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Para entender a história... é uma publicação técnico-científica on-line independente brasileira, indexada pelo IBICT, Latindex, CNEN e LivRe; no ar desde sexta-feira 13 de Agosto de 2010.
Não possui fins lucrativos, seu objetivo é disseminar e difundir o conhecimento através de artigos com qualidade acadêmica e rigor cientifico, mas linguagem acessível ao grande publico.

Periodicidade: Semestral (edições em julho e dezembro) a partir do inicio do ano de 2013.
Mensal entre 13 de agosto de 2010 e 31 de dezembro de 2012.

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sábado, 7 de abril de 2012

Responsabilidade Social e Ética Profissional.


Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 3, Vol. abr., Série 07/04, 2012, p.01-08.


Responsabilidade Social é uma expressão que se tornou recorrente no final do século XX, principalmente vinculada com o contexto empresarial.
No entanto, o termo é sempre aplicado de forma vaga, nunca definido com rigor, implicando em uma subjetividade que distorce seu real significado.
Embora a Responsabilidade Social possa ser definida, genericamente, como o comportamento ético do individuo e das instituições para com a sociedade; a sua complexidade não se restringe a esta conceituação simplista.
O entendimento das implicações contidas nesta ética para com o mundo possui antecedentes que remontam, no mínimo, ao inicio do século XX; a despeito da linha evolutiva se estender aos primórdios das discussões filosóficas na antiguidade.
Destarte, para além de sua aplicação de senso comum, aplicada ao universo das empresas e do consumo, no âmbito capitalista; a Responsabilidade Social se insere contemporaneamente em todas as esferas da vida humana, inclusive nos meios de comunicação, na educação, na saúde, nas empresas e no direito.
O que pode ser aplicado a qualquer outra área e exercício profissional.


Antecedentes.
O termo Responsabilidade Social tornou-se mais comumente utilizado a partir de 1950, principalmente nos EUA, a despeito de alguns teóricos iniciarem a abordagem do tema desde o inicio do século XX.
No entanto, pelo viés filosófico, o próprio conceito de ética remete a responsabilidade para com o outro e a coletividade desde seus primórdios.
O que seria abordado, vinculado com o componente social, de modo mais explicito, na década de 1920, pelo filosofo alemão Martin Heidegger.
 O pensador é considerado controverso, sobretudo, por sua ligação com o nazismo, tendo se filiado ao partido de Hitler em 1933.
O que lhe garantiu, posteriormente, sua nomeação como reitor da Universidade e Freiburg, embora tenha se demitido devido à pressão de seus colegas professores que tentaram boicotar os nazistas.
Além disto, existem relatos de que teria delatado colegas judeus à Gestapo; apesar de, contraditoriamente, ter vivido um caso de amor com uma de suas alunas, uma judia, Hannah Arendt, a qual se tornaria um expoente intelectual no século XX.
Entretanto, filosoficamente, Heidegger exerceu forte influencia sobre as discussões contemporâneas em torno da ética.
A partir de abordagens metafísicas, pensando o “ser enquanto ser”, desenvolveu o conceito de Da-sein, cuja tradução literal do alemão é “ser-aí”, o que pode ser traduzido de forma mais livre como “ser no mundo”.
Para Heidegger, a reflexão ética nasce da finitude, pois o fato do homem morrer, acabar fisicamente, conduz a transcendência religiosa e a preocupação de seu papel no mundo.
O Da-sein constitui uma postura na qual o ser é obrigado a tentar fazer as melhores escolhas, livrando-se das futilidades para abrir um mundo de possibilidades, visando realizar-se, marcar sua passagem pelo mundo.
Neste sentido, o sujeito é livre para fazer o que quiser, desde que assuma a responsabilidade por seus atos, sem imputar a outro as consequências.
O que remete a responsabilidade dos atos individuais para com resultados que interferem na vida do outro e da sociedade.
Em outras palavras, toda ação possui implicações que interferem na vida coletiva, portanto, o individuo deve levar este fator em consideração antes de agir.
Uma forma de alcançar o Da-sein seria através da vivência da angustia, a qual afastaria o homem da banalidade, fazendo redescobrir a própria realidade, aproximando-se da verdade do mundo.
Adquirir a responsabilidade ética seria, assim, um processo de amadurecimento que faz parte da vida, mas que só acontece quando o individuo possui orientação para perceber a oportunidade de mudança, efetivada pela educação como norteadora ética.
Uma posição complementada pelo pensamento de Jean-Paul Sartre, francês que contribuiu com o pensamento filosófico publicando importantes obras a partir da década de 1930.
Para ele a total liberdade somente é realizada se for acompanhada da plena responsabilidade pelos atos.
Portanto, ser livre implica em valorizar a liberdade do outro e, assim, assumir a responsabilidade pelos atos individuais que interferem na vida de todos, assumindo um compromisso constante com a humanidade.


O conceito de responsabilidade.
Foi um discípulo de Heidegger, o também alemão Hans Jonas, que abordou de forma sistemática, pelo ângulo filosófico, a questão conceitual da responsabilidade ética.
Depois de um longo percurso em que estudos foram desenvolvidos desde a década de 1930, sendo obrigado a fugir da Alemanha nazista em 1932, devido a sua origem judaica; publicou em alemão, em 1979, a obra O principio da responsabilidade, traduzido para o inglês em 1984.
Poucos anos depois, não por acaso, a discussão ética sobre a Responsabilidade Social se tornaria central entre intelectuais e no seio da sociedade.
Para Jonas o avanço da tecnologia, o que ele chamou de tecnociências, construiu um mundo no qual os indivíduos não se preocupam com o futuro, esquecendo-se que eventos aparentemente insignificantes podem desencadear mudanças cumulativas com forte impacto para toda a humanidade.
É dele a famosa afirmação que “o esvoaçar de borboleta no Amazonas provoca um furação nas Caraíbas”; o que é ignorado pela maioria das pessoas diante da aproximação espacial propiciada pela tecnologia que, simultaneamente, dilatou o tempo.
Situação que faz a maioria dos indivíduos pensarem que o futuro se resume ao hoje, há poucos anos ou décadas à frente.
A Ciência, enquanto conhecimento da realidade, modificou a essência humana, prolongando a vida, modificando a genética, controlando comportamentos e doenças através de medicamentos; diluindo a noção de finitude abordada por Heidegger, fazendo o homem deixar de se preocupar com seu papel no mundo.
Diante deste panorama imediatista, Jonas externou seu questionamento sobre o futuro das gerações que virão depois de nós.
A resposta seria um apocalipse gradual, com o esgotamento de recursos naturais, a ampliação da desigualdade econômica e social e o fim da espécie humana.
Frente a estas colocações, emerge o conceito de responsabilidade, a preocupação com o futuro da humanidade, promovendo uma mudança na maneira de pensar e agir de cada indivíduo e, a reboque, das instituições.
Para tal, seria necessário pensar o hoje como consequência do amanhã, medindo o impacto de cada decisão antes de efetiva-la, já que a mais pequena ação gera reflexos imensos no futuro; o que ficaria conhecido, na década de 1990, como fazendo parte da Responsabilidade Social.

