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Periodicidade: Semestral (edições em julho e dezembro) a partir do inicio do ano de 2013.
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sábado, 20 de dezembro de 2014

A análise da representação e do discurso sobre o feminino no livro didático da 9ª série do Ensino Fundamental.


Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 5, Volume dez., Série 20/12, 2014, p.01-10.




Prof. Daniel Rodrigues de Lima.

Licenciado em História pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci-UNIASSELVI.

Especialista em Ensino de História pela Faculdade de Educação e Tecnologia da Região Missioneira-FETREMIS.


Mestrando em História na Universidade Federal do Amazonas-PPGH-UFAM.

Membro da Associação Brasileira de Educação a Distância-ABED.


Pesquisa realizada para disciplina Estágio II, do curso de graduação em Licenciatura  Plena em História pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci- UNIASSELVI. Sendo orientado pelo professor especialista Júlio César de Souza Queiroz.  A pesquisa em questão foi desenvolvida na Escola Estadual Maria Rodrigues Tapajós, em Manaus, no Estado do Amazonas, no período do primeiro semestre de 2013.



A análise da representação e do discurso sobre o feminino no livro didático da 9ª série do Ensino Fundamental é o tema de nosso artigo, sua escolha ocorreu por entendermos que é muito comum ainda hoje, e em muitos livros didáticos, encontrarmos uma história feita só por homens, onde a participação das mulheres quando não é de coadjuvante, é de constante invisibilidade de sua atuação e participação nos processos históricos sociais.

Acreditamos que a discussão é de extrema relevância, pois desta forma podemos identificar as mulheres como sujeitos históricos em seu processo de viver cotidianamente, portanto, diante disso, mostraremos que assim como os homens, estas fazem e produzem a História.

As obras consultadas como fonte de fundamentação teórica acerca da área de concentração: História das mulheres e relações de gênero são os artigos de Cristiane Manique Barreto (2009), Rachel Soihet (1997) e Mary Del Priore (1998), onde as autoras nos informam sobre o conceito de história das mulheres e relações de gênero, além de desenvolverem balanço historiográfico e também analisar como estas foram e são representadas pela produção histórica ao longo dos tempos.

O conceito de Representação que utilizaremos é referente ao aporte teórico desenvolvido por Roger Chartier (2002) em “A Beira da Falésia”, em que salienta que o real não é a realidade em si, mas uma representação da mesma.

Para entendermos o que vem a ser um livro didático recorremos à análise de Circe Bittencourt (2004), onde a autora nos mostra como este produto educacional foi e continua sendo utilizado no processo de ensino aprendizagem de diversas gerações, os quais nos ajudam a compreender o que vem a ser um livro didático.

Acerca da análise do discurso sobre o feminino no livro didático utilizaremos como base para nossas análises os artigos “Livros didáticos de História e questões de gênero” (MARQUES; MAGALHÃES, 2012) e “A mulher na História Contemporânea nos livros didáticos: uma trajetória invisível?” (PORTO, 2011), onde as autoras buscam evidenciar como são forjados os discursos acerca da participação do feminino na história, em que chegam à conclusão de que os espaços reservados à mulher são sempre de apêndices do masculino, coadjuvantes nos eventos históricos ou simplesmente ignoram sua participação enquanto sujeitos ativos da história.

O artigo segue estruturado da seguinte forma: 2-Obejtivos, em que traçamos o que se pretende alcançar com a discussão e problemática que apontamos; 3- Metodologia, nesse item, discutiu sobre os materiais e métodos, além de técnicas de pesquisa para elaboração dos resultados do artigo; 4- Resultados e discussões é o momento de expormos nosso referencial teórico, além dos resultados provenientes de nossa intervenção nas turmas da escola que fizemos a pesquisa; Conclusão aqui colocou nosso ponto vista acerca de tudo que foi trabalhado, e também, fazemos um balanço sobre o alcance de nossos objetivos iniciais e novas possibilidades de se pesquisar sobre o tema; e por fim temos, Referencias, ou seja, a lista das principais obras que colaboraram para execução da tessitura de nosso texto.

 


OBJETIVOS.

Os objetivos que pretendemos alcançar nestas páginas são os seguintes: como objetivo geral: Analisar a representação e o discurso sobre o feminino presente no livro didático da 9ª série do Ensino Fundamental utilizado na Escola Estadual Maria Rodrigues Tapajós.

Os objetivos específicos são: Conceituar a História das mulheres e relações de gênero, livro didático, representação e discurso; Identificar historiograficamente como as mulheres foram representadas ao longo dos mais variados processos históricos; Compreender os motivos da invisibilidade das mulheres na História e examinar se os alunos conseguem visualizar a condição em que é alçado o feminino no livro didático de História.

 

METODOLOGIA.
 
A disciplina Estágio II, possibilitou a atuação na área de formação, ou seja, o ensino da disciplina História, em que realizamos as atividades in loco, durante todo o primeiro semestre de 2013, na Escola Estadual Maria Rodrigues Tapajós, instituição mantida pela SEDUC-AM .
 
A Escola Estadual Maria Rodrigues Tapajós, está localizada na Rua Goiânia, nº 701, no Bairro da Redenção, na zona centro-oeste da cidade de Manaus. O ato de criação está contido no Decreto-Lei nº 5.442, de 29 de dezembro de 1980.
 
A escola possui ótima estrutura física, onde funciona nos três turnos (Matutino, Vespertino e Noturno), ofertando no turno diurno os ensinos de nível Fundamental (7° ao 9°) e Ensino Médio (1º ao 3º), que também é ofertado no período noturno.

Identificado o aspecto físico da instituição, lançamos mão dos materiais disponíveis para coleta de nossas informações, dessa forma, o livro da 9ª série do Ensino Fundamental foi uma de nossas fontes de análise.

O livro didático padrão da 9ª série do ensino fundamental, na turma 1, da Escola Estadual Maria Rodrigues Tapajós é a obra “História: sociedade e cidadania”, de Alfredo Boulos Junior, em que se analisou e desenvolveu a caracterização da representação e do discurso sobre o feminino, ou seja, procuramos apresentar como o autor trata o feminino, se é como sujeito ativo no processo histórico, como coadjuvante ou simplesmente ignorando sua condição de agente histórico.

Além disso, com os alunos desta turma, 9º ano na turma 1, aplicamos questionário para entendermos se os mesmos conseguem identificar a visibilidade ou invisibilidade do feminino no livro didático de história pelo qual orientam seus estudos.

