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Para entender a história... é uma publicação técnico-científica on-line independente brasileira, indexada pelo IBICT, Latindex, CNEN e LivRe; no ar desde sexta-feira 13 de Agosto de 2010.
Não possui fins lucrativos, seu objetivo é disseminar e difundir o conhecimento através de artigos com qualidade acadêmica e rigor cientifico, mas linguagem acessível ao grande publico.

Periodicidade: Semestral (edições em julho e dezembro) a partir do inicio do ano de 2013.
Mensal entre 13 de agosto de 2010 e 31 de dezembro de 2012.

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segunda-feira, 9 de julho de 2012

A dislexia na visão do psicopedagogo: uma abordagem das dificuldades em administrar os métodos ensino-pedagógicos.


Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 3, Vol. jul., Série 09/07, 2012, p.01-11.

O artigo faz parte da Monografia de Conclusão de Curso de Pós-Graduação em Psicopedagogia Institucional pelo INEC/Universidade Cruzeiro do Sul, orientada pelo Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.


O objetivo deste trabalho é de compreender a concepção do profissional da área de Psicopedagogia sobre o termo dislexia, bem como as estratégias utilizadas para desenvolver o plano de trabalho psicopedagógico com clientes disléxicos.
O disléxico precisa de acompanhamento no seu processo de aprendizagem. 
Com o trabalho destes profissionais, visa buscar caminhos para que seja feita a identificação precoce da dislexia, a partir do momento em que seja detectado algum problema de leitura desde a educação infantil e início do ensino fundamental, pois um dos grandes problemas enfrentados pela escola é a dificuldade na leitura e escrita, o que tem levado muitas crianças a abandonar os estudos por não conseguir superar essa dificuldade.
 

Introdução.
O presente trabalho tem por objetivo compreender a concepção do profissional da área de Psicopedagogia sobre o termo dislexia, bem como as estratégias utilizadas para desenvolver o plano de trabalho psicopedagógico com alunos disléxicos.
A dislexia é um dos vários distúrbios de aprendizagem relacionado à leitura e à escrita que deve ser diagnosticado por uma equipe multidisciplinar.
O disléxico precisa de acompanhamento no seu processo de aprendizagem.
A concepção de dislexia das psicopedagogas participantes desta pesquisa ressoam a definição dada pelos autores, pelas instituições e pelos órgãos que estudam este distúrbio de aprendizagem pouco conhecido.
A dislexia é um termo que pertence ao campo da lingüística clínica ou mais precisamente da psicolingüística ou psicopedagogia da educação escolar.
Assim considerada, o que se tem observado, no meio escolar, em grande parte, não é a dislexia evolutiva ou adquirida, mas uma dislexia pedagógica que poderíamos chamar aqui simplesmente de dificuldade de aprendizagem relacionada com a leitura (DAL).
Alguns dos principais pesquisadores na área de Psicopedagogia, entre os quais destacaria as investigações de Anne Van Hout  e Françoise Estienne (2001), consideram que a dislexia, ou mais exatamente as dislexias, são uns conjuntos de déficits cognitivos que têm sua origem na alteração cerebral que afeta uma ou mais funções que participam do processamento da leitura.
Os fatores que contribuem para os distúrbios de aprendizagem são vários e podem advir de causas endógenas ou exógenas. Entre eles incluem-se os físicos, os ambientais (incluindo educacionais) e os psicológicos.
Entre as condições físicas que podem contribuir para um distúrbio de aprendizagem incluem-se problemas visuais e auditivos, lateralidade e orientação e espacial confusas, imagem corporal má, hiperactividade, subnutrição e outros problemas físicos que podem inibir a capacidade de aprender da criança.
As condições psicológicas incluem distúrbios da atenção, percepção e discriminação auditiva ou visual inferiores, atraso ou distúrbio de linguagem, capacidade inadequada de pensamento, memória auditiva ou visual a curto, médio ou longo prazo deficiente e assim por diante.
Os fatores ambientais referem-se a condições no lar, comunidade e escola que podem afetar adversamente o desenvolvimento psicológico e acadêmico da criança.
Incluem-se experiências traumáticas, pressões familiares, inadequação do ensino ou falta da experiência escolar.
Entre um dos fatores de distúrbio de aprendizagem, a dislexia.
A grande polêmica acerca do tema Dislexia é por seu comprometimento neurológico, mas precisamos entender que pertencem à área da Saúde apenas a causa e a diagnose.
O reconhecimento das características precocemente, as conseqüências, as soluções e as adaptações pertencem à Educação.
Não existem disléxicos entre os analfabetos.
É nas salas de aula que a Dislexia se faz presente e o que é pior: de uma forma catastrófica e algumas vezes irreparável.
 

