Curiosidades e tudo que você sempre quis saber...


Para entender a história... é uma publicação técnico-científica on-line independente brasileira, indexada pelo IBICT, Latindex, CNEN e LivRe; no ar desde sexta-feira 13 de Agosto de 2010.
Não possui fins lucrativos, seu objetivo é disseminar e difundir o conhecimento através de artigos com qualidade acadêmica e rigor cientifico, mas linguagem acessível ao grande publico.

Periodicidade: Semestral (edições em julho e dezembro) a partir do inicio do ano de 2013.
Mensal entre 13 de agosto de 2010 e 31 de dezembro de 2012.

Livros com preços promocionais a partir de 4,99.

sábado, 31 de março de 2012

Balanço do mês de março de 2012 - Para entender a história...


Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 3, Vol. mar., Série 31/03, 2012, p.01-03.


No mês de março, registramos um novo recorde na história da publicação, recebemos 196.242 visitas, totalizando, desde 13 de agosto de 2010, quase 1.400.000 acessos em 1 ano e 9 meses de vida da publicação.



O ápice de acessos do mês de março também registrou um recorde na história da publicação, no dia 25 tivemos mais 9.006 visitantes em único dia.



Neste mês recebemos e publicamos a colaboração de autoria de:
1. Cássio Michel dos Santos Camargo - A experiência como possibilidade a interdisciplinaridade rumo ao Currículo Integrado.

Aproveitamos a oportunidade para agradecer, como sempre, as colaborações e parabenizar todos que já participaram pelos textos, estendendo o convite aos demais leitores para remetam artigos para submissão.

A publicação tem se tornado em espaço de divulgação de trabalhos desenvolvidos em cursos de pós-graduação, por este motivo, devido ao aumento significativo no volume de textos remetidos, temos registrado algum atraso e certa demora na publicação.
Pedimos paciência aos colaboradores.

Os interessados devem enviar artigos dentro dos parâmetros fixados nas normas de publicação disponíveis no link “Colaborações”.


A grande novidade é que se juntou ao conselho editorial um importante nome da área de história, que prepara uma série de artigos sobre a questão do nacionalismo, os quais em breve começarão a ser publicados.
Trata-se do Prof. Dr. Josias Abdalla Duarte, professor na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) e coordenador do curso de pós-graduação em história do Centro Universitário Claretiano; com larga experiência na área de História e Letras e ênfase em História Moderna e Contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: História Cultural do Brasil, Poética e Crítica Contemporâneas, História dos nacionalismos e modernismos Ibéricos, Romance Histórico no Oitocentos Ibérico, História da Imigração Árabe para o Brasil e Teoria da História em ibn Haldun.
Ele possui graduação em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1990), mestrado em Comunicação e Semiótica (1997) e doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2003). Além de pós-doutorado em história pela Universidade de Corunha - Espanha - (2006) e pela Universidade do Rio de Janeiro (2005).


Mudando o foco, como sempre, outro dado interessante foi o aumento no número de seguidores, subiu de 191 pessoas para 207.
Para os leitores que ainda não estão seguindo a publicação, lembramos que basta clicar no link “participar deste site” e aceitar as orientações decorrentes.
Os seguidores ficam informados sobre atualizações e ajudam a trazer maior prestigio a publicação com sua ilustre presença.

Neste mês as postagens mais populares, respectivamente, com o nome do autor e numero de acessos, foram:

01. Educação, família e sociedade: Fábio Pestana Ramos (11.281).
02. O imperialismo europeu no continente africano: Victor Mariano Camacho (8.858).
03. A revolução francesa foi causada pela fome: Fábio Pestana Ramos (7.507).
04. A educação no Brasil Império: Fábio Pestana Ramos (6.991).
05. A passagem da antiguidade para o feudalismo: Fábio Pestana Ramos (6.027).
06. História do analfabetismo no Brasil: Fábio Pestana Ramos (3.790).
07. Periodização e História: Fábio Pestana Ramos (3.463).
08. A formação do planeta terra e características geográficas: Fábio Pestana Ramos (3.072).
09. Os astecas e os sacrifícios humanos: Marcus Vinicius de Morais (1.999).
10. O surgimento do homem: Fábio Pestana Ramos (1.099).