 
           

RESULTADOS DA PESQUISA E DISCUSSÃO.

Entendemos que é de extrema relevância conceituar o que é História das mulheres e a categoria gênero, enquanto análise histórica. 

Diante do exposto temos a conceituação sobre gênero de acordo com Cristiane Manique Barreto:

Quando falo em gênero, estou falando de relações. Não de mulheres, nem de homens, mas de como historicamente e socialmente foram construídas as relações entre homens e mulheres. Portanto, a categoria de análise-gênero-remete a cultura e não ao biológico. (BARRETO, 2009, p.146)

Dessa forma entendemos que a diferenciação sexual é biológica, ou seja, as questões relativas às formas físicas de diferenciação entre masculino e feminino não explicam e nem determinam as relações entre os sexos no contexto histórico.

As análises acerca da categoria de gênero só podem ser entendidas em suas relações sociais e culturais, ou seja, ser homem ou mulher é uma construção tanto social e cultural, criando-se uma relação de poder que envolve a sexualidade como organismo sociocultural com seus ritos, linguagens, representações e símbolos.

A historiadora Rachel Soihet em “História das Mulheres” salienta que não devemos trabalhar com a história da mulher, mas com história das mulheres, pois estas possuem as mais variadas diferenças, de classe, religião, étnica entre outras, onde se busca entender que: “[...] as mulheres são alçadas à condição de objeto e sujeito da história” (SOIHET, 1997, p. 399), ou seja, objeto por poderem ser estudadas em suas especificidades e diferenças, assim como em suas similitudes, e sujeitos por em seu processo cotidiano de viver em sociedade produzirem a história.

Em “História das Mulheres: As Vozes do Silêncio”, Mary Del Priore nós faz compreender e entender, a abordagem acerca da História das mulheres e relações de gênero, onde considera de suma importância a produção de uma história das mulheres, pois desta forma visualiza-se que mesmo subsumidas da História oficial, estas estão presentes nos mais variados setores da vida social e cotidiana, em que suas “vozes do silêncio”, podem ser encontradas em diversos arquivos e fontes variadas, portanto, segundo a autora:

[...] para que serve a história das mulheres? E a resposta viria simples: para fazê-las existir, viver e ser. Este é, afinal, uma das funções potenciais da História. [...] Sua função maior deve ser a de enfocá-las através da submissão, da negociação, das tensões e contradições que se estabeleceram, em diferentes épocas, entre elas e seu tempo; entre elas e a sociedade nas quais estavam inseridas. Trata-se de desvendar as intricadas relações entre a mulher, a sociedade e o fato, mostrando como o ser social que ela é articula-se com o fato social que ela mesma fabrica e do qual faz parte integrante. [...] Mas história da qual não estejam ausentes os pequenos gestos, as práticas miúdas e repetitivas do cotidiano, as furtivas formas de consentimento e interiorização das pressões, simbólicas ou concretas, exercidas contra as mulheres. (PRIORE, 1998, p. 235)

Entendemos que a história das mulheres deve privilegiar não a mulher singular, mas as diversas mulheres, enfocando seus processos de viver em sua prática social que produzem as formas de submissão, da negociação, das tensões e contradições existentes em seu universo social, onde devemos compreender os pequenos gestos, suas práticas miúdas, intimas no viver cotidiano, e com isso, fazê-las existir.

 


LIVRO DIDÁTICO, REPRESENTAÇÃO E DISCURSO: CONCEITOS.

É a partir, deste destaque maior acerca da inserção e participação do feminino na história que analisaremos o discurso e representação das mulheres e das relações de gêneros nos livros didáticos.

O livro didático é em muitos casos o único material didático pedagógico utilizado por professores e alunos no cotidiano escolar em várias regiões de nosso país, dessa forma conceituar esta ferramenta educacional é importante. Corroborando com nossa afirmação Brissola apud Oliveira nos informam:

O livro didático brasileiro, ainda hoje, é uma das principais formas de documentação e consulta empregadas por professores e alunos. Nessa condição, ele tem impactos sobre o trabalho pedagógico e sobre o cotidiano da sala de aula. Ainda, de acordo com o Guia, ‘é fundamental dispor de um livro didático diversificado e flexível, sensível à variação das formas de organização escolar e dos projetos pedagógicos, assim como às diferentes expectativas e interesses sociais e regionais’. (2011, p. 16)

 
Circe Maria Fernandes Bittencourt com um capítulo em obra que organiza, “O Saber Histórico na Sala de Aula”, intitulado “Livros didáticos entre textos e imagens”, nos mostra uma análise histórica deste produto educacional e as políticas de incentivo a produção e difusão do livro didático no Brasil ao longo dos anos, além de definir um conceito acerca do que são livros didáticos e sua função no ensino e aprendizagem, desenvolve uma forma de análise deste objeto através dos aspectos formais, conteúdos históricos escolares e conteúdos pedagógicos. Acerca do conceito do livro didático a autora afirma:

Ele é portador de textos que auxiliam, ou podem auxiliar o domínio da leitura escrita em todos os níveis de escolarização, serve para ampliar informações, veiculando e divulgando, com uma linguagem mais acessível, o saber científico. Possibilita, igualmente, a articulação em suas páginas de outras linguagens além da escrita, que podem fornecer ao estudante uma maior autonomia frente ao conhecimento. Por seu intermédio, o conteúdo programático da disciplina torna-se explícito e, dessa forma, tem condições de auxiliar a aquisição de conceitos básicos do saber acumulado pelos métodos e pelo rigor cientifico. (2004, p. 73)

 
Por sistematizar e organizar, os saberes escolares a partir de sua existência, os livros didáticos dentro da esfera do saber institucionalizado pela escola são ferramentas pedagógicas importantes no processo didático pedagógico, porém são também portadores de discursos muitas vezes estereotipados e preconceituosos em relação a diversos segmentos étnicos, culturais, sociais e de gênero, que privilegiam a atuação de determinados sujeitos históricos em detrimento de outros.

