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Para entender a história... é uma publicação técnico-científica on-line independente brasileira, indexada pelo IBICT, Latindex, CNEN e LivRe; no ar desde sexta-feira 13 de Agosto de 2010.
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Atividade Lúdica em Psicopedagogia: o jogo e a aprendizagem.


Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 3, Vol. fev., Série 27/02, 2012, p.01-20.

O presente artigo faz parte da Monografia de Conclusão de Curso de Pós-Graduação em Psicopedagogia Institucional pelo INEC/Universidade Cruzeiro do Sul, orientada pelo Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.


Os professores de Educação Infantil, devem através do jogo, facilitar a aprendizagem e o desenvolvimento da criança nos aspectos físico, cognitivo, motor, social, político, nas idades iniciais, ou seja, inicialmente na escola, pois a Educação Infantil tem a função de promover a construção do conhecimento, assim como todos os outros níveis de educação, pois desta construção depende o próprio processo de constituição dos indivíduos que, freqüentam a escola.
O jogo pode ser considerado um recurso pedagógico para a Educação Infantil, uma vez que através dele a criança aprende sobre a natureza, eventos sociais, a dinâmica interna.

E a estrutura do grupo, através do jogo, ela consegue também entender o funcionamento dos objetos e explorar suas características físicas.

Os jogos se configuram a inúmeras brincadeiras infantis.
A criança repete no jogo as impressões que vivência no cotidiano.
O jogo é uma atividade que a criança necessita para atuarem tudo que a rodeia e desenvolva seu conhecimento.
Este estudo objetiva refletir e analisar sobre a influencia dos jogos, verificando suas contribuições para o processo ensino-aprendizagem.
Nesta pesquisa foi feito em resgate teórico sobre o jogo e sua crescente valorização dentro da Educação, como um recurso que contribui para a formação global da criança, desmistificando a idéia de usar jogos apenas como entretenimento nas horas vagas.
Será enfatizado as características dos jogos, segundo Piaget, o que permite identificar e adequar os jogos às fases do desenvolvimento da criança.


JUSTIFICATIVA.
O ensino-aprendizagem no decorrer dos anos vem sofrendo mudanças na metodologia de ensino buscando formas que facilitem o trabalho do professor no processo de aprendizagem.
As mudanças referentes aos recursos didáticos, principalmente os pedagógicos, incluem os jogos que, quando usados adequadamente tornaram a aprendizagem menos mecânica e mais significativa e prazerosa para o aluno.
Se voltarmos para a escola antiga, veremos que o desenvolvimento cognitivo, afetivo e motor, acontecia de forma mecanizada, pela falta de melhores informações e formações dos professores pelo potencial do educando e de suas experiências cotidianas, incluindo as brincadeiras e os jogos entre outros que quando valorizadas certamente facilitariam a aprendizagem.
Essa forma dirigida de educação dificulta a integração aluno-escola, já que muitas vezes distanciava da realidade social, cultural e econômica da criança, refletindo assim, no seu desenvolvimento cognitivo.
Os jogos em épocas passadas eram utilizados nas escolas apenas como recreação e fora dela como lazer.
Sabe-se, porém que, os jogos além de proporcionar prazer e alegria exercem também papel importante no desenvolvimento intelectual do aluno quando aplicado adequadamente.
À medida que a escola dá oportunidade à criança de experimentar o concreto utilizando os jogos de maneira pedagógica, faz com que as experiências acumuladas lhe proporcionem a formação de conceitos como: semelhanças e diferenças, classificação, seriação e a partir desses conceitos tem como condições de descrever, compara e representar graficamente.
Nos tempos atuais ainda existem muitas escolas que funcionam no sistema tradicional de ensino, limitado a ação educativa do educando, deixando de incluir no planejamento educacional, atividades que priorizem os movimentos livres e espontâneos do educando. Outras, embora usando métodos tecnológicos modernos, também inibem o lado criativo do educando , causando muitas vezes prejuízo na aprendizagem.
Uma boa aprendizagem se dá através da motivação estimuladora e criativa proporcionando assim prazer em aprender.
Partindo das experiências vividas em sala de aula, de leituras e depoimentos de professores envolvidos no trabalho de educação infantil tendo como um dos recursos os jogos, para serem utilizados nas aulas, porém sem saber como utilizá-los e quais as suas contribuições para a aprendizagem da criança o que surgiu essa primeira grande questão da minha proposta de pesquisa.

Diante dessas questões iniciais, surgem outras questões que nortearam essa pesquisa:
▪ Quais jogos são adequados para as diversas faixas etárias da Educação Infantil?
▪ Quem é o aluno que vai ser trabalhado?
▪ Em que faixa etária se encontra?
▪ Em que estágio cognitivo se encontra?
▪ Quais são seus interesses e necessidades?
▪ Quais as dificuldades encontradas pela criança de 1 a 6 anos no processo de socialização na escola?
▪ Através da quais jogos poderíamos facilitar o processo de aprendizagem da leitura e da escrita?

