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Para entender a história... é uma publicação técnico-científica on-line independente brasileira, indexada pelo IBICT, Latindex, CNEN e LivRe; no ar desde sexta-feira 13 de Agosto de 2010.
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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Utopia, América: a busca dos europeus pelo paraíso e o imaginário.

Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume ago., Série 10/08, 2011, p.01-13.


“Por que tenho saudade de você, no retrato, ainda que o mais recente? E por que um simples retrato, mais que você, me comove se você mesma está presente? Talvez porque o retrato, sem o enfeite das palavras, tenha um ar de lembrança [...]”.
Cassiano Ricardo.


Para Joseph Campbell (2001), sonhar é querer ter aquilo que, em um determinado instante parece ser inatingível.
O sonho seria, portanto, o desejo de transformar uma vontade em realidade, bem como algo que estimula o homem a seguir adiante: “[...] o sonho é uma experiência pessoal daquele profundo, escuro fundamento quesuporte às nossas vidas conscientes, e o mito é o sonho da sociedade” (CAMPBELL, 2001: p.42).
O pesquisador ainda acrescentou que “O mito é o sonho público, e o sonho é o mito privado” (CAMPBELL, 2001: p.42).
Para Mircea Eliade (2002) “viver os mitos implica, uma experiência verdadeiramente ‘religiosa’ [...] não se trata de uma comemoração dos eventos míticos, mas de sua reiteração” (ELIADE, 2002: p.22).
A chegada dos europeus à América e as práticas do processo de colonização estão diretamente vinculadas à projeção de imagens, sonhos e utopias que serão lançados sobre as novas terras.
A história da Europa se transformará também na história da América.
De acordo com Laura de Mello e Souza: “[...] onde termina a Europa, onde começa a América? É possível pensar o que seríamos sem o colonizador [...] todos nos contando suas impressões de europeus exilados nos trópicos, deformando [...] o que viam, cheiravam ou sentiam?” (SOUZA, 1993: p.14).
É preciso compreender em que momento e época o Novo Mundo surgirá comonova chance”, advento do milênio, riquezas e prosperidade.
É somente a partir de um conhecimento da história européia que se poderá entender as práticas dos colonizadores no novo continente.
Práticas que mudarão com esse contato, pois a realidade será muito diferente do que se imagina.
A história da Europa mudará e novas impressões sobre a América serão estabelecidas. O diálogo entre esses dois mundos nunca cessará de acontecer.
Mas nada se igualará ao primeiro impacto, e à primeira impressão, em que a América ocupará lugar de destaque no imaginário europeu.


Fugindo da Europa em busca da utopia.
Uma terrível epidemia de peste negra assolou a população européia no século XIV.
Corpos apodrecidos em estado de decomposição faziam as pessoas sofrer.
Elas morriam em vida e a doença anunciava o fim dos tempos, como castigo de Deus pelas más atitudes dos homens; o julgamento final se aproximava e a vida na Terra se transformava numa forma de pagar os pecados.
O homem se tornava virtuoso se fosse crucificado no mundo.
As dificuldades da vida cotidiana, a fome, o frio que destrói a plantação, as revoltas camponesas; esse era o contexto de desesperança, de que dias piores chegaram, em fins do século XIV: “aquilo que dominava a mentalidade e a sensibilidade dos homens da Idade Média, aquilo que determinava o essencial das suas atitudes, era o seu sentimento de insegurança. Insegurança material e moral [...]” (LE GOFF, 1984: p.87).
Desse modo, o futuro projetado pode ser apocalíptico. É impossível imaginar que o melhor está por vir se o presente se encontra em estado de destruição: “[...] insegurança quanto à vida futura, que a ninguém estava assegurada e que as boas obras e a correta conduta nunca podiam garantir [...]” (LE GOFF, 1984: p.88).
O medo vencia a esperança e essa situação atingia também os valores, vistos como corrompidos, num mundo material em que a ganância, a disputa por terras e propriedades levavam milhares de pessoas ao conflito.
O mundo se aproximava do fim e a Igreja era vista como anunciadora dessa nova era.
A visão religiosa mostrava um futuro que se anunciava sombrio e, assim, o mundo era um velho que para o seu fim avançava.
Por toda parte, reinavam vícios e dissoluções.
O macabro era conduzido ao centro do palco.
 Esses problemas aparecem como antecipação do inferno e as pessoas pagam, em vida, pelos erros cometidos.
Os relatos e contos sobre monstros aparecem num momento de grande pessimismo sobre a época e essas narrativas são todas ilustrações do pecado: homens com cabeça de peixe, homens com os olhos no peito e caldas de cavalo; “[...] os homens da Renascença se deleitavam nas descrições de seres monstruosos, nas narrativas e catálogos de fatos espantosos” (DELUMEAU, 2003: p.258).
A monstruosidade é anúncio de destruição, de castigo maior que estar por vir e, assim, falhas morais se transformam em defeitos físicos e deformidades mitológicas.
Essa é a concepção de que a Europa chegou ao seu ponto mais alto e que agora tende à queda, ao declínio.
É importante deixar bem claro que a teratologia tem suas origens muito anteriores ao mundo cristão e que, por isso, o sentimento de culpa pelo pecado não é a única causa desse fenômeno de construção do monstruoso; ele é, antes de tudo, um reforçador.
Mas os homens passam a ser vistos como pecadores, responsáveis por esse momento de tristeza e melancolia.
Deve-se romper com esse presente, deve-se esquecer o que se viveu.
É preciso, portanto, construir um novo cenário, virgem de pecados, em que o sopro da vida possa novamente ecoar.
A Europa, arrasada por pestes e guerras, não poderia mais ser o lugar em que os sonhos de esperança de uma vida futura e melhor pudessem se erguer.
Esse lugar perfeito se tornava, agora, mais distante do que nunca.
Ele era projetado para fora.
O fato de ser longe é a única certeza desse local.
Ele deveria estar perdido, em qualquer ponto da Terra, emlugar nenhum” – a utopia.