O conceito de representação do qual nos utilizaremos para entender como o feminino é desenvolvido pelo autor Alfredo Boulos Júnior, no livro didático “História: Sociedade e Cidadania”, da 9ª série de ensino fundamental são elaboradas a partir das conceituações de Roger Chartier, contida na celebre obra “A Beira da Falésia”, onde o autor propõe:

[...] à noção de ‘representação coletiva’ autoriza a articular, [...] três modalidades da relação com o mundo social: primeiro, o trabalho de classificação e de recorte que produz as configurações intelectuais múltiplas pelas quais a realidade é contraditoriamente construída pelos diferentes grupos que compõem uma sociedade; em seguida, as práticas que visam a fazer reconhecer uma identidade social, a exibir uma maneira própria de estar no mundo, a significar simbolicamente um estatuto e uma posição; enfim, as formas institucionalizadas e objetivadas graças às quais ‘representantes’ (instâncias coletivas ou indivíduos singulares) marcam de modo visível e perpetuando a existência do grupo, da comunidade ou da classe. (2002, p.73)

A partir do exposto, ao analisarmos a representação do feminino no livro didático, verificaremos como o autor do livro constrói a realidade histórica e, com isso, analisamos em qual posição este inseri as mulheres no mundo histórico, e aí identificaremos a visibilidade ou invisibilidade das relações de gênero na obra em análise.

Com relação à análise do discurso sobre o feminino presente na obra didática, quem nos fundamenta teoricamente é, Marli dos Santos Porto, onde está autora faz uma análise do discurso sobre o feminino na história contemporânea, baseada nas ideias de Michel Foucault, e nos informa o seguinte: 

Nem tudo o que se quer demonstrar está explicitamente exposto. Em muitos casos, o verdadeiro sentido das coisas permanece nas entrelinhas dos discursos. A correta leitura de determinados fatos pode ser vislumbrada nas minúcias do discurso que é produzido com a finalidade de legitimar a superioridade de determinados fatos sobre outros. É o caso de eventos históricos cuja participação de alguns agentes é destacada, enquanto que outros são suprimidos no tempo e no espaço ou, ainda, são demonstrados como meros coadjuvantes da história contada. (2011, p. 91)


A autora continua sua análise do discurso, afirmando: 

Por falar em discurso, tradicionalmente este é entendido por sua natureza carregada de conteúdo e símbolos que são complexos na sua essência. Esse conteúdo, em sua maioria, é fecundo de juízo de valor, quase sempre oculto, distorcido, intencional, dissimulado e cheio de representações escondidas pelo texto. Contudo, analisar o discurso, na perspectiva de Foucault (1986), é dar conta das relações históricas que estão presentes nos discursos que podem ser extraídos ‘[...] no nível das existências das palavras’. (PORTO, 2011, p. 93)

 
Desta forma,   o que pretendemos em nossa análise é identificar como o autor do livro didático “História: sociedade e cidadania” da 9ª série do Ensino Fundamental, Alfredo Boulos Júnior explicita a participação feminina em seu texto historiográfico contido na obra em questão, se como agentes participativos ou como meras coadjuvantes na vivência dos processos históricos.

Ao longo dos processos históricos representados por aqueles que produziram a História, os historiadores homens, das diferentes épocas, relegaram a condição do feminino sempre o segundo plano. Onde de acordo com Mary Del Priore:

Numa obra clássica, O segundo sexo, publicada em 1949, Simone de Beauvoir fez uma observação fundamental: as mulheres não tinham história, não podendo, consequentemente, orgulharem-se de si próprias. Ela dizia, ainda, que uma mulher não nascia mulher, mas tornava-se mulher. [...] Beauvoir sabia que o território do historiador manteve-se, durante muito tempo, exclusividade de um só sexo. Paisagem marcada por espaços onde os homens exerciam seu poder e seus conflitos, empurrando para fora destes limites os lugares femininos. [...] Sobre este solo da história, as mulheres, de forma precária, tornaram-se herdeiras de um presente sem passado, de um passado decomposto, disperso, confuso. (1998, p. 217)

O século XX, porém é o lugar onde os estudos sobre as mulheres se tornarão comuns, principalmente com March Bloch e Lucien Febvre, na criação da Escola dos Annales, deslocando o foco do político para o social, cultural, econômico e cotidiano, alargando as abordagens históricas e ampliando a concepção de fontes.

Mas deve-se salientar muito mais a atuação dos movimentos feministas a partir da década de 1960, que proporcionaram conquistas expressivas no cotidiano feminino, onde diante disso, viu-se necessário a construção de uma História à qual inserisse as mulheres, não como vitimas ou heroínas da História, mas: 

[...] buscando-se visualizar toda a complexidade de sua atuação. Assim, torna-se fundamental uma ampliação das concepções habituais de poder — para o que cabe lembrar a importância das contribuições de Michel Foucault. Hoje é praticamente consensual a recomendação de uma revisão dos recursos metodológicos e a ampliação dos campos de investigação histórica, através do tratamento das esferas em que há maior evidência da participação feminina, abarcando as diversas dimensões da sua experiência histórica. Tais recomendações convergem para a necessidade de se focalizar as relações entre os sexos e a categoria de gênero. (SOHIET, 1997, p. 404)

 
A História que foi produzida da Antiguidade até as duas primeiras décadas do século vinte, foi movida pelos grandes feitos dos heróis masculinos, onde a mulher é sempre ligada ao irracionalismo, mantida no isolamento do lar, sem direitos de cidadania e com muitos deveres na sociedade, sendo mantida sempre na invisibilidade e em silêncio.

Contudo, a partir do advento da História dos Annales as mulheres são alçadas a condição de sujeitos e objetos da história, onde com isso, são visualizadas e ouvidas, saindo da invisibilidade de que por muito tempo ficaram submetidas.

 

A ANÁLISE DO LIVRO DIDÁTICO “HISTÓRIA: SOCIEDADE E CIDADANIA”, DA 9ª SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL.
 
O autor da obra didática que nós propomos analisar, Alfredo Boulos Júnior é Mestre em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) e Doutor em Educação pela PUC- São Paulo. É autor da coleção “História: Sociedade e Cidadania”, além de outras coleções didáticas como: “Construindo Nossa Memória” e “O Sabor da História”.
 
A coleção “História: Sociedade e Cidadania” são promovidas e organizadas, a partir, do Plano Nacional do Livro Didático (PNLD) do Ministério da Educação (MEC) para o triênio 2011-2013.
 
O livro da 9ª série do Ensino Fundamental “História: Sociedade e Cidadania”, utilizado na Escola Estadual Maria Rodrigues Tapajós, é uma obra que possui 320 páginas, dividida em seis unidades e dezenove capítulos, contendo ainda: Bibliografias, mapas de apoio e glossário.