Tomando por base esses questionamentos é que pretendemos trabalhar o seguinte tema: “O jogo como inferência na aprendizagem de crianças de 0 a 6 anos”.
A necessidade de pesquisar este tema surgiu após alguns anos de experiência profissional com crianças na faixa etária de 4 a 6 anos.
Ao observarmos que as crianças gostavam do momento da brincadeira, verificamos que aprendizagem ocorria de forma prazerosa.
Com o passar do tempo acentuou a idéia de aprofundamento mo estudo sobre pré-escolar, principalmente quanto ao processo do desenvolvimento social, psicológico-motor de uma criança e como se processa a aprendizagem.
Dessa forma pretendemos nesta pesquisa, verificar de que forma o jogo infere na aprendizagem e quem a sua contribuição no desenvolvimento de habilidades, desenvolvimento social, político, moral, emocional e cognitivo de criança.
De acordo com o conhecimento empírico que temos acerca do assunto exposto anteriormente, sabemos da importância e da necessidade da aplicação do jogo no ambiente escolar, porém não sabemos ao certo deque forma aplicá-las nas classes, utilizando-nos de uma metodologia adequada para desenvolver um trabalho utilizando o lúdico como recurso e qual a idade mais adequada para sua aplicação, assim como o jogo.
Segundo PIAGET (1994), o conhecimento implica uma séria de estruturas construídas progressivamente através de contínua interação entre o sujeito, o meio físico e o social, portanto o ambiente escolar deve ser estimulante e favorecer essa interação, e para isso, deve o projeto político pedagógico da escola, estar fundamentado numa proposta de trabalho que tenha como características: processos dinâmicos subjacentes à construção das estruturas cognitivas.
Quando dizemos que a escola não valoriza o lúdico, queremos dizer que o brincar é uma atividade não produtiva, pois não gera lucros, nem produz objetos de valores próprios da sociedade em que vivemos.
Historicamente a pré-escola vem convivendo com duas situações extremas: ou é um mero espaço para recreação ou é um local de alfabetização forçada.
Mas hoje, estão se fortalecendo novas concepções que vêem a pré-escola como um ambiente que deve permitir à criança o seu desenvolvimento global, isto é, físico-social, intelectual e emocional.
Segundo o Referencial Curricular Nacional (1998), para a Educação Infantil, o desenvolvimento da criança acontece através do lúdico.
Ela precisa brincar, ter prazer e alegria para crescer, precisa do jogo como forma de equilíbrio entre ela e o mundo, portanto, a atividade escolar deverá ser uma forma de fazer e de trabalho, fazendo com que a criança tenha um desenvolvimento completo.
Coisa esquecida por grande parte dos adultos envolvidos no seu cotidiano, preocupados em sobreviver, e que através da escola procuram fazer com que as crianças também as esqueçam.
Criança, brincadeira, brinquedo, e jogo são indissociáveis, mas parece que nosso sistema escolar não consegue perceber isso.
Observamos de maneira bem geral, que o desenvolvimento e a espontaneidade da criança, fazem com que a escola a perceba como transgressora de uma ordem pré-estabelecida.
O seu brincar é desprovido da disciplina exigida pela escola e pelo adulto, os quais procuram imprimir no corpo infantil a obediência servil, impondo suas regras de comportamento, cerceando a criança de ser ela mesma, estabelecendo um verdadeiro jogo de poder.
Autoridade essa, que nada mais é, do que o próprio autoritarismo, o qual é repressivo e não garante a manutenção da ordem e da disciplina.
A escola ao exigir certa imobilidade da criança, reprime a necessidade que esta tem de se movimentar, de se expressar, de vivenciar corporalmente o ato educativo e de construir seu conhecimento a partir do próprio corpo.
Nossas escolas mantêm ainda hoje, a idéia de que a aprendizagem só se concretiza com o acúmulo de conhecimento, de conteúdos, que são repassados de forma aleatória para a criança, utilizando-se de técnicas e métodos duvidosos, onde o corpo não se encontra inserido no contexto educacional.
O corpo é considerado por educadores de postura tradicional como aquele objeto incômodo, que só serve para atrapalhar, fazer barulho, movimentar-se, tirar a concentração de todos nas salas de aula.
A escola deveria ser um lugar de alegria, de prazer, mas ao contrário carrega consigo uma parcela de sofrimento para a criança.
Os momentos de alegria na escola não e são em sala de aula, eles acontecem fora dela, nas áreas de recreio, em função das relações de amizade e companheirismo que se estabelece entre as crianças.
É fora da sala de aula, que a criança consegue ser ela mesma, um corpo que brinca, que joga bola, que sente, que percebe, que se expressa, que descobre e aprende na relação com o outro.
O prazer encontrado pelas crianças nas brincadeiras, precisa também ser encontrado por elas na sala de aula.
Mas para que este prazer se manifeste no interior da escola, acreditamos ser necessário, que todas as pessoas envolvidas com a educação da criança, precisam também, ver escola e o ato de ensinar em sintonia com o prazer.
A escola precisa perceber a criança como um ser em desenvolvimento e em constante movimento, dotada de um corpo.
O ato educativo não é somente mental, ao contrário, vincula-se diretamente ao corpo, em sua totalidade.
Se educar é liberar, então que educar é esta, que oprime e exclui o corpo do ato educativo?
Que educação é esta que proíbe a liberdade?
É necessário que o professor conheça as fases do desenvolvimento do aluno para verificar o que a criança já sabe e quais são as suas necessidades, a fim de sugerir atividades e elaborar perguntas no momento certo.
O que as crianças dizem e fazem podem contar muito ao professor a respeito do seu pensamento e sua inteligência.
O que não fazem ou não conseguem fazer, também pode contar muito a respeito de suas capacidades.
Segundo PIAGET (1994), em determinada fase da vida a criança passa por situações que muitas vezes não tem condições ainda de assimilar uma realidade por não possuir nesse momento estruturas mentais plenamente desenvolvidas, ela aplica os esquemas de que dispõe, reconstruindo o universo mais próximo, com o qual convive. 
Para PIAGET (1994), os jogos tornam-se mais significativos à medida em que a criança se desenvolve, pois a partir da livre manipulação de materiais variados, ela passa a reconstruir objetos, reinventar as coisas o que já exige uma adaptação mas completa.
Para ele essa adaptação que deve ser realizada na infância consiste em uma síntese progressiva da assimilação com a acomodação, e por isso que pela própria evolução interna os jogos das crianças se transformam pouco a pouco em construções adaptadas exigindo sempre mais trabalho afetivo.
Pensamos que para muitas escolas e professoras o jogo não é reconhecido como instrumento de contribuição e enriquecimento para o desenvolvimento do aluno; é usado isoladamente e desvinculado de objetos, vários fatores interferem na não utilização dos jogos, como a falta de conhecimento dos aspectos pedagógicos; o medo que o professor tem de errar, a falta de criatividade, questões sociais, políticas que interferem diretamente na vida das pessoas.