Buscando o paraíso na terra.
A narrativa bíblica ganhava força, na medida em que a iminente idéia de destruição ameaçava a todos na época.
Só parecia ser seguro aquilo que encontrava garantias no passado, naquilo que foi e que, por isso, era certo.
Nesse sentido, o homem do Ocidente foi levado a aprofundar-se, a conhecer melhor seu passado pessoal, a desenvolver sua memória.
As pessoas passaram a olhar com nostalgia para o passado e com desprezo e depreciação para o presente.
Parecia existir, assim, certo desejo de ruptura com o mundo atual e pecador.
O presente era ruim, o futuro incerto, mas o passado era certamente seguro.
Ele poderia ser narrado de qualquer modo e a cada narrativa ele ganhava tons diferentes.
Isso parece exprimir o desejo amplamente disseminado de mudança em relação às duras condições da época.
“A Renascença sonha apaixonadamente com um paraíso perdido” (DELUMEAU, 2003: p.233), trancado e, ao mesmo tempo aberto, em algum lugar da consciência.
Tratam-se sempre de paraísos alimentares onde a comida reina abundante e gratuita; lugares mágicos em que se pode falar e fazer sexo sem maiores preocupações morais.
A terra da Cocanha, surgida pela primeira vez em 1142 é um bom exemplo dessa imaginação européia: “A Cocanha é um mundo sem instrumentos, sem utensílios, sem máquinas.
O pão está ausente dali talvez porque o trabalho de moagem não existe.
O vinho está presente porque não produto do lagar, corre em estado natural do riacho.
Os alimentos, cozidos, caem na boca dos homens e das mulheres [...]” (FRANCO JÚNIOR, 1998: p.10).
São cidades irreais “[...] paraísos artificiais, descrições de mundos constituídos segundo princípios diferentes daqueles que estão em vigor no mundo real” (FRANCO JÚNIOR, 1998: p.235).
Esses sonhos deram testemunho do divórcio cruelmente sentido entre as aspirações da época e as realidades cotidianas.
Esses lugares fantásticos sempre se encontravam em locais distantes.
Talvez esse seja um jeito de se dizer que a paz, a harmonia e a abundância não estão ao alcance imediato das pessoas.


O desprezo pelo humano.
Diante desse cenário de busca pelo paraíso na terra, a figura humana era desprezada.
O homem era o principal responsável pela aniquilação dos valores de sua época.
Ele era culpado e a sociedade se destruiu graças às suas ações.
Essa postura de se rebaixar à figura humana atravessará a história da cultura ocidental, em diferentes instantes, e movida por diversos fatores e contextos.
Essa idéia ganhava força ainda mais quando o texto bíblico era lido de modo recortado, em que alguns trechos eram valorizados e destacados, a fim de se enxergar o homem como sofredor: “Porque comeste da árvore, cujo fruto te proibi comer, amaldiçoada será a terra por tua causa” (Gn 3:17).
A desvalorização do homem aparece em outros textos sagrados: “Acaso não tem o homem trabalho pesado aqui na terra, e seus dias não são os de um trabalhador? (Jó 7:1); “Meus dias consomem-se sem esperança” (Jó 7:6).
O livro Eclesiastes traz idéia semelhante, ao falar sobre as ilusões da vida humana: “Tudo é penoso, difícil de o homem explicar” (Ecl 1:8); “Examinei todas as obras que se fazem debaixo do sol: na verdade, não passam de ilusão e frustração” (Ecl 1:14).

