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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Funções psicológicas e as atitudes psíquicas de Jung, inseridas no contexto da aprendizagem.


Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 3, Vol. jun., Série 18/06, 2012, p.01-11.


O artigo faz parte da Monografia de Conclusão de Curso de Pós-Graduação em Psicopedagogia Institucional pelo INEC/Universidade Cruzeiro do Sul, orientada pelo Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.


O trabalho procura trazer os caminhos adotados pela aprendizagem, ou como ela se processa na maioria das vezes nos dias de hoje, enfatizando a necessidade de se pensar por outro olhar que não seja o empírico, e para isso, o mesmo balizou-se nos conceitos de Carl Gustav Jung, que foi quem deu uma importante contribuição para o tema, o autor procura de forma sistemática apresentar o aprendiz como ser dotado de uma individualidade que lhe é única, e para execução desse trabalho fora verificado a leitura critica e reflexiva adotada por autores que se posicionam frente às ideias de Jung, direcionados de maneira seletiva sobre o tema aprendizagem, e suas formas de aplicação, pensada pela observação da singularidade do individuo, para obtenção de resultados mais satisfatórios, e justos para com o aprendiz.


Introdução.

“Nenhum tópico é mais próximo da essência da psicologia do que a aprendizagem, uma mudança relativamente permanente no comportamento de um organismo em decorrência da experiência”. (MYERS, 1999, p. 173)
Aprendizagem, segundo o dicionário priberam online, (2011) significa o ato ou efeito de aprender, com definição semelhante encontrada no Michaelis, definindo aprendizagem como ação de aprender qualquer oficio arte ou ciência, ou tempo gasto nesse aprendizado.
O Michaelis também denomina aprendizagem como uma mudança permanente de comportamento como resultado de treino ou experiência anterior, ou processo pelo qual se adquirem essas mudanças.
Pensadores da Grécia Antiga, como Platão e Aristóteles pontuaram suas idéias de forma importante sobre a aprendizagem, para Platão a aprendizagem inicia-se como um estado de perplexidade, ou espanto, que impele a pessoa ao esforço de elevação do conhecimento, Platão fora também o primeiro pensador a distinguir a associação de idéias em dois tipos: Por similaridade e por contigüidade, sendo fundamental que cada um enquanto individuo, é responsável por sua aprendizagem. (PFROMN NETTO, 1987)


“... o processo fundamental de aquisição é a aprendizagem concebida sobre o modo empirista de registro dos dados externos. Se isto é certo, seguir-se-ia então que o desenvolvimento em seu conjunto deveria ser concebido como a resultante de uma seqüência ininterrupta de aprendizagens assim interpretadas. Se, pelo contrário, o fato fundamental de partida é a capacidade de fornecer certas respostas, portanto a "competência" resultaria inversamente que a aprendizagem não seria a mesma nos diferentes níveis do desenvolvimento”. (Piajet, p. 160, 2007)

Para Ferreiro (1996), todas as práticas pedagógicas estão apoiadas nas concepções do processo de ensino e aprendizagem, porém nenhuma delas é neutra, são as práticas e não os métodos que têm efeitos no domínio da língua escrita ou em outros conhecimentos, o autor ainda fala que é possível enxergar o que o aluno já sabe partindo do produzido por ele, para que a partir daí o mesmo venha a aprender mais, o autor ainda fala que a aprendizagem figura como resultado da ação do aprendiz, afirmando com isso que a função do professor será de criar condições para que o aluno possa exercer o seu papel de aprender, estando inserido em atividades que favoreçam sua atividade mental, ou seja, o seu exercício intelectual.
“A aprendizagem e a construção do conhecimento são processos naturais e espontâneos do ser humano que desde muito cedo aprende a mamar, falar, andar, pensar, garantindo assim, a sua sobrevivência.” (SILVA, online 2011)
Deve se notar também a importância do professor no processo de aprendizagem que para Ferreiro (1996) o mesmo deve ser capaz de observar que e entender que o aprendiz sempre sabe alguma coisa, e pode usar esse conhecimento para continuar aprendendo, tomando como regra que esse conhecimento se faz necessário para que ele avance, ainda para o autor, é preciso entender que o esse processo permite ao professor a real noção que sua intuição não suficiente no processo de ensino aprendizagem, necessitando para isso também o auxílio do conhecimento produzido no território da ciência.