O JOGO NA INFÂNCIA.
Durante determinado período de nossa historia, os jogos infantis assumiram um papel relevante no que concernem as atividades cotidianas das crianças, apesar das restrições feitas pelos adultos, estas por sua vez não abandonavam suas brincadeiras, que perpetuavam a cada etapa de seu desenvolvimento físico, mental.
Entretanto os jogos na infância eram interpretados pela escola e pela família como atividades programadas para encerramento de ano letivo, comemorações diárias, recreação entre outras.
Estes jogos não eram entendidos como parte de um trabalho escolar e nem valorizado como prática educativa.
Percebe-se que tanto a escola quanto os adultos concebiam, a criança como um adulto em miniatura, tanto que por volta do século XII as crianças eram instruídas a desenvolver habilidades artísticas, manuais e intelectuais logo em seus primeiros anos de vida.
Hoje, com a nova perspectiva em relação aos jogos infantis, educadores e pesquisadores, da educação, incentivam a prática do jogo como forma de aperfeiçoar o desenvolvimento infantil.
Neste propósito os jogos que fazem parte de um recurso lúdico, estão adquirindo gradualmente uma nova dimensão.
Atualmente ganha um novo enfoque e está sendo integrado aos currículos escolares, deixando de ser considerado atividades secundárias e passando a ser pedagogicamente aceitos como parte dos conteúdos escolares.
Para que fizesse parte do currículo foi necessária uma investigação quanto aos seus significados durante o transcorrer da infância.
As fundamentações teóricas encontradas foram as de ordem psicológicas, filosóficas, biológicas e sócio-cultural.

Dentre elas destacamos:
“O estudo do jogo entre os animais” editado pela UNESCO (1979) com base nos trabalhos de CROOS e de LORENZ (1970), demonstrou que entre os animais irracionais como entre seres humanos, o jogo infantil está relacionado com o processo de maturação, embora haja marcantes diferenças de estados emocionais entre o momento do jogo e o desempenho de inúmeras atividades adultas.

*Florestam Fernandes apud MELO (1981), parece partilhar desta concepção ao ressaltar que pelo jogo e pela recreação, a criança se prepara para a vida, amadurece para se tornar um adulto em seu meio social.
*Makarenke (1981), educador soviético na série de conferências que proferiu em 1939, ressaltou a importância do jogo quando bem orientados.
*Wallon (1994), evidencia o caráter emocional em que os jogos se desenvolvem em seus aspectos relativos a socialização, a descoberta da relação com o outro que o jogo é capaz de propiciar.
*Freud apud MANONI (1983), referiu-se pela primeira vez a importância do jogo infantil em 1903 naquela oportunidade afirma que no jogo a criança cria o mundo dela, reordena suas idéias e as coisas do mundo.
*Vygotsky (1992), faz a seguinte afirmação: “Inicialmente, as primeiras ações lúdicas surgem com base na necessidade crescente da criança de dominar o mundo dos adultos”.

Os jogos favorecem o domínio das habilidades de comunicação, nas suas várias formas, facilitando a auto-expressão.
Encorajam o desenvolvimento intelectual por meio do exercício da atenção, e também pelo uso progressivo de processo mentais mais complexos, como a comparação e descriminação; e pelo estimulo á imaginação, que a criança faz através do jogo.
Dos vários pesquisadores que investigaram o desenvolvimento infantil nas áreas psicológicas ou da psicanálise na educação ou em outra área foi necessário abordar a relação da criança com o brinquedo, o jogo e as artes.
Esses são alguns dos aliados na tarefa de desenvolver a criatividade e a independência das crianças.
Segundo especialistas esses instrumentos dão possibilidades de formar pessoas independentes, capazes de recriar situações e não apenas repetir o que aprendem.
Conforme KISHIMOTO (1994), especialmente no campo da educação infantil, psicólogos e pedagogos tem dado grande atenção no papel do jogo na constituição das representações mentais e seus efeitos no desenvolvimento da criança especialmente na faixa etária de 0 a 6 anos de idade.
O autor afirma que, enquanto brinca, o ser humano vai garantindo a integração social além de exercitar seu equilíbrio emocional na atividade intelectual.
É na brincadeira também que se selam as parcerias, porém o aprendizado não deve estar presente só na escola, mas também como parte do dia-a-dia da criança, na medida que a criança progride em seu desenvolvimento e amadurecimento é necessário que ela manifeste o que é próprio da cada etapa de sua vida.


O JOGO NA TEORIA DE PIAGET.
O que é o jogo Para Piaget?
É a construção do conhecimento, principalmente, nos períodos sensório motor e pré-operatório. Agindo sobre os objetos, as crianças, desde pequenas estruturam seu espaço, seu tempo, desenvolvem a noção de casualidade chegando à representação e, finalmente a lógica (PIAGET, 1994).
O joga para PIAGET (1994), se dá num período paralelo ao da imitação, porém, enquanto nesta há uma predominância da acomodação, no jogo, a característica essencial é a assimilação.
“Se o ato de inteligência culmina num equilíbrio entre assimilação e acomodação, enquanto a imitação prolonga última por si mesma, poder-se-á dizer, inversamente, que o jogo é essencialmente assimilar, ou assimilação predominando sobre a acomodação” (p.115).
Ao ressaltar a importância do jogo, Piaget o focaliza no momento em que a criança, ao relacionar-se com o mundo dos adultos, percebe as coisas de forma estranha, pela falta de compreensão da realidade que a cerca, por exemplo, algumas regras, atitudes e conceitos que lhe são determinados (hora de dormir, comer, tomar banho, não mexer em certos objetos etc.).
Por isso ela procura satisfazer suas necessidades afetivas e intelectuais, assimilando o real a sua própria vontade, resultando daí um equilíbrio pessoal do mundo físico e social promovido pelos mais velhos.  
Dessa forma PIAGET (1994), percebeu que o jogo e os mecanismos envolvidos na construção da inteligência, PIAGET (1994) destacou também, a influencia afetiva do jogo espontâneo como instrumento incentivador e motivador no processo de aprendizagem, já que este dá a criança uma razão própria que faz exercer de maneira significativa sua inteligência e sua necessidade de investigação.


