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Para entender a história... é uma publicação técnico-científica on-line independente brasileira, indexada pelo IBICT, Latindex, CNEN e LivRe; no ar desde sexta-feira 13 de Agosto de 2010.
Não possui fins lucrativos, seu objetivo é disseminar e difundir o conhecimento através de artigos com qualidade acadêmica e rigor cientifico, mas linguagem acessível ao grande publico.

Periodicidade: Semestral (edições em julho e dezembro) a partir do inicio do ano de 2013.
Mensal entre 13 de agosto de 2010 e 31 de dezembro de 2012.

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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Funções psicológicas e as atitudes psíquicas de Jung, inseridas no contexto da aprendizagem.


Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 3, Vol. jun., Série 18/06, 2012, p.01-11.


O artigo faz parte da Monografia de Conclusão de Curso de Pós-Graduação em Psicopedagogia Institucional pelo INEC/Universidade Cruzeiro do Sul, orientada pelo Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.


O trabalho procura trazer os caminhos adotados pela aprendizagem, ou como ela se processa na maioria das vezes nos dias de hoje, enfatizando a necessidade de se pensar por outro olhar que não seja o empírico, e para isso, o mesmo balizou-se nos conceitos de Carl Gustav Jung, que foi quem deu uma importante contribuição para o tema, o autor procura de forma sistemática apresentar o aprendiz como ser dotado de uma individualidade que lhe é única, e para execução desse trabalho fora verificado a leitura critica e reflexiva adotada por autores que se posicionam frente às ideias de Jung, direcionados de maneira seletiva sobre o tema aprendizagem, e suas formas de aplicação, pensada pela observação da singularidade do individuo, para obtenção de resultados mais satisfatórios, e justos para com o aprendiz.


Introdução.

“Nenhum tópico é mais próximo da essência da psicologia do que a aprendizagem, uma mudança relativamente permanente no comportamento de um organismo em decorrência da experiência”. (MYERS, 1999, p. 173)
Aprendizagem, segundo o dicionário priberam online, (2011) significa o ato ou efeito de aprender, com definição semelhante encontrada no Michaelis, definindo aprendizagem como ação de aprender qualquer oficio arte ou ciência, ou tempo gasto nesse aprendizado.
O Michaelis também denomina aprendizagem como uma mudança permanente de comportamento como resultado de treino ou experiência anterior, ou processo pelo qual se adquirem essas mudanças.
Pensadores da Grécia Antiga, como Platão e Aristóteles pontuaram suas idéias de forma importante sobre a aprendizagem, para Platão a aprendizagem inicia-se como um estado de perplexidade, ou espanto, que impele a pessoa ao esforço de elevação do conhecimento, Platão fora também o primeiro pensador a distinguir a associação de idéias em dois tipos: Por similaridade e por contigüidade, sendo fundamental que cada um enquanto individuo, é responsável por sua aprendizagem. (PFROMN NETTO, 1987)


“... o processo fundamental de aquisição é a aprendizagem concebida sobre o modo empirista de registro dos dados externos. Se isto é certo, seguir-se-ia então que o desenvolvimento em seu conjunto deveria ser concebido como a resultante de uma seqüência ininterrupta de aprendizagens assim interpretadas. Se, pelo contrário, o fato fundamental de partida é a capacidade de fornecer certas respostas, portanto a "competência" resultaria inversamente que a aprendizagem não seria a mesma nos diferentes níveis do desenvolvimento”. (Piajet, p. 160, 2007)

Para Ferreiro (1996), todas as práticas pedagógicas estão apoiadas nas concepções do processo de ensino e aprendizagem, porém nenhuma delas é neutra, são as práticas e não os métodos que têm efeitos no domínio da língua escrita ou em outros conhecimentos, o autor ainda fala que é possível enxergar o que o aluno já sabe partindo do produzido por ele, para que a partir daí o mesmo venha a aprender mais, o autor ainda fala que a aprendizagem figura como resultado da ação do aprendiz, afirmando com isso que a função do professor será de criar condições para que o aluno possa exercer o seu papel de aprender, estando inserido em atividades que favoreçam sua atividade mental, ou seja, o seu exercício intelectual.
“A aprendizagem e a construção do conhecimento são processos naturais e espontâneos do ser humano que desde muito cedo aprende a mamar, falar, andar, pensar, garantindo assim, a sua sobrevivência.” (SILVA, online 2011)
Deve se notar também a importância do professor no processo de aprendizagem que para Ferreiro (1996) o mesmo deve ser capaz de observar que e entender que o aprendiz sempre sabe alguma coisa, e pode usar esse conhecimento para continuar aprendendo, tomando como regra que esse conhecimento se faz necessário para que ele avance, ainda para o autor, é preciso entender que o esse processo permite ao professor a real noção que sua intuição não suficiente no processo de ensino aprendizagem, necessitando para isso também o auxílio do conhecimento produzido no território da ciência.

“O melhor aluno de uma turma ou da escola, como qualquer ser humano, pode estar vivendo em determinado dia e horário uma situação emocional inadequada para novas aprendizagens, por razões extra escola. É indispensável o respeito a esses momentos e não forçar o seu envolvimento de modo inadequado, o que pode gerar formações reativas imprevistas.” (WEISS, 2007 informação verbal)

Atualmente um modelo de aprendizagem bastante utilizado no meio do ensino aprendizagem figura como o construtivismo, que para Ferreiro (1966), a aprendizagem abordada de uma forma construtiva entende o conhecimento como um produto da ação e reflexão do aprendiz, compreendendo esse aprendiz como alguém que sabe algumas coisas, e que a frente de novas informações, que para ele têm sentido, realiza um esforço para assimilá-las, ou seja, diante de um conflito cognitivo o aprendiz tem necessidade de superá-lo.
O conhecimento anterior se aprofunda, dando origem a um novo conhecimento, inerente a concepção de aprendizagem, de tal forma que, o aprendiz sempre utilize seu conhecimento prévio na aquisição de um novo conhecimento.
O construtivismo enfatiza a aprendizagem pela resolução de situações problemas, ou seja, aprender a aprender é algo possível apenas a quem já aprendeu alguma coisa, sendo que o conhecimento se constrói por caminhos diferentes daquele que o ensino supõe. (Ferreiro, 1966)
Piaget, sendo aquele que inicia a construção de uma nova idéia e um novo olhar sobre a aprendizagem, desenvolve a teoria do conhecimento, (epistemologia e Psicologia Genética), que explica como se avança de um conhecimento menos elaborado, ele enfatiza que o conhecimento é resultado da interação do sujeito com o meio externo, sendo que esse sujeito participa ativamente desse processo modificando o meio no qual esta inserido, e se modificando também em virtude desse meio. (Ferreiro, 1966)
Mesmo com as contribuições de Piaget e o construtivismo, o que se verifica ainda segundo o autor de maneira sobressalente é a empirista, é o conhecido como “modelo de ensino resposta”, nessa abordagem prevalece o modelo de aprendizagem que atua em substituição das respostas erradas pelas certas, partindo da concepção de que o aluno precisa memorizar e fixar informações, partindo do conhecimento mais simples acumulando-o com o tempo. (Ferreiro, 1966)
Como visto no parágrafo anterior, esse tipo de abordagem vai de encontro ao que se adota hoje como método construtivista de aprendizagem (WEITZ 2007), diz que o processo de ensino de maneira mais eficaz deve dialogar com o método de ensino, e para tanto, não é o aluno que deve se adaptar-se ao processo, mas sim o processo, através do professor que precisa compreender o caminho de aprendizagem que esta percorrendo o aluno, e a partir daí identificar quais as atividades que permitirão ao aluno evoluir no seu patamar de conhecimento, em direção a um mais elevado.


Funções psicológicas e as atitudes psíquicas de Jung, inseridas contexto aprendizagem.


“... Ninguém aprende se não estiver motivado para isso, as decorrências desta constatação estarão na aprendizagem familiar, escolar, profissional, clínica e em outras situações. A motivação para aprender, em qualquer momento, é que permitirá a construção de vínculos positivos ,adequados com o objeto do conhecimento”... (WEISS, 2007 informação verbal)

Para Weiss 2007, existe uma relação entre motivação, e o desejo de aprender, no momento em que é apresentado o novo objeto do conhecimento, seja ele escolar ou fora da escola, definirá em parte essa relação ou não de uma nova aprendizagem, a autora ainda critica métodos muito engessados de aprendizagem, enfatizando ainda o papel do professor afirmando que não existe um padrão na forma de aprender, e é por isso que faz muito importante a pessoa do professor, entende-se com isso que o professor atento, sensível, e competente, será capaz de perceber os diferentes caminhos e formas de aprendizagem de seus alunos, para a autora cada um de nós busca seu melhor caminho de entrada do conhecimento, melhor maneira de mostrar esse conhecimento aprendido, e são essas formas de aprender fundamentais na inclusão escolar ou de trabalho.