Para os cristãos, Adão agiu como um insano e todos seus descendentes se comportam da mesma maneira.
Plutarco, em outra tradição cultural, nos Tratados Morais afirma queNada é mais miserável do que o homem entre tudo o que respira e se move”; Maquiavel apresenta posicionamento semelhante em O Príncipe: “De fato, pode-se dizer dos homens, de modo geral, que são ingratos, volúveis, dissimulados; procuram esquivar-se dos perigos e são gananciosos [...] os homens são egoístas [...]” (MAQUIAVEL, 2004: p.103).
Thomas Hobbes em O Leviatã afirmava: “[...] a humanidade está constantemente envolvida numa competição pela honra e pela dignidade [...] Devido a isso é que surgem entre os homens a inveja, o ódio, a guerra [...]” (HOBBES, 2004: p.103).
Jean Jacques Rousseau tem postura parecida séculos depois: “O primeiro sentimento do homem foi o de sua existência. As produções da terra lhe forneciam todos os socorros necessários [...] e esse pendor cego, desprovido de todo sentimento, não produzia um ato senão puramente animal. Tal foi a condição do homem ao nascer.” (ROUSSEAU, 2005: p.61).
Mas a sociedade privou os homens de tal originalidade.
No entanto, essa postura não é uma regra e nesse processo de desconstrução da figura humana, de sua vida diária e moral, muitas obras surgirão como respostas a essas posturas, imaginando e criando situações de conforto e esperança, talvez numa tentativa de suportar com menos dor as situações presentes.


A Utopia de Thomas More.
Alguns autores revelarão, de diversos modos, os sonhos e a forma de mundo ideal que se desejava ter, a partir, é claro, da oposição com o que se tinha e, porventura, não se desejava mais.
A palavraUtopia”, em grego, significa “em lugar nenhum” e foi utilizada por Thomas More em 1516 para designar a ilha deserta e imaginária de sua obra.
Esse local, construído pelo autor, mostra-se como imagem “invertida” de uma sociedade inglesa e européia criticada por ele.

No entanto, sua crítica toca em importantes pontos dos problemas europeus, como a política, a organização social, as colheitas, as guerras e o comércio.

O país imaginário não apresentará nenhum desses problemas, mas antes o contrário, sabe administrar tudo de modo diferente.

Diante de uma Europa castigada pelo frio e pela fome, o conceito de Utopia se mostrava como a inversão dessa condição em queembora saibam com precisão rigorosa a quantidade de víveres necessária ao consumo [...] não deixam, contudo, de semear grão e de criar gado, para além desse consumo [...]” (MORE, 2003: p.55).
As doenças e epidemias, que dizimam centenas de milhares de pessoas, perderiam efeito num lugar onde “[...] tudo está tão bem organizado e a comunidade tão bem governada que [...] Encontram remédio rápido e fácil para as deteriorações presentes, prevendo mesmo as possíveis” (MORE, 2003: p.63).
Os valores morais, tão corrompidos e criticados, como o adultério e os prazeres da comida e bebida ficam, certamente, em segundo plano, pois “[...] preferem principalmente os prazeres do espírito, que consideram como os principais e mais essenciais de todos.
Pensam que os mais importantes advêm do exercício da virtude e da consciência de uma vida perfeita” (MORE, 2003: p.81).
Ao destacar de que modo uma sociedade “deveria ser”, More mostra como sua sociedade, inglesa e européia do século XVI, está indo numa direção contrária daquilo visto como perfeito para o autor.
É uma crítica feita pelo espelho. Sobre as mortes e intermináveis conflitos e guerras passadas pela Europa, Utopia é moralmente diferente e superior, que os habitantes da ilha “[...] detestam e abominam a guerra como coisa brutal e selvagem” (MORE, 2003: p.93).
O historiador Sérgio Buarque de Hollanda , em Visão do Paraíso, trabalhou com essa mesma idéia:“[...] o paraíso perdido fosse fabricado para responder a desejos e frustrações dos homens [...]” (HOLANDA, 2000: p.186).
Mas ainda assim More mostrou seu pessimismo diante da situação.
Ao mesmo tempo em que desejava todas essas coisas, vistas como perfeitas para uma vida em sociedade, More sabia os limites de seu trabalho.  “[...] sou obrigado a reconhecer que há muitas coisas que eu desejaria para os nossos países, considerando-se que a minha expectativa vai além da esperança de o conseguir” (MORE, 2003: p.113).
Sua narrativa ganha tons nostálgicos na medida em que se passa a idéia de que em algum lugar da origem, distante e remoto, a Europa e o mundo foram lugares sem problemas.
O pensamento utópico, no geral, parece ser o território da esperança.
O lugar que não existe, o país de nenhuma parte: “O território da utopia quenão está aqui’ supõe o esforço de criação de outro mundo, alteridade que recupera as virtudes do passado, se projeta no futuro ou, simplesmente, se representa como já existente apenas dado em outro lugar. Esse outro mundo de alteridade representa uma contra imagem crítica desta realidade [...]” (AÍNSA, 1992: p.10).
A utopia mais resgatada, de maior tradição européia e ocidental, se enraízava inevitavelmente com o Paraíso perdido, com a expulsão do homem do Éden: “O Jardim do Éden é uma metáfora para aquela inocência que desconhece o tempo, desconhece os opostos e vem a ser o centro primordial a partir do qual a consciência se dá conta das mudanças.
É uma crença de se recuperar umprincípioabsoluto, o que implica a destruição e a abolição simbólica do Velho Mundo.
Existe perfeição nos primórdios.
A Idade de Ouro é proclamada não apenas no passado, mas igualmente no futuro.
Parece existir certa beatitude inicial no Paraíso: “[...] os mitos recordam continuamente que eventos grandiosos tiveram lugar sobre a Terra, e que essepassado glorioso” é uma parte recuperável” (ELIADE, 2002: p.128); “O retorno à origem oferece esperança de renascimento. [...] a vida não pode ser reparada, mas somente recriada mediante um retorno às fontes” (ELIADE, 2002: p.32); [...] A vida, na realidade, começou com aquele ato de desobediência”(CAMPBELL: p.53).
Nesse sentido, a invenção desses outros lugares representa, de fato, nova invenção de si mesmo.


