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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Chocolate também é história.

Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 1, Volume ago., Série 17/08, 2010, p.01-15.




Quando os colonizadores espanhóis chegaram à região que hoje é o México, para além de metais preciosos que aguçaram a cobiça dos europeus, encontraram um novo alimento que se transformaria em ouro para seus produtores: o chocolate.

Os astecas que habitavam o México e os Maias ocupando a América Central davam grande importância a uma árvore que chamavam “cahuatl”, o seu fruto era usado como alimento e base para o preparo de uma infusão, bebida fria e espumante, muito semelhante ao chocolate atual, denominada "tchocolath".

Os astecas cultuavam o deus Quetzalcoatl, personificação da sabedoria e do conhecimento, aquele que lhes teria dado, entre outras coisas, o chocolate. Acreditavam que Quetzalcoatl trouxera as sementes de cacau do céu para o povo, festejando as colheitas com rituais cruéis de sacrifícios humanos, oferecendo às vítimas taças de chocolate.

Entre os maias o valor do cacau também estava em suas sementes. Elas eram usadas como moeda. Na época, por exemplo, um coelho podia ser comprado com oito sementes e um escravo por 100.

Em 30 de julho de 1502, o navegador Cristóvão Colombo, achando que tinha descoberto as Índias, baixou âncoras em frente à ilha de Guajano, na América Central, através do contato com a civilização maia, ele foi o primeiro europeu a provar o chocolate.

Uma majestosa piroga abordou a caravela de Colombo e um chefe maia subiu a bordo, oferecendo ao navegador e sua tripulação, armas, tecidos e sementes de cacau, explicando que as sementes eram a moeda do país e que permitiam preparar uma bebida muito apreciada entre eles.


Colombo e seus marinheiros provam com os lábios as sementes e tomam o chocolate, dias depois, levantam velas e seguiram para a Europa, não dando a mínima importância, mal sabiam que um dia o novo alimento seria apreciado no mundo inteiro.



O cacau, sua utilidade e a transformação em chocolate.

Quando nos deparamos com um grande pedaço de chocolate, mal podemos imaginar que temos diante de nós um alimento que, além rico em calorias e outras substâncias, é também útil em diversos sentidos. Serve para matar a fome, mas igualmente para afogar as mágoas, podendo, segundo alguns pesquisadores, inclusive, viciar, embora possua reações variáveis em cada organismo.

Ao lado do Café e do Chá, o consumo de chocolate tornou-se um hábito cultural. No amanhecer da Idade Moderna, foi transposto das colônias da América e da Ásia para o resto do mundo, em uma espécie de globalização primitiva que envolveu o intercâmbio de espécies animais e vegetais, além do vai e vêm de pessoas e costumes.


No entanto, o consumo do chocolate pelo homem é antigo, remonta pelo menos há 4.000 anos, embora somente em um período relativamente recente a ciência tenha concentrado sua atenção sobre a planta que lhe serve de matéria prima.

Este doce alimento, mesmo quando amargo, possui o cacau como composto essencial, com maior precisão, a semente do cacaueiro, uma árvore de tronco liso de dimensões de 4 a 7 metros, cujos ramos se espalham, formando grandes copas com folhas brilhantes que podem medir 30 cm.

Apenas no século XVIII os cientistas começaram a se interessar pela planta, sobretudo estimulados pela ampla difusão do consumo de chocolate. Em 1753, o naturalista sueco Carl Von Lineo, conhecido pela versão latinizada do seu nome, Linnaeus, e pela versão espanhola; focou seus estudos na então “árvore do chocolate”, nomenclatura vulgar do cacaueiro entre os europeus da época.

Lineo substituiu as longas frases em latim que descreviam a arvore pelo binômio theobroma cacao, cujo significado pode ser traduzido como “alimento dos deuses”. A escolha não foi gratuita, sabe-se que o cientista era um grande admirador do chocolate, acompanhando uma tendência de seus contemporâneos.


Entre os europeus, desde que o chocolate foi introduzido no Velho Continente, no século XVI, teóricos defendiam as suas propriedades salutares para tentar ampliar o seu consumo, apesar do tipo de chocolate consumido então ser muito distinto daquele que inspiraria Lineo a vincular o alimento com a divindade no período oitocentista.


Café, chá e chocolate: lado a lado impulsionando o capitalismo.

Embora possamos localizar o inicio da constituição do sistema capitalista ainda na antiguidade, uma visão convencional fixaria sua gênese a partir do mercantilismo ibérico, conduzindo a revolução industrial na Inglaterra. Neste sentido, a popularização do chocolate caminhou unida com dois parentes próximos: o chá e o café; juntos impulsionaram o capitalismo desde seu embrião.

As cidades italianas de Gênova, Florença e Veneza, a partir do contexto das Cruzadas, criaram um intenso intercâmbio comercial com mercadores muçulmanos. Os produtos que seriam intermediados pelas cidades italianas para o resto da Europa estariam circunscritos a algo que hoje nos parece comum: tempero.