“As escolas deveriam entender mais de seres humanos e de amor do que de conteúdos e técnicas educativas. Elas têm contribuído em demasia para a construção de neuróticos por não entenderem de amor, de sonhos, de fantasias, de símbolos e de dores”. (SATINI p.8 2008)


Carl Gustav Jung.

Foi com o fundador da psicologia analítica Carl Gustav Jung nascido em julho de 1875 na Suíça, que nasceu a idéia sobre os “Tipos psicológicos”, Jung filho de família religiosa, pai pastor luterano, sempre se interessou por questões espirituais, sobre qual seria a função da religião na vida das pessoas, foi então que em 1921 escreveu o referido texto com base em anos de estudos de psicologia em seu exercício de medicina, esses estudos demonstraram que as pessoas possuem características comportamentais, que irão caracterizar os Tipos Psicológicos.

“Nos caminhos da cognição na cadeia atenção- percepção- raciocínio- memória vamos encontrar diferentes portas de entrada que funcionarão isoladamente ou em conjunto integrado :visual, auditiva, olfativa, gustativa e tátil. As formas de raciocinar também estarão ligadas. Cada um de nós terá a sua melhor “porta de entrada”, a sua forma de fixar na memória, o melhor caminho de estabelecer relações lógicas, a melhor “saída” ou forma de expressar o que aprendeu, assim como já foi dito o seu melhor momento de aprender.” (WEISS, 2007, informação verbal)

Para Jung existem duas formas de atitudes, uma seria aquela em que a pessoa foca sua atenção no mundo externo de fatos e pessoas (extroversão).
Na extroversão, a energia da pessoa flui de maneira natural para o mundo externo, em que se observa: impulsividade, sociabilidade, expansividade e facilidade de expressão oral.
A outra se refere à pessoa que foca sua atenção no mundo interno, de representações e impressões psíquicas (introversão).
Na introversão, o indivíduo direciona a atenção para o seu mundo interno em que se observa: a postura reservada, a retenção das emoções e facilidade de expressão no campo da escrita. (Lessa 2011)
Partindo da forma com o individuo se configura entre introvertido e extrovertido, Jung também verificou que existia diferença entre as pessoas de um mesmo grupo, ou seja, um introvertido poderia diferir muito de outro introvertido, para ele essas diferenças eram causadas pelas funções e ou processos mentais preferencialmente utilizadas pela pessoa para se relacionar com o mundo externo ou interno, estava aí definido para Jung os Tipos Psicológicos, com a junção das atitudes de introversão e extroversão, e suas funções psíquicas. (Lessa 2011)
Quatro são as funções psíquicas: Sensação, Intuição, Pensamento e Sentimento, partindo da forma como percebemos as coisas pela Sensação e Intuição, até a forma como julgamos os fatos, Pensamento e Sentimento.

Para a autora Lessa 2011, as funções enumeradas por Jung são as seguintes:

Sensação: atenção voltada para o presente, no real e no concreto, costumam ser pessoas praticas, preocupadas mais em manter as coisas funcionando que criar novos caminhos, preferem ver as partes a o todo.
Intuição: sua apreensão parte geralmente por parte de “pressentimentos”,“ palpites” ou “inspiração”, buscando significados através das informações recebidas a intuição traça relações e possibilidades futuras, os fatos são aprendidos no seu conjunto.
Pensamento: partem de uma análise lógica e racional dos fatos, julgando e classificando uma coisa sem maior interesse pelo seu valor afetivo, voltadas para razão procuram ser imparciais em seus julgamentos, lidam melhor com processos lógicos e formais.
Sentimento: julga o valor intrínseco das coisas, valoriza o sentimento em suas avaliações, tem facilidade no contato social, preocupadas com a harmonia do ambiente, e por valorizarem suas impressões pessoais, tendem a se voltar para relações interpessoais, sentimentos e valores dos outros.

O que se percebe após esse breve relato da autora é que Jung ao criar os tipos psicológicos, na verdade não quis rotular pessoas, enquadrando-as em um, ou outro perfil psicológico, para ele isso seria uma forma de ajudar a compreender as características individuais de cada um, o que para o assunto em tela auxiliaria muito na forma como se apresentaria o assunto aprendizagem ao aluno.

“A tipologia de Jung pode fornecer pistas para um melhor entendimento das questões relacionadas a desempenho escolar e relacionamento entre alunos e professores, sugerindo ferramentas para ajudar os mestres a se aproximar de seus alunos e conhecer suas personalidades.” (Lessa, 2011, online)

Pesquisadores observando os tipos psicológicos de Jung descobriram que as pessoas além de interesses, valores e necessidades diversas, também aprendem de modos diferentes, todavia, não se deve excluir a importância do professor em conhecer seus alunos, para que possa despertar nos mesmos o interesse pelo aprendizado. (Lessa, 2011).
Voltando a forma de investimento de energia do sujeito, ou seja, a forma como ele se apresenta ao mundo, expõem suas idéias, se ele é um individuo mais voltado para o meio, ou a si mesmo, balizando é claro em cima do tema para discussão como relata a autora nos parágrafos seguintes.


Aprendizagem para Introvertidos e Extrovertidos.

Os introvertidos preferem preparar-se para as aulas com antecedência, são introspectivos, reflexivos, concentrados, cuidadosos, concentram-se no aspecto importante do problema, e sabem ouvir as pessoas, procuram estudar em locais onde possam se concentrar, preferindo atividades ou trabalhos mais longos, isso devido ao prazer de refletir, e analisar os temas, gostam de trabalhar em grupos menores, quando não sozinhos. (Lessa, 2011)
Partindo dessas características dos estudantes introvertidos, seria interessante então que o professor lhe fornecesse antes material para consulta e pesquisa, para que o aluno venha preparado para a aula fomentando-lhe uma maior participação, já que os mesmos são considerados tímidos, reservados, discretos, e devido á dificuldade de se expor em grupo, ambiente com muita gente, por vezes deixam de manifestar-se a respeito de assunto que dominam, prejudicando sua atuação em classe. (Lessa, 2011)
Quanto aos extrovertidos, por serem populares entre os colegas, sentem prazer em participar de atividades extraclasse, confiantes e pró-ativos, por vezes são impulsivos, agindo primeiro, para só depois refletir, postura adotada ao contrário dos introvertidos, que pensam muito antes de agir, e por ousarem mais, os extrovertidos também podem enfrentar problemas relacionados à disciplina. É notória também sua dificuldade em concentrar-se em atividades longas, detalhadas, que exigem reflexão, preferindo ação, atividades variadas, contato com colegas e trabalhos em grupo, preferem resolver problemas práticos. (Lessa, 2011)
Sabemos então que Jung após classificar o investimento de energia do sujeito entre introversão e extroversão, percebeu que mesmo entre introvertidos ou extrovertidos existiam pessoas com formas de agir diferente, Jung então teve que dividir dentro de cada uma, outras quatro características, como se fossem subgrupos, e para esses grupos como já mencionado acima, o mesmo deu o nome de “Tipos Psicológicos”, que seria a forma como o individuo percebe ou julga o que está a sua volta sendo que o individuo possuiria todos os quatro Tipos Psicológicos”, no entanto, um seria aquele mais utilizado como função principal de acordo as características individuais de cada um.
Trazendo esses conceitos para campo da aprendizagem, a autora expõe de maneira bem clara nos parágrafos que sucedem.


Aprendizagem orientada nos Tipos Psicológicos.