“O melhor aluno de uma turma ou da escola, como qualquer ser humano, pode estar vivendo em determinado dia e horário uma situação emocional inadequada para novas aprendizagens, por razões extra escola. É indispensável o respeito a esses momentos e não forçar o seu envolvimento de modo inadequado, o que pode gerar formações reativas imprevistas.” (WEISS, 2007 informação verbal)

Atualmente um modelo de aprendizagem bastante utilizado no meio do ensino aprendizagem figura como o construtivismo, que para Ferreiro (1966), a aprendizagem abordada de uma forma construtiva entende o conhecimento como um produto da ação e reflexão do aprendiz, compreendendo esse aprendiz como alguém que sabe algumas coisas, e que a frente de novas informações, que para ele têm sentido, realiza um esforço para assimilá-las, ou seja, diante de um conflito cognitivo o aprendiz tem necessidade de superá-lo.
O conhecimento anterior se aprofunda, dando origem a um novo conhecimento, inerente a concepção de aprendizagem, de tal forma que, o aprendiz sempre utilize seu conhecimento prévio na aquisição de um novo conhecimento.
O construtivismo enfatiza a aprendizagem pela resolução de situações problemas, ou seja, aprender a aprender é algo possível apenas a quem já aprendeu alguma coisa, sendo que o conhecimento se constrói por caminhos diferentes daquele que o ensino supõe. (Ferreiro, 1966)
Piaget, sendo aquele que inicia a construção de uma nova idéia e um novo olhar sobre a aprendizagem, desenvolve a teoria do conhecimento, (epistemologia e Psicologia Genética), que explica como se avança de um conhecimento menos elaborado, ele enfatiza que o conhecimento é resultado da interação do sujeito com o meio externo, sendo que esse sujeito participa ativamente desse processo modificando o meio no qual esta inserido, e se modificando também em virtude desse meio. (Ferreiro, 1966)
Mesmo com as contribuições de Piaget e o construtivismo, o que se verifica ainda segundo o autor de maneira sobressalente é a empirista, é o conhecido como “modelo de ensino resposta”, nessa abordagem prevalece o modelo de aprendizagem que atua em substituição das respostas erradas pelas certas, partindo da concepção de que o aluno precisa memorizar e fixar informações, partindo do conhecimento mais simples acumulando-o com o tempo. (Ferreiro, 1966)
Como visto no parágrafo anterior, esse tipo de abordagem vai de encontro ao que se adota hoje como método construtivista de aprendizagem (WEITZ 2007), diz que o processo de ensino de maneira mais eficaz deve dialogar com o método de ensino, e para tanto, não é o aluno que deve se adaptar-se ao processo, mas sim o processo, através do professor que precisa compreender o caminho de aprendizagem que esta percorrendo o aluno, e a partir daí identificar quais as atividades que permitirão ao aluno evoluir no seu patamar de conhecimento, em direção a um mais elevado.


Funções psicológicas e as atitudes psíquicas de Jung, inseridas contexto aprendizagem.


“... Ninguém aprende se não estiver motivado para isso, as decorrências desta constatação estarão na aprendizagem familiar, escolar, profissional, clínica e em outras situações. A motivação para aprender, em qualquer momento, é que permitirá a construção de vínculos positivos ,adequados com o objeto do conhecimento”... (WEISS, 2007 informação verbal)

Para Weiss 2007, existe uma relação entre motivação, e o desejo de aprender, no momento em que é apresentado o novo objeto do conhecimento, seja ele escolar ou fora da escola, definirá em parte essa relação ou não de uma nova aprendizagem, a autora ainda critica métodos muito engessados de aprendizagem, enfatizando ainda o papel do professor afirmando que não existe um padrão na forma de aprender, e é por isso que faz muito importante a pessoa do professor, entende-se com isso que o professor atento, sensível, e competente, será capaz de perceber os diferentes caminhos e formas de aprendizagem de seus alunos, para a autora cada um de nós busca seu melhor caminho de entrada do conhecimento, melhor maneira de mostrar esse conhecimento aprendido, e são essas formas de aprender fundamentais na inclusão escolar ou de trabalho.

“As escolas deveriam entender mais de seres humanos e de amor do que de conteúdos e técnicas educativas. Elas têm contribuído em demasia para a construção de neuróticos por não entenderem de amor, de sonhos, de fantasias, de símbolos e de dores”. (SATINI p.8 2008)


Carl Gustav Jung.