Lembramos que no mês de novembro de 2011 a sistemática de publicações foi parcialmente alterada, o editor passou a publicar apenas um artigo no inicio do mês, abrindo a edição do volume, independente do dia da semana, esporadicamente publicando outros artigos aos sábados.
As segundas-feiras e terças-feiras ficaram destinadas à publicação de colaborações, abrindo um espaço maior para divulgação de artigos de leitores.
As quartas-feiras e quintas-feiras ficaram reservadas para a publicação de artigos de membros do conselho editorial e convidados.


Agradecemos os leitores e desejamos um bom divertimento.

Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.
Editor de Para entender a história...

sábado, 24 de março de 2012

Teoria e Práxis: o bem e o mal.


Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 3, Vol. mar., Série 24/03, 2012, p.01-07.


Embora pareçam termos que expressam conceitos antagônicos, teoria e práxis se complementam no âmbito da ética.

A despeito de Ciência normativa, a ética não é tão maniqueísta como moral, comportando um relativismo que carece da relação dialética entre teoria e práxis para determinar o que é bom e o considerado mal.
A moral, condicionada pelo tempo e espaço de forma mais evidente, possui fronteiras entre bem e mal, paradoxalmente, bem delineadas; sobretudo devido a seu vinculo com o senso comum e dogmas religiosos.
Razão pela qual Nietzsche propôs o conceito de niilismo libertador, voltar à estaca zero, eliminando concepções pré-concebidas, para determinar o certo e o errado, sem interferência do não racional.
O pensador não matou Deus, como se costuma normalmente afirmar, tentou eliminar a religião enquanto instituição social, normatizadora da vida dos indivíduos, propondo uma ética niilista, vinculada ao que, depois, seria a junção da teoria com a práxis.


Práxis contemporânea.
Contemporaneamente, Hegel resgatou o conceito de práxis grega, no século XIX, acompanhado por Feuerbach, quando o absoluto e a ideia de Deus foi substituída pelo homem real, dotado não só de razão, como também de vontade e sentimentos.
A ética tornou-se relativa, sofrendo interferência dos aspectos humanos, carecendo de teorização e da racionalidade, mas também da práxis.
Concepção amplamente desenvolvida pelos teóricos marxistas ao abordarem o conceito de consciência de classe, organizada pela práxis revolucionária.
É neste sentido que, pra Karl Marx, a relação entre teoria e práxis é expressa como teoria e prática, com a primeira servindo de guia para a ação e a segunda como fomentadora da atividade revolucionária.
Para ele, a teoria, ao estudar a realidade, pode mostrar as contradições do sistema capitalista.
Porém, uma revolução só acontece quando os indivíduos vivem a contradição.
Nada adianta teorizar sobre o causa a pobreza e a fome, sem que as pessoas sintam os seus efeitos, pois somente a vivencia da prática gera revolta.
Esta dita revolta, sem orientação teórica, não surtiria efeito, a ausência de teoria deixa as pessoas sem saber o que fazer e para onde ir para tentar resolver o problema.
A teoria depende da prática e vice e versa.
No entanto, no âmbito da ética, entender como a prática altera a teoria e como esta orienta a prática, pautando o relativismo da fixação do certo e errado, carece de uma discussão mais ampla, passando inicialmente pelo conceito de teoria e de práxis.