Quanto às funções perceptivas existem aqueles que percebem o mundo através da função principal SENSAÇÃO, para esses seus cinco sentidos são mais bem utilizados do que as outras funções são realistas, detalhistas voltados para o “aqui agora”, ou seja, o presente. Também não são muito adeptos de teorias, preferindo as matérias, ou aulas mais práticas, a função do professor para motivá-los será enfatizar a parte prática de um assunto teórico. (Lessa, 2011)
Os INTUITIVOS são curiosos, valorizam sua inspiração, e seus “pressentimentos”, são pouco práticos, gostam de sugerir mudanças, novas formas de executar as atividades sem muito detalhe, se sentem confortáveis quando estão descobrindo novas possibilidades para problemas, contribuindo para o bom andamento do trabalho. (Lessa, 2011), os mesmos percebem o mundo pelo “sexto sentido”: valorizam a inspiração e os pressentimentos.
Costumam ser curiosos, preferem sugerir novas formas de apresentar o mesmo tema. Nas escolas, podem prestar boa contribuição ao participar de forças-tarefa para melhorar aspectos gerais da instituição.
Afinal, sua zona de conforto está em descobrir novas possibilidades para um problema. Livros de ficção alimentam o prazer das crianças intuitivas.
A diferença de percepção entre alunos intuitivos e sensoriais é grande.
O intuitivo possui a visão do todo, enquanto o sensorial percebe o detalhe.
Um vê a floresta e o outro, as árvores, ambos se completam nas atividades de ensino, podem realizar com facilidade o trabalho em grupo por possuírem maneiras distintas de percepção do problema (Lessa, 2011)
Sensoriais, tendem a considerar aulas teóricas um tédio, e gostam de aulas programadas, enquanto que o lado prático com base teórica não agrada aos intuitivos, que preferem a matéria dada de forma ágil. (Lessa, 2011)
Quanto à função PENSAMENTO, sugere para aquele que a tem como principal, objetividade, crítica, e uma característica mais analítica, são impessoais, procuram ser racionais em suas decisões sendo mais objetivos, por serem mais sinceros, por vezes podem criar dificuldades, quando lidam com pessoas mais sentimentais, e por serem transparentes não se preocupam com diplomacia, o que desperta antipatia de outros. (Lessa, 2011)
Por fim o SENTIMENTO como função principal, são àqueles que o possuem o foco em pessoas, consideram valores para tomar decisões, sua lógica é a do “coração”, mais sensíveis aos problemas dos colegas, têm certa dificuldade para lidar com conflitos, costumas levar para o lado pessoal a crítica de um colega ou professor, por vezes fazem as coisas pelo prazer de agradar. (Lessa, 2011)
Para Lessa 2011, é de suma importância que o processo de aprendizagem propicie ao aluno a capacidade de exercitar seus processos favoritos, ficando atentos quando alunos intuitivos enfrentam o excesso de rotina, sensoriais não têm oportunidade de lidar com atividades práticas, pensadores não são permitidos a argumentar, e os sentimentais sofrem com o excesso de alunos.

“Durante muitos anos os alunos foram penalizados, responsabilizados pelo fracasso, sofriam punições e críticas, mas, com o avanço da ciência, hoje não podemos nos limitar a acreditar, que as dificuldades de aprendizagem, seja uma questão de vontade do aluno ou do professor, é uma questão muito mais complexa, onde vários fatores podem interferir na vida escolar, tais como os problemas de relacionamento professor-aluno, as questões de metodologia de ensino e os conteúdos escolares.” (Silva, 2011)

De maneira sintética Catholico (2009), faz uma importante analise no cenário atual da aprendizagem, para ele hoje se faz necessário entender o verdadeiro papel, ou missão da escola, que passa a não tratar mais o aluno como uma massa amorfa, despersonalizados, e preciso focalizar o individuo, como sujeito original, singular, diferente e único, dotado de inteligências múltiplas, que possui diferentes estilos de aprendizagem, consequentemente diferentes habilidades e formas para resolver problemas.
Diferente e único; dotado de inteligências múltiplas, que possui diferentes estilos de aprendizagem e, consequentemente, diferentes habilidades para resolver problemas (CATHOLICO, 2009).


Concluindo.

“Nossa!” O parágrafo iniciado com uma palavra seguido do ponto de exclamação é para tentar mostrar o real entendimento que se tem ao realizar uma breve leitura a que se propôs o trabalho. Se for por intermédio da aprendizagem que nós nos conectamos ao mundo, é com ela que entendemos qual o nosso papel no ambiente em que estamos inseridos, e que sem ela não é possível essa inserção de modo ou maneira saudável, como é possível admitir ainda hoje que a mesma seja negligenciada não se dando a verdadeira importância que se deve.
O que se percebe é que a forma como se coloca a aprendizagem evoluiu sim, e muito, até porque existem formas e mais formas de se colocar a aprendizagem de maneira mais eficiente, partindo de métodos empíricos até métodos mais construtivistas, todavia o que realmente acontece nos dias de hoje, é um verdadeiro desleixo, ora por falta de comprometimento das pessoas envolvidas no processo, ora por não possuírem capacitação adequada necessária, ou outros motivos diversos.
Ainda no que competem as pessoas envolvidas no processo, cabe não se esquecer de realçar a importância do professor, tutor, instrutor, ou qualquer outro sinônimo para aquele que geralmente conduz esse processo de aprendizagem, estando à frente não como responsável único pela aprendizagem, mas como um facilitador desse processo, onde o aprendiz deve ser encarado como personagem principal do processo, e que fica a cargo do condutor ter como objetivo auxiliar o aprendiz no que tange a sua competência, e capacidade sobre o conteúdo transmitido.
A figura de professor figurou por muito tempo, e ainda figura em alguns casos como personagem principal no processo de aprendizagem, o mesmo era visto como o fator mais importante se não o único responsável pelo progresso do aprendiz, contudo, percebe-se hoje um movimento de retirada de maneira desordenada dessa figura de tal patamar, o que se percebe é que o papel do professor transita ou transitou por extremos, deixando de ser o “protagonista”, para passar a ser o “coadjuvante’’.
Seguindo o proposto por Jung, a figura do professor se faz sim muito necessária ao processo por aquela responsável por direcionar de maneira mais eficiente a forma de aprendizagem do seu aprendiz.
Referente ao tema desenvolvido Jung nos esclarece sobre o propósito de todo seu arcabouço teórico que trata “Tipos Psicológicos” instruindo que se faz necessário entender o aprendiz enquanto ser individual dotado de singularidades inerentes a sua personalidade, e  que o irão acompanhá-lo em todo seu processo de aprendizagem, fomentando também  que se esse processo for direcionado de forma adequada, dando ênfase à forma mais eficiente, ou mais específica e individual de cada aprendiz, o processo todo será mais eficaz.
Resumindo é passar a entender alunos individuais, e singulares, que possuem formas distintas de absorver o conhecimento, e não tratá-los como uma sala de aluno, dando um estímulo geral como se fossem idênticos entre si na maneira de agir e de pensar.
Já tratado no texto, mais aqui se faz mais uma vez importante relembrar, é que a proposta de Jung ao classificar indivíduos entre seus tipos psicológicos, não foi rotulá-los de maneira preconcebida, preconceituosa, o estereotipá-los, mas sim, entende-los melhor para melhor auxilia em seus processos, e aqui discutido, em seus processos de aprendizagem.
A exclamação iniciada nessa seção do texto serve também para verificar se hoje se dá o verdadeiro valor e importância a esse processo de aprendizagem, sim porque o que se verifica é que um processo tão importante na formação de um individuo, enquanto pessoa, passa por uma condição de sub importância, ou descaso, ficando as margens da sociedade enquanto massa.
Seria hora então de passarmos a entender a real importância de todo esse processo de aprendizagem, aplicando-o de maneira adequada, a cada individuo, contribuindo de maneira sistemática na formação do mesmo, para que possamos auxiliar também o bom desenvolvimento da sociedade, a tornando mais justa para àqueles que nela vivem.


Para saber mais sobre o assunto.

CATHÓLICO, Roberval Ap. MEDIAÇÃO DA APRENDIZAGEM DE FEUERSTEIN À LUZ DA APRENDIZAGEM DOS ESTILOS DE APRENDIZAGEM DE FELDER. In: Revista Eletrônica de Educação e Tecnologia do SENAI. São Paulo: v.4, n.8, mar. 2010.
FERREIRO, Emília. REFLEXÕES SOBRE ALFABETIZAÇÃO. São Paulo: Editora Cortez, 1996.
LESSA, Elvina. A CONTRIBUIÇÃO DA TIPOLOGIA DE JUNG NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM. In: Revista Aprender. São Paulo: Ano 3. nº 06. Novembro/Dezembro, 2003.
MYERS, David. INTRODUÇÃO A PSICOLOGIA GERAL. Rio de Janeiro: LTC- Livros técnico e Científicos Editora S.A. 1999, cap 4, p.533.
PFROMN NETTO, S. PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM E DO ENSINO. São Paulo: EPU; EDUSP. 1987.
PIAGET, Jean. A EPISTEMOLOGIA GENÉTICA. Paris: Martins Fontes, 2007. 136 p.
PLONKA, Márcia de Fátima. A TIPOLOGIA DE JUNG NAS EMPRESAS. Disponível em: <. symbolon.com.br/artigos/atipologia.htm>. Acesso em: 13 out. 2011.
SALTINI, Cláudio J. P. AFETIVIDADE & INTELIGÊNCIA. Rio de Janeiro: DPA, 1997.
SILVA, Nádia Maria Dias da. DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM. Disponível em: <www.colegiosantamaria.com.br/santamaria/aprenda mais/artigos/ver.asp?artigo_id=1>. Acesso em: 30 out. 2011.
WEISZ, Telma. O DIÁLOGO ENTRE O ENSINO E APRENDIZAGEM. São Paulo: Ática, 2002.
WEISS, Maria Lucia Lemme. Palestra realizada a 16 de junho de 2007 Seminário da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOPEDAGOGIA. Seção Rio de Janeiro.