O DESENVOLVIMENTO DO JOGO.
Desde o período de recém-nascido a adaptação da criança ao mundo exterior as faz primeiro pelas suas ações reflexas, que darão inicio a esquemas sensório motores fundamentais para o desenvolvimento do jogo na vida do ser humano.
É justamente nos comportamentos sensório motores que o jogo se origina.
Porem, no período de 0-1 mês, quando os exercícios dos reflexos prolongam unicamente a prazer de mamar, consolidando o próprio funcionamento desses reflexos, torna-se difícil considerá-los como verdadeiros jogos.
Mesmo que as reações circulares primarias que ocorrem no período de (1 a 4 meses) não apresentam um aspecto lúdico devido à repetição feita pela criança nos movimentos que produziram um efeito inesperado relativo ao seu próprio corpo pode-se dizer que a maior parte se prolonga em jogos, pois após ter manifestado pela sua seriedade uma grande atenção e um esforço de acomodação, a criança mentem-se no processo de assimilação, repetindo suas ações unicamente pelo prazer que esta repetição lhe proporciona.
Quando seu aspecto reflete o prazer da ação sem a expectativa de obter resultados, a reação circular primaria deixa de construir um ato de adaptação completo para originar um prazer de assimilação pura e simplesmente funcional, ou seja, pensamento dirigido pela preocupação da satisfação individual.
No período de aproximadamente 4 a 8 meses, fase das reações circulares secundárias da criança repete determinados movimentos que tenham produzido um efeito inesperado no ambiente.
Esta repetição tem o objetivo de manter este efeito descoberto por acaso; a diferença entre o jogo e a assimilação intelectual aparece um pouco mais clara.
Desde o momento em que as relações circulares já não são dirigidas somente ao corpo da criança, mas também aos objetos manipulados por ela, verifica-se que o interesse e o esforço adaptativo, típicos de uma nova reação circular iniciada.
São transformados em jogo.
Depois que a criança realiza uma ação e procura compreende-la como se estivesse analisando algo de extraordinário, ela repete esta mesma ação sem qualquer finalidade, restando somente à satisfação de agir sobre a atividade e o prazer que dela emana.
Aí a atividade já não é processada pela acomodação e sim pela assimilação à atividade própria sem consistir, portanto, em nenhum esforço de compreensão.
No período de 8 a 12 meses, fase de coordenação de esquemas secundários, aparecem duas novidades relacionadas ao jogo.
A primeira, se dá no momento em que a criança, ao deparar-se com situações novas, utiliza esquemas já conhecidos que serão capazes de se prolongar em manifestações lúdicas quando estas mesmas manifestações forem executadas por assimilação pura, quer dizer, pelo prazer de agir e sem esforços de adaptação tendendo a uma finalidade; a segunda, a utilização móvel dos esquemas, possibilitará a formação de verdadeiras combinações lúdicas, fazendo com que a criança não mais passe de um esquema a outro para explorá-los sucessivamente, como na situação anterior, mas, sim, para garantir-se deles e sem nenhum esforço d adaptação.

Ao descrever uma observação o Piaget diz que:
“Uma criança executa ritualmente todos os gestos habituais do inicio o sono (deitar-se de lado, chupar o polegar, agarrar a franja do travesseiro), simplesmente, porque este esquema foi evocado ao sabor das combinações. Entende-se facilmente como essa ritualização prepara a formação dos jogos simbólicos: bastaria, para que a criança, em vez de desenrolar simplesmente o ciclo dos seus movimentos habituais, tivesse consciência da ficção, isto é, fingisse que dormia” (1978, p. 123).

Com o surgimento das reações circulares terciárias criança não se detém apenas em reproduzir uma ação interessante, mas é capaz de variá-la no momento em que a repete.
Enquanto no período anterior a criança repetia e associava os esquemas já formados com uma finalidade não lúdica, na idade de 12 a 18 meses os esquemas constituem-se quase que imediatamente em jogos e manifestam-se numa variedade maior de combinações de gestos que não têm relação entre si.
Mesmo que nessas ações não haja consciência do  faz-de-conta, porque a criança reproduz esquemas sem aplicá-los simbolicamente a novos objetos, pode-se notar aí um esboço de símbolo de ação.
Ao inventar novos meios através de combinações mentais à criança, no período de 18 a 24 meses já penetrou no processo de representação mental devido ao surgimento do símbolo lúdico que se transformou em esquema simbólico, caracterizando assim o inicio do  faz de conta.
Este simbolismo que se iniciou no período sensório motor e estenderá aproximadamente até a idade de 7 anos, dominando assim o período pré-operacional.
Por exemplo: brinca com um pedaço de pau fazendo de conta que é um cavalo.
Este procedimento evolui predominantemente até os 4 anos.
É importante entender que o esquema simbólico surge mediante a assimilação de um objeto qualquer ao esquema representado e ao seu objetivo inicial.
Isto significa que a diferença entre o “significante” e o “significado” está ocorrendo de forma progressiva. 
Enquanto o “significante” traduz a escolha de um objeto (pedaço de pau) para representar o objetivo inicial do esquema e pelos movimentos fictícios executados nele (fingir andar de cavalo), o “significado” é o próprio esquema como se representa na realidade (cavalgar de verdade) e também o elemento a que ele habitualmente se aplica (o cavalo).
Nesse exemplo há apresentação, porque o significante está separado do significado.
No período de 2 a 4 anos, aproximadamente, onde se verifica a presença dos verdadeiros jogos simbólicos, instala-se uma forma de jogo aparentemente diferente, caracterizada pela projeção de esquemas de imitação.
Anteriormente a este período o papel da imitação limitava-se à reprodução das ações do próprio sujeito ou à aplicação a novos objetos das condutas observadas em outra pessoa. Agora, a imitação está sujeita à assimilação lúdica.

Por volta de 4 a 7 anos, os jogos simbólicos começam a declinar, pois:
“ao aproximar-se ainda mais do real, o símbolo acaba perdendo o seu caráter de deformação lúdica para se avizinhar de uma simples representação imitativa da                                         realidade” (PIAGET: 1978, p.175).

Com a declinação dos jogos simbólicos, as regas começaram a se manifestar na criança, mas é sobre tudo na idade de 7 a 11 anos, aproximadamente, período de pensamento operacional concreto, que o jogos de regras se constitui, pois ele é uma atividade lúdica do ser socializado que se estendera por toda a vida.
Para Piaget, no período operário concreto, o pensamento continua ligado à realidade empírica, porém há limitações.