Para normatizar a atitude ética, Jonas defendeu 4 preceitos que deveriam compor o principio básico da responsabilidade:
1. O plano individual imediato requer sempre a consciência racionalizada do ato, sendo necessário refletir e conhecer as consequências antes de agir.
2. Para agir é preciso que a ação seja compatível com o beneficio advindo para a humanidade.
3. Todo individuo tem um dever por aqueles que ainda não existem e que só poderão existir se as escolhas certas forem feitas, o que significa que a existência individual não pode afetar a sobrevivência das gerações futuras.
4. O futuro deve ser tratado dentro de seu horizonte concreto e real, a tecnologia deve estar a serviço da sobrevivência e bem estar da humanidade, um principio ético universal que privilegia a dimensão pública em detrimento da privada.

Após os questionamentos de Hans Jonas e a sugestão de seus imperativos éticos, a Responsabilidade Social adquiriu um significado, não só relacionado com o outro, mas, sobretudo, vinculado com o meio em que a humanidade vive.
Nasceu uma preocupação com a natureza, o impacto ambiental causado pela presença humana e sua implicação para com a própria sobrevivência da espécie.
Entretanto, é obvio que a Responsabilidade Social também possui um viés antropológico, que caminha em um sentido mais imediato e compatível com a ética capitalista.


Aspectos antropológicos.
O conceito de Responsabilidade Social envolve, além da preocupação com o futuro, a equalização da distribuição de riqueza, a diminuição das diferenças entre ricos e pobres, remetendo a chamada questão do bem estar social.
A crise advinda com a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, inaugurou a ideia de que o Estado deveria desenvolver políticas publicas para garantir meios de subsistência mínimos aos seus cidadãos.
Na realidade, esta lógica de pensamento já estava presente desde a Revolução Francesa, com seu ideal de igualdade, liberdade e fraternidade.
Entretanto, os preceitos iluministas estavam vinculados com o conceito de cidadania e não de bem estar social, impondo o dever de atuação na vida pública ao individuo, oferecendo em contrapartida o direito à palavra e a participação no exercício do poder.
Os revolucionários pretenderam garantir a participação popular no gerenciamento do Estado, mas não se preocuparam em estabelecer direitos individuais para além do oferecimento de oportunidades igualitárias aos cidadãos.
A despeito de seu vinculo com a responsabilidade ética, a Revolução Francesa não ofereceu uma proteção do Estado contra a fome, a pobreza e a desigualdade; existia fortemente o componente político, mas o elemento social era tímido.
Devemos lembrar que o século XVIII foi também a época da Revolução Industrial, marcada pela exploração da mão de obra assalariada e um imenso abismo no padrão de consumo do proletariado e do capitalista.
Somente na década de 1930, nos EUA e, igualmente, nos Estados fascistas europeus, notadamente na Itália e Alemanha, passou a existir uma discussão sobre a responsabilidade da coletividade sobre o destino dos indivíduos.
Em certa medida, esta nova mentalidade foi expressa pelo keynesianismo, teoria formulada pelo economista britânico John Maynard Keynes, que afirmou ser necessário implantar uma política intervencionista governamental para superar os ciclos de recessão econômica.
Embora também seja simbolizada pela concepção fascista, com o Estado como agregador das forças individuais e, portanto, responsável pelo bem estar dos cidadãos; o keynisianismo defende a implantação de um governo que beneficie a coletividade, restringindo a liberdade para oferecer garantias de uma existência confortável na ótica capitalista.
O bem estar social colocou o Estado como promotor da proteção do individuo diante das intempéries da vida, posicionado como defensor e regulador dos direitos sociais, garantindo direitos trabalhistas, segurança econômica e a possibilidade de desenvolvimento humano.
Uma tendência contrária ao liberalismo até então em voga e que se opõe também ao neoliberalismo vigente, concepção que tem como bandeira, justamente, a não intervenção do Estado e uma política de culpar o próprio individuo pelo seu fracasso econômico e social.
O aspecto antropológico da responsabilidade, advinda do conceito de bem estar social, impôs a preocupação com o individuo, estendendo a vertente centrada na humanidade para cada membro do coletivo.
Assim, quando a Responsabilidade Social eclodiu como obrigação ética, no final do século XX, dizia respeito ao viés institucional Estatal, coletivo e individual ao mesmo tempo.
Representando a preocupação com o meio, o ambiente, a natureza, a humanidade e as gerações futuras; mas, igualmente, com o agora, as empresas, os meios de comunicação, as mais diversas consequências no desempenho profissional e desenvolvimento cientifico, com as decisões do Estado impostas a sociedade e inúmeras outras esferas.
Surgiu uma preocupação com o coletivo e suas implicações, assim como também com o exercício ético das ações dos sujeitos.