Texto: Leila Letícia da Silva.
Psicóloga, atua em treinamento e seleção na área de segurança pública.
Pós-Graduanda em Psicopedagogia Institucional pelo INEC/UNICSUL.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Avaliação Mediadora: a ponte entre o conhecimento e a aprendizagem.



Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 3, Vol. jun., Série 12/06, 2012, p.01-19.

O artigo faz parte da Monografia de Conclusão de Curso de Pós-Graduação em Psicopedagogia Institucional pelo INEC/Universidade Cruzeiro do Sul, orientada pelo Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.


A avaliação escolar há muito tempo é utilizada para classificar, selecionar seus alunos e como instrumento de disciplina e autoritarismo na sala de aula, a avaliação classificatória privilegia a competição e o julgamento e não a aprendizagem e a ação pedagógica.

A avaliação mediadora propõe um modelo baseado no dialogo e aproximação do professor com o seu aluno de forma que as práticas de ensino sejam repensadas e modificadas de acordo com a realidade sócio-cultural de seus alunos, nesta perspectiva de avaliação o erro é considerado como parte do processo na construção do conhecimento e não como algo passível de punição, na visão mediadora o professor é capaz de criar situações desafiadoras que tornem capaz a reflexão e ação tornando a aprendizagem mais significativa.


Introdução.


As formas de avaliação tradicionais (oral e escrita) contribuem para o fracasso escolar, muitas vezes não determinam o grau de conhecimento do aluno, é necessário criar uma avaliação integrada ao processo de aprendizagem, modificar as práticas avaliativas para que ela seja contínua e verdadeiramente capaz de agir e regular a aprendizagem.

A avaliação mediadora possibilita ao aluno construir seu conhecimento, respeitando e valorizando suas idéias, ou seja, faz com que o aluno coloque em prática toda sua vivência.

O processo de aprendizagem torna-se continuo através da avaliação mediadora, uma vez que o professor possui ferramentas de intervenção adequadas para que os alunos se apropriem de conhecimentos significativos, sem o sentimento de obrigação, ou seja, o aprendizado ocorre de maneira natural com mais facilidade de internalização do conteúdo aplicado em sala de aula.

Partindo deste pressuposto é possível indagar se de fato as formas tradicionais de avaliação são eficientes ou é necessário mudar esta prática para que realmente seja possível uma aprendizagem significativa e não apenas estudar para tira boas notas.

As formas tradicionais de avaliação tornam-se ineficientes quando usadas apenas como instrumento de medida, como uma forma de classificar e julgar o aluno, com objetivos apenas de reprodução de conhecimento.

É necessário que a avaliação auxilie o aluno a aprender e a se desenvolver, como a avaliação mediadora que é capaz de compreender o aluno fornecendo indicações para mudanças nas práticas pedagógicas.

Em tempos de inclusão e inovação pedagógica as escolas ainda utilizam como mecanismos de avaliação provas teóricas e orais com o objetivo de classificar, atribuir uma nota para cada aluno.

Este tema foi escolhido por que este tipo de avaliação muitas vezes não mostra o real desenvolvimento do aluno, contribuindo cada vez mais para o fracasso escolar e o baixo nível de qualidade da educação.

Segundo HOFMANN (2000) a avaliação mediadora se desenvolve em beneficio ao educando e dá-se fundamentalmente pela proximidade entre quem educa e quem é educado.

Através da avaliação mediadora é possível compreender que cada aprendizagem tem o seu momento próprio e é diferenciada em cada aluno, propiciando tanto ao professor quanto ao aluno momentos de reflexões sobre as práticas pedagógicas utilizadas.

Para PERRENOUD (1999) a avaliação deve ser analisada como componente de um sistema de ação e como um momento de reflexão, ou seja, avaliar é preciso, porém não apenas com o objetivo de promover ou reprovar um aluno, mas para mediar à aprendizagem, como um agente de formação do aluno.

Avaliar trata-se de um processo contínuo e evolutivo e um professor mediador olha cada aluno, investigando e refletindo sobre o seu jeito de aprender, conversando, convivendo e desafiando o aluno de forma que aprenda mais e melhor.

Para HAYDT (2004) ao avaliar o aluno o professor está avaliando o seu trabalho, portanto a avaliação está sempre presente na sala de aula, fazendo parte da rotina escolar.

Daí a responsabilidade do professor aperfeiçoar suas técnicas de avaliação.

O professor deve construir um cenário avaliativo que seja convidativo à aprendizagem, organizados de forma significativa que permita ao aluno confiança e espaço para as suas descobertas.

A metodologia utilizada foi a Pesquisa Bibliográfica com ênfase no conceito de avaliação proposto por Jussara Hoffman.

Este trabalho teve como objetivo estudar e mostra diferentes formas de avaliação, especialmente à avaliação mediadora em que o aluno é visto em um processo contínuo de aprendizagem.





O que é avaliação?

Ao procurarmos o significado de avaliação nos dicionários encontramos as seguintes definições:

Avaliação- ato de avaliar, apreciação, cômputo, estimação.

Determinação do justo preço de qualquer coisa alienável.

Valor de bens, determinado por avaliadores. (Dicionário Michaellis)[i]

Avaliação – ato de avaliar, seu efeito. Calculo do valor comercial de uma propriedade.

As avaliações são feitas por especialistas chamados avaliadores. (Dicionário Aurélio)[ii].

Avaliação – ato de avaliar, valor determinado por peritos, apreciação.

Estima. (Dicionário Priberam)[iii]

Avaliar é dar valor, apreço ou merecimento.

Logo, a ação de avaliar constitui-se inicialmente por um ajuste de acordo com uma escala de valores pré-fixadas.

Durante muito tempo o termo avaliar foi usado como sinônimo de medida, segundo HYDT (2004) a partir de 1960 o termo avaliação assumiu novas dimensões voltando a destacar-se primeiramente na esfera da avaliação de currículo.

Ao longo dos últimos anos muito se tem discutido sobre a avaliação e diversos conceitos e teorias surgiram, segundo HYDT (2004) a avaliação é um processo de coleta e análise de dados, tendo em vista verificar se os objetivos propostos foram atingidos ou não, nesta perspectiva a avaliação é definida em um conceito geral.

Já no âmbito escolar HYDT (2004) afirma que a avaliação se realiza em vários níveis do processo ensino- aprendizagem, do currículo ao funcionamento da escola como um todo, ou seja, a avaliação deve ser realizada por todos os envolvidos no sistema de ensino-aprendizagem.

LUCKESI (2006), quando fala de avaliação da aprendizagem, prefere defini-la como sendo um juízo de qualidades sobre dados relevantes tendo em vista uma tomada de decisão, o juízo de qualidade é produzido por um processo comparativo entre o objeto que está sendo ajuizado e o padrão ideal de julgamento.

Com muita frequência verificamos o termo avaliação associado a outros, como nota, exame, promoção e repetência, sucesso e fracasso e a avaliação sendo vista como um processo que determina o grau de aprendizagem dos alunos.

Nas escolas a avaliação tem assumido uma função seletiva, de exclusão daqueles que costumam ser rotulados como “incapazes”, pois o modelo de avaliação atualmente utilizado nas escolas é baseado no processo classificatório.

Para LUCKESI (2006) a avaliação praticada nas escolas é a avaliação da culpa e as notas praticadas são utilizadas para classificar os alunos, onde são comparados desempenhos e não os objetivos que se pretende atingir.

Esta prática de avaliação se explícita por uma relação autoritária e conservadora que permite ao professor manter a disciplina e atenção dos alunos, desta forma a avaliação da aprendizagem torna-se um instrumento de controle que tudo pode.

Nesta concepção é possível perceber que a avaliação tem sido utilizada como um instrumento estático e freador do processo de crescimento, com o objetivo de desempenhar um papel disciplinador tornando o padrão de exigência critério do professor que ao planejar suas aulas não estabelece um mínimo de necessário a ser aprendido pelos alunos e utiliza-se de “médias” de notas para estabelecer a competência do aluno.

“A média então é realizada a partir da quantidade e não da qualidade, não garantindo o mínimo de conhecimento”. (LUCKESI, 2006).

Esta forma de avaliação retira dos alunos a espontaneidade, a criatividade e a criticidade, gerando insegurança e medo, o aluno passa a ser conduzido a estudar em função da nota e não pela obtenção do saber, a aprendizagem deixa de ser algo prazeroso e passa a ser um processo desmotivador, contribuindo para a seletividade social.