Enquanto que outra estudiosa desta área, Richmon destaca que:
“Essas limitações não querem dizer que operações não podem ser executadas baseadas em experiências passadas ou num mundo de fantasia, como por exemplo, quando velhas experiências são criadas de novo em brincadeiras, ou quando o pensamento se relaciona com                                             fadas, gnomos ou anjos. Em tais casos, essas representações mentais podem estar sujeitas ai modos  pensamentos que estão operando nesse período” (ROSAMILHA: 1979, p.60).

Como podemos observar através das descrições feitas, o jogo se dá num processo evolutivo, concomitante ao período de desenvolvimento da inteligência na criança.
Para tanto, é necessário que a criança disponha de uma ambiente que lhe dê oportunidade de agir constantemente sobre os objetos, modificando-os ou reproduzindo-os de acordo com o seu interesse e fantasia.
Assim, conforme o comportamento da criança diante das pessoas e objetos que a circulam, Piaget propõe uma classificação dos jogos baseados na evolução das estruturas mentais, classifica com o seu interesse e fantasia.

1.      Jogos de exercícios – 0 a 1 ano
2.      Jogos simbólicos – 2 a 7 anos
3.      Jogos de regras – ápice aos 7 anos.

CLASSIFICAÇÃO DO JOGO.

a) Jogos do Exercício:
Os jogos de exercício, primeiro a aparecerem na vida da criança, não incluem intervenções de símbolos ou ficções e nem de regras; a criança executa simplesmente pelo prazer que encontra na própria atividade, e não com o objetivo a adaptação.
Principal característica do jogo nessa fase é o seu aspecto prazeroso.
E agir para satisfazer-se.
O prazer é o que trás significado par a ação: o bebe mama não para sobreviver, mas pelo prazer que o mama trás, à medida que alivia um desconforto, um desprazer.

Ao descrever a classificação e evolução dos jogos de exercício Piaget divide-os em duas categorias: jogos de exercícios sensório motores podemos distinguir três classes:
1)      Jogos de exercícios simples. Estes jogos se limitam  reproduzir fielmente um comportamento adaptado pelo simples prazer que se encontra em repetir tal comportamento. Quase todos os jogos sensório motores referentes ao período de 1 a 18 meses pertencem a essa classe. A criança usa nessa fase sensório-motora a imitação para se adaptar à realidade, aprender novas ações (estruturas) ou satisfazer uma necessidade por exemplo: quando tente, arrastar o corpo, chega próximo a um objeto que quer (aprendendo a engatinhar) ou quando tenta o “bá, bá, dá, dá” experimentando novas combinações de sons no espaço de imitar fonemas adultos. Os jogos de exercício não tem essa finalidade da imitação, sua finalidade é divertir e servir como instrumentos de realização de um prazer em fazer funcionar, exercitar, estruturas já aprendidas. Assim podemos exemplificar: quando uma criança sobe e desce inúmeras vezes uma escada, ela repete esta ação pelo único prazer que encontra em repetir.
2)      Combinações sem finalidade. A única diferença entre a primeira classe e a segunda baseia-se no fato de que a criança não se limita a exercer simplesmente atividades anteriormente adquiridas, mas passa a construir com elas novas combinações que são lúdicas desde o inicio.
3)      Combinações com finalidades. Assim podemos exemplificar a criança ao atirar vezes seguidas um objeto para fora do berço, andar pela casa toda por um período longo de tempo. Nesses jogos as combinações possuem uma finalidade predominante lúdica. Por exemplo: Ao pularem sobre os pneus, procuram descobrir novas formas de saltar, rolar livremente os pneus, passar por dentro (imitando túneo).

b) Jogo do pensamento:
Uma segunda categoria que divide os jogos de exercícios é a dos jogos de exercícios de pensamento.
Para estes podemos apontar as mesmas classes discutidas anteriormente.
E dentre elas encontramos todas as passagens entre o exercício sensório-motor, o da inteligência prática e o da inteligência verbal.
PIAGET (1994), exemplifica dizendo que uma criança tendo aprendido o formular perguntas, poderá se divertir pelo simples prazer de perguntar (exercício simples).
Por outro lado, poderá relatar algo que não existe pelo prazer de combinar as palavras sem finalidade (combinações sem finalidade).
Ou ainda pode inventar palavras ou descrições pelo simples prazer que encontra ao inventar (combinações lúdicas de pensamento com finalidade).

c) Jogos Simbólicos:
São jogos que implicam a representação isto é, a diferenciação entre significantes e significados.
No jogo simbólico há o prazer, a descoberta do significado, como no jogo do exercício, mas com acréscimo do símbolo.

A criança demonstra seu funcionamento simbólico, através de alguns comportamentos:
           ▪ Quando imita uma determinada situação, que presenciou em outro momento demonstra uma representação interna desse acontecimento;
          ▪ Quando brinca de faz-de-conta, transformando um objeto em outro, uma vassoura pode vir a ser, nas mãos de uma criança um cavalo, um lápis pode se tornar um avião;
            ▪ No jogo quando apresenta uma interpretação própria dos acontecimentos que fazem parte do seu dia-a-dia;
            ▪ Quando começa usar a linguagem para se expressar e se comunicar com os outros;
            ▪ Quando desenha, pinta, modela... a criança expressa aquilo que conhece e tem significado para ela.

É construindo representações que a criança registra, pensa, lê o mundo através do jogo simbólico, do faz-de-conta, a criança assimila a realidade externa adulta á sua realidade interna.
A hora do jogo é um momento carregado de significações.
A criança tem necessidade de vivenciar o jogo simbólico: quando a criança brinca, joga ou desenha, está desenvolvendo a capacidade de representar, de simbolizar.
Está interagindo com o mundo.
Está recebendo, internalizando ideias e sentimentos.
E está dando sua resposta criativa.
O jogo simbólico constitui uma atividade real essencialmente egocêntrica e sua função consistente em atender o eu por meio de uma transformação do real em função de sua própria satisfação: “jogo simbólico não é um esforço de submissão do sujeito ao real, mas, ao contrário, uma assimilação deformada da realidade do eu” (PIAGET: 1971, p.29).
Enquanto no jogo de exercício não há estrutura representativa especificamente lúdica, no jogo simbólico a representação está presente, havendo, portanto, uma dissociação entre o significante e o significado.