Responsabilidade Social Institucional e Individual.
No âmbito institucional, para além das obrigações do Estado para com a sociedade e os indivíduos, os primórdios do conceito da Responsabilidade Social remetem a década de 1950, quando no universo do privado e não mais do público, surgiu à questão dos deveres das empresas para com a coletividade.
Uma problemática que foi discutida juridicamente, nos EUA, já em 1919, no chamado caso “Dodge versus Ford”, quando Henri Ford, acionista majoritário da empresa, não distribuiu os dividendos devidos aos outros acionistas, alegando interesses sociais em 1916.
Contrariados, John e Horace Dodge entraram com uma ação na Suprema Corte de Michigam, exigindo o pagamento de sua participação nos lucros.
Henry Ford se defendeu afirmando que havia gasto os dividendos em investimentos na capacidade produtiva, aumentando salários e o fundo de reserva para redução de despesas, diminuindo o preço dos carros.
A justiça norte-americana foi favorável aos Dodges, justificando a decisão pelo fato da empresa existir para beneficiar seus acionistas e não os operários, os consumidores ou a sociedade.
Somente com os efeitos da grande depressão e o surgimento da concepção de bem estar social, esta mentalidade começou a mudar, a responsabilidade das instituições para com a sociedade passou a ser vista como tarefa que não cabia somente ao Estado, mas também circunscrita à esfera privada.
O que foi externalizado em outro caso julgado no judiciário dos EUA, nomeado “A.P. Manufacturing Company versus Barlow”, quando a Suprema Corte de Nova Jersey foi contra os interesses dos acionistas na década de 1950.
Na ocasião, o juiz decidiu a favor da doação de recursos para a Universidade de Princeton, devido à responsabilidade para com o desenvolvimento social da região, beneficiando mutuamente a sociedade e a própria empresa, já que iria utilizar a mão de obra formada pela instituição de ensino superior.
A partir de então, a Responsabilidade Social, gradualmente, passou a ser observada como obrigação das instituições publicas e privadas, visto suas ações causarem interferência no destino das pessoas e de outras instituições.
Na década de 1960, pelo viés teórico, a obra A moderna corporação e a propriedade privada, de autoria de Adolf Berle e Gardiner Berle, publicada inicialmente nos EUA, fundamentou a vinculação da ética e da Responsabilidade Social institucional.
A responsabilidade dos dirigentes de instituições privadas, neste contexto, não pode se resumir aos acionistas.
Ao inverso, exatamente porque precisa gerar lucros, a preocupação com a imagem e fatores interdependentes da cadeia produtiva é que necessita ser o foco central dos valores institucionais.
Estes possuem intima relação com o desempenho organizacional de empresas, pois carece de predisposição positiva de seus funcionários, fornecedores, setores governamentais, consumidores e da sociedade de um modo geral.
No entanto, apesar da intensa discussão, que inclui também argumentos contrários que insistiam na ausência de dados empíricos e teóricos, o termo Responsabilidade Social só começou a ser utilizado propriamente na década de 1970, então aplicado à realidade corporativa.
Desde então, até a década de 1990, a Responsabilidade Social evolui, incorporando elementos filosóficos e éticos, passando da visão antropológica, herdeira do bem estar social, para o caráter ecocêntrico.
Uma tendência que enxerga uma instituição não só responsável pelas pessoas, mas, igualmente, parte constituinte de uma relação de interdependência com a sociedade e o meio onde está inserida, formando parte de um ecossistema organizacional que se estende em vários sentidos.
O contexto da globalização e do neoliberalismo, impôs ao individuo, como elemento integrado a sociedade e as instituições, responsabilidade sobre seu próprio destino e, a reboque, do outro.
O neoliberalismo fundou uma mentalidade inversa aos pressupostos do keynesianismo, imputando ao Estado a resolução das questões macroeconômicas, deixando os problemas sociais para serem solucionados pela sociedade, representada pelas ONGs (Organizações Não Governamentais).
Esta ótica desvirtuou o papel da ética do Estado como representante político da coletividade, colocando o individuo no centro das problemáticas sociais, enquanto geradas pela ausência de participação ativa das pessoas.
Uma concepção torta que foi globalizada pelos meios de comunicação e por sua valorização dentro das grandes corporações multinacionais, sendo incorporada pelas mais diversas realidades institucionais.
É por esta razão que, no âmbito da ética profissional, a iniciativa privada passou a exigir de seus colaboradores atitudes em consonância com a Responsabilidade Social, participantes de ações que demonstrem preocupação com o coletivo que transcende sua própria realidade, adentrando o conceito de Da-sein heideggeriano, a liberdade pontuada por Sartre e a sistemática de pensamento de Hans Jonas.
A Responsabilidade Social, inserida na ética profissional, pelo ângulo institucional e individual, no interior da estrutura capitalista, passou a considerar as necessidades do gerenciamento administrativo e organizacional, aliadas as exigências das demandas sociais.
O que envolve esforços conjuntos das instituições e de seus profissionais para atender as necessidades de clientes e consumidores, do público interno e externo, dos fornecedores, da comunidade, do Estado e do meio ambiente.
Assim, reciprocamente, vivenciando o efeito inverso, conseguindo atingir objetivos e metas institucionais e individuais por meio de atitudes éticas destes elementos beneficiados.
Não obstante, entender a dinâmica de funcionamento não responde totalmente o que é Responsabilidade Social e o que entendemos ou deveríamos entender pela expressão, muito menos permite escapar de definições simplistas de senso comum totalmente.


Concluindo.
A amplitude e complexidade da expressão Responsabilidade Social suscita as mais diversas interpretações, adentrando questionamentos de ordem política, antropológica, cultural, organizacional, econômica, ambiental e ética.
Este ultimo componente, no entanto, termina penetrando todas as outras esferas, associando o comportamento ético com ações responsáveis e voltadas para a racionalização da convivência social.
O ato socialmente consciente não possui relação alguma com uma contribuição caridosa para com o outro e a humanidade, é antes controle racional sobre a vontade e instintos básicos da natureza humana.
Qualquer que seja a área de atuação, as respostas do individuo diante dos problemas do mundo, implicam em consequências que afetam o conjunto da sociedade e, portanto, o próprio sujeito.
A Responsabilidade Social está atrelada com a previsão dos efeitos do próprio comportamento, quando se trata de um ato individual, e ao entendimento do individuo inserido institucionalmente e das consequências das decisões organizacionais, corrigindo ações em função destas previsões para construir um agir racional pensado no coletivo, respondendo perante a opinião pública e o futuro da humanidade e do planeta.
Pensando na ética profissional, a Responsabilidade Social é um compromisso para com a sociedade, colocada em primazia diante dos objetivos pessoais e da expectativa do grupo ao qual pertence o individuo.
O problema é que este compromisso não existe necessariamente em forma de obrigação legal ou imposição moral, carecendo de uma reflexão ética através da práxis para efetivar-se, acontecendo somente se solidamente instituído como habito pelo sujeito.
Algo inerente à contribuição dos profissionais da educação e meios de comunicação, embora obrigação de todo ser humano, pois depende da formação de uma mentalidade ética e responsável.


Para saber mais sobre o assunto.
ASHLEY, Patrícia Almeida (coord.). Ética e Responsabilidade Social nos negócios. São Paulo: Saraiva, 2002.
HODGE, Joanna. Heidegger e a ética. Lisboa: Instituto Piaget, 1998.
SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. São Paulo: Abril Cultural, 1973.


Texto: Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.
Doutor em História Social pela USP.
MBA em Gestão de Pessoas.
Bacharel e Licenciado em Filosofia pela Universidade de São Paulo.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

França Junior: comediógrafo e “outras cositas mais”.


Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 3, Vol. abr., Série 02/04, 2012, p.01-06.


Quem se interessa pela História do Teatro no Brasil, certamente, já ouviu falar deste personagem. Joaquim José da França Junior (1838-1890) ficou conhecido por escrever comédias como Caiu o Ministério!(1882), Como se Fazia um deputado (1882) e As Doutoras(1889).
Suas peças foram apresentadas, principalmente, no Rio de Janeiro, nas últimas décadas do reinado de D. Pedro II (1870 e 1880), mas também fizeram sucesso em outras províncias e, até hoje, podem ser assistidas em nossos palcos.
Recentemente, uma delas, “O Tipo Brasileiro”, serviu de inspiração para os dramaturgos Eduardo Rieche e Gustavo Gasparani escreverem o musical “Oui, Oui... A França é Aqui!” (2009), que rendeu a eles o Prêmio Shell de Melhor Autor.
O que poucos sabem é que França Junior foi muito mais que um comediógrafo da segunda metade do século XIX.
Durante a maior parte de sua vida, ele dividiu-se entre a carreira de folhetinista e de juiz de órfãos no Rio de Janeiro.
Trabalhou nos jornais mais importantes da corte como A Gazeta de Notícias, O Globo e O Paiz.
Em seu primeiro artigo para este último jornal, França Junior prometeu escrever sobre todas as coisas e “outras cositas mais”(O Paiz, 1884); e foi o que fez. Seus folhetins refletiam os mais variados aspectos da vida cotidiana do Rio de Janeiro, principalmente, de uma classe média urbana, a qual chamava “nossa boa burguesia”.