Para HYDT (2004) a avaliação do processo ensino-aprendizagem apresenta basicamente três funções: diagnosticar, controlar e classificar.

Para a autora a avaliação classificatória tem o objetivo de classificar o aluno de acordo com seus níveis de aproveitamento, sua função é comparar com o grupo da classe, aspecto próprio da escola tradicional, segundo PERRENOUD (1999) outra função tradicional da avaliação e certificar aquisições em relação a terceiros, tendo como objetivo principal a certificação ou “passar de ano”, servindo para controlar o trabalho dos alunos. 

Notas e conceitos servem apenas para padronizar o que é diferente, produzindo a ficção de um ensino homogêneo e relações de autoritarismo em sala de aula, privilegiando a classificação e a competição em detrimento à aprendizagem.

Já a avaliação diagnóstica tem como função verificar a presença ou ausência de pré-requisitos para novas aprendizagens e detectar as dificuldades de aprendizagem tentando identificar suas causas, esta avaliação pode ser realizada em qualquer momento do processo de ensino-aprendizagem, pois seu principal objetivo é investigar sobre o desempenho e proceder a uma ação tendo em vista o redirecionamento da ação pedagógica.

A partir deste pressuposto LUCKESI (2006) sugere que a avaliação seja diagnóstica, ou seja, que os dados coletados sejam analisados não com o objetivo de aprovar ou reprovar os alunos, mas para que os professores revejam o desenvolvimento dos alunos dando oportunidades para que ele avance no processo de construção do conhecimento.

Através desta avaliação tanto professores como alunos trabalham juntos e tomam as decisões juntos para um melhor aproveitamento e desenvolvimento, interagindo desta forma com o processo de construção do conhecimento na sala de aula.

Para HYDT (2004) a avaliação formativa é orientadora, pois orienta tanto o estudo do aluno como o trabalho do professor e deve ser utilizada como um recurso de motivação que causa efeitos positivos evitando as tensões que a avaliação tradicional causa.

O ato de avaliar associa-se ao de ensinar, de formar, num processo de interação contínua.

O professor, numa ação pedagógica reorganizada, aborda os conteúdos de forma diversificada e propicia que o próprio aluno monitore a sua aprendizagem, tornando-se capaz de identificar e corrigir os próprios erros.

Esta modalidade de avaliação formativa corresponde, na visão da autora, ao modelo ideal, pois se coloca deliberadamente a serviço do fim que lhe dá sentido, contribuindo para uma saudável regulação da atividade de ensino.

Para PERRENOUD (1999) a avaliação formativa dá maior importância à regulação da aprendizagem, ou seja, à busca por novas didáticas e perspectivas de ensino. Esta prática de ser contínua e com o objetivo de contribuir para melhorar as aprendizagens em curso.

A avaliação formativa é utilizada para atender a função controladora que ocorre durante o processo de instrução e inclui os conteúdos importantes de uma etapa, informa o professor e aluno sobre o rendimento da aprendizagem e localiza as deficiências na organização do ensino.

Os novos paradigmas em educação devem contemplar o qualitativo, auxiliando o aluno a avançar em seus conhecimentos e ao professor buscar estratégias para que este avanço aconteça.





Avaliação segundo documentos oficiais.

A Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), aprovada em 1996, determina que a avaliação seja contínua e cumulativa e que os aspectos qualitativos prevaleçam sobre os aspectos quantitativos nos sistemas de ensino, desta mesma forma os resultados obtidos pelos estudantes ao longo do ano devem ser mais valorizados que a nota de uma prova final.

A LDB propõe além a avaliação do aluno, a avaliação institucional.

Ela estabelece em seu inciso V do artigo 24, as seguintes diretrizes para a avaliação na escola.



A verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios:



Avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais;

Possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar;

Possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado;

Aproveitamento de estudos concluídos com êxito;

Obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralela ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos.



A LDB vem tornar obrigatoriedade o que é preciso ser traçado como uma meta na educação nacional.

De acordo com a lei, cabe a escola comprovar a eficiência dos estudantes nas atividades, ou seja, avaliar o êxito por eles alcançado no processo de ensino aprendizagem, mas quando se trata em comprovar esse êxito e como avaliar se torna complexo.

Avaliar não é a mesma coisa que medir, qualquer medida pode-se dispor de instrumentos precisos tais como: régua balança, etc.

E quanto mais preciso os instrumentos, mais exatos a medida.

Ao contrário disso não há instrumento preciso para a avaliação.

Na avaliação escolar, não se avalia um objeto concreto observável e sim um processo humano contínuo.

Por outro lado, para tentar contornar esse problema e evitar avaliações precipitadas, para impedir que a avaliação de um momento seja generalizada para todo o processo, deve-se proceder a uma avaliação continua que capte o desenvolvimento do educando em todos os seus aspectos.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’S), introduzidos em 1996 trata do tema avaliação como um subsídio ao professor com elementos para uma reflexão sobre sua prática pedagógica.  

Neste documento é possível perceber que a avaliação é vista em diversos âmbitos da aprendizagem, refere-se à avaliação como uma investigação que instrumentaliza o professor para que ele possa pôr em prática seu planejamento de acordo com as características de seus alunos.

A avaliação nos Parâmetros Curriculares Nacionais é compreendida como elemento integrador entre a aprendizagem e o ensino, como um conjunto de ações que busca obter informações sobre o que foi aprendido e como foi aprendido, como um elemento de reflexão para o professor sobre sua prática educativa e como um instrumento que possibilita o aluno tomar consciência de seus avanços e de suas dificuldades.

Nos PCN’s a avaliação serve de indicador para orientar a prática educacional.

Mostra ao professor quando é preciso realizar ajustes no processo educativo.

Para tanto, ela não pode ser feita apenas em momentos específicos ou no final do ciclo escolar.

A avaliação exige uma observação sistemática dos alunos para saber se eles estão aprendendo como estão aprendendo e em que condições ou atividades eles encontram maior ou menor dificuldade.

Essa avaliação não se refere apenas ao domínio de conteúdos específicos, mas também ao desenvolvimento das capacidades.

Portanto, importa avaliar o aluno como um todo, nas diversas situações que envolvem aprendizagem: no relacionamento com os colegas, no empenho para solucionar problemas propostos, nos trabalhos escolares, nas brincadeiras, etc.

A avaliação inicial da classe ganha destaque nos PCN’s porque é ela que dará ao professor elementos para fazer seu planejamento, determinando os conteúdos e respectivo grau de aprofundamento, notas, conceitos, etc. não estão descartados.

A escola precisa desses instrumentos para seus registros.

O importante é que o aluno entenda como está sendo avaliado e que o resultado seja explicado e discutido com ele, e não apenas comunicado através de uma nota.

Outro aspecto fundamental é que nas atividades específicas de avaliação, uma prova, por exemplo, fique claro para o aluno o que se pretende avaliar e sejam usadas situações semelhantes às de aprendizagem.

A avaliação pode se tornar também um instrumento de aprendizagem, estimular o aluno a fazer a auto-avaliação é uma forma de ele aprender a analisar seus trabalhos, desenvolvendo seu senso crítico e sua autonomia.

As propostas de avaliação dos PCN’s minimizam um dos piores problemas escolares, que é a reprovação, sempre associada ao fracasso.

Professor e aluno terão tempo suficiente para detectar problemas e encontrar soluções antes de chegar a um resultado tão radical e negativo.

A reprovação será solução apenas para casos muito específicos.

Neste contexto abordado pelos PCN’s é possível perceber que esta seria a maneira ideal para se avaliar nas escolas, porém a realidade que encontramos é que este modelo de avaliação está muito longe de acontecer, com a proposta da progressão continuada para o ensino fundamental nas escolas públicas, ou seja, com o agrupamento da primeira a quarta séria em um módulo e da quinta à oitava série em outro módulo, deixando de lado o modelo tradicional de seriação foi possível perceber que a avaliação perdeu o sentido, ou seja, antes os professores só realizavam provas para aprovar ou reprovar, com a não-reprovação a avaliação passou a ser vista como desnecessária.

Nesta proposta a educação nas escolas passa a ficar abandonada, pois um aluno chega à oitava série analfabeto e desta forma é possível perceber que não houve nenhum tipo de avaliação ou reflexão em torno da aprendizagem deste aluno, ou seja, com a aprovação automática os professores adotara a idéia de que não- reprovação significa não-avaliação, se não reprova não há necessidade de avaliar,  segundo FREITAS (2003) a progressão continuada não se contrapõe a seriação, ela apenas limitou o poder de reprovar que a avaliação formal tinha ao final de cada série.

