Curiosidades e tudo que você sempre quis saber...


Para entender a história... é uma publicação técnico-científica on-line independente brasileira, indexada pelo IBICT, Latindex, CNEN e LivRe; no ar desde sexta-feira 13 de Agosto de 2010.
Não possui fins lucrativos, seu objetivo é disseminar e difundir o conhecimento através de artigos com qualidade acadêmica e rigor cientifico, mas linguagem acessível ao grande publico.

Periodicidade: Semestral (edições em julho e dezembro) a partir do inicio do ano de 2013.
Mensal entre 13 de agosto de 2010 e 31 de dezembro de 2012.

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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Max Weber e a Burocracia.

Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume abr., Série 11/04, 2011, p.01-04.


Junto com Comte, Durkheim e Marx; o alemão Max Weber (1864-1920) é uma referência na estruturação do pensamento sociológico.
Ele contribuiu ativamente para conferir uma reputação cientifica a sociologia, trabalhando a questão da burocracia, entre outros assuntos.
As concepções de Weber são tributarias de sua própria época e de uma série de teorias clássicas, através das quais acabou por compor suas próprias e originais hipóteses.
Tendo ocupado o posto de catedrático na Universidade de Heidelberg, entre 1906 e 1910, entrou em contato com importantes estudiosos da religião e do capitalismo.
O que levou a pesquisar sobre estes temas, relacionados com a questão cultural da burocracia na Alemanha.


As idéias que influenciaram Weber.
Em seu pensamento, Weber incorporou a influência de Kant, Nietzsche e Marx.
Compartilhava a premissa kantiana de que o ser humano é dotado de capacidade e vontade para assumir uma posição consciente diante do mundo.
Através de Nietzsche, assumiu uma visão pessimista e melancólica dos tempos modernos, em concordância com o conceito de anomia de Durkheim, defendendo uma nostalgia do passado.
A influencia marxista sobre as idéias de Weber, despertou seu interesse sobre a origem do capitalismo, conduzindo a concepção de inter-relação entre economia, política e cultura.
No entanto, diferente de Marx, para Weber, a economia não era o centro da realidade.


O contexto do pensamento weberiano.
A estruturação do pensamento weberiano ocorreu em um período em que Alemanha começou a se industrializar, mas com características distintas da industrialização inglesa, pois conservava uma cultura medieval.
Diante do antagonismo entre os latifundiários prussianos, os “Junkers”, e os interesses dos industriais, o Estado alemão havia criado uma forte estrutura de controle, baseada em um amplo universo burocrático.
O que despertou o interesse de Weber pela questão.
Segundo sua concepção, o iluminismo teria rompido com os costumes e as superstições em favor da ciência e da tecnologia, conduzindo a barbárie.
A burocracia seria uma tentativa de racionalizar a ascensão do capitalismo, organizando as pessoas e o crescimento econômico, político e social.
Este conceito faz parte da idéia de sociologia defendida por Weber.
Para ele, a sociologia deveria ser uma ciência neutra, concebida para oferecer seus serviços para qualquer comprador público ou privado.
Neste sentido, Weber considerava o individuo e sua ação como chave da investigação sociológica, negando a primazia das instituições sociais ou do grupo.
Seria necessário compreender as intenções e motivações dos indivíduos, examinando sua influência sobre o contexto social.
O que levou Weber a rejeição da proposta positivista de utilização da metodologia das ciências naturais.
Contrariando o positivismo, ele achava que o pesquisador não deveria ser apenas um registrador de informações, tendo um papel ativo na elaboração do conhecimento.
Não se tratava apenas de desvendar as leis de funcionamento da vida social, mas sim de ajudar a humanidade a construir novos conhecimentos.
Um elemento importante nesta perspectiva sociológica foi à idéia de tipo ideal, um modelo conceitual ou analítico que poderia ser usado para compreender o mundo.
O tipo ideal seria uma construção hipotética, servindo de ponto de referência para comparar com a realidade.
O que não significa que serviria como concepção desejável, somente significando a forma pura de um fenômeno.


Religião, capitalismo e burocracia.
Pensando no desenvolvimento do capitalismo, na obra A ética protestante e o espírito do capitalismo, publicada em 1905, Weber estudou os fenômenos da vida religiosa.
Na ocasião, chegou à conclusão de que vários preceitos do cristianismo protestante estão presentes no sistema capitalista.
As religiões protestantes terminaram contribuindo para a ascensão do capitalismo.
As convicções religiosas que consideram o êxito econômico como sinal de benção de Deus, um dos conceitos centrais da ética protestante, foram assimiladas pela mentalidade capitalista.
O que inverteu a maneira de pensar do mundo Ocidental, pois para o catolicismo o lucro era pecado, condenável à medida que representava a exploração do próximo, sendo a pobreza uma das chaves para entrar no céu.
Em concordância com a ótica protestante, Weber, ao contrário de Marx, não considerava o capitalismo um sistema injusto, irracional ou anárquico.
No entanto, semelhante a Marx, considerava a sociedade capitalista caracterizada por conflitos gerados pela estratificação social, moldada pelas classes, através de dois aspectos: status e partido.
O status refere-se ao prestigio, enquanto o partido poderia ser definido como um conjunto de indivíduos que trabalham juntos por objetivos e interesses em comum.
Pensando no componente partido, raiz da organização das instituições, Weber pensou a burocracia como organizadora de larga escala.
A burocracia ideal envolveria:
1. Hierarquia.
2. Regras escritas de conduta.
3. Remuneração assalariada e plano de carreira.
4. Separação de tarefas e da esfera profissional da pessoal.
5. O afastamento do controle dos funcionários dos meios de produção (os funcionários deveriam não ser donos do material utilizado no trabalho).