O comércio das especiarias propiciou um acúmulo de capital nunca antes observado pela humanidade, o que permitiu à cidade de Gênova assumir um papel de destaque perante reinos e feudos de toda a Europa: tornou-se a primeira potência hegemônica do nascente sistema capitalista.

Gênova aplicou boa parte de seu capital acumulado no financiamento das navegações portuguesas do século XV e XVI. Permitiu assim que os lusos chegassem à Índia através do Atlântico, indo buscar pimenta para abastecer a demanda européia pelo produto.

Por esta altura, os portugueses introduziram na Europa um produto que mais tarde se tornaria símbolo de tradição na Inglaterra, o chá importado da China. Enquanto os espanhóis trouxeram o cacau da América. Mercadorias com as quais os ingleses entraram em contato, em um primeiro momento, através da pirataria.

Holandeses e ingleses aproveitaram a fragilidade das naus portuguesas da Índia para tentar participar também da extraordinária lucratividade propiciada pela pimenta. Eles providenciaram ataques piratas que saqueavam os navios lusos que se aproximavam da Europa carregando as riquezas do Oriente e os galeões espanhóis abarrotados com prata e mercadorias da América.

Dentre os produtos saqueados, além de especiarias, estavam o cacau e o chá. Graças à pirataria, os holandeses acumularam um capital que tornou, no século XVII e XVIII, a Holanda a grande potencia hegemônica do sistema capitalista. Os ingleses, também usando deste expediente, tomaram gosto pelo chá e pelo chocolate, criando uma demanda interna pelos bebidas quentes, suscitando, depois, também a demanda por café.


Após um reajuste no sistema econômico e político, tributário dos atos de pirataria, a Inglaterra tendo acumulado por este meio o capital que foi investido na Revolução Industrial, depois das guerras anglo-holandesas, tornou-se a nova potência capitalista no século XIX.

Ocorre que a divulgação pela Europa do novo hábito cultural inglês de tomar chá, chocolate e café quente ajudou no período de transição da hegemonia holandesa para a inglesa.

Produtos considerados tropicais, chá, chocolate e café foram introduzidos em épocas diferentes na Europa por portugueses e espanhóis, mas o seu exotismo garantiu sempre altos lucros, tornando-se símbolo de status entre a elite européia no século XVII.

Pouco a pouco, foram popularizados e alavancaram a venda de açúcar, a especiaria que substituiu a pimenta como principal produto a movimentar o sistema capitalista.

A partir, justamente, da Revolução Industrial no século XVIII, o ritmo de vida das pessoas nos centros urbanos tendeu a acompanhar a aceleração rápida dos avanços tecnológicos. O novo ritmo criou a procura por bebidas estimulantes que permitissem permanecer trabalhando e desperto por longos períodos, iniciando a popularização do chocolate e do chá, acompanhado, pouco depois, pelo café.

Todos, alimentos com propriedades excitantes do sistema nervoso central, considerados vaso dilatadores e diuréticos, causando, inclusive, segundo alguns estudos contemporâneos, dependência psíquica. Adoçados com o açúcar produzidos pelos portugueses no Brasil e pelos holandeses e ingleses nas Antilhas caribenhas.

No século XX, quando os Estados Unidos da América assumiram a liderança do mundo capitalista, ocasião em que o sistema foi novamente reajustado, o chá, então um típico representante da hegemonia inglesa no mundo foi deixado de lado pela nova potencia.

Os norte-americanos adotaram, sobretudo, o chocolate como símbolo cultural de sua preponderância, usando o produto, não mais apenas consumido em estado liquido, como emblema do capitalismo.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os norte-americanos passaram a contar com o chocolate nas razões básicas dos soldados, tornando-se, além de alimentação básica, um elemento de contato com as populações européias. Oferecer uma barra de chocolate aos locais passou a simbolizar amizade e a disposição para se fazer entender, estabelecer um elo de comunicação interditado pela barreira da língua.

A partir de então, o chocolate se tornou um dos mais consumidos e popularizados alimentos do mundo, conhecido e devorado por todo o planeta. Produzido em larga escala, contando com uma variedade imensa de misturas e padronizações, acompanhado de igual diversidade de modos de preparo.

O chocolate é hoje oferecido em formatos também diversos e com uma apresentação estética cada vez mais sofisticada, propiciando lucros imensos para os empresários e movimentando todo um setor especializado, gerando empregos e contribuindo com a manutenção econômica do sistema capitalista que ajudou a criar.

No entanto, o que poucos sabem é que a introdução do chocolate na Europa e de lá no resto do mundo só foi possível depois que os cientistas começaram a defender suas propriedades medicinais.

No século XVI, poucos se arriscavam a experimentar a exótica bebida, a elite só foi ganhando a necessária confiança para provar o chocolate, depois que a ciência da época começou a estudar seus supostos benefícios.


