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sábado, 4 de dezembro de 2010

Informática Educativa: algumas considerações.

Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 1, Volume dez., Série 04/12, 2010, p.01-06.


Hoje nos deparamos cada vez mais com a informatização da sociedade, desde mais tenra idade, as crianças travam contato com computadores, afinal vivemos na era da informação, com a disseminação dos meios de comunicação e da troca de conhecimentos pela internet.
A grande questão é: estão as escolas preparando os educandos para viver neste novo mundo?
Portanto, abordar o tema implica na discussão de questões e considerações ainda desconhecidas da grande parte dos educadores em todos os níveis de escolarização (no ensino fundamental, médio e superior).


O que é Informática Educativa?
Segundo o MEC (Ministério da Educação), Informática Educativa significa “a inserção do computador no processo de ensino-aprendizagem dos conteúdos curriculares de todos os níveis e modalidades da educação”.
O que inclui “os assuntos de determinada disciplina da grade curricular (...) desenvolvidos por intermédio do computador”.
Desta forma, podemos dizer que a Informática Educativa não é o ensino da manipulação do computador ou do procedimento de utilização de determinado software.
A Informática Educativa envolve a inclusão do educando na sociedade informatizada.
Neste sentido, deve integrar o conteúdo das disciplinas com a utilização da informática como recurso didático e pedagógico.
É óbvio que para cumprir este papel, a Informática Educativa exige do docente o domínio das técnicas computacionais, mas, antes de tudo, envolve discussões que pertencem ao campo da prática pedagógica e a filosofia do conhecimento.


A história do desenvolvimento da área.
A origem da expressão Informática Educativa e do seu conceito remonta a 1971, quando uma universidade americana (Dartmouth) começou a discutir a possibilidade do uso de computadores, em sala de aula, no ensino de física.
O Brasil acompanhou a tendência e discutiu o assunto pela primeira vez em 1973, na “I Conferência Nacional de Tecnologia Aplicada ao Ensino Superior”, realizada no Rio de Janeiro.
A partir desta conferência, computadores passaram a ser usados como recurso didático no ensino superior de química na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
No entanto, faltavam no Brasil softwares originais, principalmente educativos, o que deu origem a um núcleo de pesquisa para construir uma base que garantisse uma real capacitação nacional, ainda em 1973, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Pouco depois, integrada ao núcleo de desenvolvimento de softwares da UFRGS, foi criado o Laboratório de Estudos Cognitivos do Instituto de Psicologia (LEC), o qual procurou apoio nas teorias de Piaget para discutir a aplicação da informática como recurso didático.
Em 1975, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) iniciou uma cooperação técnica com o Laboratório de Mídia da Massachussets Institute of Technology (MIT), criando um grupo interdisciplinar para pesquisar o uso de computadores na educação.
Em âmbito governamental, na década de 1970, a União criou a Comissão Coordenadora das Atividades de Processamento Eletrônico (CAPRE), a Empresa Digital Brasileira (DIGIBRAS) e a Secretária Especial de Informática (SEI), este último um órgão executivo do Conselho Nacional da Presidência da República.
Apesar de criadas durante a ditadura militar, estas instituições federais regulamentaram o uso da informática, incentivando a proliferação de centros de pesquisa aplicados a Informática Educativa.
A cultura nacional de informática na educação foi se ampliando a ponto de gerar dois seminários internacionais no Brasil em 1981 e 1982, discutindo o uso do computador como ferramenta auxiliar no processo ensino-aprendizagem.
A partir de 1982, o MEC assumiu o compromisso de criar mecanismos para possibilitar o desenvolvimento de estudos abordando a questão.
No mesmo ano, foram elaboradas as primeiras diretrizes ministeriais para o setor, no III Plano Setorial da Educação e Cultura.
O que deu origem em 1986 ao Projeto EDUCOM (Programa de Ação Imediata em Informática na Educação de 1º. e 2º. Grau), o qual pretendia implantar infra-estrutura de suporte nas secretárias estaduais de educação, nas escolas técnicas federais e nas universidades.
A idéia era incentivar a formação de agentes multiplicadores, centrando o foco nos educadores primeiro, para, depois, disseminar o uso da informática entre os educandos em geral.
Em 1987, o governo federal iniciou o Programa de Ação Imediata, liberando recursos para a informatização das escolas brasileiras.
Para acompanhar a tendência, o MEC criou cursos de especialização latu-sensu em Informática Educativa, primeiro na Unicamp, depois nas universidades federais, visando capacitar professores.
Ao final de 1988, a Organização dos Estados Americanos (OEA), através de seu departamento de Assuntos Educativos, reconhecendo o esforço brasileiro na área, convidou o MEC para participar de uma cooperação multinacional envolvendo outros países latino-americanos.
Uma comissão do MEC visitou o México, observou os projetos existentes e passou a se espelhar neles para implantar novos projetos no Brasil.
Em 1989, o governo federal brasileiro implantou o Programa Nacional de Informática Educativa, com a finalidade de “desenvolver [a área], através de projetos e atividades, articulados e convergentes, apoiados em fundamentação pedagógica sólida e atualizada, de modo a assegurar a unidade política, técnica e cientifica imprescindível ao êxito dos esforços e investimentos envolvidos”.
A partir de então, com a disseminação do conceito de sociedade da informação, a evolução tecnológica e o barateamento dos computadores, a informática Educacional foi se disseminando, sendo implantada nas escolas de todos os níveis dentro do contexto da inclusão social.