A concepção de Erasmo de Rotterdam.
Erasmo de Rotterdam, no início do século XVI, apresentou outra postura diante da humanidade.
No momento de maior pessimismo sobre as atitudes dos homens em seu período, Erasmo aparece como crítico, escrevendo contra àqueles que desprezam a vida e os valores humanos.
Ele sonha, como uma “utopia”, na tentativa de solucionar e mostrar outros caminhos. Sobre esse assunto, em Elogio da Loucura, ele é diferente: “[...] quanto mais abundante é a dose de loucura que encerram, tanto maior é o bem que proporcionam aos mortais. Sem alegria, a vida humana nem sequer merece o nome de vida” (ROTTERDAM, 2003: p.30); “[...] é necessário que cada qual lisonjeie e adule e a si mesmo, fazendo de si mesmo uma boa coleção de elogios [...] A felicidade consiste, sobretudo, em querer ser aquilo que se é [...]” (ROTTERDAM, 2003: p.34).
Erasmo menciona uma Idade de Ouro, criticando a razão e as ciências; é a construção de uma organização social diferente, de imaginar um lugar em que as coisas poderiam ser de outro modo.
É na boca da loucura que está a vontade de se voltar para um tempo perdido. Mas quetempo” é esse que nunca volta e que não chega jamais?
Que lugares distantes são esses, utópicos, que não se localizam no mundo conhecido, nem na Europa, Ásia e África?
O comércio marítimo e as viagens por lugares distantes levariam o pensamento europeu a voar alto, a encontrar solo seguro para que o pouso da imaginação pudesse finalmente acontecer.
As terras distantes encontradas pelo mundo europeu serão os novos palcos em que o teatro dos desejos finalmente poderá encenar seus diversos atos adormecidos e latentes.
O que se pensa fará eco naquilo que se e o que está sendo visto mudará o modo de se pensar sobre aquilo.
O que se pensa, se encontra; e encontro aquilo que sou capaz de pensar. “É próprio da acrescentar ao mundo e às coisas tais como são uma dimensão sobrenatural perceptível apenas pelos crentes, e ligar o universo a um universo superposto cuja visão e certeza são garantidas unicamente pela fé” (BOTTERO, 1986: p.24).


O impacto do descobrimento da América para os europeus.
O descobrimento da América será um acontecimento de forte impacto no imaginário europeu dos séculos XV e XVI.
Apesar de toda data que permite separar duas épocas ser arbitrária, nenhuma é mais indicada para marcar o início da era moderna do que o ano de 1492, ano em que Colombo atravessa o Oceano Atlântico. Somos todos descendentes diretos de Colombo, é nele que começa nossa genealogia.
Desde 1492 estamos, como disse Las Casas ‘neste tempo tão novo e a nenhum outro igual’. A partir desta data, o mundo está fechado.
‘O mundo é pequeno’ declarará o próprio Colombo.
Os homens descobriram a totalidade de que fazem parte. Até então, formavam uma parte sem todo” (TODOROV, 1995: p.06).
Essas novas terras farão parte, agora, da história do continente europeu, serão vistas, lidas e interpretadas, todas as ilhas e locais, pelos olhos daqueles que chegam.
O problema consiste em explicar o aparecimento da América no seio da cultura ocidental (O’GORMAN, 1992: p.25), porque essa questão envolve a maneira de se conceber o “ser” da América e o sentido que se há de atribuir à sua história.
A Europa constrói mais uma utopia que dessa vez, no entanto, se apresentará de forma física diante dos olhos da imaginação.
O continente europeu encontrará o que sempre sonhou e projetará nessas novas terras aquilo que não quer mais, depositará suas crenças de mundo melhor num novo local, a partir de novas oportunidades, em um Novo Mundo.
A Utopia de More, o Elogio da Loucura de Erasmo, o próprio Dom Quixote, as idéias e projetos políticos de Maquiavel e Hobbes.
Todas esses conceitos não seriam formas de sonhos?
Não seriam formas de se projetar o que se “deveria ser”?
Não seriam tambémutopias”?
A Europa tinha formado dentro de si uma concepção do que deveria ser, cristã, perfeita, com bom clima e saudável.
Agora, na América, ela poderia colocar em prática os seus desejos a visão católica cria uma leitura providencialista em que Deus concedeu aos europeus essa nova chance, a partir de um novo espaço geográfico, o Novo Mundo.
O território para uma possível utopia não podia situar-se no velho continente, conhecido e explorado em seus confins, atacado e destruído moralmente, por crises e pestes.
Diante disso, um novo cenário se ergue.


