que utilizamos mapas, textos e vídeos para melhor ilustrar nossas atividades.

Em todas as atividades desenvolvidas procuramos articular nossa área de concentração História das Mulheres e Relações de Gênero aos assuntos trabalhados em nossas regências, onde buscamos sempre evidenciar a participação feminina no processo histórico como agentes ativas em sua construção.

Elaboramos questionário com cinco perguntas referentes ao livro didático e sua utilização pelo professor, onde conseguimos coletar informações de 35 dos 52 alunos.

As questões que desenvolvemos foram: 1) o professor trabalha em suas aulas auxiliado pelo livro didático; 2) como você considerada a qualidade do livro didático que recebeu para auxiliar e direcionar seus estudos; 3) a História presente nos livros didáticos coloca em evidencia a participação feminina nos acontecimentos ou processos Históricos; 4) mesmo sem a presença constante no livro didático o professor consegue demonstrar a participação do feminino na construção dos acontecimentos ou processos históricos; e 5) O livro didático utilizada em sala de aula possui muitas ilustrações e imagens, porém nestas as mulheres são representadas e tem sua presença constante?

O que podemos identificar e compreender a partir dos dados colhidos e obtidos com as repostas dos alunos foi: respondendo ao primeiro questionamento na totalidade, ou seja, os 35 alunos responderam que o professor utiliza o livro didático para auxiliar suas aulas.
 
Na resposta sobre a questão três os alunos em sua maioria escreveram que o livro didático evidencia a participação do feminino no processo histórico totalizando 24 respostas sim, e 11 não, ou seja, onde informam não conseguir visualizar as mulheres.

Na quarta questão sobre se o professor conseguiu demonstrar a participação do feminino nos processos históricos conseguimos atingir os seguintes números: 30 respostas sim, e 5 respostas não, evidenciando que nossos objetivos que eram relacionar as atividades desenvolvidas no estágio à nossa área de concentração foram alcançados, onde conseguimos inserir as mulheres como agentes e sujeitos ativos da história em seu processo cotidiano de viver em sociedade.

Na quinta questão, acerca de ilustrações contidas no livro didático do feminino possuir presença constante temos: 24 alunos identificaram como uma presença constante das mulheres nas imagens contidas no livro didático, e 14 consideram que elas não aparecem, e um estudante respondeu que apenas às vezes as mulheres são representadas.

Esta questão se referia acerca da qualidade do livro didático “História: Sociedade e Cidadania” de Alfredo Boulos Júnior, e dos trinta e cinco alunos que responderam o questionário a grande maioria, 31, consideram o livro entre excelente-ótimo-bom, e apenas 4 consideram regular, sendo que ruim e péssimo não tiveram nenhuma resposta.

Portanto, em nossas observações e até mesmo em nossa atuação identificamos a falta do feminino em livros didático, e às vezes quando se fazem presente são com figuras ou imagens com certo estereótipo, em que cabe ao professor muitas das vezes buscar salientar e explicar certos conhecimentos que estão estabelecidos em algumas obras didáticas, e com isso, inserir o feminino como agente construtor da história.




CONCLUINDO.
 
O estágio foi de extrema importância em minha formação devido, a partir deste poder ter contato com o cotidiano escolar, e com isso, entender como é o trabalho de planejamento e execução das aulas, onde de acordo com a turma, a série e faixa etária dos alunos podemos lançar mão de estratégias e táticas de ensino e aprendizagem para uma melhor realização de nossa ação pedagógica.

Acreditamos ter alcançado todos os objetivos, pois conceituamos História das mulheres e relações de gênero e livro didático, além de identificarmos como o feminino é representado através do discurso contido no livro didático.

Verificamos ainda que os alunos estão atentos a estas visibilidades ou invisibilidades que os livros didáticos por muitas vezes evidenciam, e diante disso, cabe ao professor cotidianamente em sua prática e ação pedagógica, demonstrar que a História enquanto ciência do homem no tempo deve privilegiar a participação de todos os segmentos sociais, onde as mulheres são agentes ativos nesse processo.