Objetivos da informática na educação.
Dentro do âmbito da globalização, onde as informações estão fortemente disponíveis pela rede mundial de computadores, a Internet; onde a comunicação entre as pessoas foi facilitada pela informática, aproximando e derrubando fronteiras; a inclusão social passa necessariamente por este meio.
Assim, um objetivo e desafio primordial da Informática na Educação é a facilitação do acesso.
Entretanto, para isto, necessita familiarizar o educando e instrumentalizá-lo para integrar a sociedade da informação.
É neste sentido que, mais que meio ou recurso didático, o uso do computador em sala de aula pretende sensibilizar o educando para que se perceba como parte de um contexto mais amplo, instigando a curiosidade e a vontade de aprender por si só.
O que encontra respaldo nas teorias de Dewey, Paulo Freire, Piaget, Skinner e Vigotsk.
Além de fomentar o autodidatismo, essencial a sobrevivência do individuo no mundo globalizado, a informática na educação objetiva estimular a interdisciplinaridade, quebrando o paradigma fordista, para tentar retomar a tendência humanista dos renascentistas.
Estimulando a reflexão interdisciplinar, a Informática Educativa pretende transmitir conteúdos de uma forma mais leve e instigante, usando brincadeiras e jogos como recurso didático e, sobretudo, desenvolvendo o raciocínio lógico do educando.


Informática e raciocínio lógico.
Segundo a teoria do desenvolvimento cognitivo de Piaget, o desenvolvimento lógico é composto por quatro estágios, cada um representando transformações cognitivas da criança.
Neste modelo teórico, o sistema cognitivo interage com o ambiente, captando e processando dados, ampliando a capacidade de utilizar as informações, constituindo dois momentos, chamados por Piaget de assimilação e acomodação.
A assimilação implica em interpretação e construção de dados externos que devem ser incorporados aos conhecimentos pré-existentes.
A acomodação, por sua vez, modifica o sistema cognitivo para adequar-se ao que é percebido como dado externo.
A partir deste mecanismo, a criança passa pelo estágio sensório-motor, o pré-operatório, o operatório e o formal.
Pensando nos dois últimos estágios, quando o pensamento lógico se desenvolve, a criança começa afazer simulações e ensaios, levantando hipóteses e criando generalizações.
O uso de alguns softwares permite que a criança desenvolva seu raciocínio lógico, através da assimilação e acomodação, pela tentativa e erro, possibilitando simular situações da vida real, sem correr riscos concretos.
Permite que o educando se depare com novas situações e problemáticas, instigando a resolução de problemas.
Como fazer isto é a grande questão?


Concluindo: trabalhando com o computador.
Ao observar a Informática Educativa, independente da disciplina ou área do conhecimento, a questão que emerge na mente do professor é: como trabalhar com o computador em sala de aula.
Uma alternativa seria utilizar o recurso da programação, usar softwares de planilhas eletrônicas, por exemplo, para instrumentalizar o educando para o mundo do trabalho.

A grande desvantagem é a aridez deste recurso.

O que remete ao uso de softwares de ensaios e simulações, jogos usados para que as crianças apreendam brincando, tal como aqueles que exigem que seja administrada uma cidade ou gerenciada uma civilização.
Além disto, o computador pode ser usado pelo educador para estimular a resolução de problemas de várias ordens, indo desde uma equação, passando pela tradução de um texto, até a manipulação de figuras.
Não menor é a importância ao estimulo da consulta de dados através do computador, usando a Internet em enciclopédias e textos on-line para pesquisa.
Inclusive, seria interessante que o professor utilizasse o e-mail e um blog como meio de comunicação com seus alunos.
Não podemos esquecer que o computador está se tornando uma máquina de ensinar, chegando ao ponto de fazer proliferar a chamada tele-presença, com a troca de informações entre educandos pelas redes sociais.
 Os cursos EDA (Ensino a Distância), neste contexto, possuem forte tendência a ampliar sua atuação, mostrando os rumos que a educação tomará nas próximas décadas.
Por isto, os educadores necessitam adentrar este universo, multiplicando o conhecimento através do computador.


Para saber mais sobre o assunto.
BOUSSUET, G. O computador na escola. Porto Alegre: Artes Médicas, 1985.
LÉVY, P. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.
PAPERT, S. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.


Texto: Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.

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Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.

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