Como lidar com a dislexia em sala de aula.
Com base na Constituição Federal de 1988, em seu art.: 208, inciso III, proferiu o seguinte texto: “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”, amparando os educandos com dificuldades de aprendizagem relacionadas com a linguagem (dislexia, disgrafia e disortografia).
A Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, Diretrizes e Bases da Educação Nacional, uma lei derivada da Constituição Federal, fizeram a alteração da terminologia “portadores de deficiência” para “educandos com necessidades educacionais especiais”.
Estudaremos aqui as influências que interferem na educação escolar, como  os disléxicos que são portadores de necessidades educacionais especiais, apontando as dificuldades do aprendizado da leitura, que será tema de estudo do nosso trabalho.
A dislexia é a incapacidade parcial de a criança ler compreendendo o que se lê, apesar da inteligência normal, audição ou visão normais e de serem oriundas de lares adequados, isto é, que não passem privação de ordem doméstica ou cultural. Encontramos disléxicos em famílias ricas e pobres. (PSICOPEDAGOGIA).
Segundo GONÇALVES (2006) a dislexia é um distúrbio de aprendizagem que envolve áreas básicas da linguagem, podendo tornar árduo esse processo, porém, com acompanhamento adequado, a criança pode redescobrir suas capacidades e o prazer de aprender.
Daí a importância do psicopedagogo, numa instituição escolar, que é um dos profissionais que faz parte do grupo multidisciplinar de avaliação diagnóstica e no tratamento de alunos com dislexia.
Sabendo que o objetivo principal de todo sistema de educação consiste nas competências da leitura e da escrita, já que elas são as bases para as demais aprendizagens, (SILVA, SOUZA, CRUVINEL, [entre 2001 e 2007]) é mister que toda equipe escolar se sinta responsável para que todos os alunos alcancem estas competências.
Para Freitas (2009), insurge o quadro da dislexia, guarda “freqüente correlação biológica” e apresenta “deficiências cognitivas fundamentais de possível origem constitucional”.
Segundo definição da Word Federation of Neurology: A base biológica se refere a distúrbios funcionais localizados no hemisfério cerebral esquerdo (área que na maioria dos destros é responsável pelos processos de linguagem, de leitura e escrita), mais especificamente no plano temporal, que apresenta falta da assimetria habitual de tamanho e opera com nítida lentificação.
Segundo Silva (2009) dislexia é uma dificuldade específica de linguagem, que se apresenta na língua escrita.
A dislexia vai emergir nos momentos iniciais da aprendizagem da leitura e da escrita, mas já se encontrava subjacente a este processo.
É uma dificuldade específica nos processamentos da linguagem para reconhecer, reproduzir, identificar, associar e ordenar os sons e as formas das letras, organizando-os corretamente.
É freqüente encontrar outras pessoas com dificuldades semelhantes nas histórias familiares.
As causas da dislexia são neurobiológicas e genéticas.
São quatro as habilidades da linguagem verbal: a leitura, a escrita, a fala e a escuta. Destas, a leitura é a habilidade lingüística mais difícil e complexa.
A leitura é dos um processo de aquisição da lectoescrita e, como tal, compreende duas operações fundamentais: a decodificação e a compreensão.
A decodificação é a capacidade que temos como escritores ou leitores ou aprendizes de uma língua para identificarmos um signo gráfico por um nome ou por um som.
Esta capacidade ou competência lingüística consiste no reconhecimento das letras ou signos gráficos e na tradução dos signos gráficos para a linguagem oral ou para outro sistema de signo.
A aprendizagem da decodificação se consegue através do conhecimento do alfabeto e da leitura oral ou transcrição de um texto.
Conhecer o alfabeto não significa apenas o reconhecimento das letras, e sim, entendermos a evolução da escrita como: a) a pictográfica (desenho figurativo), a ideográfica (representação de idéias sem indicação dos sons das palavras) e a fonográfica (representação dos sons das palavras).
Toda palavra tem uma origem, uma motivação.
 