A concepção de teoria.
Antes de entender o que é práxis, é preciso compreender pormenorizadamente a concepção de teoria.
O termo vem do grego, significando, originalmente, “visão de um espetáculo”, uma “visão intelectual”, que pode ser resumido pela palavra “propriamente” ou “especulação”; a partir do que adquiriu o sentido de “construção especulativa”, que liga princípios e consequências.
Na antiguidade, quando um grego usava a palavra theoria referia-se a contemplação reflexiva de um conjunto, uma visão geral sobre o que era observado e entendido pelo sujeito.
A origem mais remota do termo designava uma festa solene, uma espécie de procissão que seguia de algumas cidades gregas para a sede dos jogos olímpicos ou para consultar o oráculo.
Os jogos olímpicos simbolizavam resolução de disputas entre interesses das cidades representadas, através de resultados nos esportes.
A theoria era o ato de se fazer representar para provar que determinada cidade era melhor que as outras.
O oráculo era um intermediário com o divino, respondendo dúvidas humanas.
A theoria era o rito de fazer-se representar para resolver as inquietações.
Portanto, teoria significava uma representação de parte do conjunto da sociedade, envolvendo disputa de opiniões.
A theoria grega simboliza uma opinião que busca resolver uma inquietação, um problema; demonstrando uma visão de conjunto que é tributário da reflexão estimulada pela observação da realidade.
Segundo André Lalande, a teoria opõe-se a prática na ordem dos fatos, sistematizando conhecimento desinteressado, independente de sua possível aplicação; constituindo uma concepção metódica e organizada do mundo.
É também uma construção hipotética que tenta explicar a realidade, sintetizando fatos por meio de hipóteses verossímeis, sustentando uma opinião que é válida até que outra teoria demonstre sua incoerência.
Dentro do contexto da normatização de comportamentos, a teoria é o que caracteriza o direito puro, o bem ideal, distinto do que é considerado correto pelo senso comum e a moral estabelecida.
Concepção que comporta uma acepção pejorativa, qualificando a teoria como uma construção artificial, que pode não passar de uma disputa bem articulada que convence o maior número de interlocutores, mas que poderia estar desvinculada do concreto.
Outro sentido pejorativo nomeia a teoria como uma simplificação do observado, que corresponde ao imaginado ou percebido, não aquilo que é de fato.
Respondendo as objeções, o aprimoramento do entendimento do significado de teoria, que começou no século XVIII e intensificou-se nos séculos XIX e XX; passou a defender a ideia de hipótese verificada depois de submetida ao raciocínio e a critica experimental.
Vinculada com a Ciência, a teoria é entendida como sistematização rigorosa dos fenômenos, comprovada pela prática ou indícios de aplicação concreta.
O que exigiria constante readequação para corresponder com as novas descobertas, resistindo a verificações e aquilo que se entende como real ou possível.
Ponto de intersecção da teoria com a práxis; pois no âmbito da ética enquanto Ciência, para que as concepções teóricas sejam uteis ao individuo e a coletividade, aplicáveis na prática; seria necessário estabelecer um dialogo permanente entre as duas esferas, permitindo a readequação do considerado correto de acordo com o sentido de bem em oposição ao mal.


A concepção de práxis.
Segundo André Lalande, a despeito do termo práxis, etimologicamente, significar “ação” ou “atividade”; contemporaneamente, o uso da palavra é conhecido pela acepção hegeliana e, principalmente, marxista; correspondendo a uma ação coletiva, técnica, econômica, social ou ideológica fundamentada na prática que modifica a teoria ou confirma hipóteses.
Em um sentido especifico, a práxis, como construção cientifica que se opõe ao embasamento teórico ou especulativo filosófico, é tida como teoria verificada pela prática e que pode ser reproduzida através de experimentos.
Entretanto, a práxis, mesmo aplicada ao contexto marxista, é mais complexa, não se resume a teoria que pode ser concretamente verificada ou pura e simplesmente como sinônimo de prática.
Segundo Adolfo Sánchez Vasquez, o termo práxis transcende seu significado grego pertinente à antiguidade, evoluindo até compor uma concepção complexa.
O sendo comum conhece a expressão “é de praxe”, significando o que se pratica habitualmente, aquilo que é usado, faz parte da rotina ou tradição.
A palavra praxe tem a mesma origem etimológica e guarda relação com a ética e a moral, mas não possui o mesmo significado que o termo práxis.
São palavras distintas, com acepções, igualmente, diferentes.
Uma definição de dicionário diria que práxis corresponde a uma visão filosófica, utilizada na linguagem marxista, significando um conjunto de atividades que podem transformar o mundo.
Seria sua função informar os indivíduos sobre as causas e condicionantes das estruturas sociais, mostrando na prática as contradições e conduzindo a um processo revolucionário em beneficio da implantação do socialismo, uma vida coletivizada em detrimento do individualismo capitalista.
A origem do termo é muito mais remota do que comporta esta definição simplista e pontual.
Na antiguidade, para os gregos, a práxis designava a ação propriamente dita, motivo pelo qual fez surgir em língua portuguesa à palavra prática.
No entanto, o sentido de prática em português não expressa à práxis filosófica, pois designa uma ação que caracteriza algo pensado e que possui um caráter utilitário.
Algo sempre é considerado prático porque é útil, direto, concreto, resolve o problema de imediato, fornece uma resposta na hora.
A práxis grega vai além do que é prático, significa a ação de levar a termo, concretizar um pensamento.
Configura um ato que tem seu fim em si mesmo, não cria ou produz um objeto externo.
Um exemplo de práxis é o comportamento ético que cultiva a virtude pela virtude, pelo sentimento de satisfação do sujeito consigo mesmo, sem ser gerada por motivações externas, a exemplo da moral, ou pretendendo externalizar um efeito virtuoso.
A grosso modo, a práxis determinaria que andar deveria ser motivado unicamente pelo prazer de caminhar, não para chegar a algum lugar ou desenvolver uma melhor forma física.
É neste sentido que Adolfo Sánchez Vázquez afirma que o trabalho de artesão não é práxis, mas sim prática, já que o objeto produzido existe fora do agente e da ação.
Para o grego, o artesão fabrica algo usando a técnica e não a práxis.
A ação que produz algo fora do agente e da ação, para a filosofia, é a poésis, palavra que significa “produção” ou “fabricação”.
Em sentido amplo, hoje, a práxis vai além de seu significado original grego e transcende o que entendemos por prática.
A práxis designa uma atividade consciente e objetiva, não produtora ou voltada à fabricação, mas transformadora de ideias, caracterizando uma operação intelectual ativa e fomentadora.


