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terça-feira, 5 de julho de 2011

A Estética do Discurso: a força das idéias e a força da palavra.

Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume jul., Série 05/07, 2011, p.01-10.

Texto originalmente apresentado, em junho de 2011, como monografia requerida para obtenção do título de Licenciado em Filosofia pelo Centro Universitário Claretiano, orientada pelo Prof. Ms. Ricardo Matheus Benedicto.


Este trabalho tem como objetivo constatar a validade ou não do argumento: O que vale são as idéias, não a forma como são apresentadas.

O diálogo será estabelecido a partir do que se convencionou denominar um discurso e suas construções.
 
A intenção dessa análise será definir em que medida a linguagem influencia o pensamento ou é por ele definida.   
 
Pretende elucidar, ainda, a forma como os jogos de linguagem mudam o conteúdo de uma mensagem, clarificando o poder contido na linguagem e nas construções frásicas.
A fim de estabelecer conexões entre linguagem, entendimento humano e o uso estratégico dessa mesma linguagem, recorrerá aos argumentos da Filosofia da Linguagem em especial sob o olhar filosófico de L. Wittgenstein em suas duas obras: Tratado Filosófico e Investigações Filosóficas.


 
Considerações iniciais.
A partir do estudo filosófico da linguagem pretendemos repensar o que se constitui objeto de interesse em um discurso: se as suas idéias ou suas palavras. 
O que afinal prevalece, o virtuosismo de uma fala ou o conteúdo e sua expressão.

O diálogo será estabelecido a partir do que se convencionou denominar um discurso e suas construções.

A intenção dessa análise será definir em que medida a linguagem influencia o pensamento ou é por ele definida. 
Podemos considerar a Filosofia da Linguagem um instrumento válido nesse trabalho? 
E, em que medida os pensadores como Wittgenstein aportam novos olhares sobre essa questão?
Com essa finalidade estudaremos a Filosofia da Linguagem e, em especial, os jogos de linguagem em Wittgenstein a fim de detectar o uso comunicativo e o uso estratégico da linguagem.
Recorreremos ainda a outros autores para definir, quando possível, o poder contido na linguagem bem como na escolha das construções frásicas.
Consideraremos ainda como se relaciona a linguagem e o entendimento humano e como o discurso define esse jogo de interações.



A análise do discurso.
Ao pensar onde reside à importância de um discurso nos deparamos inicialmente com uma incerteza sobre o que predomina se a sua forma ou seu conteúdo.
Pesquisando os autores que buscam o sentido do conteúdo a partir da estrutura do signo até aqueles que a encontram a partir da composição dos enunciados e seus encadeamentos não podemos nos esquivar da assertiva de que todo discurso é discurso de poder. 

O discurso constitui-se em uma expressão que engloba tempo, história e pessoas que se articulam dentro dessas categorias.
 
Isto posto podemos ainda dizer que a nossa linguagem explicita muitas variáveis que são de natureza psíquica, fisiológica e física em uma primeira análise.
 
São essas, o que poderíamos denominar, as condições para alguém se expressar.
Roland Barthes tematizou a questão do poder do discurso.
Segundo ele a linguagem deixa de ser apenas um sistema de regras/normas para se concretizar entre os falantes em suas práticas sociais.
Essa concretude dota de vida a própria linguagem e suas articulações.
Barthes em sua tradição de linguista trafegou em um primeiro momento entre os conceitos de denotação e de conotação para, após incorporar os conceitos de polifonia e de dialogismo de Mikhail Bakhtin, ampliar a discussão incluindo nesse embate a história e o sujeito.
Dessa forma passa de uma construção de língua para o de linguagem que é a sua concretude, a sua realização.

Além desses fatores, temos na linguagem uma explicitação social posto que a língua é compartilhada entre um grupo de pessoas e também não podemos nos esquecer do componente individual quando nos referimos à peculiaridade expressiva da pessoa em si mesma.

Nesse todo se situa o discurso.