Navegando em busca do paraíso.
Para os europeus, procurar o  caminho para as Índias nunca foi separado da possibilidade de se encontrar o Paraíso: “Longe de ser uma questão fútil e inofensiva, especular sobre a localidade do Éden implicava rediscutir o maior de todos os problemas teológicos: o mistério da salvação” (GOMES, 1997: p.14).
A viagem e a travessia marítimas ganharam tons hagiográficos, na medida em que a literatura registrou o sofrimento e as dificuldades de homens cristãos a atingir o paraíso perdido.
Deus é o leme das embarcações.
Homens que vieram de um mundo pecador estão a caminho de um lugar puro, perdido, muito mais próximo de Deus, ou seja, da salvação pessoal: “[...] a visão do paraíso constitui apenas a meta final da peregrinação, o desenlace lógico, a conclusão convencional do gênero hagiográfico” (GIUCCI, 1992: p.37).

A travessia oceânica assombra e deslumbra, seduz e causa medo.
Seu poder de atração seja pela curiosidade ou vontade de enriquecer, podem levar homens a destinos incertos.
O canto e a imagem da sereia, nesse aspecto, representam bem essa ambivalência da viagem: o diferente atrai, mas facilmente pode levar a caminhos sem volta.

A maneira como a América foi narrada parece estar diretamente vinculada ao modo com que os europeus deram capazes de compreender a América.
O Novo Mundo, assim, “[...] incorporou-se ao imaginário europeu com uma série de atributos que haviam sido delegados a ela muito antes de ser descoberta. [...] a América fazia parte do imaginário europeu, representando para Colombo apenas a comprovação de tudo o que havia sido produzido pela sua imaginação” (THEODORO, 1992: p.42); “A curiosidade do viajante, no entanto, é duplamente singular. Porque ele não quer conhecer, e sim comprovar” (GIUCCI, 1992: p.26).
Tudo estava pronto para receber essas novas terras, de que modo elas seriam, o que encontrar, que tipo de pássaros e habitantes existem; tudo isso havia sido falado, discutido e escrito durante séculos na tradição da cultura ocidental: “[...] as crenças de Colombo influenciam suas interpretações.
Ele não se preocupa em entender melhor as palavras dos que se dirigem a ele, pois sabe que encontrará ciclopes, homens com cauda e amazonas [...]” (TODOROV, 1995: p.19).
O navegador genovês tentava encontrar no “real” aquilo que ele imaginava de antemão a respeito desse mundo.
Mesmo quando a realidade se distanciava daquilo que imaginava, não deixava de crer nas idéias que vinham com ele.
Ele conseguia reinterpretar as Sagradas Escrituras a fim de tornar o descobrimento o momento final de uma história universal.
Mas isso é possível porque existe, dentro do texto bíblico, essa possibilidade de interpretação constante.
Incapaz de compreender de onde vem Deus e o que acontece nas inúmeras viagens descritas em toda a Bíblia, o leitor pode “preencheresses vazios textuais, com a finalidade de tornar a mensagem bíblica plenamente compreensível.
Sobre o texto sagrado, Auerbach afirma que: “[...] ele não quer nos fazer esquecer a nossa própria realidade durante algumas horas [...], mas suplantá-la; devemos inserir nossa própria vida no seu mundo [...]” (AUERBACH, 1992: p.12).
Colombo pratica, assim, uma estratégiafinalista” da interpretação: o sentido final é dado imediatamente “[...] procura-se o caminho que une o sentido inicial a este último.
Ele sabe de antemão o que vai encontrar; a experiência concreta está para ilustrar uma verdade que se possui, mas não para ser investigada” (TODOROV, 1995: p.18).
Essa postura faz com que não apenas Colombo, mas talvez vários cronistas, do início da colonização, encaixem suas vidas e seus destinos no fato e no ato do descobrimento. Não seria impossível afirmar que, para os desbravadores desse novo mundo, o Paraíso teria sido finalmente, encontrado, pois era o que diziam as escrituras.
Começam as buscas para identificar o que existia no que existe: São Tomé, as viagens de São Brandão, Moisés, profecias de Isaías, em todo e qualquer acontecimento no Novo Mundo.
O mundo real, aos olhos dos cronistas, começava a dar pistas de que as profecias e as escrituras se concretizavam.
Tudo provava uma verdade universal, de Deus, inquestionável.
A narrativa de terras prometidas e de lugares maravilhosos existia na tradição clássica, em culturas nórdicas, fenícias e, a cada época, migrava de lugar: “Cada época constrói mentalmente o seu universo [...] cada época constrói mentalmente a sua representação do passado [...]” (FEBVRE, 1987: p.12).
O paraíso precisava mudar de lugar: o acampamento da imaginação precisava se desmanchar e ser remontado em outro local: “[...] a localização atlântica do paraíso atesta que a utopia é geograficamente transferível e que, uma vez abandonado seu locus originário, é capaz de adquirir novas características e funções” (GIUCCI, 1992: p.36).
A descrição de cada jardim, de cada terra prometida ou sonho encontrará na América a chance de se tornar real.
Os relatos mágicos de vários viajantes são lidos com prazer na Europa, em tons de aventura e de prodígios do espírito humano.
O Paraíso passa a existir de fato e uma novamiragem” se forma.
Talvez isso tenha ocorrido apenas num primeiro instante, nos primeiros anos de colonização; fenômeno delicado que certamente aconteceu no olhar dos passageiros do acaso que, porventura, leram sobre esses descobrimentos, nas páginas dos antigos relatos.
Mas o encontro com as novas terras estaria por vir e o choque entre o que se “imaginava ser”, tão reforçado pelas literaturas de viagens, com o que “realmente era”, provocaria sensações, criaria novas imagens e, sobretudo, novas práticas dos europeus no Novo Mundo.