O chocolate nos manuais medicinais dos séculos XVII e XVIII.

Os estudos científicos sobre as propriedades medicinais do chocolate remontam ao final do XVI, quando botânicos europeus começaram a investigar o cacau e como ele poderia ser aproveitado economicamente.


O espanhol Nicolás Bautista Monardes foi um destes botânicos, tendo publicado suas conclusões em diversos livros, dentre os quais se destaca a Historia medicinal das coisas que se trazem de nossas Índias Ocidentais, datado em 1569. Assim como o português Cristóvão da Costa, o qual esteve alternadamente a serviço de Portugal e da Espanha, autor do Tratado das drogas medicinais das Índias Orientais de 1582 e dos Dez livros sobre formas de vida exóticas de 1605.


No século XVII, estes estudos foram intensificados, oscilando entre considerar o chocolate, ao lado do café, como benéfico ao organismo ou em classificá-lo como a pior das bebidas quentes, aconselhando, principalmente no caso de estudos de botânicos ingleses, a trocá-lo pelo chá.

No inicio da década de 1660, por exemplo, estando já popularizado o consumo de chocolate em estado liquido e servido quente na corte inglesa, Henry Stubbe, médico pessoal do rei da Inglaterra, foi encarregado de investigar se o seu consumo poderia prejudicar a saúde do monarca e da nobreza.

Ele viajou a Jamaica para verificar os seus efeitos físicos. Stubbe chegou à conclusão de que o consumo de chocolate em si era benéfico, mas que adicionar açúcar em demasia estragava seu sabor e tornava a bebida prejudicial à saúde, publicando os resultados de seus estudos em 1662, na obra O néctar indígena, um discurso concernente ao chocolate, recomendando alternar o consumo de chocolate com chá.

Pouco antes dos ingleses, sendo também um hábito e símbolo de status entre os nobres franceses consumir chocolate quente, o arquiteto do absolutismo na França, o cardeal Richelieu, o poderoso primeiro ministro do rei Luiz XIII, encarregou o médico René Moreau de estudar seus efeitos.

Ele expôs o resultado da pesquisa no Discurso do chocolate, publicado em 1643. Segundo o qual o chocolate deveria ser considerado além de um excelente alimento, extremante propicio ao ganho de robustez, também um remédio. O que conduziu a aprovação do consumo de chocolate pela Faculdade de Medicina de Paris em 1661.

Segundo o historiador francês Ferdinand Braudel, o próprio cardeal Richelieu usava o chocolate com fins medicinais. Uma testemunha contemporânea, um criado do cardeal, afirmou em certa ocasião que Richelieu usava os vapores exalados do chocolate quente para moderar o seu baço, tendo recebido o segredo de uma religiosa espanholas que o trouxera para a França.

Seguindo esta mesma tendência, em 1649, um cristão novo que foi conselheiro de Estado do rei D. João IV, o médico português Zacuto Lusitano publicou dois monumentais livros, sob o título Praxis Medica Admiranda, através dos quais expôs suas experiências curativas usando produtos tropicais como remédio.


Além de recomendar o consumo continuo do coco da Molusca e do Maracujá do Brasil para fortalecer a saúde, o médico afirmava ter curado um doente que se encontrava em estado lastimável de fraqueza com chocolate.

No caso, seu paciente tinha dificuldade na digestão dos alimentos - o que hoje chamamos vulgarmente de indigestão -, um mal que pode ser esporádico e passageiro, mas que também pode ser crônico e apresentar necessidade de terapias medicinais, conduzindo a desnutrição, cujo termo técnico é dispepsia.

Verdadeiras ou coincidências, o fato é que informações dando conta dos benefícios do chocolate para a saúde circularam amplamente pela Europa, ajudando a difundir seu consumo entre as elites, a despeito das suspeitas já existentes de que pudesse viciar e trazer também inúmeros malefícios quando ingerido em excesso.

No inicio do século XVIII, o hábito de beber chocolate com fins medicinais estava tão intensificado entre a nobreza e o clero, que até mesmo o papa cultivava o costume rotineiramente em seu dia-a-dia, na sua visão uma forma de tentar melhorar sua saúde e alongar a expectativa de vida.

Essa foi à razão que levou o papa Clemente XI a encarregar seu médico pessoal, Giovanni Maria Lancisi, de provar cientificamente os benefícios medicinais do consumo de chocolate, afastando as suspeitas de que pudesse causar algum mal.

Lancisi conduziu um estudo rigoroso, envolvendo a autopsia de indivíduos falecidos em idade avançada, sabidamente contumazes por chocolate.


A pesquisa coincidiu com uma série de mortes repentinas de anciãos pertencentes ao clero, ocorridas em Roma em 1705, sob as quais recaia a suspeita de terem sido causadas pela ingestão excessiva de chocolate.

Em 1707, o médico terminou concluindo que as mortes não podiam ser atribuídas ao chocolate, mas sim a idade avançada dos defuntos, os quais, alias, teriam atingido tal idade graças ao hábito de beber chocolate.