Tentando entender a dislexia.
Segundo Martins (2001), cerca de 15 milhões de pessoas no Brasil têm algum tipo de necessidade especial, as quais podem ser: mental, auditiva, visual, física, conduta ou deficiências múltiplas.
Para ele, dentre as dificuldades em aprendizagem a dislexia é a de maior incidência, merecendo como tal uma atenção especial por parte dos gestores das políticas educacionais, especialmente da educação especial.
 
De acordo com Martins (2001, p.04) , no plano da linguagem, os disléxicos fazem confusão entre letras, sílabas ou palavras com diferenças sutis de grafia:
 
A- como "a-o", "e-d", "h-n" e "e-d", por exemplo;
B- As crianças disléxicas apresentam uma caligrafia muito defeituosa, verificando-se irregularidade do desenho das letras, denotando, assim, perda de concentração e de fluidez de raciocínio;
C- As crianças disléxicas apresentam confusão com letras com grafia similar, mas com diferente orientação no espaço como " b-d". "d-p", "b-q", "d-b", "d-p", "d-q", "n-u" e "a-e". A dificuldade pode ser ainda para letras que possuem um ponto de articulação comum e cujos sons são acusticamente próximos: "d-t" e "c-q", por exemplo;
D- Na lista de dificuldades dos disléxicos, para o diagnóstico precoce dos distúrbios de letras, educadores, professores e pais devem ter atenção para as inversões de sílabas ou palavras como "sol-los", "som-mos" bem como a adição ou omissão de sons como "casa-casaco", repetição de sílabas, salto de linhas e soletração defeituosa de palavras.


Para Martins (2002), a linguagem é fundamental para o sucesso escolar, estando presente em todas as disciplinas e todos os professores são professores de linguagem, pois utilizam a língua materna para transmitir informações.
Um grande número de meninos e meninas que deseja aprender, alguns muito inteligentes; passa por sérias dificuldades quando aprendem a ler, mas não por culpa deles.
Essa dificuldade em aprender a ler se chama dislexia.
Para a mesma autora, a maior parte das crianças deseja aprender a ler como todo ser humano, grande parte consegue até rapidamente.
Mas para a criança disléxica a experiência é diferente, o que parece ser algo fácil para as outras crianças, é algo inatingível, conforme o entendimento de SHAYWITZ (2006).
As novas descobertas científicas sobre a leitura e a frustração pela falta de disseminação e aplicação prática desses avanços levaram a doutora Sally Shaywitz, no ano de 2006, a escrever e publicar o livro Entendendo a Dislexia para pais de crianças disléxicas.
Antigamente, as dificuldades de leitura podiam ser explicadas de várias maneiras.
Hoje, contudo, é possível apontar para uma imagem do funcionamento interno do cérebro, o que se faz por meio da nova tecnologia de imagem cerebral, e dizer: “Veja isto aqui. É aqui que está a raiz do meu problema”.
Sabemos exatamente onde e como a dislexia se manifesta no cérebro. (SHAYWITZ, 2006, p.19).
Muitas vezes lidamos com problemas parecidos, crianças que não conseguem resolver operações matemáticas porque não conseguem ler o enunciado, mas se for feita a leitura oral, resolvem as operações sem dificuldades.
SHAYWITZ (2006, p. 77), ainda coloca que a aplicação de imagens funcionais, por meio da ressonância magnética, poderá nos guiar no desenvolvimento de tratamentos mais eficazes e mais precisos, mas “enquanto isso não ocorre, é possível usar o que aprendemos em pontos fracos fonológicos e sobre os pontos fortes substanciais do leitor disléxico para oferecermos a ele melhores soluções em todos os níveis”.
Para Martins (2007), não é fácil conhecer o cérebro dos disléxicos, é necessário aprofundar nos fundamentos psicolinguísticos da lectoescrita, que também questiona que os métodos pedagógicos, quase sempre, são eficientes em salas de crianças ditas normais, mas ineficientes em crianças especiais.
Ele ainda considera importante o acompanhamento dos docentes e principalmente dos pais de crianças disléxicas para entender melhor os métodos de estudos adotados em instituições de ensino.