Construindo o paraíso no imaginário.
O Paraíso será pintando pelos olhos e ao gosto da pena do conquistador: “[...] as primeiras imagens são paradisíacas: uma vegetação exuberante, águas límpidas, aves raras [...] Exageros de viajantes impressionados pela magia dos trópicos, inspirados no Paraíso Terrestre” (GRUZINSKI, 1999: p.14).
A partir disso, a América tinha que ser o que se esperava dela e pouco importava a realidade, desde que se acreditasse no projeto: “os fatos não penetram no mundo onde vivem nossas crenças”, diz Marcel Proust.

O Novo Mundo ficará, num primeiro instante, no campo das idealizações.

É como tentar encaixar um objeto numa forma, sem antes saber as dimensões desse objeto: “[...] simples territórios metamorfosearam-se em vastas extensões de ilusão [...]; e os objetivos declarados das empresas descobridoras desviaram-se para uma perseguição insaciável de realidades fantásticas” (GIUCCI, 1992: p.15).
O viajante europeu se dá o direito de realizar seus sonhos a partir da modificação dos espaços distantes da metrópole e, assim, regiões desconhecidas lhe permitem projetar suas fantasias e críticas, formadas em seu próprio mundo.
Ocorre uma transição do desejado para o desconhecido, em que espaços inexplorados e distantes do eixo europeu, ganham projeções deslumbrantes.
O encontro de Colombo se transforma num sonhar acordado e o território americano será preenchido com as virtudes que se desejou encontrar desde tempos imemoriáveis na sociedade e cultura ocidental: “Em vez de se desmentirem na confrontação com a realidade do Novo Mundo, os mitos e lendas do passado sobreoutros mundospossíveis se atualizam” (AÍNSA, 1992: p.45).
Ocorre um esforço de adequação da realidade a um imaginário que a precede: “O prazer de produzir uma narração de acordo com suas expectativas, construídas bem antes da viagem, era superior à sua capacidade de descrever um continente desconhecido. Nesse sentido, Colombo vai estruturar em seu diário na apenas o seu sonho, mas [...] um sonho europeu” (THEODORO, 1992: p.42).
Realidade e fantasia se misturam.
De certo modo, o ocidente não havia empreendido o descobrimento de um Novo Mundo, mas um retorno às suas origens, ao início dos tempos, momento em que o homem não pecava, não havia sido corrompido por vícios, crimes e onde Deus poderia estar mais próximo: “O tempo mítico das origens é um tempoforte’, porque foi transfigurado pela presença ativa e criadora [...] Ao recitar os mitos, reintegra-se àquele tempo fabuloso e a pessoa torna-se, conseqüentemente, ‘contemporânea’, de certo modo, dos eventos evocados, compartilha da presença dos Deuses ou dos Heróis. [...] ao viver os mitos, sai-se do tempo profano [...] ingressando num tempo sagrado” (ELIADE, 2002: p.21), primordial e recuperável.
É um estado de delícias e venturas que teria a humanidade vivida no começo dos tempos e que, agora, estaria de volta, mas colocada em prática no futuro, naquilo que deveria ser, ou seja, de volta para o futuro. 
A América será vista como lugar perfeito, local de “[...] acordo entre todas as criaturas, a feliz ignorância do bem e do mal, a inscrição de todo mister penoso e fatigante, e ainda a ausência da dor física e da morte: estes são os elementos constitutivos da condição primeira do homem [...]” (HOLANDA, 2000: p.186).