Concluindo.
A palavra burocracia foi cunhada por De Gournay, em 1745, a partir do verbo grego “dominar”, significando “escritório”.
Era então, originalmente, aplicada ao domínio dos funcionários no escritório.
Depois foi transposta aos funcionários públicos e, gradualmente, a todas as organizações.
Refletindo sobre este significado, Weber enxergou na burocracia a racionalização da ordem capitalista.
Em sua concepção, a única forma de lidar com a especialização das tarefas e sua maior complexidade, tornando necessária a implantação de um sistema de controle eficiente.


Para saber mais sobre o assunto.
GIDDENS, Anthony. Sociologia. Porto Alegre: Artmed, 2005.
MAGEE, Bryan. História da filosofia. São Paulo: Loyola, 2000.
MARTINS, Carlos B. O que é sociologia. São Paulo: Brasiliense, 1985.
WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
WEBER, Max. A gênese do capitalismo moderno. São Paulo: Ática, 2007.
WEBER, Max. A objetividade do conhecimento nas ciências sociais. São Paulo: Ática, 2007.
WEBER, Max. Conceitos sociológicos fundamentais. São Paulo: Edições 70, 2009.


Texto: Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.
Doutor em História Social pela FFLCH/USP.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Os Astecas e os sacrifícios humanos.

Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume abr., Série 06/04, 2011, p.01-12.


Em pleno século XVI, durante o processo de conquista europeia na América, os soldados espanhóis organizavam marchas em direção ao interior do continente.
Partindo das ilhas do Caribe, diversas expedições adentravam as matas do Novo Mundo em busca de ouro e riquezas e, na medida em que avançavam, iniciavam contatos com diferentes povos, de diversas culturas e idiomas.

Estas expedições encontraram os as astecas, um povo que praticava sacrifícios humanos.
Os espanhóis se horrorizaram diante das noticias destes sacrifícios, enxergando tudo pela ótica cristã.


A expedição de Córtes.
Entre todas as expedições espanholas no continente americano, certamente a mais conhecida foi a do capitão espanhol Hernán Cortés.
Ela partiu do litoral de Cuba em 1519, rumo à capital asteca de México-Tenochtitlán, com o intuito de conquistar a chamada Confederação Mexica.
Então formada ainda pelas cidades de Tacoplan e Texcoco e comandadas pelo líder indígena Montezuma.
Depois de percorrerem os mais inóspitos caminhos, com vales e montanhas, frio, chuva e calor, Cortés e seus homens, ao se aproximarem de seu destino, começaram a receber as primeiras notícias da capital mexica.
No dia 8 de novembro de 1519, os espanhóis finalmente se dirigiram à gigantesca cidade de México-Tenochtitlán.
Os europeus, súditos de um grande monarca, fiéis do único e verdadeiro Deus cristão, se deparariam com uma sociedade indígena altamente complexa em todos os seus níveis.
Além disso, a civilização até então considerada inferior, se mostrou em toda sua grandiosidade, habitadas por cerca de um milhão de habitantes, ao passo que as maiores cidades espanholas não tinham mais do que cem mil pessoas.
Este certamente foi um dos maiores encontros históricos registrados.
Os europeus conheciam os africanos e o Oriente e com eles havia estabelecido e construído uma longa história, desde a Antiguidade.
No entanto, as populações nativas da América não eram conhecidas pelos outros continentes e, mais do que um encontro de pessoas, espanhóis e astecas também começariam a escrever uma história inédita.


As primeiras impressões dos europeus sobre os astecas.
Os registros das primeiras visões sobre a cidade asteca demonstram o encantamento e o discurso do maravilhoso que foi construído a respeito do que viam os espanhóis.
O discurso das maravilhas é comum nas crônicas de viagens, em que o espectador cronista descreve algo que para ele é curioso, singular, diferente, que causa espanto e admiração.
Tudo se passa como se estivesse em ação o seguinte postulado: nesses países distantes não pode deixar de existir maravilhas e curiosidades.
De outro modo, o discurso do maravilhoso é uma das transcrições possíveis das diferenças culturais.