 
Como diagnosticar a dislexia?
Os sintomas que podem indicar a dislexia, antes que seja feito um diagnóstico multidisciplinar, só indicam um distúrbio de aprendizagem, mas não confirmam a dislexia.
Os mesmos sintomas podem indicar outras síndromes neurológicas ou comportamentais.
O diagnóstico deve ser feito por uma equipe multidisciplinar.
A criança deve então ser avaliada por um psicólogo, um fonoaudiólogo, um psicopedagogo e um neurologista.
O diagnóstico deve ser significativo para os pais e educadores, assim como para a criança.
O objetivo da avaliação deve tentar estabelecer um prognóstico e encontrar elementos significativos para o programa de reeducação.
Ressalta-se aqui a importância das informações obtidas sobre o potencial da criança, bem como sobre suas características psiconeurológicas, além de sua performance e o repertório já adquirido.
Informações sobre métodos de ensino pelos quais a criança foi submetida também são de grande significação.


Segundo BORDER (1996), a dislexia é diagnosticada dos seguintes modos:

a) por processo de exclusão;
b) indiretamente, à base de elementos neurológicos;
c) diretamente, à base da freqüência e persistência de certos erros na escrita e na leitura.


Em todos os diagnósticos o fato da criança não ter sido alfabetizada pelos processos comuns, ou um histórico familiar com distúrbios de aprendizagem, são importantes.
Os sintomas que podem indicar a dislexia, antes de um diagnóstico multidisciplinar, só indicam um distúrbio de aprendizagem, não confirmam a dislexia.
E não para por aí, os mesmos sintomas podem indicar outras situações, como lesões, síndromes, etc.
Então como diagnosticar a dislexia?
A equipe de profissionais deve verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de dislexia, isto é, Avaliação Multidisciplinar e de Exclusão.
Segundo os autores Silva, Souza e Cruvinel (2008), no caso da dislexia, o encaminhamento orienta o acompanhamento consoante a particularidades de cada caso o que permite que este seja mais eficaz e mais proveitoso, pois o profissional que assumir o caso não precisará daquele tempo, (muitas vezes indeterminado) para identificação do problema, bem como terá ainda acesso a pareceres importantes para o caso.
Conhecendo as causas das dificuldades e os potenciais do indivíduo, o profissional pode utilizar a linha que achar mais convergente.
Os resultados irão aparecer de forma consistente e progressiva.
O acompanhamento profissional dura de dois a cinco anos, dependendo do caso.
Ao contrário de que muitos pensam, o disléxico sempre contorna suas dificuldades.
Ele responde muito bem a tudo que passa para o concreto.
Tudo que envolve os  sentidos é mais facilmente absorvido.
O disléxico também tem sua própria lógica, sendo muito importante o bom entrosamento entre profissional e paciente.
É de extrema importância haver uma boa troca de informações, experiências e até sintomas de procedimentos executados, entre profissional, escola e família.