Por fim, dar visibilidade a ação de sujeitos que por muito tempo foram relegados à margem dos acontecimentos históricos, como as mulheres é possibilitar a construção de uma sociedade menos desigual, minimizar os preconceitos e abusos, e com isso, gerar condições de cidadania e igualdade de direitos no viver em sociedade entre homens/mulheres, ricos/pobres, brancos/negros e índios, e, por conseguinte, possibilitar uma sociedade melhor, onde a escola tem função e caráter fundamental para disseminar tais atitudes de convivência entre seus pares sociais. 

 
 

PARA SABER MAIS SOBRE O ASSUNTO.

BARRETO, Cristiane Manique. História e Relações de gênero. In: MORGA, Antônio Emilio; BARRETO, Cristiane Manique (orgs.). Gênero, sociabilidade e afetividade. Itajaí: Casa Aberta Editora, 2009.

BITENCOURT, Circe Maria Fernandes. O Saber Histórico na Sala de Aula. 9ª ed. São Paulo: Contexto, 2004.

BOULOS JÚNIOR, Alfredo. História: Sociedade e Cidadania. 9º Ano. São Paulo: FTD, 2009.

CASTRO, Hebe. Historia Social. In: CARDOSO, Ciro Flamarion Santana, VAINFAS, Ronaldo (orgs). Domínios da Historia: Ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro: Elsevier, 1997.

CHARTIER, Roger. À Beira da Falésia: a história entre incertezas e inquietude. Porto Alegre: Editora da Universidade/ UFRGS, 2002.

DEL PRIORE, Mary. História das Mulheres: as vozes do silêncio. In: FREITAS, Marcos Cezar de (org.). Historiografia Brasileira em Perspectiva. São Paulo: Contexto, 1998.

MARQUES, Ana Maria; MAGALHÃES, Clauderize Karla de Oliveira. Livros didáticos de História e questões de gênero. Revista Eletrônica 6: Documento Monumento. Cuiabá: Universidade Federal do Mato Grosso. Vol. 6 - N.1 - JUN/2012. Disponível em: http://www.ufmt.br/ndihr/revista/. Acessado em: 15.03. 2012.
 
OLIVEIRA, Wilson Sousa. A imagem da mulher nos livros didáticos e relações de gênero. Revista Fórum identidades. Itabaiana: GEPIADDE. V. 9, Jan./ Jun. 2011.

PORTO, Marli dos Santos. A mulher na História Contemporânea nos livros didáticos: uma trajetória invisível. Revista Maiêutica: Licenciatura em História. Indaial: Ed. Grupo UNIASSELVI. V.01, n.01, Jul./Dez. 2011.


SOIHET, Rachel. História das Mulheres. In: CARDOSO, Ciro Flamarion, VAINFAS, Ronaldo (Orgs). Domínios da História: Ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro. Elsevier, 1997.

 



RESUMO:

Os livros didáticos de História por muito tempo relegaram as mulheres a condição de apêndice do masculino, ou simplesmente não as consideraram como sujeitas ativas da história. Diante deste fato propomos a análise da representação e do discurso sobre o feminino presente no livro didático da 9ª série do ensino fundamental utilizado na Escola Estadual Maria Rodrigues Tapajós. O nosso objetivo geral é analisar a representação e o discurso sobre o feminino. Em nossa metodologia analisamos o livro didático de Alfredo Boulos Júnior “História: Sociedade e Cidadania” e produzimos questionário para os alunos responderem como forma de coleta de informações acerca da qualidade do livro didático, o professor como agente mediador de discussões sobre à inserção do feminino na história, a representação do feminino através de imagens e entre outras. Por fim, acreditamos que inserir grupos menos privilegiados na História é uma forma de diminuir os preconceitos e desigualdades existentes em nossa sociedade.

Palavras-chave: História das Mulheres, Relações de Gênero, Representação, Discurso, Livro Didático.