Por esta altura, começou a se espalhar pela Europa o mito de que, além de possuir propriedades curativas sobre pulmões, ajudando na digestão e reparando as forças, o chocolate potencializaria as paixões venéreas.

Uma opinião expressa pela primeira vez no Tratado dos alimentos, escrito pelo francês Louis Lémery em 1702, a partir de onde foi sendo construído o conceito moderno de vinculação do chocolate com o amor, hoje amplamente explorado através de seu viés comercial.

Ao mesmo tempo em que o café passou a ser associado a um efeito oposto, o chocolate começou a ser visto como um remédio para a impotência, sendo receitado por médicos para ser consumido quente e acompanhado de aromatizantes.

O chocolate foi associado à virilidade masculina, indicada para aqueles que necessitassem viajar longas distancias sem a possibilidade de paradas para o descanso, tal como os soldados, por exemplo, e, paradoxalmente, também indicado para pessoas que exerciam atividades mentais exaustivas, como padres e advogados.

Segundo consta, por esta razão, posteriormente, o chocolate se tornaria um item obrigatório entre os soldados de Napoleão Bonaparte, consumido por seus generais e oficiais, tido como emblema da virilidade francesa e alimento energético para enfrentar as longas marchas suscitadas pelas campanhas de conquista.


O próprio Napoleão era um consumidor voraz de chocolate, solvendo-o quente a todo instante para se manter alerta e acordado durante o planejamento das batalhas e diante da expectativa da espera por noticias sobre o movimento das tropas inimigas.

No entanto, foi também no século XVIII que começaram a aparecer os primeiros estudos dando conta dos malefícios do consumo excessivo de chocolate.

Uma obra deste período, a Ancora medicinal para a conservar a vida com saúde, escrita pelo Dr. Francisco da Fonseca Henriques, médico do rei de Portugal, D. João V, ao mesmo tempo em que ressaltava os benefícios do chocolate, ao lado do café e do chá, recomendava as dosagens certas, chamando a atenção para os efeitos negativos do consumo em excesso, em estilo típico de receituário medicinal.


Para o Dr. Francisco, o café seria indicado para o estomago e o cérebro, curando obstruções das entranhas e do útero, sendo usado no Egito para facilitar o período menstrual no caso de mulheres que tinham o fluxo sanguíneo irregular, ajudando na digestão de alimentos e nos males de dor de cabeça, impedindo tremores, porque reprimiria os vapores do vinho e dos licores, confortando a memória e alegrando o animo.

Mas ainda que o café possuísse muitas virtudes, segundo o médico, seu uso em excesso poderia conduzir a impotência sexual, sendo recomendado, portanto, misturá-lo ao leite de vaca, cabra ou ovelha para tornar a bebida mais temperada, devendo ser ingerido preferencialmente pela manhã, em jejum, e pela tarde, três ou quatro horas depois do almoço, sempre com dosagem não superior a uma xícara ordinária.

O chá possuiria igualmente muitas virtudes medicinais, confortando o estomago e curando as vertigens com suas partículas absorventes, sendo um remédio indicado para curar asma, flatulências, cólicas, indigestões, ânsias e dores de cabeça.

Aqueles que sofressem dos nervos deveriam consumir chá com freqüência para ativar a circulação. Porém, quando consumido em excesso, acreditava-se que dissolvia a massa do sangue, causando reumatismo. Sendo diurético, recomendava-se que fosse consumido junto com alimentos sólidos para não ofender os rins e bexiga, portanto, somente no horário das refeições.

Quanto ao chocolate, para o Dr. Francisco era a melhor bebida existente, devendo ser servido quente, misturado com baunilhas, canela e açúcar, confortando o estomago e sendo indicado para aplacar as cólicas femininas.

Entretanto, consumido em excesso podia causar danos às entranhas, provocando febre e indigestão. A recomendação do médico é que fosse evitado em locais quentes, devendo neste caso ser bebido frio, enquanto no inverno deveria ser tomado aquecido em jejum, ao acordar, depois no almoço, a tarde e no jantar, sempre acompanhando as refeições.

Além disto, os manuais medicinais do século XVIII faziam questão de frisar o que hoje chamaríamos de propriedades calóricas do chocolate, propicio a uma alimentação energética, mas também inclinado a engordar.

Não poderia ser diferente, pois o chocolate possui grande poder nutritivo e energético, apenas 100 gramas têm contido 600 calorias, distribuídas entre proteínas, gordura e alcalóides que estimulam o coração, o cérebro e os rins.

Tamanho o valor energético do chocolate que um texto anônimo de 1728, escrito em francês, gabava-se de que uma senhora da Martinica, tendo perdido a mandíbula inferior e estando a partir de então impossibilitada de comer alimentos sólidos, teria vivido muitos anos após o infortúnio bebendo apenas chocolate liquido.