Foi com o fundador da psicologia analítica Carl Gustav Jung nascido em julho de 1875 na Suíça, que nasceu a idéia sobre os “Tipos psicológicos”, Jung filho de família religiosa, pai pastor luterano, sempre se interessou por questões espirituais, sobre qual seria a função da religião na vida das pessoas, foi então que em 1921 escreveu o referido texto com base em anos de estudos de psicologia em seu exercício de medicina, esses estudos demonstraram que as pessoas possuem características comportamentais, que irão caracterizar os Tipos Psicológicos.

“Nos caminhos da cognição na cadeia atenção- percepção- raciocínio- memória vamos encontrar diferentes portas de entrada que funcionarão isoladamente ou em conjunto integrado :visual, auditiva, olfativa, gustativa e tátil. As formas de raciocinar também estarão ligadas. Cada um de nós terá a sua melhor “porta de entrada”, a sua forma de fixar na memória, o melhor caminho de estabelecer relações lógicas, a melhor “saída” ou forma de expressar o que aprendeu, assim como já foi dito o seu melhor momento de aprender.” (WEISS, 2007, informação verbal)

Para Jung existem duas formas de atitudes, uma seria aquela em que a pessoa foca sua atenção no mundo externo de fatos e pessoas (extroversão).
Na extroversão, a energia da pessoa flui de maneira natural para o mundo externo, em que se observa: impulsividade, sociabilidade, expansividade e facilidade de expressão oral.
A outra se refere à pessoa que foca sua atenção no mundo interno, de representações e impressões psíquicas (introversão).
Na introversão, o indivíduo direciona a atenção para o seu mundo interno em que se observa: a postura reservada, a retenção das emoções e facilidade de expressão no campo da escrita. (Lessa 2011)
Partindo da forma com o individuo se configura entre introvertido e extrovertido, Jung também verificou que existia diferença entre as pessoas de um mesmo grupo, ou seja, um introvertido poderia diferir muito de outro introvertido, para ele essas diferenças eram causadas pelas funções e ou processos mentais preferencialmente utilizadas pela pessoa para se relacionar com o mundo externo ou interno, estava aí definido para Jung os Tipos Psicológicos, com a junção das atitudes de introversão e extroversão, e suas funções psíquicas. (Lessa 2011)
Quatro são as funções psíquicas: Sensação, Intuição, Pensamento e Sentimento, partindo da forma como percebemos as coisas pela Sensação e Intuição, até a forma como julgamos os fatos, Pensamento e Sentimento.

Para a autora Lessa 2011, as funções enumeradas por Jung são as seguintes:

Sensação: atenção voltada para o presente, no real e no concreto, costumam ser pessoas praticas, preocupadas mais em manter as coisas funcionando que criar novos caminhos, preferem ver as partes a o todo.
Intuição: sua apreensão parte geralmente por parte de “pressentimentos”,“ palpites” ou “inspiração”, buscando significados através das informações recebidas a intuição traça relações e possibilidades futuras, os fatos são aprendidos no seu conjunto.
Pensamento: partem de uma análise lógica e racional dos fatos, julgando e classificando uma coisa sem maior interesse pelo seu valor afetivo, voltadas para razão procuram ser imparciais em seus julgamentos, lidam melhor com processos lógicos e formais.
Sentimento: julga o valor intrínseco das coisas, valoriza o sentimento em suas avaliações, tem facilidade no contato social, preocupadas com a harmonia do ambiente, e por valorizarem suas impressões pessoais, tendem a se voltar para relações interpessoais, sentimentos e valores dos outros.

O que se percebe após esse breve relato da autora é que Jung ao criar os tipos psicológicos, na verdade não quis rotular pessoas, enquadrando-as em um, ou outro perfil psicológico, para ele isso seria uma forma de ajudar a compreender as características individuais de cada um, o que para o assunto em tela auxiliaria muito na forma como se apresentaria o assunto aprendizagem ao aluno.

“A tipologia de Jung pode fornecer pistas para um melhor entendimento das questões relacionadas a desempenho escolar e relacionamento entre alunos e professores, sugerindo ferramentas para ajudar os mestres a se aproximar de seus alunos e conhecer suas personalidades.” (Lessa, 2011, online)

Pesquisadores observando os tipos psicológicos de Jung descobriram que as pessoas além de interesses, valores e necessidades diversas, também aprendem de modos diferentes, todavia, não se deve excluir a importância do professor em conhecer seus alunos, para que possa despertar nos mesmos o interesse pelo aprendizado. (Lessa, 2011).
Voltando a forma de investimento de energia do sujeito, ou seja, a forma como ele se apresenta ao mundo, expõem suas idéias, se ele é um individuo mais voltado para o meio, ou a si mesmo, balizando é claro em cima do tema para discussão como relata a autora nos parágrafos seguintes.