Por estar distante da Europa, a América acaba dando asas às mais variadas e surpreendentes criações e, portanto, “[...] não se podia separar da suspeita de que essa miragem devesse ganhar corpo num hemisfério ainda inexplorado, que os descobridores costumavam tingir da cor do sonho” (HOLANDA, 2000: p.221).
Ao se descortinar o espetáculo, não faltaram os que julgassem ver, enfim, realizadas as antigas visões edênicas; “Pelo fato de ser diferente, o Novo Mundo se imagina como melhor [...]”(AÍNSA, 1992: p.231).
Não é à toa que Colombo em suas primeiras descrições e enxerga, de fato, o paraíso: “Esta ilha é imensa e muito plana, de árvores verdíssimas e muita águas, com uma vasta lagoa no meio, sem nenhuma montanha e tão verde queprazer em olhá-la [...]” (COLOMBO, 1996: p.154).
Pero Vaz de Caminha, anos depois, em sua carta ao rei de Portugal, diz algo semelhante: “Andamos por vendo o ribeiro, o qual é de muita água e muito boa.
Ao longo dele há muitas palmeiras. Enquanto andávamos nessa mata a cortar lenha, atravessavam alguns papagaios essas árvores; verdes uns, e pardos, outros, grandes e pequenos”. Sobre os índios, diz o almirante: [...] tudo aceitavam e davam do que tinham com a maior boa-vontade. Mas me pareceu que era gente que não possuía praticamente nada. Andavam nus, como a mãe lhes deu à luz [...]” (COLOMBO, 1996: p.44).
Caminha também se aproxima de Colombo a esse respeito: “A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma.
Nem fazem mais caso de encobrir ou deixa de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara” (COLOMBO, 1996: p.45).
Todorov faz uma análise sobre esse assombro com a nudez indígena por parte de cronistas de viagem: é bastante revelador que a primeira característica desta gente que chama a atenção de Colombo seja a falta de vestimentas. “[...] Fisicamente nus, os índios são também, na opinião de Colombo, desprovidos de qualquer propriedade cultural: caracterizam-se, de certo modo, pela ausência de costumes, ritos e religião.
O que tem certa lógica, que, para um homem como Colombo, os seres humanos passam a vestir-se após a expulsão do paraíso, e esta situa-se na origem de sua identidade cultural” (TODOROV, 1995: p.34).
É de se esperar que todos os índios, culturalmente virgens, página em branco à espera da inscrição espanhola e cristã, sejam parecidos entre si: “todos parecem-se com aqueles de que falei, mesma condição, também nus, e da mesma estatura” (COLOMBO, 1996: p.56).
Sua atitude em relação a essa outra cultura é, na melhor das hipóteses, a de um colecionador de curiosidades, e nunca vem acompanhada de uma tentativa de compreender [...]” (TODOROV, 1995: p.35).
Mas que relações devem existir entre os países imaginários e as sociedades reais?


Concluindo.
A história do imaginário permite esclarecer as articulações entre mundo objetivo e subjetivo, externo e interno, material e psicológico.
Estudar o que as pessoas pensam pode trazer informações a respeito do mundo em que elas vivem e esse universo, por outro lado, influencia esse pensamento coletivo.