O imaginário popular acabou aceitando mais esta função atribuída ao chocolate, mesclando-a ao seu suposto poder medicinal, forjando o hábito de tomar um belo gole de chocolate quente ao acordar para adquirir a força necessária para mais um dia de trabalho. Ocasião na qual a crescente demanda pelo produto tinha barateado seu custo e popularizado seu consumo entre operários e trabalhadores rurais, junto, obviamente, com o café.

Destarte, no século XIX, alguns espertalhões se aproveitariam da generalização do consumo de chocolate para lucrar com sua fama medicinal, fazendo uso da ingenuidade alheia.


O chocolate percorre o mundo.

Até espalhar-se pelo mundo, o cacau percorreria um longo caminho, antes foi introduzido na Espanha, em 1528, pelos conquistadores de Cortez, propagando-se lentamente por toda a Europa. Tomar chocolate tornou-se um hábito da nobreza, em virtude do alto custo do produto no período.

Na Espanha, as cozinhas dos mosteiros serviram como local de experiência para o aprimoramento do chocolate e a criação de novas receitas. Os monges aperfeiçoaram o sistema de torrefação e a moenda do chocolate, transformando-o em barras e tabletes para serem dissolvidos em água quente, como era apreciado nos salões aristocráticos.


Durante todo o século XVI, os espanhóis conservaram para si esta preciosa iguaria, não querendo compartilhá-la com outros países. No entanto, seus planos foram por água abaixo em meados do século XVII, quando começaram a vazar as primeiras informações sobre o chocolate.

Os viajantes vinham para Madri tentar roubar o segredo de sua fabricação. Os monges davam chocolate aos visitantes clérigos de outros países para provar, mas faziam questão de não revelar o principal ingrediente.

O segredo só foi descoberto quando corsários franceses, que tinham ouvido falar do chocolate, ao capturar uma fragata espanhola, desembarcaram as sementes de cacau e as levaram à sua terra. Rapidamente, espalharam-se plantações européias de cacau pelas Américas e Índia. O chocolate se converteu em bebida universal.

É verdade que, durante algum tempo, os espanhóis monopolizaram o comércio do cacau, cuja cultura extensiva foi implantada em várias regiões da América, notadamente na Venezuela, Equador e São Domingos, contudo, os franceses e ingleses, que também dominavam territórios tropicais, logo se tornaram concorrentes.

O casamento, em 25 de outubro de 1615, do rei Luís XIII, da França, com a infanta da Espanha, Ana da Áustria, selou a conquista do chocolate pela França. A pequena rainha, de apenas 14 anos, adorava chocolate e trouxera da Espanha tudo o que era necessário à sua preparação.




Os cortesãos, para ganhar a sua simpatia, adotaram a sua bebida preferida. Ela passou a fazer parte da corte. Tanto é que um dos convites mais requisitados em Paris era para o chocolate de Sua Alteza Real.

Em 1660, o filho de Ana da Áustria, Luís XIV, que subira ao trono, casou-se com outra princesa espanhola, Maria Teresa. Esta segunda união ibérica acabou firmando de vez o domínio do chocolate na França.

A corte comentava que Maria Teresa era uma esposa devotada a duas paixões: o rei e o chocolate.

Enquanto a monarquia solidificava o hábito de consumir chocolate na França, outros países começavam a se interessar por ele e a procurar pela sua própria fonte de suprimento.

O governo espanhol mantivera o comércio de chocolate fechado. E, para sustentar o seu monopólio, estabelecera taxas pesadas de importação, de forma que ele permaneceu ainda durante muito tempo uma bebida das classes privilegiadas. Como se não bastasse, os estoques de sementes de cacau da Espanha eram limitados, encarecendo o seu custo.

Somente na virada do século XVII, o consumo de chocolate começou a ser democratizado, rivalizando com os cafés, apareceram em Londres às casas de chocolate.

Elas o tornam um artigo relativamente barato na Inglaterra. As casas ofereciam comida e bebida, além de jogos de carta e dados e muita conversa sobre tudo: da poesia à fofoca, da política aos negócios.


Muitos médicos ingleses afirmavam que o chocolate era mais nutritivo que a carne bovina, com a diferença que, além de afrodisíaco, era mais acessíveis aos pobres, servindo de pretexto para reunir as pessoas.

As casas de chocolate londrinas se transformam no centro da vida social. Modelo copiado, em seguida, na Bélgica, Suíça, Alemanha, Itália e Áustria.

Para possibilitar a manutenção do novo hábito, outros países europeus começaram a plantar cacau. Os belgas no Congo. Os holandeses no Ceilão, Java, Sumatra e Timor. Os ingleses nas Índias Orientais. Os alemães em Camarões e os franceses na Martinica e em Madagascar.

Os portugueses, já firmemente no controle do Brasil, plantaram seus cacaueiros inicialmente em São Tomé e Príncipe, duas ilhas na costa oeste da África.