Origens e formação.
França Junior, filho de Joaquim José da França e Mariana Inácia Vitovi Garção da França, nasceu e batizou-se na freguesia de Santa Rita, Rio de Janeiro.
Conforme relatou em seus folhetins, perdeu a mãe ainda criança, sendo então criado pela avó: “santa velha [que] preenchia um vácuo imenso de uma mãe, que a fatalidade roubou-me no momento em que mais precisava de carinhos”.
Uma de suas maiores alegrias infantis eram as férias que passava na roça, tempos dos quais guardou felizes recordações, que, vez ou outra, se fizeram presentes em seus textos.
França Junior cursou seus estudos secundários no prestigiado Colégio Pedro II, onde se formou em 1856. No ano seguinte, mudou-se para São Paulo, onde estudou Direito, recebendo a carta de bacharel no início da década de 1860, quando já escrevia para periódicos acadêmicos e já havia iniciado sua carreira como dramaturgo.
Suas primeiras comédias foram representadas ali mesmo, na capital daquela província.
Ao retornar ao Rio de Janeiro, trabalhou na redação do Bazar Volante, periódico de caricaturas, que surgiu em setembro 1863, dirigido por Eduardo Reinsburg.
Em abril de 1867, iniciou sua carreira como jornalista e folhetinista no Correio Mercantil. Seu trabalho nestes dois jornais foi marcado por uma intensa satirização aos Gabinetes Ministeriais presididos por Zacarias de Góis e Vasconcelos (1815-1877), a partir de 1864. Conservador declarado, França Junior criticava, principalmente, o que ficou conhecido como Liga Progressista. Tendo Zacarias de Góis como seu principal representante, a Liga foi uma facção política que vigorou durante parte da década de 1860 e caracterizou-se por congregar liberais e conservadores dissidentes.


Posicionando-se ante a política Imperial.
França Junior referia-se à Liga em seu folhetim diário, utilizando-se dos adjetivos e comparações mais depreciativos, como por exemplo, ao igualar o “progressismo” a uma pipa de vinagre: “Para dentro da pipa vai tudo o que o taberneiro acha à mão. [...] Substâncias que já nada valem, completamente estragadas, o vendilhão delas se apropria, e faz o vinagre./ Conversemos agora leitor, bem baixinho, de modo que ninguém nos ouça./ - O que é este progressismo se não uma verdadeira pipa de vinagre?” (Correio Mercantil, 1868)
Quando a Liga Progressista caiu em 1868, e um ministério conservador ocupou o seu lugar, França Junior, que tanto lutou contra aquele inimigo, recebeu um cargo de secretário do governo provincial da Bahia, graças à indicação do senador Francisco Gonçalves Martins (1807-1872), o Barão de São Lourenço, que fora nomeado à presidência daquela província.
Apesar de ter feito amigos na capital baiana, o jornalista não ficou muito tempo em Salvador. Ao final do ano de 1869, os jornais já noticiavam a sua candidatura a deputado da Assembleia Provincial do Rio de Janeiro. Seria a primeira e última vez que este homem de letras pleiteava um cargo político.
Contudo, mesmo derrotado nas urnas, França Junior teve muito a comemorar nos dois anos seguintes. Já casado com uma moça que, possivelmente, conhecera na Bahia, e filha de um rico empresário, político e dono de jornal, chamado Ângelo Thomaz do Amaral (1822-1911), trabalhava, então, no Jornal da Tarde, e começava a ganhar fama como comediógrafo.


De volta a Corte.
A companhia Phênix Dramática apresentou neste período oito de suas comédias: Amor com Amor se Paga, O Defeito de Família, Direito por Linhas Tortas, Maldita Parentela, Tipo Brasileiro, A Lotação dos Bondes, Trunfo às Avessas e Três Candidatos.
Alguns desses textos foram publicados pela tipografia Americana, propriedade de seu sogro.
Mas o seu conhecimento a respeito da vida cultural e artística do Rio de Janeiro, certamente contribuiu para que fosse enviado, pouco depois, como crítico de arte, representante do Brasil na exposição de Viena, Áustria (1873).
Nessa ocasião, já exercia o cargo de Curador de Órfãos e ausentes da Corte.
Se, no início da década de 1870, França Junior havia começado a ganhar fama como comediógrafo, foi no início da década seguinte que atingiu o ápice de sua carreira como dramaturgo. “Como se Fazia um deputado” e “Caiu o Ministério!” renderam-lhe o título de verdadeiro escritor de comédias nacionais e garantiram noites de enchentes (como diziam à época sobre a lotação do Teatro) no Teatro Recreio Dramático. 


A pintura de paisagem.
Durante esses anos, o comediógrafo deu início a uma nova atividade, a qual se dedicaria até seus últimos dias de vida, e que se revelaria uma de suas prediletas, a pintura.
Começou por frequentar aulas de pintura com o aquarelista Benno Treidler e, mais tarde, em 1882, entrou na Academia Imperial de Belas Artes (AIBA) como aluno amador.
Participou, então, da Exposição Geral de Belas Artes (1884), considerada, uma das mais importantes exposições de Belas Artes no Rio Janeiro.
A comissão julgadora dos trabalhos, formada por Victor Meirelles (1832-1903), Pedro Américo (1843-1905) e João Maximiniano Mafra (1823-1908), em seu parecer, elogiou o trabalho do pintor amador: “O Sr. Dr. França Junior é um ilustre amador que estreou na atual Exposição com seis pequenos estudos do natural, que revelam em seu autor felizes disposições para a pintura de paisagem; talento cuja cultura não deve desprezar.”
Por essa participação, França Júnior recebeu uma menção honrosa, e seus colegas Giambattista Castagneto (1862-1900), Thomas Georg Driendl (1849-1916), Domingo Garcia y Vasquez (1859-1912) e Hipólito Boaventura Caron (1862-1892) também foram premiados. Esses dois últimos artistas, juntamente com Francisco Joaquim Gomes Ribeiro (1855? – 1900?) e Antônio Parreiras (1860-1937) foram os alunos que acompanharam seu mestre, o alemão Georg Grimm (1846-1887), quando de seu desligamento da AIBA, por não se adequar ao método tradicional de ensino da paisagem.
França Junior descreveu em um de seus folhetins a atitude do professor bávaro no primeiro dia de aula naquela instituição: “-Quem quer estuda vem comigo. Quem é vagabunda fica em casa. Eu não fica aqui. Atelier de paisagista está na meio da rua e na campo.”(O Paiz, 1885).
Conforme expressou diversas vezes em seus textos, o período em que esteve em contato com esses artistas, dedicando-se à retratação da natureza, foi um dos momentos mais felizes de sua existência.
Numericamente, a maior produção escrita de França Junior foi para o jornal O Paiz, onde escreveu de 1884 até o ano de sua morte, 1890.
Um ano antes de morrer, estreou seu maior sucesso para o teatro “As Doutoras”, comédia que foi motivo de polêmica nos jornais da época, quanto à sua originalidade.