Aprendizagem para Introvertidos e Extrovertidos.

Os introvertidos preferem preparar-se para as aulas com antecedência, são introspectivos, reflexivos, concentrados, cuidadosos, concentram-se no aspecto importante do problema, e sabem ouvir as pessoas, procuram estudar em locais onde possam se concentrar, preferindo atividades ou trabalhos mais longos, isso devido ao prazer de refletir, e analisar os temas, gostam de trabalhar em grupos menores, quando não sozinhos. (Lessa, 2011)
Partindo dessas características dos estudantes introvertidos, seria interessante então que o professor lhe fornecesse antes material para consulta e pesquisa, para que o aluno venha preparado para a aula fomentando-lhe uma maior participação, já que os mesmos são considerados tímidos, reservados, discretos, e devido á dificuldade de se expor em grupo, ambiente com muita gente, por vezes deixam de manifestar-se a respeito de assunto que dominam, prejudicando sua atuação em classe. (Lessa, 2011)
Quanto aos extrovertidos, por serem populares entre os colegas, sentem prazer em participar de atividades extraclasse, confiantes e pró-ativos, por vezes são impulsivos, agindo primeiro, para só depois refletir, postura adotada ao contrário dos introvertidos, que pensam muito antes de agir, e por ousarem mais, os extrovertidos também podem enfrentar problemas relacionados à disciplina. É notória também sua dificuldade em concentrar-se em atividades longas, detalhadas, que exigem reflexão, preferindo ação, atividades variadas, contato com colegas e trabalhos em grupo, preferem resolver problemas práticos. (Lessa, 2011)
Sabemos então que Jung após classificar o investimento de energia do sujeito entre introversão e extroversão, percebeu que mesmo entre introvertidos ou extrovertidos existiam pessoas com formas de agir diferente, Jung então teve que dividir dentro de cada uma, outras quatro características, como se fossem subgrupos, e para esses grupos como já mencionado acima, o mesmo deu o nome de “Tipos Psicológicos”, que seria a forma como o individuo percebe ou julga o que está a sua volta sendo que o individuo possuiria todos os quatro Tipos Psicológicos”, no entanto, um seria aquele mais utilizado como função principal de acordo as características individuais de cada um.
Trazendo esses conceitos para campo da aprendizagem, a autora expõe de maneira bem clara nos parágrafos que sucedem.


Aprendizagem orientada nos Tipos Psicológicos.

Quanto às funções perceptivas existem aqueles que percebem o mundo através da função principal SENSAÇÃO, para esses seus cinco sentidos são mais bem utilizados do que as outras funções são realistas, detalhistas voltados para o “aqui agora”, ou seja, o presente. Também não são muito adeptos de teorias, preferindo as matérias, ou aulas mais práticas, a função do professor para motivá-los será enfatizar a parte prática de um assunto teórico. (Lessa, 2011)
Os INTUITIVOS são curiosos, valorizam sua inspiração, e seus “pressentimentos”, são pouco práticos, gostam de sugerir mudanças, novas formas de executar as atividades sem muito detalhe, se sentem confortáveis quando estão descobrindo novas possibilidades para problemas, contribuindo para o bom andamento do trabalho. (Lessa, 2011), os mesmos percebem o mundo pelo “sexto sentido”: valorizam a inspiração e os pressentimentos.
Costumam ser curiosos, preferem sugerir novas formas de apresentar o mesmo tema. Nas escolas, podem prestar boa contribuição ao participar de forças-tarefa para melhorar aspectos gerais da instituição.
Afinal, sua zona de conforto está em descobrir novas possibilidades para um problema. Livros de ficção alimentam o prazer das crianças intuitivas.
A diferença de percepção entre alunos intuitivos e sensoriais é grande.
O intuitivo possui a visão do todo, enquanto o sensorial percebe o detalhe.
Um vê a floresta e o outro, as árvores, ambos se completam nas atividades de ensino, podem realizar com facilidade o trabalho em grupo por possuírem maneiras distintas de percepção do problema (Lessa, 2011)
Sensoriais, tendem a considerar aulas teóricas um tédio, e gostam de aulas programadas, enquanto que o lado prático com base teórica não agrada aos intuitivos, que preferem a matéria dada de forma ágil. (Lessa, 2011)
Quanto à função PENSAMENTO, sugere para aquele que a tem como principal, objetividade, crítica, e uma característica mais analítica, são impessoais, procuram ser racionais em suas decisões sendo mais objetivos, por serem mais sinceros, por vezes podem criar dificuldades, quando lidam com pessoas mais sentimentais, e por serem transparentes não se preocupam com diplomacia, o que desperta antipatia de outros. (Lessa, 2011)
Por fim o SENTIMENTO como função principal, são àqueles que o possuem o foco em pessoas, consideram valores para tomar decisões, sua lógica é a do “coração”, mais sensíveis aos problemas dos colegas, têm certa dificuldade para lidar com conflitos, costumas levar para o lado pessoal a crítica de um colega ou professor, por vezes fazem as coisas pelo prazer de agradar. (Lessa, 2011)
Para Lessa 2011, é de suma importância que o processo de aprendizagem propicie ao aluno a capacidade de exercitar seus processos favoritos, ficando atentos quando alunos intuitivos enfrentam o excesso de rotina, sensoriais não têm oportunidade de lidar com atividades práticas, pensadores não são permitidos a argumentar, e os sentimentais sofrem com o excesso de alunos.