O livro didático em análise foi desenvolvido de acordo com Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), através do eixo temático que orienta o ensino e aprendizagem da 9ª série, “Nações, povos, lutas, guerras e revoluções”, onde os conteúdos são apresentados de acordo com a concepção da História Integrada, ou seja, História Geral, do Brasil e América em único volume.

Os conteúdos e temas contemplados em seus capítulos são: Industrialização e Imperialismo; A Primeira Guerra Mundial; Revolução Russa; Inicio da República no Brasil: Republica Velha: Dominação e Resistência; Capitalismo e totalitarismo; A grande Depressão; O Fascismo e o Nazismo; A Segunda Guerra Mundial; O Primeiro Governo Vargas; A Guerra Fria; Independências: África e Ásia; O Socialismo Real: China, Vietnã e América Latina; Guerra e Paz no Oriente Médio; Dutra e Getúlio; Redemocratização Limitada; De Juscelino a Jango: crescimento econômico e populismo; Regime Militar de Castelo Branco a Médici; A distensão do Regime Militar; Geisel a Sarney; O Fim da URSS e a democratização do leste Europeu; a Nova Ordem Internacional e o Brasil Contemporâneo e de Collor a Lula.

A obra prossegue com bibliografia, mapas de apoio e glossário.

 

A REPRESENTAÇÃO E O DISCURSO SOBRE O FEMININO PRESENTE NA OBRA: “HISTÓRIA: SOCIEDADE E CIDADANIA”.
 
A obra “História: Sociedade e Cidadania” de Alfredo Boulos Júnior da 9ª série do ensino fundamental, que é utilizada na Escola Estadual Maria Rodrigues Tapajós é bastante ilustrada, onde as imagens presentes na obra privilegiam vários grupos e segmentos que compõem a sociedade: negros, índios, trabalhadores, mulheres e crianças.
 
Buscando salientar com a inserção destas imagens, que a história é uma construção de todos os agentes e sujeitos presentes na sociedade.
 
Nesta obra existem 384 imagens, entre fotos, charges, pinturas e gravuras, onde destas 103 possuem a imagem do feminino representada.

Observamos que a imagem do feminino é bastante explorada na obra, as mulheres são mostradas e visualizadas em vários momentos como no período das Guerras (1ª e 2ª), Movimentos Feministas, Condição feminina no Oriente Médio e entre outras situações.

Contudo as legendas não são tão informativas no sentido de orientar aos alunos sobre a condição de sujeito e agente ativo no processo histórico que as mulheres possuem, cabendo ao professor tal tarefa.

O autor deixa questionamentos da participação das mulheres na construção da história, onde na apresentação da unidade 1intitulada “A Era dos Impérios”, evidencia a participação da mulher no mercado de trabalho, porém mostra que esta participação se deu mais devido a ida dos homens a Guerra do que pela sua real capacidade de desempenhar as funções determinadas.

Outra questão importantíssima é relativa à mulher na Revolução Russa, onde sabemos que a greve das tecelãs teve influência fundamental para o desenvolvimento e eclosão da revolução, porém não há nenhuma uma imagem evidenciando tal participação, apenas um questionamento deixado pelo autor para os alunos: “As mulheres tiveram importante papel na Revolução Russa; por que será que os livros geralmente não narram isso?” (BOULOS JÚNIOR, 2009, p. 45).

Diante disso, fica uma autocrítica, pois ele questiona o porquê dos livros didáticos não evidenciarem a participação das mulheres, mas o próprio autor e sua obra não evidenciam esta participação.

Acerca do discurso construído pelo autor da participação do feminino na história, o que podemos observar é que seu texto base privilegia datas, fatos e heróis masculinos em geral, onde deixa pouco espaço para falar da participação do feminino como agente e sujeito histórico.

A observação da representação das mulheres através de imagens e suas participações mostram-se constantes no processo histórico, porém o autor Boulos Júnior continua tratando de acordo com seu discurso as mulheres como apêndices, coadjuvantes ou mesmo ignorando a participação destas como agentes históricos.

O que constatamos é o seguinte: apesar do livro didático em análise possuir imagens em profusão de mulheres representadas em várias ações histórico sociais, o discurso elaborado por seu autor, causa um paradoxo em não conter em seu texto base uma maior evidencia das mulheres na construção de sua cidadania e de seu viver em sociedade, ou seja, não amplia através de seus escritos a discussão acerca da real participação do feminino no processo histórico, deixando sérias lacunas em seu texto e imagens.

 

O FEMININO NA SALA DE AULA: ALGUMAS QUESTÕES PARA DISCUSSÃO.

O estagio II, foi desenvolvido na Escola Estadual Maria Rodrigues Tapajós, na turma 1 da 9ª série de Ensino Fundamental, onde fizemos nossas observações e praticamos a ação pedagógica através das Regências de aulas.

Ao chegarmos à escola conversamos com a diretora Tânia Maria Castelo Branco, que nos autorizou a execução das atividades de estágio, supervisionadas pela professora licenciada em história Janaina Barreto dos Santos

A partir, de então, fomos à série do 9º ano turma 1, onde está possui 52 alunos em uma sala com capacidade para 45 alunos, sendo a faixa etária de 12 a 14 anos de idade dos discentes.

Então, diante disso, conversamos com a professora sobre a regência, onde esta nós deixou a vontade para desenvolver as atividades.

Elaboramos cinco planos de aula para execução de nossas regências, onde encontramos uma turma um pouco dispersa, existindo falta de atenção antes das aulas terem início, contudo estas ocorreram de maneira satisfatória.

Trabalhamos os seguintes assuntos com alunos nestas cinco aulas: Imperialismo, Primeira Guerra Mundial e Revolução Russa de 1917, onde nos auxiliamos do livro didático e do suporte didático contido na sala de informática, através dos slides que produzimos para melhor desenvolvimento das aulas, em que utilizamos mapas, textos e vídeos para melhor ilustrar nossas atividades.

Em todas as atividades desenvolvidas procuramos articular nossa área de concentração História das Mulheres e Relações de Gênero aos assuntos trabalhados em nossas regências, onde buscamos sempre evidenciar a participação feminina no processo histórico como agentes ativas em sua construção.

Elaboramos questionário com cinco perguntas referentes ao livro didático e sua utilização pelo professor, onde conseguimos coletar informações de 35 dos 52 alunos.