Mikhail Bakhtin em suas colocações partiu do enunciado para analisar as trocas, para ele o signo se situa na construção da língua, mas as pessoas ou como denominou “os sujeitos reais” utilizam a linguagem e agem e interagem dentro de uma história, pois estão circunscritos a um tempo e a uma circunstância. Para ele a linguagem é ambígua e, portanto, possibilitadora de conflito.
 
Conforme BAKHTIN:

(...) cada texto (como enunciado) é algo individual, único e singular, e nisso reside todo o seu sentido (a sua intenção em prol da qual ele foi criado). É aquilo que nele tem relação com a verdade, com a bondade, com a beleza, com a história. (...) A palavra está sempre carregada de um conteúdo ou de um sentido ideológico ou vivencial.  BAKHTIN (2003, p.92)
 
É dentro de uma situação, de uma realidade vivida, que construímos um enunciado, portanto esse enunciado encontra-se radicado e permeado por nossos valores que o sustentam e adéquam ou não nosso discurso.
Para essa validação, que seria a autenticação do discurso, podem concorrer as mais variadas autoridades.
A autoridade que advém da própria pessoa que a profere, que seria a de autor e, portanto, fruto de sua própria trajetória, ou então a de uma autoridade religiosa ou leiga, temos ainda pela representatividade de classe ou por uma ideologia.
Assim podemos dizer que quando falamos o fazemos a partir de algo em que acreditamos e o direcionamos a alguém.
Ainda recorrendo a Bakhtin, podemos dizer que a nossa voz nunca é única, pois está sempre em diálogo com as outras vozes, com os saberes de outrem e que, por isso, todo discurso é polifônico e heterogêneo.
 
[...] em todo enunciado, contanto que o examinemos com apuro, levando em conta as condições concretas da comunicação verbal, descobriremos as palavras do outro ocultas, ou semi-ocultas e com graus diferentes de alteridade. Dir-se-ia que um enunciado é sulcado pela ressonância longínqua e quase inaudível da alternância dos sujeitos falantes e pelos matizes dialógicos, pelas fronteiras extremamente tênues entre os enunciados e totalmente permeáveis à expressividade do autor (2003, p.318)[1].

O outro, com quem dialogamos, é, ainda, o objetivo de nossa fala.
Portanto a linguagem é ideológica, pois espelha essa realidade do emissor que tem como foco mudar ou acrescentar algo a quem se dirige.
Assim, toda sua construção será em função desse objetivo o que coincide com a postura de Foucault na Arqueologia do Saber onde afirma que o poder constitui o próprio discurso porque é um discurso ideológico desde sua estrutura.
As escolhas utilizadas como forma de enunciação já demonstram uma forma de poder. 
 
[...] a descrição arqueológica dos discursos se desdobra na dimensão de uma história geral; ela procura descobrir todo o domínio das instituições, dos processos econômicos, das relações sociais nas quais pode articular-se uma formação discursiva; ela tenta mostrar como isso, um status de pura idealidade e de total independência histórica; o que ela quer revelar é o nível singular em que a história pode dar lugar a tipos definidos de discurso que têm, eles próprios, seu tipo de historicidade e que estão relacionados com todo um conjunto de historicidades diversas[2].
 
Vários autores afirmam que a linguagem é um elemento constituidor do humano dos homens. Vemos isso em Mondin (1980) que no capítulo V de seu livro tratará do problema da linguagem concluindo o mesmo dizendo: “a linguagem possui um extraordinário poder revelador do que é o ser profundo do homem”[3]; afirmando ainda ser próprio da linguagem além de revelar a complexidade do ser do homem em contraponto com os animais evidencia a interdependência do físico e do conceitual na existência humana.
Com relação à subjetividade e identidade temos em  Bakhtin que, as relações de alteridade (EU-OUTRO) onde são confrontadas as diferenças é que definem a identidade, portanto a identidade é relacional.
O EU se define ante a diferença com o OUTRO. A interação entre um que fala com outro que fala cria o humanismo interacional e com isso modificações contínuas vão acontecendo.
Isso tudo é mediado pela linguagem.
A esse interagir ele denominou dialogismo.
Acrescentando a esse dialogismo a construção de sentido que as relações vão propiciando temos a polifonia que é gerada no processo e as muitas vozes que constroem os sentidos.
Bakhtin vai anotando/assinalando que a consciência do outro não se insere na moldura da consciência do autor, mas permite a ele entrar em relações dialógicas. 
É importante observar que não são simplesmente as palavras do outro o que Bakhtin destaca, mas a consciência do outro e o processo dialógico estabelecido pelas formas de relação eu/outro[4] (BRAIT, p.40). 
Voltando ao proposto inicialmente faremos, ainda, uma breve incursão pela Filosofia da Linguagem a partir do Tractatus Lógico-Philosophicus de Wittgenstein e na seqüência com sua mudança de olhar constatável nas Investigações Filosóficas quando fala sobre os Jogos da Linguagem.