Hernán Cortés, em suas cartas endereçadas ao rei Carlos V e Bernal Dias de Castilho, soldado que participou da campanha, são certamente as principais testemunhas oculares desses episódios.
Seus textos nos deixaram suas impressões iniciais a respeito do mundo indígena.
Cortés relatou:

“Esta grande cidade de Tenochtitlán está fundada em uma lagoa salgada. Ela tem quatro entradas, todas de calçada e feitas à mão. As ruas estão metade na água e metade na terra pela qual os índios andam em canoas. Tem esta cidade muitas praças onde há um continuo mercado, de negócios, compra e venda, onde cotidianamente existem cerca de sessenta mil pessoas e onde há todos os gêneros de mercadorias”.

Do mesmo modo, Bernal Dias deixou seu testemunho:

“(...) por uma parte havia grandes cidades em terra firme e na lagoa muitas outras vilas e víamos tudo cheio de canoas e na calçada havia muitas pontes, de trecho a trecho, e adiante estava a grande cidade do México”.

Essa cidade talvez tenha sido a maior do mundo no século XVI e sobre ela os conquistadores fizeram maravilhosas descrições.
Cortés tentou transmitir uma imagem fascinante do mundo novo que havia encontrado e começou por situar o maravilhoso cenário que o rodeava.

O enorme vale, cercado por ásperas serras, os dois lagos, o menor de água doce e o maior de água salgada e que eram comunicados por um estreito.


Os vulcões, as canoas, as ruas da cidade, a abundância e a organização dos mercados, como o de Tlatelolco, os templos, os sacerdotes, as torres e as imensas pirâmides.
Além disso, os cronistas destacam a limpeza das casas, os amplos aposentos, as flores que decoravam as ruas, a organização política, o aparato militar e até mesmo a existência de um jardim zoológico.
Coisas nunca vistas foram ressaltadas nos relatos dos espanhóis, com tanques para os peixes e jaulas enormes para as aves, além da exposição exótica de índios albinos e pessoas deformadas.
Na Europa, nada disso existia e quase tudo causava espanto e admiração.
Os espanhóis, por exemplo, ficaram muito surpresos ao ver os braseiros que eram colocados sob as refeições para que se mantivessem quentes os alimentos e o hábito indígena de lavar as mãos antes e depois dos banquetes.
Cortés certamente nunca tinha visto nada igual e ele mesmo gastou várias folhas, em suas epístolas, para tentar descrever em detalhes tudo o que via e tudo o que chamava sua atenção.
Naturalmente, os relatos de Cortés e Bernal Dias de Castilho corresponderam à visão particular desses autores acerca do mundo indígena que, ao longo da viagem, encontraram.
Aquilo que destacaram e valorizaram, para contar em seus registros, também foi fruto de uma seleção feita a partir dos seus valores.
Mais do que uma descrição fiel da realidade, trata-se de uma exposição eurocêntrica do mundo asteca em que vemos a valorização das ruas, dos prédios, da técnica, do controle sobre a natureza, do comércio.
Portanto, o que foi destacado dialogava diretamente com a Europa daquele período.
Mas é preciso saber que mundo era esse e de que modo ele estava organizado e, principalmente, como havia chegado nesse grau de desenvolvimento, pois esse viria a ser o cenário principal em que Cortés atuaria nos próximos dois anos.
Ele mesmo se tornou conhecido e entrou para a história ao entrar em contato com este novo mundo, visto que o nome do explorador espanhol estará para sempre associado a esse conjunto de elementos que compuseram o espaço do México indígena.


Antes dos espanhóis chegarem.
No século XVI, viviam na região do México diversas populações indígenas.
A região Sul, chamada pelos historiadores de Mesoamérica, era habitada por agricultores que viviam em povoados e cidades governados por um grande líder, chamado por eles de tlatoani, “aquele que fala”.
No Norte, região chamada de Aridamérica, se dedicavam à caça e à coleta de plantas silvestres ou praticavam uma agricultura menos intensa e não viviam em um lugar fixo nem tinham governo centralizado.
Na Mesoamérica viviam muitos povoados independentes.
Um deles, sem dúvida, era o mais poderoso, pois, ao longo de sua história, havia conquistado muitas outras sociedades.
Esta cidade era México-Tenochtitlán e seus habitantes eram chamados de mexicas ou astecas.
Os mexicas contavam que, em suas origens, haviam sido um pequeno grupo de nômades que partiu da distante região lendária de Aztlán, localizada no Norte do México atual, em busca de uma terra própria, onde pudessem se estabelecer.
Eles teriam sido guiados por seu grande deus Huitzilopochtli, que os conduziu até o Vale do México, lugar em que fundariam sua cidade.
Da palavra Aztlán surgiria o nome “asteca”, ou seja, aqueles que vieram de Aztlán.
Os mexicas, de acordo com a lenda, teriam sido guiados por um presságio divino.
Os indígenas só deveriam parar de peregrinar e se fixar quando fossem surpreendidos por uma visão.

Teriam que ver um cacto e em cima dele uma águia, devorando uma serpente.

Quando isso fosse visto, ali se fixariam e formariam um núcleo de povoamento.

