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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A razão no pensamento de Descartes e Pascal.


Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 5, Volume dez., Série 01/12, 2014, p.01-03.


Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos. 

Doutor em história social - USP.
MBA em Gestão de Pessoas - UNIA.
Licenciado em história - CEUCLAR.
Licenciado em filosofia - FE/USP.
Bacharel em filosofia - FFLCH/USP.




Enquanto a filosofia de Descartes é regida pela razão demonstrada através de princípios; para Pascal o monopólio da certeza não é sua exclusividade, visto que está circunscrita ao seu domínio, mas é limitada.

Descartes vê na razão, e em seu método, um meio seguro de resolver qualquer dificuldade, chegando assim a verdade.

Pascal julga que a razão é limitada, carecendo do auxilio do coração, pois: “o coração tem suas razões, que a razão não conhece”.


A concepção cartesiana.

Em seu Discurso do Método, Descartes estabelece os quatro famosos preceitos (Evidência, Divisão, Ordem e Enumeração), através dos quais a razão chega a verdade.

Para o filosofo só existe uma verdade, considerando que tudo é suscetível de conhecimento verdadeiro, é, por isto mesmo, passível de conhecimento de tipo matemático.

Sendo assim surge um problema: como explicar as coisas que não podemos entender racionalmente?

As quais, inclusive estão presentes no próprio pensamento cartesiano, tal como a união entre alma e corpo.

A análise dos textos de Descartes prova que seria um equivoco julgar o racionalismo ilimitado em extensão.

Outro equivoco, porém, seria crer que, por não ser ilimitado, o racionalismo cartesiano é menos radical.

A característica do pensamento cartesiano não é ser ilimitado, mas sim invariável em compreensão, ou seja, compreende todos os objetos sempre segundo o mesmo critério.

O pensamento cartesiano é racionalista por julgar, rigorosamente, a unidade da razão com a unidade do saber e com a unidade do método.

No momento em que se indicar qualquer brecha na unidade da razão cartesiana, da qual dependem as outras duas, poder-se-ia colocar em dúvida todo o sistema filosófico cartesiano.

Descartes compõe a máquina e tenta adequar o mundo a seu sistema.


A concepção de Pascal.

Pascal, um dos criadores do cálculo das probabilidades, compreende bem o caráter multipolar da verdade, tentando adaptar o seu pensamento ao mundo, e não o mundo ao seu pensamento.

Para ele a razão é limitada, não podendo ser juízo de tudo.

Cada objeto exige um método para sua compreensão, a razão tem o seu lugar, mas necessita do auxilio do coração.

A razão é um ato de pensamento puro que não pode enxergar de um só golpe, como faz o coração, entendido como aquilo que é captado pelos sentidos.

A razão deve se ajustar ao real e não o contrário, embora esta concepção comporte dúvida, pois não existe uma definição clara do que se entende por realidade.

No pensamento de Pascal a verdade tem muitas faces, o que conduz a concluir que não existe uma verdade limitada pela razão.

A verdade não pode ser alcançada pelo homem, só Deus pode contemplar a sua complexidade.


Concluindo.

Para concluir basta dizer que enquanto Descartes vê na razão, e principalmente em seu método, um meio para compreender todos os objetos sempre segundo o mesmo critério, assim chegando a uma verdade única.

Pascal compreende a limitação da razão, bem como o caráter multipolar da verdade.

O pensador não se contenta em construir um sistema fechado, que dentro de si mesmo é a prova de refutações.

Pascal prefere adequar seu pensamento ao real, motivo pelo qual afirmou categoricamente: “Descartes, inútil e incerto”.


Para saber mais sobre o assunto.

ARANHA, Maria Lucia Arruda & MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de filosofia. São Paulo: Moderna, 1992.

CHAUÍ, Marilena. Convite a filosofia. São Paulo: Ática, 1994.

CHEVALIER. “La méthode de connîte d’aprés Pascal” In: Étrue sur Pascal. Paris: Armand Colia, 1923.

DESCARTES, René. Discurso do método. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

LALANDE, André. Vocabulário técnico e crítico da filosofia. São Paulo: Martins Fontes, s.d.

LEBRUN, Gérard. Pascal. São Paulo: Brasiliense, s.d.

KUJAWSKI, Gilberto de Mello. Descartes existencial. São Paulo: Edusp, 1969.

MORA, José Ferrater. Dicionário de filosofia. Lisboa: Dom Quixote, s.d.


PASCAL, Blaise. Pensamentos. São Paulo: Abril Cultural, 1973.



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Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.

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