d) Jogo de regra:
Os jogos com regras aparecem numa etapa posterior aos jogos de símbolos.
Para uma criança de 2 ou 3 anos, o simples fato de subir os degraus de uma escada já é uma satisfação.
Ao passo que para uma criança de 6 anos, por exemplo, esta atividade só será atraente se envolver algumas regras determinando o procedimento: subir com um pé só, de dois em dois degraus, pulando etc.
São as regras que irão impor necessidades de maior ou menor atenção e regular o comportamento da criança.
Se nas primeiras brincadeiras infantis e naquelas que envolvem situações imaginarias o prazer está no processo, nos jogos com regras o prazer é obtido no resultado alcançado, e no cumprimento das normas.
São jogos que permitem a criança se autoregular.
E não em menor medida, se autoavaliar, uma vez que as regras são estabelecidas a priori, e estão à disposição para que todos os participantes as conheçam mesmo sendo uma atividade lúdica da criança socializada, o jogo de regra se desenvolve continuamente durante toda a vida.
Por isso seu aparecimento é mais tardio só se constitui entre os quatros e os sete anos, intensificando-se na idade de sete a onze anos.
Resumindo, os jogos de regras são jogos de combinações sensório-motoras ou intelectuais, com competição entre os indivíduos, fazendo com que a regra seja necessária.
Nessa categoria de jogo as regras podem ser transmitidas por gerações passadas ou podem ser estabelecidas por acordo entre os participantes no momento em que jogam.
Ao discutir ainda as categorias dos jogos, PIAGET (1971) diz que os jogos de construção não constituem uma categoria como os outros jogos acima descritos, mas eles são construídos pelo exercício, o símbolo e a regra.


O JOGO E A APRENDIZAGEM NA CRIANÇA DE 0 A 6 ANOS.
O presente estudo tem com finalidade analisar o desenvolvimento infantil (0 a 6 anos) relacionando as influencias do ambiente e da cultura estabelecendo um tipo de relação e de interação entre o sujeito e seu meio ambiente.
Para tanto, teremos como marco teórico os seguintes estudiosos: Henry Wallon, Jean. Piaget e Vygotsky, cada um privilegiando um determinado campo de relação da criança com o mundo, o que apresentam de forma descritiva e linear, não obstante a existência de pontos de interseção entre alguns deles.
Desvelaremos primeiro, a visão de Wallon; por segundo, Piaget e por ultimo Vygotsky.
Abordando assim, o desenvolvimento da criança, significar e conhecer as características comuns uma determinada faixa etária de 0 a 6 anos.
A criança não é um adulto em miniatura.
Ao contrario apresenta características próprias de sua idade, compreender isso é entender a importância do estudo do desenvolvimento humano.
Embora sofrendo várias influencias a criança apresenta ritmo próprio de princípios funcionando como determinante de todo o processo.
Segundo Wallon (1994), o estágio impulsivo emocional inicia no primeiro ano de vida e está ligado fortemente à emoção e a afetividade com as pessoas e a interação com o meio.
Afirma também que o estágio sensório-motor, que se estende até o terceiro ano, se volta para exploração sensório motora do mundo físico.
A criança conquista através da percepção todo o universo que a cerca, sente necessidade de explorar o espaço, porque é o momento em que o desenvolvimento de habilidade “andar” está no auge e a fala atinge uma verdadeira importância.
Neste estágio o termo projetivo está relacionado ao funcionamento mental que está florescendo na criança.
E um período em que se utilizam atos motores para auxiliar a exteriorização do pensamento.
Segundo PIAGET (1971), o conhecimento não pode ser concebido como algo predeterminado desde o nascimento (inatismo), nem como resultado do simples registro de percepções e informações (empirismo).
Resulta justamente das ações e interação do sujeito com o ambiente onde vive, para ele o conhecimento é uma construção que vai sendo elaborado desde a infância através de interações do sujeito com os objetos que procura conhecer, sejam eles do mundo físico ou cultural.
PIAGET (1971), enfatiza o desenvolvimento intelectual e divide os período de acordo com o aparecimento de novas qualidades do pensamento, o que por sua vez interfere no desenvolvimento global.
Caracteriza também, cada período por aquilo que melhor o individuo consegue fazer nas diversas faixas etárias.
Todos os indivíduos passam por todas essas fases ou períodos, nossa sequência, porem o inicio e termino de cada uma delas depende de características biológicas do individuo e de fatores educacionais e sociais.
Portanto a divisão nessas faixas etárias é uma referencia e não uma norma rígida.
O autor caracteriza de período sensório-motor do nascimento até os dois anos, neste período, a criança conquista através da percepção e dos movimentos, todo universo que a cerca, decorrendo o desenvolvimento inicial das coordenações e relações de ordem entre as ações, é o inicio de diferenciação entre os objetos e entre o próprio corpo e dos objetos.
Aos 18 meses, mais ou menos, constitui-se a função simbólica (capacidade de representar um significado a partir de um significante).
No estagio sensório-motor o campo da inteligência aplica-se a situações e ações concretas.
Ao longo deste período, ira ocorrer na criança uma diferenciação progressiva entre o seu e o mundo exterior. Se no inicio, o mundo era uma continuação do próprio corpo, os progressos da inteligência levam-no a situar-se como um elemento entre outros no mundo.
Isso permite que a criança, por volta de, um ano, admita que um objeto continue a existir.
Sua integração no ambiente dá-se, também, pela imitação das regras.
E, embora compreenda algumas palavras, mesmo no final do período só é capaz de fala imitativa.
O período que abrange a faixa etária de 2 a 7 anos é denominado pré-operatória, ou primeira infância, no inicio desse período, o mundo interior ainda prevalesse sobre as relações cooperativas com o outro.
Neste período o mais importante que acontece é o aparecimento da linguagem, que irá acarretar modificações nos aspectos intelectual, afetivo e social da criança.
As conseqüências mais evidentes da linguagem são sem duvida sua interação e a comunicação entre os indivíduos.
Com a formação da palavra, há possibilidades exteriorização da vida interior e, por tanto, a possibilidade de corrigir ações futuras.
A criança já consegue antecipar o que vai falar.
É importante também considerar que, neste período, a maturação neurofisiológica completa-se, permitindo o desenvolvimento de novas funções, como a coordenação motora-fina – pegar pequenos objetos com as pontas dos dedos, segurar o lápis corretamente conseguir fazer os delicados movimentos exigidos pela escrita.
Por outro lado, VYGOTSKY (1994), concebe o homem um ser que pensa, raciona, deduz e abstrai, mas também como alguém que sente, se emociona, deseja, imagina e se sensibiliza. Vygotsky não separa o intelecto do afeto, por que busca uma abordagem abrangente que seja capaz de entender o sujeito como uma totalidade.
Segundo o autor, são os desejos, necessidades, emoções, interesses, impulsos e inclinações do individuo que dão origem ao pensamento, e este por sua vez exercem influencias sobre o aspecto afetivo-cognitivo.
Como é possível observar, na sua perspectiva, cognição e afeto não se encontram dissociadas no ser humano, pelo contrario se inter-relacionam exercem influencia recíproca ao longo de toda historia do desenvolvimento do individuo.
Segundo VYGOTSKY (1994), as características tipicamente humanas não estão presentes desde o nascimento do individuo, nem são meros resultados das pressões do meio exterior.
Elas resultam da interação dialética do homem e o seu meio sócio-econômico.
Assim como o homem transforma o seu meio para atender suas necessidades, transforma-se a si mesmo, influenciando no seu comportamento futuro.
O autor comenta que a relação individuo sociedade apresenta uma integração dos aspectos biológicos e sociais do individuo.
A partir desse enfoque enfatiza que as funções psicológicas especificamente humanas se originam nas relações do individuo e seu contexto social cultural e social, ou seja, o desenvolvimento mental humano não é dado a priori, não é imutável e universal, não é passivo, nem tão pouco independente do desenvolvimento.