“Durante muitos anos os alunos foram penalizados, responsabilizados pelo fracasso, sofriam punições e críticas, mas, com o avanço da ciência, hoje não podemos nos limitar a acreditar, que as dificuldades de aprendizagem, seja uma questão de vontade do aluno ou do professor, é uma questão muito mais complexa, onde vários fatores podem interferir na vida escolar, tais como os problemas de relacionamento professor-aluno, as questões de metodologia de ensino e os conteúdos escolares.” (Silva, 2011)

De maneira sintética Catholico (2009), faz uma importante analise no cenário atual da aprendizagem, para ele hoje se faz necessário entender o verdadeiro papel, ou missão da escola, que passa a não tratar mais o aluno como uma massa amorfa, despersonalizados, e preciso focalizar o individuo, como sujeito original, singular, diferente e único, dotado de inteligências múltiplas, que possui diferentes estilos de aprendizagem, consequentemente diferentes habilidades e formas para resolver problemas.
Diferente e único; dotado de inteligências múltiplas, que possui diferentes estilos de aprendizagem e, consequentemente, diferentes habilidades para resolver problemas (CATHOLICO, 2009).


Concluindo.

“Nossa!” O parágrafo iniciado com uma palavra seguido do ponto de exclamação é para tentar mostrar o real entendimento que se tem ao realizar uma breve leitura a que se propôs o trabalho. Se for por intermédio da aprendizagem que nós nos conectamos ao mundo, é com ela que entendemos qual o nosso papel no ambiente em que estamos inseridos, e que sem ela não é possível essa inserção de modo ou maneira saudável, como é possível admitir ainda hoje que a mesma seja negligenciada não se dando a verdadeira importância que se deve.
O que se percebe é que a forma como se coloca a aprendizagem evoluiu sim, e muito, até porque existem formas e mais formas de se colocar a aprendizagem de maneira mais eficiente, partindo de métodos empíricos até métodos mais construtivistas, todavia o que realmente acontece nos dias de hoje, é um verdadeiro desleixo, ora por falta de comprometimento das pessoas envolvidas no processo, ora por não possuírem capacitação adequada necessária, ou outros motivos diversos.
Ainda no que competem as pessoas envolvidas no processo, cabe não se esquecer de realçar a importância do professor, tutor, instrutor, ou qualquer outro sinônimo para aquele que geralmente conduz esse processo de aprendizagem, estando à frente não como responsável único pela aprendizagem, mas como um facilitador desse processo, onde o aprendiz deve ser encarado como personagem principal do processo, e que fica a cargo do condutor ter como objetivo auxiliar o aprendiz no que tange a sua competência, e capacidade sobre o conteúdo transmitido.
A figura de professor figurou por muito tempo, e ainda figura em alguns casos como personagem principal no processo de aprendizagem, o mesmo era visto como o fator mais importante se não o único responsável pelo progresso do aprendiz, contudo, percebe-se hoje um movimento de retirada de maneira desordenada dessa figura de tal patamar, o que se percebe é que o papel do professor transita ou transitou por extremos, deixando de ser o “protagonista”, para passar a ser o “coadjuvante’’.
Seguindo o proposto por Jung, a figura do professor se faz sim muito necessária ao processo por aquela responsável por direcionar de maneira mais eficiente a forma de aprendizagem do seu aprendiz.