A polêmica do plágio.
Tendo ultrapassado o meio centenário de apresentações, em uma época em que quinze representações da mesma peça já denotariam um sucesso, não há dúvida de que As Doutoras agradou o público.
O que não significa, porém que tenha passado imune a críticas e polêmicas.
Ao contrário, a esperança depositada naquele renascimento literário de França Junior (que não escrevia para o teatro há sete anos) levou àqueles mais desconfiados a acusarem o autor de haver plagiado uma comédia francesa de nome La Doctoresse, de Henri Bocage e Paul Ferrier, apresentada em 1885 no teatro Gymnase de Paris.
A afirmação partiu de um redator do Diário de Notícias.
A partir daí muitos críticos teatrais se apressaram em ler a comédia francesa enquanto a notícia rapidamente corria as ruas e as redações do Rio de Janeiro. Buscando desmentir aquela acusação foi publicado na Gazeta um resumo da La Doctoresse em que o enredo e os personagens desta história foram comparados com os da comédia de França Junior.
Ao mesmo tempo o Teatro Recreio Dramático anunciou traduzir e apresentar aquela comédia a fim de provar ao público a diferença entre as duas.
A Gazeta de Notícias repetia artigos publicados no Novidades e no Jornal do Comércio em defesa da originalidade do comediógrafo.
A partir da leitura da comédia francesa podemos perceber muitos pontos de semelhança entre essa e As Doutoras.
Contudo, seria muito dura uma acusação de plágio contra um autor de um período em que a cena nacional era composta por paródias, operetas e revistas de ano.
Gêneros herdados e reconfigurados à moda brasileira, do teatro Francês.
Pudéssemos aplicar graus de originalidade ao teatro produzido no período, poderíamos considerar que As Doutoras estavam bem à frente da maior parte das peças apresentadas nos demais teatros da corte naquele momento.


Concluindo.
França Junior foi um homem de múltiplas habilidades, transitou por diferentes ambientes da Corte da segunda metade do século XIX, e por isso sua produção letrada reflete seu olhar arguto sobre o dia-a-dia de uma cidade viva e pulsante.
Conhecido somente por sua produção teatral, esse personagem multifacetado perde a totalidade de seu brilho.
Conhecer esta “outra parte” de sua obra nos permite, inclusive, lançar um olhar diferenciado sobre suas tão conhecidas comédias, nos fazendo compreender melhor o que se passa nelas.
Conforme nos ensinou o historiador Robert Darnton em entrevista a Revista de História nº 61 (outubro de 2010): “Eu diria que, se você entende a piada, compreende também a cultura de onde ela vem. A piada é uma espécie de porta de entrada para um outro sistema cultural.”


Texto: Raquel Barroso Silva.
 Doutoranda em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora.
Analista em EAD do Centro de políticas Públicas e Avaliação da Educação - CAED/UFJF.

domingo, 1 de abril de 2012

O Congresso de Viena e o concerto europeu: 1815-1878.


Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 3, Vol. abr., Série 01/04, 2012, p.01-11.



O Congresso de Viena é considerado o ponto de partida que marca as modernas relações internacionais, opinião partilhada por especialistas de peso; como Paul Kennedy, autor de Ascensão e Queda das Grandes Potências, obra que reinaugurou os estudos na área; assim como por Antônio Carlos Lessa, um dos maiores especialistas em RI do Brasil; e Amado Luiz Cervo, para quem um verdadeiro sistema internacional só passou a existir depois da transição marcada pelo Império Napoleônico.

Na visão dos defensores do Congresso de Viena como marco das modernas relações internacionais, é a partir do chamado concerto entre as nações, em uma tentativa de restaurar o Antigo Regime e deter o avanço do modelo liberal, que se configura justamente o oposto, uma sociedade industrial que consolidou o liberalismo.

O que derrotou definitivamente o absolutismo e os resquícios medievais que permaneceram durante a Idade Moderna, como, por exemplo, os direitos e privilégios da nobreza.

Cabe ressaltar que a palavra concerto, derivada do verbo concertar, ao invés de conserto, não denota reparo ou emenda, significando ordem ou harmonia, passa a ideia de concórdia entre as nações participantes.

Possui o sentido de uma reação conservadora que redefiniu as fronteiras da Europa e as zonas de influencia, terminando por estimular as revoluções liberais e as independências na América Latina, mola impulsora do liberalismo.

O liberalismo, mecanismo utilizado pela Grã-Bretanha para consolidar sua hegemonia, possibilitou o surgimento das democracias republicanas, típicas da Idade Contemporânea, herdeiras da Revolução Francesa, criando uma sociedade de consumo, marcada por intenso intercambio que, para os especialistas, formou um sistema internacional interestatal; visto que, dentro desta concepção, não existiam se quer Estados Nacionais consolidados antes da Paz de Westfália.

Aqueles que não concordam com esta visão, defendem a tese de que um sistema internacional interestatal formou-se muito antes do Congresso de Viena.

O português António Pedro Barbas Homem, a exemplo de outros, delimita o inicio das modernas relações internacionais a partir da Paz de Westfália, a finalização da guerra dos oitenta anos; disputada entre Espanha e Holanda, na qual estiveram envolvidas França e Inglaterra; e da guerra dos trinta anos, luta motivada pelo antagonismo religioso entre católicos e protestantes, envolvendo, além das nações já citadas, a Alemanha, principal palco dos conflitos, na Boêmia, atual República Checa, a Suécia e a Polônia.

Dentro desta concepção, o chamado sistema Westfaliano, passou a servir de referência para guiar as relações internacionais europeias, sobretudo, durante o período compreendido entre 1648 e 1789, consolidando o conceito de Estado Nacional, em desenvolvimento, em estágios diferenciados, em Portugal, Espanha, Inglaterra e França, vinculado as Monarquias Absolutistas, desde o século XV; inaugurando o principio da soberania estatal.

Já o norte-americano Giovanni Arrighi, autor do celebre O longo século XX, recua mais no tempo para demonstrar que as origens das modernas relações internacionais estão fixadas no século XIII; quando teria se iniciado a formação dos sistemas interestatais, a partir da hegemonia genovesa, pautada pela intermediação das trocas comerciais entre Ocidente e Oriente e pelo financiamento das expedições marítimas portuguesas; depois substituída pela hegemonia holandesa, garantida pelo controle de feitorias, pontos estratégicos que garantiriam o fluxo comercial.

Ao que teria se seguido à hegemonia Britânica, caracterizada pelo controle dos mares, através de sua imensa frota naval, exercendo, portanto, domínio sobre os caminhos por onde transitavam as mercadorias; superada pela hegemonia dos Estados Unidos da América e seu controle sobre o transito de capital, apoiado, sobretudo, no poder de persuasão de seu arsenal bélico; a despeito de, já na década de 1970, data original da publicação, Arrigui defender a ideia de que a China estaria iniciando sua ascensão como nova potencia hegemônica a partir do sinal denotado pela derrota norte-americana na Guerra do Vietnã, marcando uma nova fase de reajuste do sistema capitalista.