O regime de progressão continuada visa o acompanhamento do aluno e sua progressão contínua de uma série para outra respeitando ritmos e interesses individuais, não significa abandonar as práticas avaliativas, este regime torna-se coerente quando utiliza o princípio de avaliação mediadora.

Segundo HOFFMANN (2000, p. 24), “qualquer proposta de promoção automática que desperta tais considerações pelos educadores, sem o repensar da prática avaliativa no ensino fundamental corre o risco de maximizar o abandono às nossas crianças”.

É possível perceber claramente que a avaliação não é utilizada e nem vista pelos professores em seu sentido real, que é regular a aprendizagem, sendo indispensável quando há necessidade de atribuição de notas para aprovar ou reprovar um aluno, e desnecessária quando não há reprovação, é preciso compreender que avaliar vai além disto, avaliar é repensar as formas de ensino, é levar professor e aluno a refletir sobre as reais possibilidades de aprendizado, levando em consideração todos os aspectos educacionais.

O processo de avaliação tem se constituído em um desafio para o professor de Educação Básica, as políticas de avaliação instituídas para a implementação dos Parâmetros Curriculares Nacionais apresentam aspectos contraditórios, tanto no que se refere à operacionalização das modalidades de avaliar, quanto do cotidiano da sala de aula.

O processo de avaliar é vivenciado nas classes, envolvendo o professor que avalia e o aluno que é avaliado.

Estamos longe de alcançarmos todas essas teorias sobre avaliação que encontramos descritas nas leis e no sistema de ensino como um todo, a avaliação encontrada nas escolas é a classificatória que visa a atribuição de notas e certificados e presta-se a comparação de resultados obtidos com diferentes alunos, materiais e métodos de ensino.

Para LUCKESI (2006, p.66) “a prática de avaliação escolar tem estado contra a democratização do ensino na medida em que ela não tem colaborado para a permanência do aluno na escola e a sua promoção qualitativa”.

À medida que analisamos a realidade da avaliação no sistema de ensino atual é possível perceber que as formas avaliativas nas escolas não vão mudar em decorrência das leis, decretos ou resoluções, mas sim a partir de um compromisso dos educadores com a realidade educacional e social que enfrentamos.





A Avaliação mediadora.

As práticas avaliativas são questionadas principalmente devido à questão da melhoria da qualidade de ensino, ou seja, que só é possível modificar as formas de se avaliar nas escolas se a qualidade da educação melhorar, segundo HOFFMANN (2000, p. 11) “as escolas justificam os seus temores em realizar mudanças em decorrência de sérias resistências das famílias com relação a inovações”.

A sociedade como um todo acredita que a avaliação quando é realizada no sistema tradicional torna-se mais eficiente e responsável por uma escola mais competente.

Há também certa resistência por parte dos professores em modificar suas práticas avaliativas, pois segundo HOFFMAN (2005), sua formação e educação foi toda pautada no sistema tradicional, com a obrigação de atribuir uma nota para cada aluno e que esta nota seja a responsável pela aprovação ou reprovação e em sua formação pouco se ouviu falar em avaliação.

Segundo VASCONCELLOS (1998) a resistência a mudanças pode ter diferentes origens, falta de conhecimento, falta de segurança em fazer o novo, defesa natural diante de situações novas, entre outros.

Para HOFFMANN (2000) alcançar a qualidade de ensino significa desenvolver o máximo de seus alunos, tornando a aprendizagem possível no seu sentido amplo, alcançada pela criança a partir das oportunidades que o meio oferece.

De acordo com HOFFMANN (2000), em uma perspectiva construtivista uma educação de qualidade oferece oportunidades amplas e desafiadoras para a construção do conhecimento, é responsável por tornar a aprendizagem possível, já em uma perspectiva tradicional a qualidade de ensino se dá através de padrões pré-estabelecidos, padrões comparativos e critérios de promoção, neste sentido a qualidade passa a ser confundida com quantidade.

Ainda segundo a mesma autora em uma perspectiva mediadora a qualidade de ensino é desenvolver o aluno no máximo de seu potencial, não há limites e nem critérios pré-estabelecidos, porém objetivos bem definidos e planejados, sem que haja uma padronização de notas e valores.

Ao definir objetivos o professor deve delinear as ações educativas e este processo deve ocorrer respeitando a realidade escolar do aluno, sua história e a comunidade em que está inserido, devendo considerar as possibilidades e limites que este cenário educativo lhe oferece.

O critério essencial e necessário para a avaliação mediadora é que o professor conheça seu aluno, ou seja, o professor deve conhecer sua realidade, compreender sua cultura, seu modo de falar, e pensar, e isto se dá “através de perguntas, fazendo-lhe novas e desafiadoras questões, na busca de alternativas para uma ação educativa voltada para a autonomia moral e intelectual”, HOFFMANN (2000, p. 34).

A avaliação mediadora propõe uma ação reflexiva da aprendizagem, ao invés de uma avaliação classificatória, de julgamento de resultados.

A avaliação mediadora destina-se a conhecer, não apenas para compreender, mas também para promover ações em benefícios aos educandos, o professor tem como papel participar do sucesso ou do fracasso dos alunos, ou seja, o professor tem a responsabilidade de através de uma prática reflexiva conhecer o seu aluno e identificar a maneira adequada de promover a aprendizagem levando em conta seus conhecimentos anteriores, o professor terá que possuir uma postura reflexiva e uma formação continuada para saber avaliar o aluno, avaliar a si mesmo e avaliar a avaliação que deverá ser permanente, pois se o aluno fracassar não será apenas sua responsabilidade, mas também do professor que ao avaliar seu aluno constantemente deve realizar as devidas interferências buscando novos caminhos e alternativas para que a aprendizagem ocorra.

Para HOFFMANN (2000) é responsabilidade do educador trabalhar a individualidade do seu aluno, respeitando suas diferenças com o intuito de formar jovens autônomos, críticos e cooperativos.

Na avaliação mediadora o professor ao propor uma tarefa define suas intenções, pois sua prática é uma ação que deve ser planejada, sistemática e intuitiva, e parte de duas premissas básicas: confiança na possibilidade dos alunos construírem suas próprias verdades e valorização de suas manifestações e interesses, ou seja, o aluno passa a ser o centro do processo de ensino, deixando de lado a educação bancária onde o aluno é apenas um depósito de idéias e não agente atuante na aprendizagem.

A mediação é aproximação, diálogo, que assume um papel de grande relevância na educação, é o acompanhamento do jeito de ser de cada aluno, bem como da sua história pessoal e familiar, nela o tempo do aluno deve ser respeitado, pois ele é sujeito e produtor de seu conhecimento, exemplificando, em uma mesma atividade os alunos apresentarão reações diferentes de entendimento, riqueza em suas respostas e até mesmo nas manifestações.

Um professor mediador preocupa-se com a aprendizagem de seu aluno e tem a observação como um aliado na construção do conhecimento, ao observar seu aluno o mesmo é capaz de identificar suas habilidades e trabalhá-las plenamente e também suas dificuldades procurando alternativas junto ao aluno para transformar a aprendizagem em um momento prazeroso e levar o aluno a perceber sua importância para a construção de seu próprio conhecimento.

Através da avaliação mediadora o professor deve utilizar a prova para pensar em novas estratégias pedagógicas que ele deverá utilizar para interagir com seus alunos, e para que isto aconteça de forma eficaz e significativa o professor deve levar em conta os conhecimentos prévios de seus alunos, estes devem ser explorados e trabalhados, pois são necessários para que o professor possa abordar novos temas e como uma fonte confiável para detectar as dificuldades de aprendizagens, bem como para indicar novos rumos e estratégias a serem utilizadas.

Na avaliação mediadora é importante que o professor seja reflexivo e que tome decisões coerentes, coloque-as em prática avaliando-as e ajustando-as progressivamente, conforme suas experiências e as necessidades de seus alunos, pois estes estão sempre evoluindo, em diferentes ritmos à medida que o professor os provoca a prosseguir sempre.

Para que o aluno seja orientado a uma prática reflexiva de análise de suas aprendizagens é necessário que o professor mobilize este aluno a partir de ações do cotidiano tais como: comentários, novas perguntas e orientações para a continuidade de seus estudos traçando metas pessoais e coletivas de enfrentamento de dificuldades e de avanços em determinadas áreas.

A visão tradicional é aquela em que o professor primeiro ensina e depois pergunta, na visão mediadora, as perguntas assumem um caráter permanente de mobilização, ou seja, professores e alunos questionam-se, buscam informações pertinentes para construir conceitos e resolver problemas, as condições de aprendizagem definem as condições de avaliação, pois se cria um ambiente de investigação e intervenção, adequadas à observação de cada aluno.