As questões que desenvolvemos foram: 1) o professor trabalha em suas aulas auxiliado pelo livro didático; 2) como você considerada a qualidade do livro didático que recebeu para auxiliar e direcionar seus estudos; 3) a História presente nos livros didáticos coloca em evidencia a participação feminina nos acontecimentos ou processos Históricos; 4) mesmo sem a presença constante no livro didático o professor consegue demonstrar a participação do feminino na construção dos acontecimentos ou processos históricos; e 5) O livro didático utilizada em sala de aula possui muitas ilustrações e imagens, porém nestas as mulheres são representadas e tem sua presença constante?

O que podemos identificar e compreender a partir dos dados colhidos e obtidos com as repostas dos alunos foi: respondendo ao primeiro questionamento na totalidade, ou seja, os 35 alunos responderam que o professor utiliza o livro didático para auxiliar suas aulas.
 
Na resposta sobre a questão três os alunos em sua maioria escreveram que o livro didático evidencia a participação do feminino no processo histórico totalizando 24 respostas sim, e 11 não, ou seja, onde informam não conseguir visualizar as mulheres.

Na quarta questão sobre se o professor conseguiu demonstrar a participação do feminino nos processos históricos conseguimos atingir os seguintes números: 30 respostas sim, e 5 respostas não, evidenciando que nossos objetivos que eram relacionar as atividades desenvolvidas no estágio à nossa área de concentração foram alcançados, onde conseguimos inserir as mulheres como agentes e sujeitos ativos da história em seu processo cotidiano de viver em sociedade.

Na quinta questão, acerca de ilustrações contidas no livro didático do feminino possuir presença constante temos: 24 alunos identificaram como uma presença constante das mulheres nas imagens contidas no livro didático, e 14 consideram que elas não aparecem, e um estudante respondeu que apenas às vezes as mulheres são representadas.

Esta questão se referia acerca da qualidade do livro didático “História: Sociedade e Cidadania” de Alfredo Boulos Júnior, e dos trinta e cinco alunos que responderam o questionário a grande maioria, 31, consideram o livro entre excelente-ótimo-bom, e apenas 4 consideram regular, sendo que ruim e péssimo não tiveram nenhuma resposta.

Portanto, em nossas observações e até mesmo em nossa atuação identificamos a falta do feminino em livros didático, e às vezes quando se fazem presente são com figuras ou imagens com certo estereótipo, em que cabe ao professor muitas das vezes buscar salientar e explicar certos conhecimentos que estão estabelecidos em algumas obras didáticas, e com isso, inserir o feminino como agente construtor da história.




CONCLUINDO.
 
O estágio foi de extrema importância em minha formação devido, a partir deste poder ter contato com o cotidiano escolar, e com isso, entender como é o trabalho de planejamento e execução das aulas, onde de acordo com a turma, a série e faixa etária dos alunos podemos lançar mão de estratégias e táticas de ensino e aprendizagem para uma melhor realização de nossa ação pedagógica.

Acreditamos ter alcançado todos os objetivos, pois conceituamos História das mulheres e relações de gênero e livro didático, além de identificarmos como o feminino é representado através do discurso contido no livro didático.

Verificamos ainda que os alunos estão atentos a estas visibilidades ou invisibilidades que os livros didáticos por muitas vezes evidenciam, e diante disso, cabe ao professor cotidianamente em sua prática e ação pedagógica, demonstrar que a História enquanto ciência do homem no tempo deve privilegiar a participação de todos os segmentos sociais, onde as mulheres são agentes ativos nesse processo.

Por fim, dar visibilidade a ação de sujeitos que por muito tempo foram relegados à margem dos acontecimentos históricos, como as mulheres é possibilitar a construção de uma sociedade menos desigual, minimizar os preconceitos e abusos, e com isso, gerar condições de cidadania e igualdade de direitos no viver em sociedade entre homens/mulheres, ricos/pobres, brancos/negros e índios, e, por conseguinte, possibilitar uma sociedade melhor, onde a escola tem função e caráter fundamental para disseminar tais atitudes de convivência entre seus pares sociais. 

 
 

PARA SABER MAIS SOBRE O ASSUNTO.

BARRETO, Cristiane Manique. História e Relações de gênero. In: MORGA, Antônio Emilio; BARRETO, Cristiane Manique (orgs.). Gênero, sociabilidade e afetividade. Itajaí: Casa Aberta Editora, 2009.

BITENCOURT, Circe Maria Fernandes. O Saber Histórico na Sala de Aula. 9ª ed. São Paulo: Contexto, 2004.

BOULOS JÚNIOR, Alfredo. História: Sociedade e Cidadania. 9º Ano. São Paulo: FTD, 2009.

CASTRO, Hebe. Historia Social. In: CARDOSO, Ciro Flamarion Santana, VAINFAS, Ronaldo (orgs). Domínios da Historia: Ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro: Elsevier, 1997.

CHARTIER, Roger. À Beira da Falésia: a história entre incertezas e inquietude. Porto Alegre: Editora da Universidade/ UFRGS, 2002.

DEL PRIORE, Mary. História das Mulheres: as vozes do silêncio. In: FREITAS, Marcos Cezar de (org.). Historiografia Brasileira em Perspectiva. São Paulo: Contexto, 1998.

MARQUES, Ana Maria; MAGALHÃES, Clauderize Karla de Oliveira. Livros didáticos de História e questões de gênero. Revista Eletrônica 6: Documento Monumento. Cuiabá: Universidade Federal do Mato Grosso. Vol. 6 - N.1 - JUN/2012. Disponível em: http://www.ufmt.br/ndihr/revista/. Acessado em: 15.03. 2012.
 
OLIVEIRA, Wilson Sousa. A imagem da mulher nos livros didáticos e relações de gênero. Revista Fórum identidades. Itabaiana: GEPIADDE. V. 9, Jan./ Jun. 2011.

PORTO, Marli dos Santos. A mulher na História Contemporânea nos livros didáticos: uma trajetória invisível. Revista Maiêutica: Licenciatura em História. Indaial: Ed. Grupo UNIASSELVI. V.01, n.01, Jul./Dez. 2011.


SOIHET, Rachel. História das Mulheres. In: CARDOSO, Ciro Flamarion, VAINFAS, Ronaldo (Orgs). Domínios da História: Ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro. Elsevier, 1997.