Por ironia, essa visão, de acordo com a tradição asteca, apareceu exatamente em cima de um lago, o Texcoco e, ali mesmo, no meio dos pântanos seria erguida, no ano de 1325 d.C, uma grande cidade, chamada México-Tenochtitlán.
A denominação dupla México-Tenochtitlán levanta, de fato, algumas curiosidades.
O termo Tenochtitlán se explica sem dificuldade: é a terra do tenochtli, uma espécie de cacto, figueira-da-barbaria, de fruto duro, que designa a cidade por um cacto nascendo num rochedo.
A palavra México, por sua vez, apresenta duas origens.
A primeira parte do símbolo da cidade, em que a águia devorando uma serpente representava a divindade Mexitl, outra denominação para o deus do sol Huitzilopochtli.
A segunda explicação, mais difícil, parte da etimologia das palavras: metztli, “a Lua” e xictli, “umbigo” ou “centro”. México seria, então, a cidade que está no meio do lago bem acima da lua.
Na bandeira do México atual ainda é possível ver a reprodução fiel do glifo que designava a antiga cidade asteca.
Uma vez estabelecidos em sua cidade, os mexicas se dedicaram ao que melhor sabiam fazer: a guerra.
Eram tão grandes militares que em 1428 d.C derrotaram vários poderosos povos do Vale do México.
A partir de então se converteram nos novos dominadores da região, junto com Texcoco e Tacoplan, formando a chamada Confederação Mexica que, em seguida, venceu vários outros povos da região.
Logo conquistaram a quase todos os grupos indígenas do Altiplano Central, e regiões da costa do golfo, como Oaxaca e Chiapas.
Em 1519, quando Cortés chegou, os mexicas dominavam a maior confederação que já existiu na história da Mesoamérica e sua capital era a cidade mais povoada, temida e próspera da região.
Quando os mexicas conquistavam outro povoado qualquer, geralmente não trocavam seu rei nem interferiam em seu governo interno.
Somente exigiam que esse povoado, incorporado, pagasse impostos, ou seja, que lhes entregasse certa quantidade de milho, algodão, peles de animais, plumas de aves, ouro, prata e outros produtos valiosos.

Além é claro da exigência de que seus guerreiros os ajudassem nas conquistas militares posteriores.

O líder mexica, o tlatoani, era o mais rico e poderoso dos governantes indígenas e todos os habitantes da Mesoamérica o respeitavam.

No ano da chegada de Hernán Cortés à região, o tlatoani mexica era Montezuma Xocoyotzin, cujo nome quer dizer “o senhor carrancudo” ou o “senhor sombrio”.
Esse líder certamente estabelecia um forte vínculo com a religiosidade indígena, seguindo e obedecendo aos sacerdotes e as ordens vindas diretamente dos deuses protetores da cidade.
Montezuma era o senhor da cidade de Tenochtitlán e foi contra essa cidade que Cortés lançou sua força de dominação.
Por isso, quando falamos em conquista do México, queremos dizer, na verdade, conquista dos mexicas, ou seja, dos habitantes de Tenochtitlán.
A generalização para o termo “conquista do México” ocorreu porque como os mexicas haviam dominado a muitas outras sociedades índias.
Sua derrota permitiria dominar também a todos os outros povos, de modo rápido durante o período de colonização, pois o líder que viesse a substituir Montezuma seria não apenas o novo senhor de México-Tenochtitlán, mas, sobretudo, exerceria domínio sobre outras sociedades indígenas.
Apesar da diferenças entre esses povos, muitos eram subjugados por um mesmo poder.
No entanto, no geral, a Mesoamérica, no século XVI, estava povoada por um grande número de povos que falavam mais de cem idiomas diferentes.
Cada um tinha sua própria identidade étnica, sua própria história e seus próprios governantes.
No Altiplano Central do México viviam povos que falavam náuatle, como os mexicas e os tlascaltecas, além de outros povos como os otomis.
Estes povos se consideravam muito distintos entre si, mas todos comiam os mesmo alimentos básicos, como o milho, o feijão, a pimenta, o tomate e compartilhavam uma religiosidade muito semelhante, caracterizada por violentos sacrifícios humanos.


Os sacrifícios humanos entre os astecas.
A religião e os ritos tinham uma importância fundamental na vida do povo mexica e entre estes se destacava o sacrifício humano, como oferenda máxima que se podia fazer aos deuses.
No centro da cidade de México-Tenochtitlán estendia-se um vasto centro de cerimônias organizado em torno de um importante santuário, o Templo Maior, composto por aproximadamente setenta edifícios.
Cerca de dez mil pessoas, entre sacerdotes e sacerdotisas, cantores, bailarinos, nobres e oficiais de todo tipo se reuniam ali para sacrificar, dançar e cantar.
Existem várias explicações míticas para a origem dos sacrifícios, mas todas se relacionam com os deuses e com a criação do mundo.
Os astecas tinham uma profunda relação com a observação dos astros e estes estavam diretamente relacionados com a religiosidade mexica, assim como no caso dos maias.
Os dois principais deuses da sociedade asteca eram justamente Tezcatlipoca e Huitzilopochtli.
O primeiro deles representava o céu noturno, se conectando com os deuses estrelares, com a Lua, com a morte, com a maldade e a destruição.
O seu nome significa “espelho fumegante” e era também o deus da providência, do destino.
Huitzilopochtli era o seu complemento, pois representava o céu diurno, o céu azul, a encarnação do sol, o jovem guerreiro que nascia todas as manhãs do ventre da velha deusa terra e morria todas as tardes para iluminar com sua luz o mundo dos mortos, o Mictlán.
De acordo com a lenda asteca, Coatlicue, a deusa terra, era a mãe da lua e das estrelas.
No entanto, a terra engravidou novamente e isso gerou muito ciúme de suas filhas que quando souberam da notícia se enfureceram até o ponto de decidir matar a mãe.