COMO A CRIANÇA APRENDE SEGUNDO JEAN PIAGET.
JEAN PIAGET (1896-1980), formado em Biologia e Filosofia dedicou-se a investigar cientificamente como se forma o conhecimento.
As condições sócio-econômicas desfrutadas por Piaget na Europa, especialmente na Suíça, permitem o desenvolvimento de pesquisas dentro do próprio ambiente familiar com seus filhos.
Então o contexto social no que o teórico vivia e proporcionava desenvolver pesquisas na qual a interação do individuo com o meio em que está inserindo é fator influente para o desenvolvimento do individuo.
Então, o contexto sócio-político apresentado na Europa nos dias de Piaget permita ao mesmo realizar diversos estudos com seus filhos.
Observa-se que o próprio lar de Piaget foi uma espécie de extensão da universidade e diante desse fato, conclui-se que as condições européias não só economicamente favoráveis, mas também socialmente permissivas contribuíram para o desenvolvimento das teorias interacionistas de Piaget.
Percebe-se que as condições políticas e sociais presentes em qualquer ambiente permitem que as pesquisar sejam realizadas com maior intensidade, como também de acordo com um ambiente harmônico o ser humano desenvolve-se de maneira plena.  
Assim a partir de um ambiente economicamente favorável e harmônico no qual Jean Piaget criava seus filhos, favorecia o seu desenvolvimento.
Diante desse contexto apresentado na Europa permite-se afirmar que as teorias de Piaget salientam a importância de formar-se um ambiente saudável que permita o desenvolvimento do ser humano.
Porém isso não significa que as crianças dos países subdesenvolvidos não alcancem um desenvolvimento significativo, no entanto, o meio ambiente influenciará de modo atuante no progresso da mesma.
Ao estudar o desenvolvimento humano, Piaget salienta que existe certo equilíbrio do homem com o meio ambiente e através dele desenvolve-se a inteligência.
Segundo Piaget isso é feito por adaptação e organização.
A adaptação tem duas formas básicas: a assimilação e a acomodação.
Na assimilação, o individuo usa as estruturas psíquicas que já possui.
Porém se elas não forem suficientes, é necessário construir novas estruturas e assim é desenvolvida a acomodação.
Na assimilação e na acomodação pode-se reconhecer a correspondência prática daquilo que serão mais tarde a dedução e experiência.
Todavia na organização há uma articulação dos processos com as estruturas existentes e reorganiza todo o conjunto.
Desse modo compreende-se que o individuo constrói e reconstrói continuamente as estruturas que o tomam cada vez mais apto ao equilíbrio.
Assim os diversos estágios contribuem para a evolução do raciocínio.
Piaget definiu o desenvolvimento como sendo um processo de equilibrações sucessivas.
Porém esses processos embora continuo, é caracterizado por diversas fases, que segundo esse teórico passa por quatro etapas distintas: o sensório-motor, o pré-operatório, o operatório-concreto e o operatório-formal.
Neste período sensório-motor abrange do nascimento até aproximadamente os dois anos de idade, e nele a criança apresenta percepções sensórias, a qual é global.
A criança deixa-se levar pelas aparências, sem relacionar aspectos dos objetos, neste caso os esquemas sensórios-motores são construídos a partir de reflexos utilizados pelo bebê.
Neste período a criança é capaz de diferenciar os objetos, como também as concepções de espaço, tempo e causalidades começam a ser construídas.
A partir do aparecimento da função simbólica alterando a forma como a criança lida com o meio e anuncia uma nova etapa do seu desenvolvimento.
Ao aparecer à linguagem oral por volta dos dois anos, é chegada à fase pré-operatória que permite a criança dispor além, da inteligência, a possibilidade de desenvolver esquemas de ação interiorizadas que são os esquemas simbólicos.
O pensamento egocêntrico, voltado ao próprio sujeito é apresentado nesta etapa.
O pensamento pré-operatório indica, a inteligência ser capaz de ações interiorizadas.
Assim, o pensamento te como o ponto de referencia à própria criança.
Este período conforme é salientado por Piaget vai dos 2 aos 7 anos aproximadamente.
A criança deixa-se levar pela aparência, sem relacionar aspectos.
O pensamento é centrado em si mesma, não se conseguindo colocar no lugar do outro.
Percebe-se que Piaget associa o desenvolvimento humano articulado aos fatores biológicos do individuo.
Também as faixas etárias deste desenvolvimento podem variar, não obedecendo rigidamente às idades.
A concepção teórica de Piaget parte do principio que o desenvolvimento humano é determinado pelas ações mútuas entre o individuo e o meio.
No qual o homem recebe e responde aos estímulos externos agindo sobre eles para construir e organizar o seu próprio conhecimento de forma cada vez mais elaborada.
Para Piaget a escola desempenha um importante papel no desenvolvimento da criança. Porém a fim de contribuir com o desenvolvimento, a escola deve proporcionar um ambiente que permita a criança interagir e trocar conhecimentos a partir de sua realidade.
Segundo Piaget a linguagem é uma forma de representação e consiste num sistema de significações no qual a palavra funciona como um significante e permitem ao individuo evocar de forma verbal os objeto que lhe estão ausentes.
Observa-se que apesar de Piaget descrever os quatros períodos do desenvolvimento de maneira particularizada, o entanto a escola deve discernir estas fases na criança, de modo individualizado, pois há diferenças de maturação entre os seres humanos.
Também ao escutar a influencia do meio social no desenvolvimento da criança, a escola deve proporcionar um ambiente favorável ao mesmo, como também analisar o tipo de ambiente que a criança está inserida a fim de proporcionar condições para o aprendizado.