 



RESUMO:

Os livros didáticos de História por muito tempo relegaram as mulheres a condição de apêndice do masculino, ou simplesmente não as consideraram como sujeitas ativas da história. Diante deste fato propomos a análise da representação e do discurso sobre o feminino presente no livro didático da 9ª série do ensino fundamental utilizado na Escola Estadual Maria Rodrigues Tapajós. O nosso objetivo geral é analisar a representação e o discurso sobre o feminino. Em nossa metodologia analisamos o livro didático de Alfredo Boulos Júnior “História: Sociedade e Cidadania” e produzimos questionário para os alunos responderem como forma de coleta de informações acerca da qualidade do livro didático, o professor como agente mediador de discussões sobre à inserção do feminino na história, a representação do feminino através de imagens e entre outras. Por fim, acreditamos que inserir grupos menos privilegiados na História é uma forma de diminuir os preconceitos e desigualdades existentes em nossa sociedade.

Palavras-chave: História das Mulheres, Relações de Gênero, Representação, Discurso, Livro Didático.

 

domingo, 14 de dezembro de 2014

O Contexto Histórico- social - politico e a Didática Superior.

Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 5, Volume dez., Série 14/12, 2014, p.01-05.
 
Paulo Batista da Silva.
Aluno do Curso de História – EAD – Universidade Estácio de Sá.



O presente artigo consiste em analisar o papel da didática no contexto histórico, sócio, politico, econômico e cultural na realidade brasileira, fazendo uma abordagem sobre diversos aspectos, que deve ser relevante para o estudo supracitado, dentre eles: conceituar a didática; destacar o docente e o aluno  no contexto educacional; analisar os aspectos do processo de ensino-aprendizagem e métodos avaliativos.
A importância do elemento cognitivo social no ensino, feedback ,  e como pode transformar a vida do individuo e da sociedade num todo.
Enfatizar, que os movimentos sociais e integração entre as IES, rumam para um aperfeiçoamento dos programas pedagógicos e uma hegemonia curricular,  também altera as politicas governamentais. Menciona que há uma propagação do ensino EAD, e a diferença entre o conteúdo de aprendizagem da modalidade presencial e do ensino a distancia.

Este trabalho vem organizado por subtemas os quais são eles: História-social; O neoliberalismo como ideologia Social-educativa; A Educação no Brasil; Didática do Ensino Superior; Modalidade  Ensino a Distancia; O Educador.


Historia-social.
Na década de 70, foram feitas reformas educativas na América Latina, com o objetivo do estudo se direcionado as necessidades produtivas.
Adaptando-se, as diferenças culturais de cada país e suas propostas politicas, este elemento criou transformações na escola e na sociedade.
As ideias marxistas, onde o trabalhador deve ser equipado com o conhecimento e aperfeiçoamento dentro da atividade empresarial que desempenha, tornou-se a meta dos países em subdesenvolvidos e em desenvolvimento.
Os setores, que deveriam crescer em conhecimento, eram estipulados pela classe dominante, burguesia.
Nos anos 90, a exigência trabalhista aumentou o curso técnico atrelado ao processo educacional profissional, foi substituído pelo de nível superior.
Sendo assim, o país que pretendesse sair do rol dos subdesenvolvidos, deveriam ter cada vez maior o número, de seu contingente profissional, na situação de graduado.
Muitos educadores, que optaram em injetar em seus alunados esta proposta, passando através do pensamento,  que só teria chance de crescimento social, quem tivesse nível superior.
Colaboraram assim, para a desvalorização do trabalho técnico e o aumento descomunal do numero de graduados.
A educação, portanto, tornou-se um espaço de disputa entre grupos econômicos, sendo um dos critérios de avaliação do desenvolvimento socioeconômico de um pais.
Todavia, nesta situação o educador com visão do futuro, teria que superar no espaço social, a imposição de opressão entre classes, e direcionar suas ideias de forma coerente, orientando seus alunos, para uma visão de vitorias sociais, mantendo sua identidade de classe.
Sendo assim, não haveria necessidade, de possuírem nível superior, para serem bem sucedidos.
Na visão atual a politica educacional, se direcionou a elevar os níveis de qualidade da educação, dentro da concepção do Banco Mundial, sendo seus níveis de avaliação dos países, usando como base de referencia o grau de desenvolvimento social atrelado a os fatores: tempo de instrução, ou seja, idade x escolaridade; aperfeiçoamento dos docentes; exclusão do analfabetismo; etc.
É fato que este tipo de avaliação, imposta, não é justa para os países que compõe a América latina e outros.
Por estarem fora das suas realidades culturais, regionais e econômicas. Devido que, cada classe social tem sua ideia de satisfação dentro de sua realidade, porque a escolaridade deve ser vista de forma individual dentro da necessidade de cada um.