Coatlicue chorava, mas o seu filho, dentro de seu ventre, lhe consolava dizendo que a defenderia no momento que fosse preciso.


Quando as filhas enciumadas chegaram para sacrificar a mãe, saiu de dentro dela uma serpente de fogo, como um chicote, que violentamente cortou a cabeça da lua e fez com que as estrelas fugissem.
Assim, nasceu da velha mãe terra o deus Huitzilopochtli, que a partir de então travaria um combate eterno contra suas irmãs estrelas e Lua, no formato de uma serpente de fogo.
A imagem remete ao primeiro raio solar que nasce da terra, dando fim à noite.
Ao consumar sua vitória, ele, o Sol, era levado pelos ombros até o meio do céu pelas almas dos guerreiros mortos na guerra e pelas pessoas mortas nos sacrifícios humanos.
O seu triunfo sobre as irmãs noturnas significava um novo dia de vida aos homens, uma nova chance, em busca de alimentos e sobrevivência.
Todos os dias, portanto, os astecas acreditavam que esse combate divino era travado.
Para que triunfasse o Sol era preciso que ele estivesse forte e vigoroso e, por isso, o homem tinha que alimentá-lo.
Caso contrário, seria noite para sempre.
Por isso, os eclipses eram sinais de desgraça.
Mas como o Sol era um deus, ele só poderia ser alimentado da própria vida, a partir da substância mágica existente no sangue dos homens.
Essa é a origem religiosa dos sacrifícios humanos e a representação do sol, nascendo e morrendo, era sempre encenada em cada ritual em homenagem ao deus Huitzilopochtli.
O Sol desempenhava um importante papel, pois era ele quem fornecia a luz e o calor para que a vida existisse.
Havia um temor contínuo e coletivo de que este astro pudesse perder suas forças e deixar de sair todos os dias.
Os rituais em homenagem ao deus Tláloc, da chuva, também eram importantes, pois estavam diretamente relacionados ao sucesso das colheitas.
Na base de tudo estava a noção de dívida.
Uma criatura devia a vida e tudo o que fazia possível viver aos deuses.
Isso devia ser reconhecido e a dívida paga, mediante o oferecimento de incenso, tabaco, alimentos e, inclusive, do próprio sangue.
O principal foco era a alimentação dos deuses, para que fossem vitalizados, ainda que isto também pudesse ser feito com animais e outras comidas, além das ervas e das flores.


Os ritos do sacrifício.
A maior parte das imolações de homens acontecia ao longo dos ciclos festivos dos meses do calendário solar e muitos dos dias eram as datas de aniversários dos deuses.
As festas do ano solar eram especialmente importantes porque nelas se recriavam diversos aspectos da cosmogonia mesoamericana: a criação da terra, o nascimento do milho, as migrações dos povos, os sacrifícios do Sol, da Lua, das estrelas e o mundo dos mortos.
Nessas celebrações morriam e nasciam novamente quase todos os deuses.
Havia muitas outras ocasiões que requeriam os sacrifícios humanos: guerras, batalhas, desajustes da ordem cósmica, como eclipses, fomes, inundações, roubo de objetos sagrados, fuga de prisioneiros.

No geral, as vítimas eram capturadas durante as guerras de conquista, mas muitas vezes havia voluntários e pessoas honradas a serem sacrificadas.

O sacrificado era vestido e tratado como se fosse a própria divindade por dias, meses e anos, dependendo da festividade.
Os sacrificadores eram no geral sacerdotes especializados e muito respeitados em Tenochtitlán.
Normalmente os sacrifícios seguiam uma sequência de rituais: na noite anterior o sacrificado tinha o corpo velado, era tratado como deus e às vezes tinha o corpo pintado de branco.
No dia seguinte, era levado aos centros cerimoniais e, em público, sacrificado.
O coração arrancado, a decapitação, as flechadas na garganta e o afogamento eram os métodos utilizados, sendo o primeiro deles o mais comum.
O sacrificado, deitado numa pedra, tinha seus membros segurados por quatro sacerdotes.
Um quinto homem responsável pela cerimônia pegava uma faca de obsidiana, pedra vulcânica comum na região, e abria o peito da vítima.
Em seguida, o coração arrancado era mostrado à multidão.
O corpo finalmente era lançado pelas escadarias do templo.
Para finalizar, de tarde, partes do corpo eram comidas num ritual antropofágico que era um evento religioso e social importante.
O morto divinizado era comido para que os fiéis se unissem com ele, mas também se tratava de uma ocasião para convidar e honrar familiares, para fazer relações com pessoas importantes, para ganhar prestígio.