Filosofia da Linguagem.
Sobre a Filosofia da Linguagem temos que:
O filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) supôs que a linguagem humana teria evoluído gradualmente, a partir da necessidade de exprimir os sentimentos, até formas mais complexas e abstratas.

A linguagem propriamente dita só teria começado "quando as idéias dos homens começaram a estender-se e a multiplicar-se, e se estabeleceu entre eles uma comunicação mais íntima, procuraram sinais mais numerosos e uma língua mais extensa; multiplicaram as inflexões de voz e juntaram-lhes gestos que, por sua natureza, são mais expressivos e cujo sentido depende menos de uma determinação anterior". (Jean Jacques Rousseau. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens)[5].

Segundo estudiosos o Tratado Filosófico de Wittgenstein contém dois aspectos; o de ser uma crítica à linguagem e um estudo da relação entre linguagem e pensamento.
Wittgenstein constrói seu pensamento baseado em proposições que se assemelham aos aforismos de Descartes.
Dessa forma postula uma teoria sobre a linguagem e sua relação com o mundo.  Irá trabalhar sobre as sete proposições fundamentais:
 
  1. O mundo é tudo o que ocorre.
  2. O que ocorre, o fato, é o subsistir de estados de coisas.
  3. Pensamento é a figuração lógica dos fatos.
  4. O pensamento é a proposição significativa.
  5. A proposição é uma função de verdade das proposições elementares.
  6. A forma geral da função de verdade é [p, , N ()]. Esta é a forma geral da proposição.
  7.  O que não se pode falar, deve-se calar.
 
Segundo Wittgenstein existe uma relação biunívoca entre linguagem e mundo: as afirmações são imagens do mundo e representam o que é o mundo.
Com isso ele desenvolve uma teoria sobre a linguagem e o mundo em que este se compõe de coisas e estado de coisas que no fundo são relações de coisas.
As coisas seriam as partes imutáveis do mundo e as relações entre as coisas seriam a estrutura lógica do mundo.
Diante dessa realidade destaca a linguagem como definidora da própria realidade.
Se o Tractatus se inicia pela análise do mundo, este mundo, os fatos, os estados de coisas e os objetos são conceitos formais, cuja determinação se faz unicamente para fixar a determinabilidade do sentido das proposições.
Todos esses passos são dados unicamente do ponto de vista da necessidade que possui a língua de ter uma realidade a que se referir.
No entanto, a problemática do sentido também sofre radical ampliação, na medida em que as proposições passam a constituir caso especial dos vários tipos de modelos, de figurações, que construímos do mundo.
Por que um conceito de tal monta não merece uma proposição especial? Simplesmente porque a figuração ainda é fato, embora seja fato de outro fato.
Assim sendo, as duas proposições iniciais do Tractatus se ocupam dos fatos, de sua resolução e de sua construção, assim como de um fato especial, construído por nós, e que possui a virtude de simbolizar outro[6].
Afirma, ainda, que os enunciados se compõem de elementos simples e uma afirmação complexa é formada de núcleos simples que podem ser decompostos.
Quanto à Filosofia pregava o silêncio ante questões fundamentais como a metafísica, a ética e o sentido da existência - o que não se pode falar deve-se calar, que se constitui sua proposição final.
Para Margutti Pinto (1998) a postulação do silêncio na obra de Wittgenstein remeterá a outros significados transcendentes como o real sentido e valor da vida.
Embora o Tractatus descreva predominantemente a experiência da crítica da linguagem, que envolve o fracasso da tentativa de dizer e a clarificação proporcionada pelo mostrar, fica claro que a experiência a que esta obra faz alusão exige do leitor algo mais que a mera compreensão do significado de seus contra-sensos: é preciso, acima de tudo, colocar a vida radicalmente em questão para poder reconhecer silenciosamente o seu verdadeiro valor [7].