Professores frente à dislexia.
Uma vez detectada a dislexia, cabe à escola, juntamente com o professor, incluir este aluno na sala de aula, trabalhando de maneira distinta, para fazer com que este consiga amenizar seu distúrbio de aprendizagem.
Mesmo com um trabalho diferenciado, a criança nunca deixará de ser disléxica, mas poderá ter uma vida escolar quase normal, podendo aprender a ler e escrever como os demais, apesar das dificuldades que possui.
Para trabalhar com a criança disléxica, o professor necessita ser capacitado e ter conhecimento à cerca da Dislexia.
Ele precisa saber o que é a dislexia e saber identificar suas causas.
Com essas informações o professor pode trabalhar com o aluno em sala de aula, não deixando que este se sinta excluído e com autoestima baixa.
Este trabalho deve ser realizado em parceria com os pais.
Assim, pais, professores e escola precisam trabalhar em conjunto, um não pode contradizer o outro, buscando aumentar a motivação da criança para restaurar a autoconfiança em sim mesmo, valorizando o que ele faz mesmo que não esteja correto, tendo o cuidado para não enfatizar os erros cometidos por ele.
É necessário valorizar todo o esforço e interesse demonstrado pelo mesmo, respeitando seu ritmo, pois o disléxico necessita de mais tempo para pensar e entender o que é para ser feito que um aluno normal, e para isso o professor necessita ter paciência e força de vontade para ajudar este aluno, pois não existe um método específico para alfabetizar os mesmos.
Outra maneira de ajudar este aluno é explicando para ele que sua dificuldade na aprendizagem da leitura e escrita tem um nome - Dislexia -, sendo que, o professor quer ajudá-lo a superar este problema e depende dele superá-lo, não desistindo no primeiro obstáculo, mas seguindo firme, buscando com coragem e persistência o conhecimento como os demais.
 

Como garantir atenção especial aos disléxicos.
A Constituição Federal de 1988, a Lei 9.394/94 e a legislação do Conselho Nacional de Educação, dão amplo amparo aos educandos com dificuldades de aprendizagem relacionadas com a linguagem (dislexia, disgrafia e disortografia).
Os disléxicos são portadores de necessidades educacionais especiais e específicas de leitura.
A Constituição Federal prescrevia em seu artigo 208, inciso III, entre  as atribuições do Estado, isto é, do Poder Público, o “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”.
A terminologia “portadores de deficiência” nos remete a um Brasil excludente que tratava seus doentes, deficientes ou não, como portadores de moléstia infecciosa.
Este enfoque clínico, assim, perdurou até a Constituição Federal de 1988.
Avanço quando diz que os portadores de deficiência devem receber atendimento especializado, preferencialmente na rede regular de ensino.
Não obstante, há recuo quando traz ainda, no final dos anos 80, uma terminologia estranha e excludente, ao fazer referência às pessoas com alguma necessidade especial, no âmbito escolar, como "portadores de deficiência”.
No seu artigo 4º, inciso III, a LDB diz que o dever do Estado, com a educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de “atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino”.
O quadro das dificuldades de aprendizagem absorve uma diversidade de necessidades educacionais, destacadamente associadas a: problemas psicolingüísticos (dislexia e disfunções correlatas), psicomotores, motores, cognitivos (atenção, concentração, percepção, memória) hiperatividade e ainda a fatores ambientais e socioeconômicos, como as privações de caráter sociocultural e nutricional.
No § 1º, do artigo 58, da LDB, o legislador diz que “haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial”. Aqui, revela a faceta mais médica do atendimento especializado, ao tratar os educandos com necessidades especiais como uma clientela.
Mais recentemente, as manifestações do Conselho Nacional de Educação, no esforço de construir um arcabouço de diretrizes nacionais para a educação especial, assinalam, no Parecer CNE/CEB n. º l7/2001, de 03 de julho de 2001 e a Resolução CNE/CEB n.º 02, de 11 de setembro de 2001, que os sistemas de ensino devem matricular todos os educandos com necessidades educacionais especiais.
 
A Resolução CNE/CEB n.º 02, de 11 de setembro de 2001, assim se pronuncia, no seu artigo 5º:
 
Os educandos com dificuldades acentuadas de aprendizagem (inciso I). Esses educandos são aqueles que têm, no seio escolar, dificuldades específicas de aprendizagem, ou “limitações no processo de desenvolvimento que dificultem o acompanhamento das atividades curriculares”.

As crianças com dislexia e dificuldades correlatas (dislalia, disgrafia e disortografia), por exemplo, estão no grupo daqueles educandos com dificuldades “não vinculadas a uma causa orgânica específica”, enquanto as crianças desnutridas e com dificuldades de assimilação cognitiva, por seu turno, estão enquadradas entre “aquelas relacionadas a condições, disfunções, limitações ou deficiências”.
Aqui, dislexia pode, sobretudo, ser entendida como uma dificuldade específica no aprendizado da leitura, comprometendo a soletração (decodificação textual) e a compreensão textual.