Concluindo.
Os sacrifícios humanos também estavam presentes na chamada “Guerra Florida”.
Em muitas ocasiões, os mexicas marcavam um lugar sagrado e um período do dia específico para encenar, juntamente com outros povos rivais, um combate.
Neste, o principal objetivo não era matar ou conquistar, mas aprisionar o maior número possível de pessoas para serem entregues aos deuses, ou seja, uma noção de guerra completamente diferente da europeia.
Homens como Cortés não entediam esse tipo de prática, nem a religiosidade indígena e, na verdade, essas crenças eram tratadas como algo que precisava ser rapidamente eliminado.
Enxergar os sacrifícios humanos dos astecas como algo demoníaco e, portanto, a ser combatido pelos cavaleiros cristãos foi uma das justificativas religiosas para a conquista espanhola.
A partir de então, a invasão da América carregaria elementos do discurso das cruzadas e do combate aos infiéis.
Desde os primeiros dias em terras americanas, os espanhóis se depararam com corpos indígenas, vítimas de sacrifícios.
Esses cadáveres causavam muito temor não apenas nos europeus recém chegados, mas, sobretudo, nas próprias comunidades indígenas que eram submetidas ao poder de Montezuma.
Esse era, portanto, o mundo que aguardava Cortés, de portas abertas, quando ele passou pelo vale do México e atravessou os povoados de Estapalapa e Coioacán em novembro de 1519.
Uma imensa cidade, cheia de pessoas realizando um intenso comércio e os centros cerimoniais, cheios de vítimas e sangue esperavam a chegada dos espanhóis.


Para saber mais sobre o assunto.
CASO, Alfonso. El pueblo del sol. México: FCE, 1994.
CASTILLO, Bernal Díaz. Historia verdadera de la conquista de la Nueva España. México: Editorial Porrúa, 2007.
CORTES, Hernán. Cartas de Relación. Madrid: Dastin, 2007.
HARTOG, François. O espelho de Heródoto: ensaio sobre a representação do outro. Belo Horizonte: UFMG, 1999.
LINARES, Federico Navarrete. La Conquista de México. México: Tercer Milenio, 2000.
SOUSTELLE, Jacques. Os astecas na véspera da conquista espanhola. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.


Texto: Prof. Ms. Marcus Vinícius de Morais.
Mestre em História Cultural pela Unicamp e autor do livro Eles Formaram o Brasil, co-autor do livro História dos EUA: das origens ao século XXI, ambos publicados pela Editora Contexto.
Membro do Conselho Editorial de “Para entender a história...”

terça-feira, 5 de abril de 2011

A história de Lagoinha: breve estudo sobre a origem da cidade.

Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume abr., Série 05/04, 2011, p.01-07.


A cidade de Lagoinha, na região do Vale do Paraíba, no Estado de São Paulo, possui uma rica história econômica e social, pouco conhecida e estudada.
Entretanto, pensando em termos gerais, existe uma intima ligação entre a localização da cidade e o ciclo do ouro e inicio do ciclo do café.
É interessante ressaltar que os motivos da decadência econômica da cidade estão ligados também a localização geográfica, distante do eixo regional, desvinculada da construção da Estrada de Ferro no século XIX e da rodovia Dutra no século XX.
A partir de um olhar voltado para o início da formação brasileira, estudar a história de Lagoinha é buscar compreender a história do Brasil.
O conhecimento sobre a cidade, do ponto de vista historiográfico, é até então obscuro, principalmente se tratando de dados anteriores a segunda metade do século XIX.
O que reforça sua ligação com a origem tropeira e abre um precedente na história da origem de algumas cidades da região Vale-paraibana.
Porém existe material para pesquisa, tal como o que foi utilizado por nós para tentar contar um pouco da rica história de Lagoinha.
Estamos nos referindo a fontes primárias, como o livro Tombo da Paróquia de Lagoinha, escrito pelo vigário local, padre João Paulo Roberto, no inicio do século XX.
Além é claro de autores que ajudam na compreensão do contexto, fornecendo base teórica, como: Goulart, Maia, Holanda, Sanches, entre outros.


A origem do nome da cidade. 
Continuando um projeto iniciado no final dos anos 1990, iniciamos no ano 2000 um compêndio que tratava de alguns aspectos que poderiam ser utilizados como base para avaliar o grau de desenvolvimento da cidade de Lagoinha.
A idéia era ajudar a população a descobrir mais sobre a origem da cidade e algumas das razões que levaram Lagoinha a se localizar geograficamente onde está.
Buscando desvendar esta última questão, acabamos notando que o troperismo estava na gênese da criação da cidade.
O povoado que originou o núcleo populacional foi utilizado como ponto de apoio aos tropeiros e viajantes de alguns ciclos econômicos, pelo qual a economia brasileira passou.
Em um estudo toponímico, era uma prática lógica que todo pouso de tropa se localizasse nas margens de uma lagoa.
Daí o nome: Lagoinha.