Referente ao tema desenvolvido Jung nos esclarece sobre o propósito de todo seu arcabouço teórico que trata “Tipos Psicológicos” instruindo que se faz necessário entender o aprendiz enquanto ser individual dotado de singularidades inerentes a sua personalidade, e  que o irão acompanhá-lo em todo seu processo de aprendizagem, fomentando também  que se esse processo for direcionado de forma adequada, dando ênfase à forma mais eficiente, ou mais específica e individual de cada aprendiz, o processo todo será mais eficaz.
Resumindo é passar a entender alunos individuais, e singulares, que possuem formas distintas de absorver o conhecimento, e não tratá-los como uma sala de aluno, dando um estímulo geral como se fossem idênticos entre si na maneira de agir e de pensar.
Já tratado no texto, mais aqui se faz mais uma vez importante relembrar, é que a proposta de Jung ao classificar indivíduos entre seus tipos psicológicos, não foi rotulá-los de maneira preconcebida, preconceituosa, o estereotipá-los, mas sim, entende-los melhor para melhor auxilia em seus processos, e aqui discutido, em seus processos de aprendizagem.
A exclamação iniciada nessa seção do texto serve também para verificar se hoje se dá o verdadeiro valor e importância a esse processo de aprendizagem, sim porque o que se verifica é que um processo tão importante na formação de um individuo, enquanto pessoa, passa por uma condição de sub importância, ou descaso, ficando as margens da sociedade enquanto massa.
Seria hora então de passarmos a entender a real importância de todo esse processo de aprendizagem, aplicando-o de maneira adequada, a cada individuo, contribuindo de maneira sistemática na formação do mesmo, para que possamos auxiliar também o bom desenvolvimento da sociedade, a tornando mais justa para àqueles que nela vivem.


Para saber mais sobre o assunto.

CATHÓLICO, Roberval Ap. MEDIAÇÃO DA APRENDIZAGEM DE FEUERSTEIN À LUZ DA APRENDIZAGEM DOS ESTILOS DE APRENDIZAGEM DE FELDER. In: Revista Eletrônica de Educação e Tecnologia do SENAI. São Paulo: v.4, n.8, mar. 2010.
FERREIRO, Emília. REFLEXÕES SOBRE ALFABETIZAÇÃO. São Paulo: Editora Cortez, 1996.
LESSA, Elvina. A CONTRIBUIÇÃO DA TIPOLOGIA DE JUNG NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM. In: Revista Aprender. São Paulo: Ano 3. nº 06. Novembro/Dezembro, 2003.
MYERS, David. INTRODUÇÃO A PSICOLOGIA GERAL. Rio de Janeiro: LTC- Livros técnico e Científicos Editora S.A. 1999, cap 4, p.533.
PFROMN NETTO, S. PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM E DO ENSINO. São Paulo: EPU; EDUSP. 1987.
PIAGET, Jean. A EPISTEMOLOGIA GENÉTICA. Paris: Martins Fontes, 2007. 136 p.
PLONKA, Márcia de Fátima. A TIPOLOGIA DE JUNG NAS EMPRESAS. Disponível em: <. symbolon.com.br/artigos/atipologia.htm>. Acesso em: 13 out. 2011.
SALTINI, Cláudio J. P. AFETIVIDADE & INTELIGÊNCIA. Rio de Janeiro: DPA, 1997.
SILVA, Nádia Maria Dias da. DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM. Disponível em: <www.colegiosantamaria.com.br/santamaria/aprenda mais/artigos/ver.asp?artigo_id=1>. Acesso em: 30 out. 2011.
WEISZ, Telma. O DIÁLOGO ENTRE O ENSINO E APRENDIZAGEM. São Paulo: Ática, 2002.
WEISS, Maria Lucia Lemme. Palestra realizada a 16 de junho de 2007 Seminário da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOPEDAGOGIA. Seção Rio de Janeiro.


Texto: Leila Letícia da Silva.
Psicóloga, atua em treinamento e seleção na área de segurança pública.
Pós-Graduanda em Psicopedagogia Institucional pelo INEC/UNICSUL.

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