Destarte, seja qual for o marco escolhido como referencial, para compreender a configuração das relações internacionais contemporâneas, é fundamental estudar o significado do Congresso de Viena e suas implicações; sendo, antes, necessário, recuar até seus antecedentes.





Os antecedentes: a crise do Antigo Regime e o Império Napoleônico.

A paz de Westfália condenou a Espanha a perder seu papel como potência hegemônica a rivalizar com a Inglaterra, dissolvendo o poder dos Habsburgo, representado pelo Sacro Império Romano-Germânico.

Por outro lado, fortaleceu a hegemonia inglesa na Europa, fazendo a França e a Holanda surgirem como novas rivais dos ingleses, a primeira como potencia terrestre e a última como poder naval, ambas disputando a supremacia no cenário colonial; criando uma potência menor, a Suécia.

Além disto, reduziu a relevância dos Estados alemães perante o equilíbrio do poder na Europa, uma vez que, saindo derrotada, ao lado da Espanha, a Alemanha foi arruinada e devastada pela Guerra dos Trinta Anos, fragmentada em mais de 350 Estados independentes.

Atrasando a criação de um genuíno Estado Nacional alemão até o século XIX, visto  que seus principados sofreram graves danos causados pelas pilhagens realizadas pelos soldados mercenários suecos e pelas tropas francesas.

Diante da redefinição das fronteiras européias, a França, em pleno processo de consolidação tardia de seu Estado Nacional, tardia, devido, sobretudo, a questões internas, envolvendo disputas internas pelo trono, iniciou uma política voltada a galgar uma posição de destaque entre as Nações da Europa, pelas mãos do cardeal Richelieu, imortalizado no romance Os três mosqueteiros de Alexandre Dumas.

Ministro do rei da França, Luís XIII, o cardeal Richelieu organizou um forte aparelho burocrático, responsável pelo arrecadamento de impostos, possibilitando a manutenção de um poderoso exército e de um absolutismo cercado de luxo e ostentação.

Culminado com o ápice do Antigo Regime, representado pela fabricação da imagem pública de Luís XIV (1661-1715), transformando o rei em uma criatura dotada de poderes divinos, marcando o apogeu da monarquia francesa, sintetizada pela célebre frase proferida pelo rei Sol: “O Estado sou eu”.

Entretanto, a despeito da ostentação, a continuidade da política de Richelieu pelo cardeal Mazzarino, manteve a França caracteristicamente agrária, opondo-se ao processo de industrialização inglês; arrecadando impostos insuficientes para manter o imenso aparelho burocrático, o luxo da corte sediada no Palácio de Versalhes e o numeroso exército francês.

O que criou uma situação insustentável de déficit publico, agravada após a morte de Luís XIV, a ponto de seu sucessor, Luís XV, herdar um país marcado por contradições que conduziriam a Revolução Francesa e a época Napoleônica, levando a falência da paz de Westfália e desequilibrando a balança do poder.

Um episódio mítico e emblemático, narra que, na ocasião da morte de Luís XV, o monarca teria proferido em seu leito de morte: “depois de mim, o dilúvio”, referindo-se a péssima situação em que deixava a França que seria herdada por Luís XVI.

Realmente, Luís XVI enfrentou a formação de um cenário nada favorável ao Antigo Regime que se espalhou pela Europa, ameaçando a existência das monarquias absolutistas.

A Revolução Francesa inaugurou uma nova ordem social, abolindo os direitos feudais, suprimindo as antigas ordens e privilégios, proclamando a igualdade civil, embora tenha mantido a escravidão nas colônias, influenciando levantes e revoluções na Europa e na América, criando relações conflituosas entre a França e os paises monarquistas.

A situação terminou se agravando com a subida de Napoleão ao poder, no chamado golpe Dezoito Brumário, quando, temerosos com os rumos da revolução, a alta burguesia colocou o jovem general à frente da nação.

Napoleão percorreu um longo caminho, expandindo os ideais revolucionários pela força das armas, enfrentando a oposição de varias coalizões, tornando-se na prática um monarca constitucional ao autoproclamar-se Imperador, até ser derrotado por sua própria estratégia.

O bloqueio continental imposto por Napoleão mostrou-se desastroso para a Europa, privou os paises submetidos ao domínio francês do escoamento da produção manufaturada para o Novo Mundo, bem como impediu o acesso a matéria-prima das Américas, cerceado pela poderosa frota naval inglesa, inaugurando a hegemonia britânica, garantida pelo controle do fluxo naval.

A crise econômica, provocada pelo bloqueio, obrigou o Estado francês a aumentar abusivamente os impostos e obrigações, inclusive seqüestrando bens, para manter o exército e seu aparelho burocrático, gerando inúmeras revoltas contra os desmandos do governo imperial; culminando com o fim da aliança entre franceses e russos, em uma tentativa da Rússia de recuperar sua economia.

Neste meio tempo, a Inglaterra, ao invés de ter sido prejudicada pelo bloqueio, só colhia benefícios.

Para além do comércio com suas colônias na América Central e do Norte, a presença de D. João VI no Brasil tinha aberto os portos brasileiros ao comercio direto com a Inglaterra, beneficiada com a abertura de um amplo mercado consumidor de produtos manufaturados a altos valores, por sua vez, fornecedor de produtos agrícolas de baixo custo.

Enfraquecida, em 1792, a França terminou vencida por uma coalizão da Rússia, Inglaterra e Prússia; a qual derrotou Napoleão em Leipzig, avançando até Paris, onde Napoleão foi deposto, sendo recolocada no trono a dinastia dos Bourbon, quando Luís XVIII, irmão de Luís XVI, foi empossado e obrigado a aceitar o tratado de Paris.

Enquanto Napoleão Bonaparte foi exilado na ilha de Elba, de onde fugiu em 1815, tentando retomar o poder em um governo de 100 dias, somente para ser novamente derrotado em Waterloo, na Bélgica, sendo, posteriormente, aprisionado na ilha de Santa Helena, onde morreria em 1821.

Luís XVIII restaurou os privilégios do clero e da nobreza, mas foi obrigado a aceitar alguns avanços implantados pela Revolução Francesa.

A Inglaterra emergiu como a grande potencia hegemônica mundial, passando a controlar o comercio colonial, compartilhando o equilíbrio do poder na Europa com a Rússia, Prússia e Áustria; consolidando seu papel no cenário internacional através de sua participação no Congresso de Viena, em 1815.

Embora o Congresso de Viena simbolize a restauração do sistema absolutista, antagonicamente, marcou o inicio de um período que se estendeu até 1878, caracterizado por uma onda revolucionária na América Latina.

O que conduziu ao surgimento de novos Estados Nacionais independentes de suas antigas metrópoles, assim como por levantes revolucionários na Europa que modernizaram diversas nações, conduzindo ao surgimento dos nacionalismos responsáveis pela unificação da Itália e Alemanha.