O tropeirismo.
O muar vai ter uma importância considerável no desenvolvimento econômico e social da província de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
Podemos reafirmar que Lagoinha, assim como tantas outras cidades da região, tiveram sua origem ligada ao tropeirismo e, conseqüentemente, a alguns ciclos econômicos que alimentaram sua prática na região Vale-paraibana.
As paragens onde Lagoinha está localizada já eram utilizadas, como ponto de apoio pelos tropeiros que subiam a Serra do Mar, pelo sul fluminense, precisamente pela cidade de Parati, atingindo a freguesia do Facão (atual cidade de Cunha).
Daí enveredando para Lagoinha, São Luiz do Paraitinga e Taubaté, rumando para Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Lorena, Embaú, para atingir as Minas Gerais.
Não nos esqueçamos de que o tropeiro seguia uma lei rígida e invariável que consistia em seguir pelo caminho que oferecesse menor esforço.
Consideramos de capital importância o depoimento do pároco de Lagoinha, o padre João Paulo Roberto, o qual ajuda na compreensão mais acertada da origem de Lagoinha.
 Através deste depoimento, podemos ter uma idéia mais acertada sobre as razões da criação e decadência de cidades que tiveram sua origem ligada ao tropeirismo.
Segundo o pároco:

“Sendo criado este município em tempos que o mantimento comercial se fazia por meio das tropas tendo como centros de importação e exportação as cidades de Ubatuba e Paraty o lugar tendia a algum crescimento, porém, levado a término a estrada de ferro central, ficou como que desmembrada toda essa zona em completo abandono ficam vegetando decadentes cidades outrora tão florescentes, como Ubatuba, Cunha, São Luiz e até Paraybuna” (Tombo da Paróquia de Lagoinha. 1904, p.08).


Ciclo do Ouro.
No final do século XVII, quando surgiram as primeiras notícias da descoberta de grandes veios auríferos na América Portuguesa, começaram, gradualmente, a surgir cidades pelos caminhos que envolviam a logística em volta da mineração.
Nas primeiras décadas do século XVIII, inúmeras vilas e cidades foram fundadas no interior da colônia, em torno dos centros de exploração de metais e, mais tarde, de pedras preciosas (ouro e, principalmente diamantes).
Ouro fácil, de rápida extração, mas que, por isso mesmo, esgotava rápido.
Entre a descoberta, o apogeu e a diminuição da produção, não se passaram mais do que vinte anos.
A extração atingiu seu apogeu em 1760.
Vinte anos depois, o montante retirado das jazidas havia se reduzido à metade.
Estima-se que em vinte anos chegaram à área mineradora cerca de 180 mil pessoas vindas de várias partes da colônia e do reino.
Nos primeiros anos da mineração, operou-se violenta alta de preços dos produtos comercializados nas regiões auríferas, dada a escassez de mercadorias, inclusive alimentos.
A carestia na região mineradora gerou reflexos até no litoral, registrando escassez por causa dos produtos levados para as minas.
A corrida de paulistas e cariocas em direção a Minas Gerais, por causa da descoberta do ouro, provocou a escassez de alimentos e a necessidade de um meio de transporte que facilitasse a ligação aos portos.
Foi quando o Vale do Paraíba se tornou o celeiro das Minas Gerais, com a introdução da pecuária e de intensa produção agrícola destinada ao mercado interno.
A reboque, tornou-se também um ponto de encontro das tropas que levavam metais e pedras preciosas para o litoral, onde seriam embarcadas para Portugal, transportando as mercadorias necessárias ao abastecimento dos mineradores.
Lagoinha teve um papel significativo para os viajantes que seguiam rumo às cidades portuárias de Parati e Ubatuba.
Uma vez que, quase sempre, prevalecia a lei rígida no ambiente tropeiro: o menor esforço.
Portanto, o que explica a vocação pecuária e agrícola da localidade prevalecente até hoje.


O Ciclo do Café.
O rio Paraíba do Sul nasce ao pé da serra da Bocaina, no Estado de São Paulo, desaguando em Campos, no Estado do Rio de Janeiro.
Esse rio atravessa um imenso Vale, que recebe exatamente o nome de Vale do Paraíba.
O Café impulsionou o Vale do Paraíba e regiões no seu entorno no século XIX.
A região foi utilizada como núcleo de apoio aos viajantes do ciclo.
Os tropeiros que comerciavam através do porto de Ubatuba oriundos do sul de Minas Gerais e fundo do Vale do Paraíba, por vezes, faziam o trajeto que partia de Roseira (médio Vale do Paraíba), Lagoinha, Catuçaba (distrito de São Luiz do Paraitinga) e, por fim, Ubatuba.
Mas, embora seja uma história recente, reconstruir esta época, no âmbito do entendimento da formação de Lagoinha, está ainda por ser feito.