CONCLUINDO.
Procuramos neste trabalho, analisar a importância dos jogos no desenvolvimento da criança e de salientar a contribuição na aprendizagem infantil, visto que o jogo é uma atividade própria da infância podendo se desenvolver de maneira individual ou coletiva, contribuindo dessa forma com a socialização através das relações com seu eu e tudo que o cerca.
Os jogos trazem possibilidades de crescimento pessoal, pois quando a criança brinca ou participa de jogos, libera necessidades e interesses espontaneamente.
Após o levantamento bibliográfico, consta a importância do jogo para o desenvolvimento, aprendizagem e construção de conhecimento na Educação Infantil.
Durante a pesquisa verificou-se que existem diferentes tipos de jogos de acordo com cada faixa etária.
De zero a dois anos sensório-motor, jogos mais adequados são os funcionais, que trabalham o seu próprio corpo.
De dois a seis anos pré-operatório os jogos mais apropriados são os de fixação, imitação (faz de conta), construção (objeto) e de regras (obedece a regras básicas).
A criança utiliza uma lógica diferente para pensar em cada etapa da vida.
Segundo Piaget os estágios do desenvolvimento da criança aparecem em uma ordem necessária, esses estágios não podem ser interrompidos, pois um prepara o outro e são construídas sobre anteriores, as idades em que eles aparecem são relativas, o desenvolvimento de cada um depende da interação do sujeito com o seu meio.
Os resultados da pesquisa nos mostra a importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento humano.
A escola precisa estar bem estruturada porque exerce papel relevante na formação da vida futura, o convívio com outras pessoas é que a criança adquiri experiências, evolui no seu desenvolvimento e aprendizagem, experimentar, comparar, inventar, registrar, descobrir, perguntar, trocar informações reformular hipóteses, ela vai construindo o seu conhecimento sobre o mundo e desenvolvendo sua inteligência.
Esse processo diz respeito à totalidade da criança e a forma como ela se insere no mundo.
Segundo KISHIMOTO (1994) o desenvolvimento da criança deve ser entendido como um processo global, no brincar a criança esta andando, correndo, ou seja, desenvolvendo a sua motricidade paralelamente é um desenvolvimento social porque ela brinca com parceiros, com pessoas diferentes, nesse momento ela usa regras, adquiri informações, estabelece relações cognitivas, discute o que ela acha certo ou errado, nesse momento segundo a autora estamos lidando com o ser humano inteiro.
De acordo com os objetivos específicos propostos no que se refere à socialização da criança ela acontece se a escola estiver estruturada no seu todo para atender as necessidades da criança que deixa o lar e passa a viver em um mundo novo.
Para facilitar a aprendizagem da leitura e da escrita é necessário que o professor ofereça condições prazerosas para atrair a criança através de um trabalho pedagógico a partir de utilização de jogo infantil espontâneo.
No desenvolvimento do raciocínio lógico o jogo já deve obedecer a critérios.
É importante que o professor de Educação Infantil tenha consciência de que o uso de materiais lúdicos como recursos metodológicos há maiores possibilidades no desenvolvimento psicomotor, cognitivo e afetivo da criança.
É de grande importância que os professores responsáveis pela educação de crianças na faixa etária de 2 a 6 anos de idade, ao planejar suas atividades educacionais, observem fatores relevantes como os citados, e que acima de tudo desenvolvam atividades para as crianças que incluam os jogos o dê maior ênfase, pois o mesmo é um meio de liberar tensões, fontes de prazer, alegria, descontração, convivência agradável e busca o desenvolvimento integral no processo educacional, contemplando os objetivos de um programa moderno de educação para o pré-escolar.


PARA SABER MAIS SOBRE O ASSUNTO.
ALMEIDA, P. N. Educação lúdica, técnicas e jogos pedagógicos. São Paulo: Loyola, 1990.
ANDRADE, Regina Paula Cianci. Pré-Escola. A construção do conhecimento. Proposta de trabalho. São Paulo: Didática Paulista, s.d.
BORGES, Célio José. Educação Física para o pré-escolar. Rio de Janeiro: Sprint, 1987.
FARIA, Anália Rodrigues de. O pensamento e a linguagem da criança segundo Piaget. São Paulo: Atica, 1994.
KISHIMOTO, T. M. (org.). Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 2000.
“Para que serve a pré-escola” In: Nova Escola. São Paulo: 1990.
PIAGET, J. A formação do símbolo na criança, imitação, jogo, sonho, imagem e representação. São Paulo: Zahar, 1971.
VILA, Gladys B. de e MULLER, Marina. Brincadeiras e atividades recreativas. São Paulo: Paulinas, 1992.
VYGOTSKY, L. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Ícone, 1992.


Texto: Profa. Renata Aparecida Beviani de Souza.
Pós-Graduanda em Psicopedagogia Institucional pelo INEC/UNICSUL.

Um comentário:

  1. Adorei este texto que me ajudou muito nas minhas atividades.
    Obrigada

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Forte abraço.
Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.

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