Jogos de Linguagem.
Quando retoma os temas filosóficos após experiências pessoais que incluíram o exercício de mestre escola para crianças, Wittgenstein irá comparar a linguagem a uma caixa de ferramentas da qual o falante faz uso conforme a conveniência.
Serão os denominados jogos de linguagem. 
Ele muda o conceito de linguagem, mas continua a considerar que os problemas filosóficos se originam por consideração errada da linguagem e de seu funcionamento.
 
Se no Tractatus, Wittgenstein propunha uma linguagem logicamente perfeita que garantiria a compreensão do mundo, na obra Investigações Filosóficas ele refuta esta possibilidade e amplia suas observações para o campo prático da linguagem, refletindo sobre seu uso no dia a dia e conclui que, embora no campo teórico seja possível pensar em uma linguagem de estrutura ontológica claramente determinada, e que expresse uma cópia fiel do mundo, na prática tal linguagem carece de sentido e torna-se absurda, já que não é possível determinar no campo prático, a significação das palavras sem considerar o contexto onde tais palavras estão imersas [8].
 
Com isso o conceito de significado migrará da palavra para a forma de utilização.
Então esse significado deixará de ser uma referência em si mesmo para ligar-se à forma de uso.
A análise do significado será uma análise do uso.

Por isso Wittgenstein afirma que na filosofia o problema da falta de entendimento ocorrerá por mal uso da linguagem.
 
Com esse novo olhar Wittgenstein abandonará as teses centrais do Tractatus e enveredará para as formas de uso.  


Dessa forma teremos o enfoque da linguagem como um conjunto heterogêneo sem limites predefinidos e marcados por regras.
Existirão enunciados categorizados a priori, que servirão a um fim específico e por outro lado palavras cujos sentidos serão definidos pelo uso real.
Atrela-se o texto ao contexto.
O jogo de linguagem torna-se um paradigma que se constitui numa técnica de operar e agir linguisticamente e que por sua vez está intrinsecamente ligada a costumes, situações, interesses.
Conclui-se que, sem dominar essa técnica, não se consegue jogar.
O olhar de Wittgenstein se dirigirá para a função primordial da Filosofia que seria o de clarificar e o de libertar respeitando-se o pluralismo e o pragmatismo dos diferentes jogos de linguagem. 
Em seu livro Investigações filosóficas (1953) afirma que pelos jogos de linguagem cada um se torna ao mesmo tempo usuário e inventor da língua.

Com o conceito de jogos de linguagem preconiza o uso de diferentes regras para os diferentes contextos:
 
Correto e falso é o que os homens dizem, e na linguagem os homens estão de acordo. Não é um acordo sobre as opiniões, mas sobre o modo de vida (I F, § 241).

Será no jogo, nas interações que os participantes elaboram e firmam consensos de uso e suas adequações. Dessa forma cada um é ao mesmo tempo usuário e inventor da língua (IF, §§ 84, 85).


 
Linguagem e Discurso. 
A partir da teoria pragmática de Wittgenstein de que o uso das palavras determinará o sentido, John L. Austin e depois J. R. Searle desenvolveram a teoria dos atos de fala.
Pela investigação dos tipos de enunciado chegaram à conclusão que a palavra e ou sentença pode conter em si uma ação, que pode ser: locucionário (ato de dizer algo), ilocucionário (o ato executado na fala) e o perlocucionário (o que visa provocar um efeito em outra pessoa).  