Segundo HOFFMANN (2000) a aprendizagem acontece em tempos diferentes para cada aluno, pois é um processo de natureza individual, o importante é apontar rumos do caminho e torná-lo tão sedutor a ponto de aguçar a curiosidade do aluno para o que ainda está por vir.

A avaliação deve ser organizada de forma a favorecer a aprendizagem dos alunos, promovendo a evolução dos alunos, mas acima de tudo respeitando o tempo de cada um.

De acordo com HOFFMANN (2000) é o aluno quem determina o seu próprio tempo de aprendizagem e é no cotidiano escolar que estas condições se revelam, uma tarefa igual não é cumprida por todos ao mesmo tempo, desta forma ao desenvolver um projeto o professor deve ter um planejamento flexível, pois este pode ou não acabar dentro do tempo esperado, por isso é importante que o professor avalie todo tempo os objetivos esperados e os rumos tomados pelo grupo de alunos, diversificando o seu fazer pedagógico.

Um fator muito importante na avaliação mediadora é o diálogo, que nesta concepção é entendido como uma conversa como o aluno, pois é através dele que o professor vai se aproximar de seu aluno e despertar o interesse e a atenção pelo conteúdo a ser transmitido.

É necessário que o professor acompanhe seu aluno, no sentido de estar junto dele e caminhar junto dele para que seja possível a observação passo a passo de seus resultados individuais, porém segundo HOFFMANN (2000), acompanhamento e diálogo por si só não conduzem a uma avaliação mediadora, pois nesta prática o diálogo é muito mais que uma conversa e o acompanhamento é muito mais que observar os alunos realizarem uma tarefa, na mediação dialogar é refletir em conjunto e acompanhar é favorecer o vir a ser, realizando ações educativas que possibilitem novas descobertas, proporcionando vivências enriquecedoras e favorecedoras à ampliação do saber.

A visão mediadora oferece tanto ao professor quanto ao aluno momentos de reflexão e diálogo, para que juntos possam traçar novos objetivos, através de uma visão menos centralizada do saber, nesta perspectiva o aluno tem sua devida importância no processo de ensino que deve estar inserido em sua realidade e planejado para que seja objeto de interesse e participação coletiva.

Ao utilizar a avaliação mediadora o professor é capaz de conhecer cada um de seus alunos e utilizar a prática da observação e acompanhamento para que possa adequar o ensino a cada um como um processo individualizado.





A Perspectiva do erro na visão mediadora.

A pedagogia tradicional nos transmite a idéia de que o erro é vergonhoso e ruim e precisa ser evitado a qualquer custo, sob este ponto de vista o aluno fica sem coragem de se expressar por medo de falar alguma coisa errada e receio de se expor, e assim se aprende desde pequeno a dar respostas certas para satisfazer o professor ou o grupo, é comum os alunos ao responderem uma questão de prova escrever o que o professor quer que eles respondam e não o que eles acreditam que seja verdade.

A visão culposa do erro na prática escolar tem conduzido ao uso constante do castigo como uma forma de correção, não as formas de castigos com agressões físicas que ocorriam no passado, mas o uso mais sutil desta prática como tensão e ansiedade entre os alunos e um ambiente com um clima de medo.

O castigo que emerge o erro, verdadeiro ou suposto, marca o aluno tanto pelo seu conteúdo quanto pela sua forma.

As atitudes ameaçadoras, empregadas repetidas vezes, garantem o medo, a ansiedade, a vergonha de modo intermitente.

A partir do erro na prática escolar, desenvolve-se e reforça no aluno uma visão culposa da vida, pois além de ser castigado por outros ainda sofre uma autopunição.

O erro, no caso da aprendizagem, não deve ser fonte de castigo, pois na visão mediadora o erro é um suporte para auto-compreensão e para o crescimento individual e coletivo.

Os erros dos alunos constituem-se em ricas fontes de informação para o professor.

Mostra-lhe continuidade, as maneiras através das quais seus alunos raciocinam, seu nível evolutivo atual, e apontam em especial os aspectos que, no momento, concentram as principais dificuldades.

Os erros das crianças podem desta maneira, auxiliar muito o professor, norteando sua conduta em sala de aula.

Os estudos de Hoffmann, mostram que a prática tradicional coloca um ponto final a cada tarefa que o aluno faz.

O professor assim acaba anulando o caráter de continuidade de sua própria ação educativa e impede ao aluno o progresso natural em termos de processo de conhecimento.

“Ao invés do certo/errado e da pontuação tradicional, fazer comentários sobre as tarefas dos alunos, auxiliando-os a localizar as dificuldades, oferecendo-lhes a oportunidade de descobrir melhores soluções” (HOFFMANN, 2000, p. 82).

É necessário ultrapassar a sistemática do certo e errado e atribuir significado ao que se observa, valorizando as idéias, dando importância as dificuldades e orientando o aluno a fim de obter progressos e compreensão.

Segundo HOFFMANN (2000, p. 85), “[...] os registros de avaliação devem responder questões que parecem esquecidas na escola: O aluno aprendeu?/ Ainda não aprendeu? Quais os encaminhamentos feitos ou por fazer nesse sentido?” Muitos professores valorizam apenas as respostas erradas dos alunos para dar continuidade à ação educativa, corrigindo e apontando o que julgam que seja o certo.

Se analisarmos o significado da palavra corrigir, teremos retificar, endireitar, consertar, este sentido de correção daria ao professor o direito de refazer o que o outro fez, a partir desta perspectiva é possível um questionamento a cerca da correção, se a mesma favorece a compreensão e o desenvolvimento da autonomia dos alunos, se o fato do professor apontar uma resposta certa ou errada contribui para que o aluno tome consciência das contradições do que está certo ou errado.

A dinâmica de avaliação efetiva-se, a partir das análises das respostas dos alunos frente as situações desafiadoras nas diferentes áreas do conhecimento, suas perguntas e respostas representam tentativas de se apropriar das múltiplas relações entre os fenômenos que vivencia.

Um ambiente livre de tensões e limitações favorece as tentativas de conquista do saber, ao mesmo tempo em que permite ao professor a análise das relações estabelecidas em termos de lógica existente nas soluções apontadas pelo aluno e o acompanhamento individual feito pelo professor é muito importante.

Segundo HOFMANN (2000, p. 76) “a teoria construtivista introduz a perspectiva da imagem positiva do erro cometido pelo aluno como mais fecundo e produtivo do que um acerto imediato”.

Desta forma o processo avaliativo que Hoffmann se refere é um método investigativo, que prescinde de correção tradicional, impositiva e coercitiva, que acaba por tornar o aluno submisso às correções e aos conceitos atribuídos.

HOFMANN (2000) propõe a conversão dos métodos tradicionais, em métodos investigativos de interpretação e de soluções propostas pelos alunos às diferentes situações de aprendizagem, para a prática efetiva da avaliação mediadora.

Na avaliação mediadora erro deve ser entendido como possibilidades para a construção do conhecimento, pois o mesmo fornece pistas sobre o modo de organização do pensamento dos alunos; oferece novas informações ao professor; elabora novas perguntas sobre a dinâmica da sala de aula e indica ainda “o que não sabe” e o “que pode vir a saber”.

É de fundamental importância que durante o aprendizado o erro seja visto como um degrau que deve ser  ultrapassado para se construir novas hipóteses até que se chegue ao acerto, e não como algo a ser corrigido com uma única verdade absoluta.

Se as crianças cometem erros é porque, geralmente, estão usando sua inteligência a seu modo. Considerando que o erro é um reflexo do pensamento da criança, a tarefa do professor não é a de corrigir, mas descobrir como foi que a criança fez o erro (KAMII, 1992, p. 64).

O papel do professor mediador é fazer as investigações necessárias para que o aluno acrescente em sua aprendizagem novas verdades, porém nem todos os erros são construtivos, na mediação o erro só é construtivo quando as hipóteses são progressivamente reconstruídas através de comparações e questionamentos através do professor, ou seja, sua intervenção não deve ser para corrigir e sim como um modo desafiador, trazendo novas situações para que os alunos confrontem com as situações já conhecidas.

Acerca desta concepção do erro a avaliação mediadora se dá para que haja pesquisa e reflexão sobre o processo de construção do saber de maneira  que o professor faça as intervenções que auxiliem os alunos, valorizando e questionando de forma qualitativa os conhecimentos prévios de cada um.





Como é possível desenvolver uma cultura avaliativa mediadora?

Segundo as investigações de HOFFMAN, para os professores os fatores que impedem a utilização da avaliação mediadora é que para realizá-la é necessário um atendimento individual para cada aluno, uma aproximação maior com cada um e nos padrões atuais torna-se difícil, devido ao número de alunos em cada classe e o tempo que o professor permanece com os mesmos.