1) Os educandos com dificuldades de comunicação e sinalização.
2) Os educandos com facilidades de aprendizagem.

A inserção de educandos com necessidades educacionais especiais, no meio escolar é uma forma de tornar a sociedade mais democrática.


A dislexia no contexto da aprendizagem.
As universidades não capacitam os educadores para lidar com os sérios problemas de aprendizagem.
Shaywitz (2006) coloca a importância dos livros e revistas em CD-ROM, os quais permitem que uma criança disléxica acompanhe tarefas em sala de aula que não poderia ler com facilidade.
Ela poderão também assistir vídeos ou DVDs de romances ou dramas antes de ler a história, pois isso firma um esquema ou estrutura vinculando detalhes da história para a criança.
Segundo Kappes et al (2006), ao detectar os sintomas devem sugerir um encaminhamento clínico para a criança e, após diagnosticado o quadro, faz-se necessária uma grande dedicação ao aluno em sala de aula e ao longo do tratamento que deve envolver em partes iguais a escola, a família e os profissionais de saúde.
Todos os educadores, sejam pais ou professores, devem ter como base ética o compromisso de acompanhar o desenvolvimento da aprendizagem da criança, buscando novas formas de aprendizagem e novos programas e processos de ensino que possam colaborar para a inclusão dessa criança no mundo das letras, ajudando-a a sobreviver dentro deste único modelo de escola que existe (DINIZ, 2007).
De acordo com a proposta de Mabel Condemarin (1989, p.55 apud SILVA, SOUZA, CRUVINEL [entre 2001 e 2007, p.11]), a dificuldade de aprendizagem relacionada à linguagem (leitura, escrita e ortografia), no início pode ser diagnosticada informalmente pelo professor de língua materna, com formação em Letras ou Pedagogia, por intermédio da medição da velocidade da leitura da criança.
É importante também não insistir em exercícios de fixação repetitivos ou numerosos, pois isso não diminui a dificuldade, é preciso explicar como fazer se posicionando ao lado do aluno e nunca insistir para que o aluno leia em voz alta perante a turma, já que ele tem consciência do erro.
Com relação à avaliação das crianças com dislexia, as mesmas autoras colocam que elas têm problemas com testes ou provas, pois em geral não conseguem ler todas as palavras das questões dos testes como também não têm certeza do que está sendo solicitado, elas tem dificuldades de escrever as respostas, sua escrita é lenta, elas não conseguem terminar dentro do tempo, por isso o professor precisa ler as questões/problemas junto com o aluno, de forma que ele possa entender o que está sendo solicitado.
Quando for corrigir a prova, valorizar ao máximo a produção do aluno. 
Procurar realizar avaliações orais (SILVA, SOUZA, CRUVINEL, [entre 2001 e 2007]).
Segundo Gonçalves [entre 2001 e 2007], ao refletir acerca dos principais sintomas da Dislexia, podem ser estruturadas algumas adaptações curriculares de pequeno porte, sustentadas nas orientações ou legislações do Ministério da Educação, que podem ser: materiais de leituras curtos, claros e objetivos acompanhados sempre que possível de recursos visuais e auditivos.
O professor deve apontar e mostras a forma correta da grafia das palavras, mas não valorizá-las tanto.


Plano de trabalho psicopedagógico para disléxicos.
O processo de alfabetização durante muito tempo estava diretamente relacionado com a inteligência.
Os estudos e pesquisas na área explicava o papel desempenhado pela ideologia e justifica-se o fracasso em alfabetização, atribuindo a responsabilidade as disfunções psiconeurológicas da aprendizagem da leitura e da escrita, conforme o entendimento de Emília Ferreiro (1989).
A aprendizagem da leitura e escrita constitui-se uma das tarefas básicas propostas à educação.
Aparentemente simples, essa tarefa constitui, um dos problemas educacionais da atualidade que mais chama atenção, por isso tem sido objeto de estudo.
 