A Inglaterra esteve por trás de boa parte destes movimentos, especialmente nas colônias, atendendo aos interesses do liberalismo econômico suscitado pela Revolução Industrial; inaugurando uma nova fase nas relações internacionais que levou o mundo ao imperialismo e a disputa pela posse de territórios na África e Ásia.

A ideologia do nacionalismo e as prerrogativas imperialistas, por sua vez, despertaram as lutas anticoloniais dos africanos e asiáticos, além das raízes da primeira e segunda guerras mundiais, com a formação do moderno sistema de relações internacionais.





O concerto europeu: os termos do Congresso de Viena.

O fim do Império Napoleônico iniciou um movimento contrarrevolucionário, em meio a pretensões hegemônicas, envolvendo, sobretudo, as nações que haviam participado da coalizão que havia derrotado os franceses, nomeadamente Inglaterra, Rússia, Prússia e Áustria.

Precedida pelos Tratados de Paris, imposto a Luis XVIII e Tratados Coloniais entre Inglaterra e Holanda; sob pretexto de resolver as questões emergenciais do pós-guerra e decidir um novo arranjo de poder que nortearia as relações internacionais a partir de então; representantes das nações européias decidiram se reunir em Viena, em setembro de 1814,compondo o Congresso de Viena, o qual duraria até junho de 1815.


O congresso foi presidido pelo estadista austríaco Príncipe Klemens Wenzel von Metternich, contando ainda com a presença do seu Ministro de Negócios Estrangeiros e do Barão Wessenberg como deputado.


A Prússia foi representada pelo príncipe Karl August von Hardenberg, o seu Chanceler e o diplomata e académico Wilhelm von Humboldt.

O Reino Unido foi inicialmente representado pelo seu Secretário dos Negócios Estrangeiros, o Visconde de Castlereagh; após fevereiro de 1815 por Arthur Wellesley, Duque de Wellington e depois pelo Conde de Clancarty.

A Rússia foi defendida pelo seu Imperador Alexandre I, embora fosse nominalmente representada pelo seu Ministro de Negócios Estrangeiros.

A França estava representada pelo seu Ministro de Negócios Estrangeiros Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord.

Portanto, as potencias envolvidas nos debates fizeram-se presentes representadas diretamente pelos seus mandatários e principais ministros, haja vista a imensa importância dos interesses envolvidos.

Em clima informal, sediadas pelo Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Fernando II, ainda estiveram presentes as discussões do congresso representantes da Espanha, Portugal, Suécia e dos Estados alemães (a Alemanha ainda não estava unificada).

Sendo oferecido aos participantes farto entretenimento entre as sessões, fato que levou  um  dos Príncipes presentes as negociações a afirmar que o congresso não andava, dançava.  

Reunidos no Pacto da Santa Aliança, a Rússia, Áustria, Prússia, Espanha e Portugal, unidos em torno do caráter conservador do regime monárquico, pressionaram o congresso a reimplantar o absolutismo, assumindo o compromisso de intervir em caso de avanço dos ideais revolucionários, o que na prática representava uma tentativa de manutenção das colônias portuguesas e espanholas nas Américas.

Enxergando uma limitação nas suas pretensões políticas e econômicas junto às zonas produtoras de matéria-prima, potenciais consumidoras de produtos manufaturados, a Grã-Bretanha exerceu pressão contrária à restauração do Antigo Regime, propondo o Pacto da Quádrupla Aliança, impondo, por sugestão francesa, o principio da legitimidade, por meio do qual cada potencia deveria voltar a possuir os mesmos limites que tivera antes de 1789.

O mapa da Europa e da América terminou sendo redesenhado, forjando um equilíbrio entre as principais potencias européias, consagrando, pela primeira vez, um entendimento entre as nações em favor da manutenção da paz, traçando diretrizes para criar um clima de estabilidade a partir de uma gestão compartilhada, negociada pelos diplomatas, visando evitar novas guerras.

Na visão de muitos autores, o Congresso de Viena representou o amadurecimento das relações internacionais praticadas pelas potencias européias, criando uma unidade orgânica, uma cultura comum com princípios específicos que passaram a caracterizar um sistema de relações regidos pela racionalidade, daí, inclusive, o emprego do termo concerto entre as nações.

Todavia, o congresso terminou por constituir dois grandes grupos hegemônicos: de um lado as potencias liberais, agregando Grã-Bretanha e França; e de outro as potencias conservadoras, compondo Rússia, Prússia e Áustria.

Consagrando uma harmonia nem sempre unitária, com histórico de divergências e decisões ora pendendo a um ou outro lado, embora mantendo a ordem mundial precariamente entre 1815 e 1848, terminando por permitir a independência dos paises da América Latina e a sobrevivência de monarquias constitucionais.

No final os interesses britânicos acabaram prevalecendo; mesmo durante o período de concerto entre as nações, movimentos de ordem liberal haviam sido  registrados em paises conservadores, a despeitos de reprimidos com sucesso; semeando o liberalismo, germinado pelo mercantilismo, fomentando o crescimento de uma economia globalizada a partir da década de 1840 e a substituição do poder compartilhado pela Pax Britannica.





Consequências: as revoluções liberais.

O liberalismo pode ser definido como uma corrente política, econômica e social, neste sentido também ideológica, que defende a liberdade individual, até os limites permitidos pelas leis, preservada pelo Estado, concordante, portanto, com um governo democrático, onde, teoricamente haveria liberdade de expressão e o pressuposto da livre concorrência, regulada, sobretudo, pela lei da oferta e da procura.

Nascido a partir de princípios defendidos na Revolução Gloriosa inglesa, em 1688, a qual depôs o rei em nome de um governo burguês, e pelo movimento iluminista; o liberalismo representa, sem dúvida, os ideais da burguesia, defendendo o direito a propriedade e a possibilidade de ascensão econômica e social a partir do mérito individual.

A educação é a equalizadora de oportunidades, enquanto os serviços públicos a disposição do cidadão comum garantiriam o bem estar social, contrariando o direito hereditário, pressupostos onde também se pode notar forte influencia das religiões protestantes.

Porém, foi também uma ferramenta empregada como sucesso pelos britânicos, visando consolidar sua hegemonia sobre o mundo.

Através de ideias difundidas pelas obras de John Locke, David Hume e, principalmente, Adam Smith, entre outros; bem como, através da própria difusão do mercantilismo pela poderosa frota naval britânica; o liberalismo terminou influenciando a Independência dos Estados Unidos da América e, na Europa, após o Congresso de Viena, uma série de revoluções de cunho liberal.

Mal os Estados alemães haviam liderado a criação da Santa Aliança, em 1815, uma associação de estudantes provocava distúrbios na Alemanha, abafado através de forte repressão as universidades e sociedades secretas, combatidas e censuradas, junto com os jornais.