No Brasil, o cacau já existia em estado nativo na Amazônia quando os portugueses chegaram a América, sendo considerado pelos primeiros colonizadores como uma das drogas do sertão.

Os jesuítas instalados no norte, por exemplo, iniciaram a formação de riquezas consideráveis em função desta matéria-prima, embora, mais tarde, o cacau tenha sido relegado a um plano secundário em função de atividades extrativistas (borracha e castanha-do-Pará), devido aos lucros mais proeminentes.

Hoje, a produção amazônica não representa mais que 2% do total do cacau brasileiro.

A intensificação da produção cacaueira no Brasil só ocorreria a partir de 1764, ano em que um colono francês, chamado Luís Frederico Warneaux, trouxe três sementes de cacau para a fazenda Cubículo, instalada à margem direita do rio Pardo, no que hoje é o município de Canavieiras, na Bahia, de onde a cultura estendeu-se para as regiões vizinhas.


Entretanto, somente no final do século XIX a produção se expandiu definitivamente, originando o tempo do chocolate entre nós brasileiros, um período em que grandes fazendeiros baianos enriqueceram e tornaram-se poderosos coronéis, fenômeno retratado nas obras de Jorge Amado, ambientadas nas regiões cacaueiras do litoral da Bahia.




No restante do mundo, os séculos XVIII e XIX foram marcados pelos constantes aperfeiçoamentos na confecção do chocolate.

Em 1765, um médico, James Barker de Dorchester, se associou a um fabricante de chocolate recém-chegado da Irlanda, John Honnon, fundando a primeira fábrica de chocolate dos EUA: a Companhia Barker.

Naquela época, o chocolate já podia ser consumido temperado com cravo ou almíscar, dissolvido em vinho ou leite quente e adoçado com açúcar.


O chocolate no século XIX.

No século XIX, os vigaristas de plantão misturavam o pó do chocolate com os mais diversos compostos, conferindo um sabor desagradável ao solvê-lo em água quente, com a intenção de vendê-lo como remédio, já que pela ótica popular todo medicamento tinha gosto ruim.



Embalado com um falso selo de aprovação de um suposto médico especialista, o chocolate era vendido com misturas estranhas, como tapioca, abacate ou pimenta, sob o rotulo de chocolate medicinal.



Um sucesso de vendas que ajudou a popularizar o produto ainda mais, estimulando o surgimento de refinamentos como o chocolate peitoral ou o tônico persa.

Um engodo que começou a ser levado a sério e que foi comprado até mesmo por homens esclarecidos, incluindo médicos que passaram a receitar os tais chocolates medicinais, realmente acreditando nas suas propriedades curativas, tais como os botânicos dos séculos XVII e XVIII.

No final do século XIX, depois que o problema da transformação do chocolate em barra foi resolvido, sendo antes consumido apenas em estado liquido, hospitais e sanatórios se interessaram por seus supostos benefícios para a saúde, alardeados pelos vigaristas, comprando os chamados chocolates medicinais em larga escala para distribuí-los aos doentes.

O exercito e a marinha da Inglaterra e dos Estados Unidos da América também se interessaram, primeiro adotando o chocolate medicinal para ser distribuído para aqueles que precisavam de reforço energético, depois incorporando as barras de chocolate às rações diárias de campanha.

Seja considerado mero alimento ou droga com poder de cura e reforço energético, a verdade é que o sabor único e ao mesmo tempo diversificado do chocolate, sobretudo depois de sua industrialização a partir do século XIX, não pode ser desprezado.

Não há quem despreze um bom chocolate, levando muitos a considerá-lo um vicio, principalmente depois que a década de 1970 cunhou o termo chocólatra.


O chocolate no século XX.

Depois que, em 1828, o químico holandês Coenraad van Houten inventou uma prensa de parafuso que permitia obter o pó do chocolate, iniciando também o comercio da manteiga de cacau. A firma inglesa Bristol, Fly & Bons, em 1847, introduziu o chocolate comestível.

Em 1819, François Louis Cailler abriu a primeira fábrica de chocolates suiços. Sete anos depois, em 1826, Philipp Suchard começou a fazer chocolate misturado com avelãs moídas.

Em 1875, Daniel Peter e Henri Nestlé inventaram o chocolate ao leite na Suíça.




Cada vez melhor, mais macio, saboroso e cheio de ingredientes, a fabricação de chocolate, que começara em pequenas oficinas com simples equipamentos, se tornou um negócio de corporações e filiais internacionais.


A industrialização exigia urgente expansão das lavouras de cacau, o que, somado ao aumento do consumo nos Estados Unidos da América, possibilitou o crescimento da produção do cacau no mundo todo no século XX.

O inicio da Primeira Guerra Mundial transformou o chocolate em ração militar de emergência entre os norte-americanos, mas o chocolate era demasiado irresistível para ser guardado sem ser comido. Afinal, ele fora aprimorado para se tornar o mais saboroso possível.