Para a autora o trabalho na instituição escolar, voltado para a psicopedagogia, apresenta duas naturezas:
O primeiro diz respeito a uma psicopedagogia voltada para o grupo de alunos que apresentam dificuldades na escola. O seu objetivo é reintegrar e readaptar o aluno à situação de sala de aula, possibilitando o respeito às suas necessidades e ritmos. Tendo como meta desenvolver as funções cognitivas integradas ao afetivo, desbloqueando e canalizando o aluno gradualmente para a aprendizagem dos conceitos, conforme os objetivos da aprendizagem formal;

O segundo tipo de trabalho refere-se à assessoria junto à pedagogos, orientadores e professores. Tem como objetivo trabalhar as questões pertinentes às relações vinculares professor-aluno e redefinir os procedimentos pedagógicos, integrando o afetivo e o cognitivo, através da aprendizagem dos conceitos, as diferentes áreas do conhecimento.

Pensar a escola à luz da Psicopedagogia implica nos debruçarmos especialmente sobre a formação do professor.
O professor deve oferecer condições para estabelecer uma relação madura e saudável com os seus alunos, pais e autoridades escolares. Investigar, analisar e realizar propostas para uma formação docente que considere esses aspectos que constitui uma tarefa extremamente importante, da qual se ocupa a Psicopedagogia.
Para o tratamento requer procedimentos específicos que constituem o que chamo de metodologia ou modus operandi do trabalho clínico.
Ao falar da forma de se operar na clínica psicopedagógica, ela varia entre os profissionais, a depender, por exemplo, da postura teórica adotada, além de se contar com o fato de que, como já foi dito, cada caso é um caso com suas variantes, suas nuances, que diferenciam o sujeito, seu histórico, seu distúrbio.
Em geral, no diagnóstico psicopedagógico clínico, ademais de entrevistas e anamnese, utilizam-se provas psicomotoras, provas de linguagem, provas de nível mental, provas pedagógicas, provas de percepção, provas projetivas e outras, conforme o referencial adotado pelo profissional.
Seja qual for esse referencial, a observação é de fundamental importância para precisar melhor o quadro do problema e processar o tratamento.


A concepção do psicopedagogo sobre dislexia.
Destaca-se aqui a importância do diagnóstico precoce, principalmente se houver caso na família, além das dificuldades de aprendizagem associadas à dislexia.
Segundo FREITAS (2006) a psicopedagogia entende a dislexia como um distúrbio do processo de aprendizagem, principalmente no período da aquisição da leitura e da expressão escrita.
Para GONÇALVES (2006) os adjetivos mais comuns que são nomeados os disléxicos são: “preguiçoso, desligado e desorganizado, fazendo parte de seu dia-a-dia e marcando a sua vida. Nos consultórios psicopedagógicos é muito comum o disléxico chegar com baixa auto-estima devido à vivência de múltiplos insucessos escolares”.
É importante frisar que dificuldades na leitura e na escrita, letra ruim, troca de letras, lentidão caracterizam esse distúrbio de aprendizagem.
São crianças inteligentes que não são providas de habilidades específicas de leitura e escrita, porém são ótimas na oralidade, no esporte e em várias atividades no contexto escolar.


Dislexia: o que diz a ciência?
Os autores IANHEZ e NICO (2002) descrevem que as pesquisas realizadas sobre as atividades cerebrais em um disléxico indicam que há uma diferença mínima no padrão de organização das células nervosas do cérebro.
A Fundação Brasileira de Dislexia (2004) defende que pesquisadores têm enfatizado que a dificuldade de soletração é um sintoma muito forte da dislexia.
Esses pesquisadores ainda esclarecem que crianças disléxicas mais velhas mostram mais atividade em uma diferente região cerebral do que os disléxicos mais novos.
MARTINS (2005) esclarece que a descoberta do gene e de seu funcionamento é de extrema importância para a pedagogia da leitura e da escrita.
Segundo LOPES e OLIVEIRA (2007), a dislexia é uma disfunção genética caracterizada por uma falha no funcionamento do processamento da linguagem, ou seja, uma dificuldade de estabelecer associações entre sinais gráficos (grafemas) e os sinais auditivos (fonemas).
É um dos muitos distúrbios da aprendizagem identificados, em geral, na fase de alfabetização.
Algumas teorias tentam explicar sua origem, no entanto não existe um consenso no que diz respeito à causa da dislexia.
Nos disléxicos, alguns neurônios se perderiam no caminho, comprometendo as áreas cerebrais envolvidas no processamento da linguagem.