Dentro do ato ilocucionário Austin distinguiu ainda cinco formas de expressão: veridictivas; exercitivas; comissivas; conductivas e expositivas[9].

Com a teoria dos jogos de linguagem e a dos atos de fala chegamos ao discurso propriamente dito, pois temos a concretização do uso estratégico da linguagem.

Esse uso estratégico será o grande trunfo das construções discursivas, pois em um discurso a concatenação das idéias define e conduz a linha de raciocínio a ser desenvolvida. 
A partir disso teremos o pensamento filosófico voltando-se para o campo da ética.
A teoria dos jogos de linguagem de Wittgenstein e a dos atos de fala de Austin e Searle influenciaram decisivamente os filósofos alemães Jürgen Habermas (1929) e Karl-Otto Apel (1922), que desenvolveram, primeiro conjuntamente e depois cada um ao seu modo, a chamada ética do discurso[10].

Já FOUCAULT (1986) avançará em suas colocações afirmando que a função de um discurso não deveria ser a análise das relações entre o dito e a intenção do dizer, mas sim a de alçar o indivíduo à categoria de sujeito de seu próprio discurso.
Para além das relações lexicais o discurso, segundo ele, deveria se efetivar em práticas, pois isso é o que o distingue.
 
Quanto ao “paradigma da linguagem” recorremos ao que Marilena CHAUÍ (2009) observou a partir de Foucault para falar do discurso:
 
O discurso é uma rede de enunciados ou de relações que tornam possível haver significantes, nomes, frases, significações, proposições, juízos, palavra ou fala e objetos. O enunciado é a função do discurso e este engendra enunciados de maneiras variadas, segundo as regras que constituem, em cada época, uma formação discursiva. (...)   A “arqueologia do saber” nos ensina que sujeito e objeto são efeitos produzidos pelo discurso. O princípio da metafísica realista – o objeto ou a consciência de si – não são princípios, mas simples efeitos da linguagem e do discurso (CHAUÍ, 2009, p.212).
 
Mas, em meio a isso, como validar o argumento quanto ao discurso: forma ou conteúdo?
Como sinal de contemporaneidade dessa discussão podemos agregar os seguintes princípios: o princípio de arbitrariedade[11] – quando a relação quanto a denominação e significação é estabelecida; o princípio de contexto – que corresponde ao uso contextual das palavras, a relação texto-contexto e o princípio de composição – em que a significação da frase depende do entendimento e da articulação de cada uma das partes.
Conforme o anteriormente exposto os filósofos da linguagem se voltaram para o sentido e para a referência e com isso temos que recorrer ao princípio de verdade.
Desde os primeiros pensadores que a Filosofia busca a verdade, pois é o que desenvolve, liberta e realiza o ser humano.
Então, onde reside a verdade e com isso a eficácia do discurso, segundo os filósofos?
Na forma ou no conteúdo?
Com o que discorremos podemos concluir que a validade do discurso reside em seu teor porquanto deverá ser condizente com o tema, com a intenção do autor e com o público a que se destina. 
 
Conforme BAZARIAN (1994) a verdade pode ser confrontada por cinco critérios:

1.      de autoridade – é o mais antigo. Esse critério é muito utilizado nas religiões;
2.      de evidência – é o mais conhecido e aceito. Ex: O todo é maior que suas partes;
3.      de ausência da contradição – significa a coerência do pensamento consigo mesmo. Não há contradição entre os juízos. Isso é explicito no positivismo lógico;
4.      de utilidade – pragmatismo – conforma-se a verdade de um juízo à sua utilidade prática, o sucesso, o êxito. A eficácia é a medida da verdade.
5.      da prova – este é o critério de verdade por excelência – o mais eficiente e cientificamente válido. Toda tese cientificamente provada é verdadeira. Não há contestação.