Ainda segundo a autora é necessário que as escolas mudem os seus princípios e não apenas transformem as metodologias utilizadas, pois é necessário ter certa clareza sobre os princípios avaliativos, que devem preocupar-se com a ação, em uma avaliação que prevê a melhoria da educação, outro princípio que autora cita é o princípio de avaliação como projeto de futuro, ou seja, na avaliação tradicional a preocupação maior é com o passado “o aluno não aprendeu” e não com o futuro “como este aluno irá aprender?”, nas reuniões de conselho o que muito se discute é o que tem acontecido com os alunos, sendo que a maior parte do tempo deveria se discutir  e procurar novas propostas pedagógicas que possam auxiliar os alunos na aprendizagem, ao projetar o futuro o professor deve interpretar a prova para pensar e criar novas estratégias pedagógicas e não para ver o que o aluno não sabe, estas estratégias podem ser discutidas com o grupo de alunos tornando-os mais  precisos e claros em suas idéias, o terceiro princípio que deve estar claro não apenas para o professor, mas para toda a escola é o princípio da ética, ou seja, o professor deve atender a cada aluno, atender a individualidade de cada um, conhecendo suas necessidades, suas vivencias e suas dificuldades, é necessário que a escola tenha a clareza nesses princípios para que possa criar um projeto político pedagógico onde a prática avaliativa seja clara, concisa e coerente com os objetivos da escola.

Para se transformar as práticas avaliativas tradicionais que se encontram nas escolas é necessário que se mudem algumas atitudes dentro da sala de aula, o professor deve promover tarefas e atividades que dêem oportunidades para os alunos se expressarem e essas expressões devem ser observadas e interpretadas tornando-se estratégias pedagógicas, ou seja, ao interpretar diferentes tipos de tarefas, sejam elas orais ou escritas, o professor está realizando uma mediação articulando o processo avaliativo ao contexto sócio-cultural de seus alunos.

Muitas escolas alegam que o sistema de ensino é quem determina que o professor deve atribuir uma nota a cada aluno, porém o que há é uma resistência muito grande a mudanças tanto por parte dos professores, quanto da escola e também da comunidade em geral, os pais sempre cobram da escola uma nota para o seu filho, porém não é necessário mudar estas formas de registros ou conceitos e sim a prática de como se chega a esse registro final.

Outro aspecto de deve ser superado para se utilizar a avaliação mediadora nas escola é o de que as escolas têm cada vez mais um número maior de alunos o que dificulta a avaliação mediadora e o professor deste novo século acaba assumindo diversas funções na sala de aula, passando a ser um educado que além de lidar com situações pedagógicas também tem que lidar com situações afetivas e emocionais.

Segundo HOFFMAN (2000), as escolas que desenvolvem experiências significativas da avaliação mediadora são as que diminuíram o número de alunos e abriram espaços e tempo de estudos para seus professores como salas de leitura, bibliotecas para estimular a construção de novos conceitos pedagógicos a partir da própria realidade escolas, ou seja, é necessário que haja um compromisso por parte da Escola com a formação continuada de seus professores, pois a nossa sociedade está em constantes mudanças que exigem que a cada dia os princípios e conceitos sejam repensados e isto só acontece significativamente quando torna-se uma tarefa em grupo, com troca de idéias e experiências.

É possível utilizar a avaliação mediadora, pois esta deve ser uma prática diária do professor, diferente dos métodos de avaliação convencionais que estão presentes apenas ao final de cada ciclo, deve fazer parte da rotina do professor, pois desta forma facilitará o uso da avaliação que servirá como documento de exigência legal, pois ao conhecer o seu aluno o professor é capaz de produzir situações que não sejam de punição e medo e sim apenas mais um momento de aprendizagem e descobertas, porém para que isto aconteça o professor deve aceitar as mudanças e encarar novos desafios, cabe à direção, coordenação das escolas incentivarem os professores e motivá-los a alterar suas práticas avaliativas, favorecendo ao professor uma reflexão acerca de suas práticas pedagógicas e de sua atuação.

É necessário que se valorize o trabalho do professor, pois muitas vezes o professor apresenta certa resistência ao falar de seu trabalho em seus relatórios por insegurança e medo de mostrar-se frágil, desta maneira é necessário que o professor tenha a clareza e o apoio por parte da direção da escola de que ao utilizar os relatórios como ferramenta de avaliação o mesmo servirá como base para as transformações necessárias para se conduzir a aprendizagem que é o objetivo principal da avaliação.

O sistema de ensino de nosso país ainda está muito distante de promover a avaliação mediadora nas escolas, porém o professor é o maior responsável por iniciar esta pratica, tomando consciência de que a qualidade de nossa educação só acontecerá quando for deixada de lado esta importância que se dá em distinguir quem é melhor ou pior, quem aprendeu mais de quem aprendeu menos, passando a acreditar que cada um tem seu momento e que a aprendizagem acontece de forma distinta para cada aluno.





Concluindo.

Após realizar este estudo sobre avaliação, foi possível perceber o quanto avaliar é uma tarefa difícil e de muita responsabilidade para o professor que pouco sabe a respeito deste assunto, pois em sua formação a avaliação sempre foi considerada como uma maneira de classificar e atribuir uma nota ao aluno com o único propósito de aprovação ou reprovação, esta é a forma de avaliar mais comum nas escolas, e as poucas escolas que tentam modificá-la ainda encontram certa resistência tanto por parte do professor quanto por parte da sociedade.

Avaliar vai além de atribuir uma nota ou um valor, ao estudar a avaliação mediadora, foi possível entender que para a aprendizagem tornar-se efetiva é necessário integrar a avaliação a todo o processo de ensino-aprendizagem e não a um momento isolado, pois desta forma o aluno é avaliado por tudo o que produziu e o que apreendeu.

A construção de um diálogo também é essencial para que a avaliação mediadora alcance seus objetivos, pois o professor ao aproximar-se de seus alunos, ao conhecê-los é capaz de dar significados ao que o aluno precisa conhecer, ou seja, integrar a aprendizagem aos conhecimentos prévios de seus alunos.

A avaliação mediadora não é uma tarefa fácil para o professor, pois ao realizá-la o professor também estará realizando uma avaliação de sua atividade docente, o que vem a torná-la ainda mais difícil, pois em nossa cultura o professor não está acostumado a ser avaliado.

Ao utilizar os métodos tradicionais de avaliação o professor atribui os fracassos de seus alunos exclusivamente a eles, e não leva em consideração seus métodos e técnicas para ensinar.

Para que a avaliação mediadora seja realizada efetivamente é necessário que os professores tenham o desejo de mudança, não é tarefa fácil no início, pois além de ser mais trabalhosa exige que o professor observe sua turma e os ouça, pois nesta avaliação o aluno também participa, dando opiniões e sugestões no sentido de transformar os momentos de aprendizagem mais prazerosos, o professor deve treinar muito para deixar de lado as formas classificatórias de julgar o aluno.

A sociedade também apresenta muita resistência em relação a mudanças na avaliação, pois para muitos somente através da nota – e que se torna possível perceber se o aluno aprendeu ou não, é necessário que se quebrem as barreiras e que haja esclarecimentos dentro da própria escola para pais e alunos compreenderem de forma coerente a avaliação mediadora.

Seria interessante que as escolas passassem a incentivar a avaliação mediadora e que este tema tornasse objeto de estudo para que os professores tomassem conhecimento, pois somente conhecendo é que o professor vai perceber que realizar a avaliação mediadora é uma prática diária que com o passar do tempo acontecerá de forma natural, tornar-se-á um hábito, como parte integrante do processo de ensino-aprendizagem.

Para finalizar é possível concluir que avaliar não é um ato estático, e sim algo que está sempre se modificando e o professor deve modificar suas práticas a cada avaliação.

Levando em conta a realidade cultural e social que seus alunos estão inseridos, é possível avaliar sem fazer julgamento e compreender que cada aprendizagem tem seu momento e seu tempo.





Para saber mais sobre o assunto.

HAYDT, Regina Cazaux, Avaliação do Processo Ensino-Aprendizagem. São Paulo: Editora Atica, 2004.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da Aprendizagem Escolar: Estudos e Proposições.  São Paulo: Cortez, 2006.

PERRENOUD, Phillippe. Avaliação da Excelência à Regulação das Aprendizagens Entre Duas Lógicas. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.

HOFFMANN, Jussara Maria Lerch. Avaliação Mediadora: uma prática em construção da pré-escola à universidade. Porto Alegre: Educação & Realidade, 2000.

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Texto: Profa. Giovana Gomes de Macedo Luz.

Pós-Graduanda em Psicopedagogia Institucional pelo INEC/UNICSUL.