Os soldados raramente guardavam seus tabletes para uma crise futura, devoravam tudo rapidamente ao menor sinal de fome, o que inspirou, em 1934, o capitão Paul Logan a inventar uma fórmula de ração à base de chocolate, muito energética e, o mais importante, pouco atrativa ao paladar.

Era uma mistura de chocolate, açúcar, leite em pó desnatado, manteiga de cacau, vanilina, aveia e vitamina B1, batizada de "Ração D".


Aproveitando as necessidades dos norte-americanos, na década de 1920, os baianos chegaram a produzir 60 mil toneladas de cacau por ano, ampliando a safra para 105 mil toneladas, em 1940, graças à eclosão da Segunda Guerra Mundial, e 180 mil uma década depois, colocando o Brasil entre os maiores produtores, correspondente a 40% da produção mundial da época.


Embora a produção cacaueira brasileira tenha alavancado toda um contexto sócio-cultural e econômico até hoje ainda presente nas regiões produtoras, gradualmente, perdeu espaço para a África, apesar do Brasil ainda ocupar um lugar importante no cenário mundial, 4% da produção global, sendo o único país produtor de cacau a industrializá-lo.

Atualmente, Costa do Marfim, Gana, Camarões e Nigéria ocupam os primeiros lugares na produção de cacau, 65% da safra mundial, seguidos de perto por outros países africanos, além dos asiáticos, notadamente Indonésia e Malásia.

Enquanto no Brasil, o cacau possibilitou o aparecimento dos grandes coronéis no litoral baiano, palco de tragédias e disputas familiares retratadas em novelas televisivas e pela literatura de Jorge Amado.

No cenário norte-americano, a chegada da Segunda Guerra Mundial fez a Companhia Hershey, importante fabricante nos EUA, receber uma tarefa especial do exército americano: desenvolver uma nova ração de chocolate que sustentasse os soldados, no caso de falta total de alimentos, e que pudesse ser carregada em seus bolsos, sem derreter.

A indústria Hershey alcançou o intento, produziu um tablete resistente que, além de chocolate, possuía outros ingredientes nutritivos, possibilitando uma dieta substanciosa, tornando-se a nova "Ração D".

Enquanto durou a guerra, a Hershey produziu meio milhão de tabletes por dia. A companhia, do industrial Milton Hershey, chegou a receber o prêmio "Army Navy E" por suas contribuições civis com a "Ração D" durante a Segunda Guerra.

O chocolate circulou por todas as partes, nas frentes de batalha e dentro dos lares, sendo recomendado como um fortificante incomparável na reposição de energia.

Em 1945, terminada a guerra e as barreiras ao desenvolvimento das indústrias chocolateiras. Os fabricantes, libertos dos racionamentos impostos pela guerra e das restrições feitas às exportações, aumentam a produção, tornando o chocolate um dos produtos mais populares em todo o mundo.

Atualmente, os preços do cacau vêm sofrendo sucessivas perdas anuais, em função principalmente de seguidas safras recordes, especialmente na África. A despeito de 60% das importações de cacau serem feitas por apenas 5 países: Estados Unidos da América, Holanda, Alemanha, Inglaterra e França.

Embora o cacaueiro seja muito suscetível a mudanças de temperatura bruscas e as pragas, há, hoje, um relativo equilíbrio entre a demanda e a oferta de cacau, ensaiando uma recuperação nos preços em médio prazo.

O consumo do chocolate cresce de forma vegetativa, estimulando os ganhos de produtividade e o aumento de estoques físicos em praticamente todos os países produtores de cacau.


Um vicio excitante.

Ao lado do café e do chá, o chocolate é um dos poucos alimentos que contém uma substância química natural que excita o sistema nervoso central. Os três possuem na sua composição um principio ativo único chamado di ou tri-metil-xantina.


Existem três isômetros diferentes em cada um dos alimentos, com efeitos também diferenciados no corpo humano, mas a formula molecular é muito semelhante estimulando o sistema nervoso central, servindo de vaso dilatador.


Enquanto o café possui o isômero 1-3-7 tri-metil-xantina, conhecido como cafeína, responsável pela diminuição do sono e o aumento da prontidão, talvez por este motivo um hábito cultural para os brasileiros, tão necessitados de energias para trabalhar em prol da subsistência; o chá contém o isômero 1-3 di-metil-xantina, um poderoso diurético, facilitando a secreção da urina.

A substância com maior poder vaso dilatador, por incrível que pareça, não está nem no café, nem no chá, mas sim no chocolate, onde encontramos o isômero 3-7 di-metil-xantina, conhecido como Teobromina, provocando uma sensação de bem estar mais viciante do que o tabaco ou a maconha, gerando, segundo especialistas, uma dependência psicológica, embora não somática.

O que significa dizer que o chocolate possui propriedades químicas que viciam, já que desperta um sentimento de relaxamento e felicidade transmitido diretamente ao cérebro pela produção de serotonina.