 
Concluindo.
Com essa incursão pelos meandros do discurso de sua elaboração e correlação no tempo e no espaço só nos resta afirmar que, a articulação de um discurso envolve muitos fatores estreitamente vinculados aos conceitos vigentes.  
Por sua vez o que a Filosofia da Linguagem pode aportar sobre o assunto é que ela se constitui em um espaço no qual os conceitos podem ser continuamente articulados no sentido de se buscar a validade e a veracidade das falas e de sua autonomia.
Cabe-nos ainda considerar que, o valor intrínseco de um texto sempre será ligado ao que o entendimento do público possa identificar e com isso atribuir-lhe um valor extrínseco e partilhado e poder adotá-lo como sua fala ou sua representação.
Mas, nem sempre as idéias que adotamos ou reproduzimos são nossas, pois vivemos à mercê de pensares dominantes e/ou de discursos dominantes como Marx e Engels afirmaram: a classe materialmente dominante da sociedade é ao mesmo tempo a força intelectual dominante” (MARX e ENGELS, 1846, p.67).



Para saber mais sobre o assunto.
BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. Tradução do russo por Paulo Bezerra. 4ªed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
BARTHES, Roland. Aula. São Paulo, Cultrix, 1980.
BRAIT, Beth. Quem disse o quê? Polifonia e heterogeneidade em coro dialógico.  Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade de Passo Fundo - v. 6 - n. 1 - p. 37-55 - jan./jun. 2010
BAZARIAN, Jacob. O problema da verdade: teoria do conhecimento. 4ª ed. São Paulo: Alfa-Omega, 1994.
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 13ª. ed. São Paulo: Editora Ática, 2009.
FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. 6ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2002.
MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da Filosofia – dos pré-socráticos a Wittgenstein. 12ª ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2008.
MARGUTTI PINTO, P. R. Iniciação ao Silêncio. Análise do Tractatus de Wittgenstein. São Paulo: Loyolla, 1998.
MARX e ENGELS. A Ideologia Alemã (1846) Versão eletrônica disponível em http://www.jahr.org In: http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/ideologiaalema.html acesso em 15 de maio de 2011.
MONDIN, Battista. O homem, quem é ele? Elementos de Antropologia Filosófica. São Paulo: Edições Paulinas, 1980.
SCHELER, Max. Diferença essencial entre o homem e o animal in: A situação do homem no cosmos. Tradução Artur Morão, Covilhã: Lusosofia: Press, 2008.
WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações filosóficas. Tradução de José Carlos Bruni. 2ª. Ed. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
WITTGENSTEIN, Ludwig. Tractatus logico-philosophicus. Tradução e apresentação José Arthur Giannotti. São Paulo: Cia Editora Nacional/USP, 1968.
http://jeferson.silva.nom.br/archives/1916 Acesso em 17 de maio de 2011.

Texto: Edna Márcia Perez Pires.
Licenciada em Filosofia pelo Centro Universitário Claretiano.


[1]Mikhail BAKHTIN. Estética da criação verbal. Tradução do russo por Paulo Bezerra. 4.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
[2] Michel FOULCAUT.  A arqueologia do saber. p.189.
[3] Battista MONDIN. O homem, quem é ele? Elementos de Antropologia Filosófica. p.151.
[4] Beth BRAIT. “Quem disse o quê? Polifonia e heterogeneidade em coro dialógico” In: Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade de Passo Fundo - v. 6 - n. 1 - p. 37-55 - jan./jun. 2010. http://www.upf.br/seer/index.php/rd/article/viewFile/1383/860
[5] Josué Cândido da Silva In:  http://educacao.uol.com.br/filosofia/ult3323u52.jhtm  Acesso em 10 de maio de 2011.
[6] José Arthur GIANNOTTI. Introdução In: Tractatus Lógico-Philosophicus. p.45.
[7] P. R. Margutti Pinto. Iniciação ao Silêncio. Análise do Tractatus de Wittgenstein. S. Paulo: Loyolla, 1998.
[8] Jeferson SILVA In:  http://jeferson.silva.nom.br/archives/1916 Acesso em 17 de maio de 2011.
[9] Josué Cândido da SILVA In: http://educacao.uol.com.br/filosofia/filosofia-da-linguagem-6.jhtm Acesso em 19 de abril de 2011.
[11] É o primeiro dos princípios gerais da língüística saussuriana.

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