O Neoliberalismo como Ideologia Social - educativa.
Nas décadas de 70 e 80, com a queda do desenvolvimento dos países socialistas e o crescimento dos governos capitalista, foi o marco da nova politica econômica internacional.
Esta foi, à alavanca para o surgimento do neoliberalismo, e a sua filosofia, que para um governo ser equilibrado, deve ter uma estabilidade em seu mercado interno, na sua situação financeira, monetária, índice de inflação baixo, possuir reservas cambiais e aliados poderosos políticos nacionais e internacionais.
Neste contexto, é adotada a liberdade de mercado, no entanto, cabem ao governo regular suas politicas e conter os grandes monopólios.
Também, obriga o Estado, a ter gastos que venham a suprir as necessidades essenciais da sociedade, tais como educação, previdência social, saúde, etc. com objetivo, de desenvolvimento de todos os países internacionais, que compunham o bloco capitalista, sendo a prioridade o terceiro mundo.
Nesse aspecto, a melhoria das condições de vida, o acesso à informação e qualidade de ensino seriam pressupostos imprescindíveis para que o neoliberalismo alcança-se êxito.
A privatização das empresas governamentais, é uma das metas desta ideologia,  para que as mesmas sejam equipadas a nível internacional, aumentando a qualidade da produção.
Contudo, esta proposta, não conseguiu levar as nações menos favorecidas ao crescimento e desenvolvimento planejado.
Pelo contrario, aumentou a diferença econômica entre as classes sociais, pois propiciou demissões e a queda econômica social no mercado de trabalho.
No Brasil o neoliberalismo teve início da década de 1990, período marcado pelas grandes privatizações.
Uma das bandeiras governistas para implantar esta nova ideologia, foi à caça aos marajás, e a modernização do serviço publico dando basta a burocracia, campanha do governo Collor de Mello.
Nesta nova estrutura, foi aprovado em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases. Na qual, em seu artigo 7º afirma, que “o ensino é livre à iniciativa privada” e legisla sobre as condições para tal.
Assim ocorrendo, o aumento do número de escolas particulares.
De acordo, com as diretrizes do Banco Mundial, houve uma injeção brutal nos setores de Educação Básica aumentando muito o numero de matriculas.
Assim, o Ministério da Educação, brasileiro, estabelece as metas para o setor a serem alcançados a cada dez anos, através do Plano Nacional de Educação.
O PNE deixa claro que o principal esforço público tem que ser feito para melhorar a Educação Básica e que o ensino universitário é uma área que deve crescer com o auxílio público ao capital privado.
Em relação ao Ensino Superior, a 12ª Meta do projeto aponta a necessidade, de elevar em 50% a taxa bruta de matrículas da população entre 18-24 anos no ES.
Neste caso, o aumento de matrículas será constituído principalmente nas Instituições de Ensino Superior (IES) privadas.
O papel do Estado, seria aumentar programas como o ProUni (Programa Universidade Para Todos) e o FIES (Fundo de Financiamento Estudantil) .
A 15ª meta a alcançar é que ate 2020 todos os professores de Educação Básica devem ter formação Universitária. Com a proposta de alcançar esta meta, todos os programas como CEDERJ, FUNAI - ensino superior indígena, Faculdade SENAI, facilita o ingresso de docentes.
A 20ª e última meta do PNE, menciona o investimento publico na área, tendo como proposta investir até 2020 7% do PIB – Produto Interno Bruto, hoje se investe 5,3 %.
Todavia, os movimentos sociais reivindicam a muito, que este percentual seja de 10%, índice aprovado pela Câmara de Deputados no ano de 2012.
As contradições existentes, nesta nova ideologia econômica- social, fez aumentar as crises sociais como a violência, marginalidade, consumo de droga.
A classe social menos favorecida, não vê neste modelo econômico, condição de melhora econômica-social. As ações sócias paternalistas do Governo, só fazem concretizar a esta classe menos favorecida que eles nunca chegaram a lugar nenhum.
Mesmo com o acesso as Universidades Publicas pelo ENEM, esta longe de diminuir as diferenças entre as classes sociais.
Com o aumentando a insatisfação social, esta ideologia de desenvolvimento prova ser ineficaz, contudo, deve se continuar, a se enfatizar as ações sociais econômicas de transformações democráticas.


A Educação no Brasil.
A implementação dessas concepções políticas de formação, ocorreu no Brasil,  desde o final dos anos 80, e se consolida na década de 1990, em harmonia  dos acordos firmados na Conferência de Ministros da Educação e de Planejamento Econômico, realizada no México, em 1979, e na Conferência de Jontien, em 1990, na Tailândia.
Os países focos nestes encontros, foram em especial na América Latina e no Caribe, objetivando aumentar o capital, e elevar a nível satisfatório a aprendizagem básica.
Sendo assim, a qualidade da escola básica, passa a ser meta das politicas implantadas pelo MEC, na busca de incentivar e facilitar mudanças na formação de professores.
Tais ideias educacionais, na produção teórica e pratica, foram questionadas pelos educadores no fim dos anos 70, por estarem fora da realidade do contexto social.
As entidades como a Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (Anfope) – que se organiza a partir de 1983 como Comissão Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (Conarcfe) –, com o objetivo de  reformulação dos cursos de formação de professores, veio alimentar a discussão de uma concepção sócio histórica em oposição ao ensino de conteúdo puramente técnico com objetivos políticos.
Em relação ao conteúdo programático, para a formação de professores existia uma proposta, de uma formação básica comum de âmbito nacional, contra a concepção de um currículo mínimo, que poderiam cursar a fragilização e degradação  da formação  do profissional de ensino.
Neste período também, surgiram os movimentos de politica nacional global, referente a formação dos profissionais em educação, tendo como proposta a valorização do magistério.
Onde os professores, teriam os direitos trabalhistas em condição de igualdade na carreira de ensino, salario digno e formação continuada, sendo a manutenção destas garantias obrigação do Estado e das Instituições de ensino contratantes.
Assim sendo, não se pode ignorar, que para o docente alcançar êxito na didática, ele deve compor três etapas básicas: - Apresentação, ter a visão do ambiente cognitivo ao qual vai se relacionar; - Comunicação, é a habilidade de simplificar o vocabulário didático, para facilitar o entendimento, sem ofender ao aluno; - Planejamento, consiste em, que o programa do curso, amplie a visão modificadora do aluno, para transformações futuras em todos os níveis politico-econômico-social.


Didática de Ensino Superior.
A didática em sua definição básica, é caracterizada como a pratica do ensinar , definição dos primórdios do século XII.
Seguindo, o postulado da Escola Nova no século 50, com a proposta de superar a escola tradicional, onde o aluno aprendia decorando, assim a nova proposta, deveria incentivar o interesse e a curiosidade infantil.
Nos princípios, de individualização e liberdade, onde o aluno aprende fazendo.
Com a entrada do enfoque humanista, nos anos 60 e 80, centrado no processo interpessoal, enfoca o ensino e a aprendizagem como uma técnica de ação intencional, e sistemática para melhor organizar  o processo de aprendizagem.
Sendo assim, direcionando o conteúdo programático e as técnicas de ensino, para as questões econômicas politicas do momento, ou seja, a produtividade, a eficiência, a racionalidade, a operabilidade e controle.
Acabou afastando assim, o alunado da autoaprendizagem e do raciocínio individual.
Assim, identificasse a influencia direta da industrialização no processo educacional, acrescentando a objetividade.
Nos anos 70, surgem as criticas deste tipo de didática.
Por ser um modelo tecnicista, direcionado a componentes politico – econômico.
Na atualidade, a perspectiva fundamental é assumir a multifuncionalidade do processo de ensino-aprendizagem, e articular suas três dimensões: técnica, humana e politica, no centro configurador de sua temática.
Tendo por se caracterizar, pela pratica pedagógica concreta, e seus determinantes; textualizar e repensar as dimensões técnicas e humanas, ao analisar as diferenças metodológicas, direcionando a realidade cultural e regional dentro de cada contexto social.
Seguindo esta linha de raciocínio, objetivando a eficácia didática surgiu a avaliação – ensino. Para Both(1999:11), a avaliação e o ensino devem manter simultaneidade, e concomitância de ação, de intervenção e de efeito, pois ensinando avalia-se, e avaliando ensina-se, ao mesmo tempo.
Com o objetivo. de visualizar a comunicação existente entre o professor e aluno, a avaliação da pratica didática, é fundamental para verificar se o conteúdo programático esta sendo bem entendido.
O processo, de ensino- aprendizagem tem característica feedback, por isso a necessidade de avaliação constante da didática.
Hoje, com objetivo de expansão do ensino nas categorias de técnico, aperfeiçoamento profissional, graduação, pós-graduação, etc., surgiu à figura do tutor (professor), formado ou em curso do nível superior, habilitado em determinada disciplina, para compor a modalidade de ensino a distancia.
Independente da categoria do ensino, ou seja, presencial ou a distancia, a pratica pedagógica deve ser sempre avaliada, para que seu objetivo seja alcançado, melhorando assim, o aprendizado do alunado. Nesta categoria, a auto- avaliação também é importante.