Ocorre que este vicio não é propriamente físico, não gera um descontrole emocional, não provoca o sentimento de euforia de outras substancias.

Neste sentido é um vicio como outro qualquer, mas aceito pela sociedade, uma vez que não causa prejuízo nem ao viciado e nem a coletividade.

Na década de 1970, em meio aos crescentes problemas de obesidade na sociedade norte-americana e ao inicio do culto ao corpo e a uma vida saudável, instalou-se uma discussão médica acerca dos problemas causados pelo vicio de comer chocolate em excesso, foi quando apareceu o termo chocólatra para definir os consumidores compulsivos.


Dentro desta concepção, após várias pesquisas chegou-se a conclusão de que o consumo exagerado de chocolate pode realmente conduzir a obesidade, constituindo um vicio que pode prejudicar a saúde e auto-estima, apesar de aceito pela sociedade e de ludibriar o doente com um falso sentimento de felicidade.


É recomendado tratamento especializado ao chocólatra, pois além do excesso de peso e das doenças decorrentes, em casos extremos o vicio poderia conduzir a morte.


Pesquisas feitas com animais demonstraram que falhas no metabolismo podem causar problemas graves. Levando em conta uma relação entre peso e consumo, o excesso de chocolate pode provocar convulsões, ataques cardíacos e hemorragias.

No entanto, contraditoriamente, estudos recentes passaram a defender o consumo como uma alternativa aos exercícios físicos enquanto elemento antidepressivo. A verdade é que a química e a medicina explicam apenas em grande parte o vício que temos pelo sabor do chocolate.

Nada pode definir com precisão o prazer de degustar os mais diferentes tipos de infusões deste alimento que adoça nossas vidas há séculos, misturas cada vez mais diversificadas e criativas.


Chocolate antidepressivo, alternativa aos exercícios físicos.

Quando nos debruçamos sobre um chocolate, desembrulhando rápida ou lentamente uma embalagem industrializada, antecipando a cada estralo o paladar propiciado pelo alimento dos deuses, mal podendo imaginar a sua utilidade e origem, estamos, obviamente, preocupados em devorar o viciante produto para sentir o gosto e odor adocicado.

Para além das propriedades vaso dilatadoras, grande parte da sensação de bem estar do chocolate deve-se ao fato de conter feniletilamina, um estimulante e antidepressivo similar, em composição e ação, à epineprina e anfetaminas, o que explica a elevação do humor ao consumir o produto e a preferência dos maus amados, em seus momentos de solidão e fossa, pela infusão.

Neste sentido, poderíamos afirmar que o chocolate é antidepressivo. O cérebro humano produz naturalmente a feniletilamina para tornar a vida mais agradável, tanto que níveis de feniletilamina e seus metabólicos são geralmente baixos nos fluidos biológicos de pessoas com depressão, constituindo, entre estes, a procura por chocolate um comportamento inconsciente de auto-medicação.

Para os depressivos, a única alternativa natural para combater o mal estaria diametralmente oposta ao chocolate, exercícios físicos, um forte estimulante à produção de feniletilamina no cérebro. Daí o termo "barato do corredor", cunhado para descrever a euforia experimentada depois de uma sessão de exercícios.

A verdade é que atividades físicas intensas aumentam o nível de oxigênio e endorfinas no sangue, possibilitando a produção de feniletimanina no cérebro que pode, depois, ser detectada através da urina. No entanto, nos últimos 15 anos, a comunidade científica tem debatido se as endorfinas são responsáveis por este "barato do corredor", já que as endorfinas não parecem cruzar a barreira do sangue no cérebro.

A despeito de que elementos químicos, administrados para bloquear a ligação das endorfinas com seus receptores, não tenham impedido corredores de experimentar o subjetivo "barato".



Os defensores dos exercícios físicos como método de bloqueio natural à depressão, alegam que pesquisas empíricas demonstraram que as atividades físicas auxiliaram chocólatras a abandonarem o vicio, ficando comprovado cientificamente os seus benefícios.


Em outra vertente, porém, existe uma corrente, surgida em 2002, que passou a defender a idéia de que o consumo moderado de chocolate poderia substituir em parte os exercícios físicos.

Para estes, o chocolate, sem açúcar, enquanto vaso dilatador, traria benefícios ao sistema circulatório e ao coração, desde que associado ao consumo de chá e um variado cardápio composto de frutas e vegetais, agindo, simultaneamente como antidepressivo.


Para saber mais sobre este assunto:

COE, Sophi D & COE, Michel D. La verdadera historia del Chocolate. México: Fondo de Cultura Económica, 1999.

RAMOS, Fábio Pestana. No tempo das especiarias. São Paulo: Contexto, 2004.


Texto: Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.

2 comentários:

  1. Bem legal este texto. As informações são bem legais e de fato mudam a visão de História, a torna mais atrativa. Parabéns!

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Forte abraço.
Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.

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