Seguindo a tendência, na Espanha, em 1820, liberais contrários ao absolutismo, provocaram uma revolta que terminou impondo uma constituição ao rei Fernando VII; reprimida, em 1823, pela Santa Aliança, a qual restaurou o absolutismo espanhol.

Também em 1820, Portugal assistiu surgir um movimento de cunho liberal que ameaçou proclamar a república, a chamada Revolução do Porto, a qual exigiu o retorno de D. João VI, então no Reino Unido, a terra mãe, dissolvendo o problema com a chegada do monarca ao reino, culminando com a independência do Brasil.

O ano de 1820 foi conturbado, pois, neste mesmo ano, na Itália, a sociedade secreta dos carbonários obteve do rei das duas Sicilias uma constituição e um governo parlamentar, ambos desfeitos pela Santa Aliança, graças à intervenção da Áustria.

Antagonicamente, os austríacos estiveram por trás da independência da Grécia do Império Otomano, em 1829, apoiando um movimento liberal iniciado em 1821.

Apesar do sucesso da repressão aos movimentos liberais, o triunfo do liberalismo tornou-se cada vez mais próximo a partir de 1830, quando revoluções se propagaram pela Europa, criando um estado de crise latente que, manipulado pelos membros do Congresso de Viena, no sentido de apaziguar os ânimos, duraria até o inicio da década de 1840.

A consequência, com raras exceções, como o caso da Rússia, por exemplo, foi o surgimento de monarquias constitucionais, em substituição aos Estados Absolutistas europeus, redefinindo o mapa da Europa após 1848 e alterando novamente o equilíbrio do poder em favor da hegemonia britânica, situação que conduziria ao Imperialismo do século XIX e, no inicio do século XX, a 1º. Guerra Mundial.





Reflexos: as independências na América Latina.

Um reflexo direto dos acordos firmados no Congresso de Viena, intimamente relacionado com a falência do concerto entre as nações participantes, a partir de 1848, é, sem dúvida, as independências das colônias latino-americanas, parte integrante da crise do Antigo Regime, fomentadas pela Revolução Francesa e a independência dos Estados Unidos da América.

O apoio da Espanha as pretensões napoleônicas, na ocasião governada pelo irmão de Napoleão, José Bonaparte, colocado no trono pelas tropas francesas em 1808, havia estimulado o contrabando e o comercio direto com a Inglaterra, em uma tentativa de burlar o Pacto Colonial que beneficiava o desenvolvimento da Metrópole em detrimento da colônia e, simultaneamente, em apoio ao legitimo rei deposto.

Dentro deste panorama, as colônias espanholas insurgiram-se contra o Pacto da Santa Aliança que propunha uma intervenção coletiva dos países participantes, onde e quando fosse necessário intervir para restabelecer a ordem, já que, pelo principio da legitimidade, firmado em Viena, as fronteiras deveriam ser restauradas conforme sua anterioridade ao ano de 1789, incluindo os domínios coloniais, o que na prática representava um retrocesso, com a perda de varias conquistas referentes aos direitos dos colonos perante a Metrópole.

Fomentado pela Grã-Bretanha e gozando da proteção da chamada Doutrina Monroe, impetrada pelo presidente norte-americano James Monroe, cujo lema era “a América para os americanos”, pela qual seria considerada uma ação hostil aos Estados Unidos da América qualquer tentativa de recolonizar a América Latina.

Começaram a pipocar movimentos de ordem liberal pelas colônias espanholas, conduzindo a uma série de lutas que culminaram com vários processos de independência que esfacelaram o antigo Império Colonial da Espanha em diversos Estados soberanos.

No caso do Brasil, a presença do príncipe regente tinha elevado a colônia à categoria de Reino Unido, provocando uma situação diferenciada, a partir da Revolução do Porto que exigiu o retorno do rei a Portugal, devido às relações estabelecidas entre portugueses e ingleses desde longa data; acabando por criar uma nação soberana, formada por colonos, governada por um príncipe português; o que garantiu a unidade territorial da ex-colônia.

Em ambas situações, o concerto entre as nações e a alternância de decisões, ora pendendo para o lado liberal, ora conservador, criou espaço para; em meio a medidas estabelecidas pelo Congresso de Viena para tentar restaurar a ordem do Antigo Regime e a preocupação com a manutenção da paz na Europa; estimular e permitir as independências na América Latina, fortalecendo o liberalismo inglês e abrindo caminho para a ascensão da hegemonia ingleses e, posteriormente, norte-americana.





Concluindo: o triunfo do liberalismo e a hegemonia Britânica.

Graças ao fortalecimento do liberalismo, apoiado nas independências latino-americanas, iniciadas na década de 1820, com a criação de amplas zonas consumidoras de produtos manufaturados e produtoras de matéria-prima.

A hegemonia britânica foi sendo construída, em detrimento da gestão compartilhada, inaugurada pelo concerto entre as nações, estabelecido pelo Congresso de Viena; embora o moderno sistema de relações internacionais, regido pela racionalidade e diplomacia, tenha sobrevivido.

Em 1846, uma seca causou uma crise agrícola na Europa, aumentando o preço dos alimentos, empobrecendo os camponeses e, conseqüentemente, baixando o consumo de tecido, arrastando as fabricas para o cenário de crise, com a paralisação da produção e a dispensa de operários.

Embora a crise tenha variado de país para país, mais grave na Itália e Irlanda, por exemplo, e mais leva na Inglaterra e França; o clima de convulsão social contribuiu para o aparecimento das chamadas Revoluções de 1848, as quais marcaram, ao mesmo tempo, o triunfo do liberalismo e o inicio de complicações nas relações internacionais entre os Estados europeus.

À medida que a Grã-Bretanha consolidava sua posição hegemônica sobre o mundo, apoiada em sua influencia sobre a América Latina e no controle do fluxo comercial através do controle dos mares.

O sucesso do liberalismo inglês fomentava a eclosão de revoltas liberais, cunhando o nacionalismo, proposto para unir politicamente os povos de uma mesma origem e cultura; assim como seu reverso, o socialismo, com seu ideal de igualdade social e econômica, mediante reformas radicais.

Em 1848, dois aglomerados de Estados independentes, com uma cultura em comum, iniciaram processos de unificação, originando a Itália e a Alemanha.

Antagonicamente, o Império Austríaco, formado por muitos povos diferentes, começava a constituir o Império austro-húngaro; enquanto na França os ideais da Revolução Francesa ressurgiam, conduzindo ao governo de Napoleão III, a Comuna de Paris e, depois, a proclamação da republica.

Em meio ao apogeu do liberalismo, nascia o Imperialismo, a disputa dos países europeus por zonas de influencia na Ásia e África; marcado por mudanças nas relações entre patrões e empregados e por um reajuste do sistema capitalista, uma fase de transição que colocaria em cheque a hegemonia britânica em favor da norte-americana e a reorganização dos parâmetros a nortearem as relações internacionais.





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Texto: Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.
Doutor em História Social pela USP.
MBA em Gestão de Pessoas.
Bacharel e Licenciado em Filosofia pela Universidade de São Paulo.