Modalidade Ensino a Distância.
Com o crescimento, da pratica pedagógica do ensino a distância, caracterizado pela autoaprendizagem.
Nesta modalidade de ensino, o aluno é educado por aulas em vídeo, apostilas, biblioteca virtual, fórum participativo, treinamento por simulado, e ainda podendo tirar duvidas em algumas disciplinas com orientadores presenciais.
A diferença em relação à avaliação(prova), é que esta é composta de uma gama absurda de conhecimento, que diferencia-se do programa presencial, ao qual o aluno só é avaliado sobre a matéria que o professor consegue transmitir, muitas vezes com o conteúdo muito a quem, do exigido como conhecimento mínimo para a disciplina.
Assim a categoria a distancia, muito embora facilite o ensino para quem trabalha ou mora longe da universidade de escolha, em questão de conteúdo programático, ultrapassa e muito o ministrado nas disciplinas presenciais.
Se o ensino no Brasil, nesta modalidade a distancia continuar a neste nível.
Aos que resistirem a esta cobrança, programática extensa e se formarem, terão uma ampla gama de conhecimento teórico, estando assim, melhor preparado para o mercado de trabalho na sua ampla diversidade.


O Educador.
A produção teórica do movimento dos educadores, evidencia a concepção avançada, sobre a formação do educador, não só em seu caráter sócio histórico, mas principalmente, para contribuir numa proposta que harmonize as discrepâncias,   presentes na formação de professores e de especialistas, entre bacharelados e licenciaturas, e entre pedagogia e as demais licenciaturas.
Esta é uma situação presente, mais não tão clara para os profissionais como sujeitos no trabalho, e a competência para realização dos mesmos, tanto no campo pedagógico, como na construção de projetos coletivos.
A integração, entre o ambiente: politico, social, cultural e a educação, no ambiente escolar, torna-se tão estreita que a sociedade capitalista influencia na formação do educador.
Fato que, provoca oposição entre os projetos educacionais conservadores, e os projetos históricos, que buscam a superação do capitalismo, para adegue a uma sociedade mais humanizada.
Essas concepções encontraram sua forma mais elevada, na elaboração da base comum nacional, que vem sendo construída nas propostas concretas, de padronização curricular nas diferentes IES, brasileiras, organizando o corpo de educadores, em torno de princípios que circundam a formação.


Concluindo.
Concluindo, o compromisso social e político do profissional da educação, devem estar enfatizados na característica sócios históricos, ou seja, não afastado dos movimentos sociais.
Para tanto, quando o educador, usa atividade cognitiva humana, onde o sujeito é referencia de analise das condições de aprendizagem, esta vinculação abre caminho para novas estratégias e procedimentos didáticos, suprindo alguma quebra de comunicação, podendo ocorrer transformação nos programas pedagógicos.
Assim, a gestão democrática, tem sido um instrumento de luta contra a gestão autoritária na escola.
Neste ambiente do cotidiano escolar, tem que se superar as normas técnicas administrativas, a fim de apreender o significado social das relações, onde o ensinar é composto de feedback , para que haja a real aprendizagem.
Contudo, a avaliação do ensino, do educador, do aluno e a auto avaliação torna-se cada vez mais essencial no processo de aprendizagem, para que haja aperfeiçoamento na didática e se avalie o conteúdo programático pedagógico utilizado, observando se esse esta a contento, para alcançar a melhor formação do profissional.


Para saber mais sobre o assunto.
BOTH, Agostinho. Gerontologia: educação e longevidade. Passo Fundo: Imperial, 1999.
LOWMAN, Joseph. Dominando as Técnicas de Ensino. São Paulo: Atlas,2004.
MARTINS, Aglay Sanches Fronz. A importância da Didática no Ensino Superior. Anuário da Produção Acadêmica Docente. Vol.III, Nº.5. Anhanguera Campinas. São Paulo: 2009.
PERRENOUD, Phillippe. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artmed, 2000.
ROGERS, Carl. Liberdade de aprender em nossa década. Porto Alegre: Artes Médicas, l986.
SAUL, Ana Maria. Avaliação Emancipadora. Desafio à Teoria e à Prática de Avaliação e Reformulação de Currículo. São Paulo: Cortez, l988. 

http://www.ufpe.br/nehte/simposio/anais/Anais-Hipertexto-2010/Niege-Guedes-Matos.pdf Acesso em 08/01/2014.
 

Resumo: O artigo presente se propõe a enfatizar que, os educadores devem ter como base pedagógica uma visão histórico-social, de circunferência ampla. A importância do educador no contexto econômico-social-politico. Como a atividade pedagógica, e seus programas, podem motivar as classes menos favorecidas, a terem uma perspectiva de crescimento no trabalho, e ascensão econômica. Esta perspectiva de ascensão deve estar dentro da realidade social, para evitar frustração do individuo. Este tipo de orientação, transforma o quadro de violência social. Também, mostrar a importância da avaliação, em todas as suas etapas, para o desenvolvimento didático pedagógico. A eficácia dos movimentos sociais, para alterar as politicas governamentais, a formulação de leis mais eficazes, novos programas educacionais livres, para melhor adequação social.

Palavras-Chave: História-social, Politica, Educação.