Concluindo.
A dislexia é um distúrbio na leitura afetando a escrita, normalmente detectado a partir da alfabetização, período em que a criança inicia o processo de leitura de textos.
A dislexia normalmente é hereditária.
Estudos mostram que disléxicos possuem pelo menos um familiar próximo com dificuldade na aprendizagem da leitura e escrita.
A história da Psicopedagogia, embora recente, contribui muito com pesquisas que envolvem teoria e prática, comprometida com diversas áreas do conhecimento e do ser humano, especialmente nas dificuldades vivenciadas no processo de ensino-aprendizagem.
A Psicopedagogia estuda o processo do conhecimento humano, o aprender e o não aprender centrado no indivíduo como ser único, com características e necessidades particulares para a intervenção psicopedagógica.
A diversidade de atuação do psicopedagogo justifica a sua importância no mercado de trabalho, seja na atuação clínica ou institucional, que abrange as escolas, hospitais ou empresas.
Por ser a dislexia é identificada geralmente na fase da alfabetização, a  ciência está contribuindo muito para que se possa fazer o diagnóstico mais precoce, mesmo antes da criança ir para a escola.


Para saber mais sobre o assunto.
ALMEIDA, Marina S. Rodrigues. Dislexia. Disponível em: http://www.hebron.com.br Acesso em 14 de setembro de 2011.
BACHA, Stella Maris Cortez; FINOCCHIO, Ana Lúcia Ferra. RIBEIRO, Mônica Scharth. As hipóteses diagnósticas nos casos de dificuldades escolares: experiência em equipe multiprofissional. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/psicoped/v25n76/v25n76a 03.pdf Acesso: Maio/2011.
BRASIL. Constituição: República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, Centro Gráfico, 1988.
BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Lei 9.394, de 23 de dezembro de 1996. Fixa as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília: Ministério da Educação e Cultura. 1996.
CARVALHO, Fabrícia B.; CRENITTE, Patrícia Abreu Pinheiro; CIASCA, Sylvia Maria. Distúrbio de aprendizagem na Visão do professor. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/psicoped/v24n75/v24n75a03.pdf Acesso: Maio/2011.
CAVALCANTI, Alberico Cony. Introdução a psicopedagogia. Disponível em: http://www.ajes.edu.br/arquivos/20101104095641.pdf Acesso: Junho/2011.
FREITAS, Tânia Maria de Campos. Dislexia: Uma visão psicopedagógica. Disponível em: http://www.dislexia.org.br/11/fev/2009 Acesso: maio/2011.
FUNDAÇÃO BRASILEIRA DE DISLEXIA. Dislexia. Disponível em: http://www.dislexia.com.br Acesso em: 07/outubro/2011.
HOUT, Anne Van. Estienne, Françoise. Dislexias: descrição, avaliação, explicação e tratamento. Porto Alegre: Artmed, 2001.

IANHEZ, Maria Eugênia; NICO, Maria Ângela. Nem sempre é o que parece: como enfrentar a dislexia e os fracassos escolares. São Paulo : Alegro, 2002.

KAPPES, Dany et al. Dislexia. Psicopedagogia online. Educação & Saúde Mental. Artigo publicado em 23/10/2006 Disponível em http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo_asp?entr ID=888 Acesso em 02/Nov/2011.
LOPES, Cilene Knauf.; OLIVEIRA, Carmem Inêz de. A dislexia na ótica do Psicopedagogo. Elaborada em 2007. Disponível em:
http://correio.fdvmg.edu.br/downloads/SemanaAcademica2007/Anais_Artigos/Dislexia_Otica_Psicopedagogo.pdf Acesso:  Maio/2011.
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MARTINS, Vicente. Educação especial, dislexia e gafes lingüísticas. Disponível em http://www.educacaoonline.pro.br Acesso em 23 de outubro de 2011.
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Texto: Profa. Valéria Souto Saez.
Pós-Graduanda em Psicopedagogia Institucional pelo INEC/UNICSUL.

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