Concluindo.
No ciclo do ouro, inúmeras vilas e povoados foram fundados na beira de trilhas de muito trânsito de pessoas e mercadorias.
O sítio onde Lagoinha se encontra foi utilizado como núcleo de apoio aos tropeiros do médio Vale do Paraíba, que tinham como destino o porto da cidade de Parati e, posteriormente, os tropeiros oriundos do Sul de Minas Gerais e fundo do Vale do Paraíba que mantinham relações comerciais através do porto de Ubatuba.
A marcha tropeira alcançava no máximo 40 km de jornada e o repetir dos pousos veio a ser o embrião de futuras vilas, freguesias e cidades.
As distâncias que separam Lagoinha de Roseira (médio Vale do Paraíba), Cunha e Catuçaba ( distrito de São Luiz do Paraitinga), ambas na Serra do Mar, estão dentro da jornada percorrida pela tropa na região.
Uma vez que, o percurso vencido a cada dia variava de acordo com a procedência de cada tropa.
A distância que separa Lagoinha, das suas cidades vizinhas, gira em torno de uma marcha, (equivalendo a cinco léguas), se a légua equivale a seis quilômetros, então, as cidades são separadas por algo em torno de trinta quilômetros.
O depoimento do padre João Paulo Roberto, sobre a origem de Lagoinha, coletado a partir da oralidade, registrado em 1904, embasa esta hipótese:

“Sendo criado este município em tempos que o mantimento comercial se fazia por meio das tropas” (Tombo da Paróquia de Lagoinha. 1904, p.08).

Novamente a origem tropeira da cidade é exaltada, tendo já sido atestada pelas estórias que se contam entre os moradores mais antigos.
Raiz de sua gênese e também causa do se baixo desenvolvimento quando por ocasião da introdução da Estrada de Ferro em Taubaté.
As ferrovias são apresentadas como o “principal indutor de progresso”.
Esta afirmativa é merecedora de ressalvas, posto que cidades como Lagoinha ficaram fora do eixo ferroviário, tendo sua constituição motivada pelo transporte muar, viram sua tendência a “algum desenvolvimento” frustrada.
As Estradas de Ferro que representaram possibilidades de crescimento demográfico para varias cidades do Estado de São Paulo, nas palavras do Padre João Paulo Roberto fizeram cidades como Lagoinha permanecerem em estado “vegetativo”.
O grande escritor, taubateano, Monteiro Lobato, que comparou Oblividon com inúmeras cidades Vale-paraibanas, Lagoinha não podia ficar fora de tão caricata descrição:

“A cidadezinha onde moro lembra soldado que fraqueasse na marcha e, não podendo acompanhar o batalhão, à beira do caminho se deixasse ficar, exausto e só, com os olhos saudosos pousado na nuvem de poeira erguida além” (LOBATO, 2004, p.25).

Monteiro Lobato diz que a razão da decadência dessas cidades foi um desvio da civilização.
O telégrafo não pode por estas cidades a falar com o resto do mundo, até a estrada de ferro se esqueceu de uni-las pelo intermédio de um humilde ramalzinho.
Foi assim que Lagoinha não pode continuar a crescer.


Fontes.
DIVERSOS. Tombo da Paróquia de Lagoinha. Registros paroquiais de 03 de Novembro de 1904 a 26 de Maio de 1999.
SILVA, Altair Viana da. Conhecer-Compreender-Construir. Compilação de dados sobre o município e Lagoinha, Edição mimeografada, 2000. 


Para saber mais sobre o assunto.
GOULART, José Alípio. Tropas e Tropeiros na Formação do Brasil. Rio de Janeiro: Conquista, 1961. 
LOBATO, Monteiro. Cidades Mortas. São Paulo: 2004.
MAIA, Tom & HOLANDA, Sergio Buarque de. Velhas Fazendas. São Paulo: 1995.
MARTINS, Ana Luiza. O Trabalho nas Fazendas de Café. São Paulo: Atual, 1994.
RIBEIRO, Darcy. A Formação e o Sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. 
RUFFATO, Luiz. Memória do Comércio no Vale do Paraíba. São Paulo: Museu da Pessoa/SESC SP, 2004.
SANCHES, Fabio de Oliveira. Estrada Real: o caminho do Ouro. São Paulo: 2006.
SANTIAGO, Pedro. Por Dentro da História. São Paulo: Escala Educacional, 2005.
SETTI, João Bosco. Ferrovias do Brasil: um século de Evolução. São Paulo: Memória do Trem. 2008.
WEHLING, Arno. Formação do Brasil Colonial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.


Texto: Prof. Altair Viana da Silva.
Licenciado em História, com especialização na mesma área pela Universidade de Taubaté.
Professor da rede estadual de ensino de São Paulo, atuando na escola Padre Chico de Lagoinha.