É uma relação bilateral, dialética: “[...] mesmo ao imaginar, cada indivíduo não deixa de ser membro de uma sociedade e de seus valores objetivos e subjetivos. [...] o imaginário faz a intermediação entre realidade psíquica da sociedade e a realidade material externa” (FRANCO JÚNIOR, 1998: p.15).
O importante é que toda sociedade é, ao mesmo tempo, produtora e produto de seus imaginários.
Naquilo que se chama sociedade imaginária, tem-se quase sempre a presença de uma sociedade concreta, através do exagero ou da inversão de suas características, da negação de seus medos ou da projeção de seus desejos: “[...] entre uma sociedade concreta e uma sociedade imaginária não existem, portanto, fronteiras, e sim uma larga faixa de domínio comum. [...] não se pode compreender uma delas sem o concurso da outra” (FRANCO JÚNIOR, 1998: 17).
Criar sociedades imaginárias que superem as carências da realidade vivida.
Nesse sentido, os sonhos criados e de certo modo vividos pela sociedade demonstram sempre ter relação com o mundo real; “[...] toda utopia exprime oposição a uma situação considerada intolerável” (FRANCO JÚNIOR, 1998: p.19).
As utopias não passam de necessidades profundas de uma época que nega globalmente a sociedade existente, é uma questão, portanto, de alteridade social.
Ao imaginar um outro, nego onde vivo e, esse outro, é sempre melhor na medida em que é diferente.
Essa diferença, lembra Todorov, cria um sentimento de superioridade; “[...] muitas vezes a utopia sonhada para o futuro representa a volta a uma situação passada” (FRANCO JÚNIOR, 1998: p.19).
É como ter o futuro às costas.
A Europa amou uma cena idílica que ela mesma construiu.
Pode-se pensar, portanto, que a bela cena é amada antes de se amar o objeto.
A alma é uma coleção de belos quadros adormecidos, lugar em que está registrado tudo o que encanta, comove e quebeleza à vida.
Mas nessa cena os rostos estão encobertos por um véu.
Sua beleza é triste e nostálgica.
Mas, sem querer, um encontro acontece e, ao ver um lugar, a bela cena acorda e somos possuídos pela certeza de que aquele local que os olhos contemplam é o mesmo que, no quadro, está escondido pela sombra: “A América foi inventada antes de ser descoberta”, disse O’ Gorman.
Acontece, entretanto, que cedo ou tarde se descobrirá que tudo aquilo não era o “sonho”.
E a bela cena retornará à sua condição de sonho impossível da alma.
E restará à cena alimentar-se da nostalgia quelugar algum” poderá satisfazer: a América foi utopia da Europa e os pesadelos europeus, no interior de suas angústias, buscavam soluções maravilhosas e imagéticas.
Sonhar e crer tornaram-se caminhos concretos, na medida em que a esperança no esforço humano tinha caído por terra: “presos como se achavam aqueles homens [...] pode supor-se que, em face, das terras recém-descobertas, cuidassem reconhecer, com os próprios olhos, o que em sua memória se estampava das paisagens de sonhos descritas em tantos livros e que [...] deveriam pertencer a uma fantasia coletiva” (HOLANDA, 2000: p.212).


Para saber mais sobre o assunto.
AÍNSA, Fernando. De la edad de oro a El Dorado: genésis del discurso utópico americano. México: FCE, 1992.
BOTTERO, Jean. O nascimento de Deus. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.
CAMPBELL, Joseph. O poder do mito. São Paulo: Palas Atena, 2001.
COLOMBO, Cristóvão. Los cuatro viajes – Testamento. Madrid: Alianza, 1996.
DELUMEAU, Jean. O pecado e o medo. A culpabilização no Ocidente: séculos XIII e XVIII. Bauru: Edusc, 2003.
ELIADE, Mircea. Mito e Realidade.São Paulo: Perspectiva, 2002.
FEBVRE, Lucien. O problema da descrença no século XVI: a religião de Rabelais. São Paulo: Editorial Início, 1987.
FRANCO JÚNIOR, Hilário. Cocanha: a história de um país imaginário.São Paulo: Companhia das letras, 1998.
GIUCCI, Guillermo. Viajantes do maravilhoso. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
GOMES, Plínio Freire. Um herege vai ao Paraíso. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
GRUZINSKI, Serge. Virando os séculos: 1480-1520. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
HOBBES, Thomas. O Leviatã. São Paulo: Martin Claret, 2004.
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Visão do Paraíso.São Paulo: Brasiliense; Publifolha, 2000.
LE GOFF, Jacques. A civilização do Ocidente medieval. Lisboa: Editorial Estampa, 1984.
MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe São Paulo: Martin Claret, 2004.
MORE, Thomas. Utopia. São Paulo: Martin Claret, 2003.
O’GORMAN, Edmundo. A Invenção da América. São Paulo: UNESP, 1992.
ROTTERDAM, Erasmo. Elogio da Loucura. São Paulo: Martin Claret, 2003.
ROUSSEAU, Jean Jacques. Discurso sobre a desigualdade entre os homens.São Paulo: Martin Claret, 2005.
SOUZA, Laura de Mello. Inferno Atlântico.São Paulo: Companhia das Letras, 1993.
THEODORO, Janice. América Barroca. São Paulo: EDUSP, 1992.
TODOROV, Tzvetan. A Conquista da América: a questão do outro. São Paulo: Martins Fontes, 1995.



Texto: Prof. Ms. Marcus Vinícius de Morais.
Mestre em História Cultural pela Unicamp e autor dos livros Hernán Cortez: civilizador ou civilizador ou genocida? e Eles Formaram o Brasil, co-autor do livro História dos EUA: das origens ao século XXI, todos publicados pela Editora Contexto.
Membro do Conselho Editorial de "Para entender a história..."



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Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.

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