Práxis Ética e Teoria.
Entendendo a práxis como atividade interpretativa sobre a realidade que, ao efetivar-se, termina em si, transformando o objeto de analise; a sua relação com a teoria pode parecer distante, mas não é.
Devemos lembrar que a práxis é uma ação que está em si mesma, que se desdobra de dentro para fora, possuindo forte vinculo com a ética.
Um exemplo de práxis ética é cultivar a verdade, não pelo efeito que possui para o sujeito ou a sociedade, mas pela sua natureza reveladora e seu desdobramento interior.
Uma verdade pode ser prejudicial ao outro ou para a sociedade, em primeiro momento, prejudicando o sujeito que reflete, porém, deixa a consciência limpa, faz bem ao coletivo em sentido amplo e a própria pessoa.
Ao mesmo tempo, uma mentira leva a outras e tem consequências imprevisíveis, compondo uma teia que prende o sujeito e força a se comportar de forma não racional.
Assim, cultivar a práxis ética da verdade, por ela mesma, simplifica a vida e aproxima o individuo da eudaimonia.
Neste sentido, a práxis deveria acompanhar a teoria, condicionando sua base de sustentação e as concepções éticas em voga.
Isto porque a práxis também é relativa, respondendo as necessidades do sujeito, do outro e do coletivo; atendendo o ideal de liberdade e responsabilidade por si só.
A questão é que o conceito de liberdade ou responsabilidade também é relativo e condicionado pelo tempo e espaço, relativizando a práxis.
Cultivar a liberdade por ela mesma implica em responder o que é considerado ser livre, algo relativo e, conforme a interpretação, condicionando à práxis.
O que remete a conceituação de bem e mal no âmbito da ética, já que a dita liberdade e responsabilidade conduz às ações éticas, pautando a relação entre teoria e práxis.
Em outras palavras, a teoria serve de guia para a práxis, tentando contornar sua subjetividade e relativismo.


A concepção de bem e mal.
Nem sempre, ao longo da história da humanidade, as ações forma julgadas como sendo boas ou más, comportando uma dualidade que esteve presente nas religiões primitivas, com entidades que representam, simultaneamente, o bem e o mal.
Neste contexto, o ato tinha maior proximidade com a práxis, pois não pretendia alcançar um fim fora de si mesmo, não tencionava satisfazer um juízo de valor.
É por isto que o conceito de ética grego estava vinculado com a práxis, não atendendo a imposição do socialmente desejado, perseguindo a eudaimonia.
Porém, a humanidade tornou-se governada por um dualismo que não comporta supostas contradições, em grande parte tributário do maniqueísmo, termo que iria se tornar sinônimo desta nova forma de pensar.
No século III d.C., o persa Manes - nome latinizado-, vivendo no que atualmente é o Irã, criou uma religião que, apesar de não existir mais, influenciou fortemente a lógica de pensamento humano.
Influenciado por Zoroastro, fundador da primeira religião monoteísta da história, no século VII a. C, que possuía todos os elementos que, posteriormente, seriam assumidos pelo cristianismo; tal como o conceito de paraíso, juízo final, ressurreição e a espera por um messias.
Manes propôs a dualidade entre luz e trevas como centro da espiritualidade.
Incorporou supostos ensinamentos de Buda e Jesus Cristo, estabelecendo uma religião nova dentro do seio do cristianismo, então já sob controle do Império Romano em sua fase de decadência política e militar.
Uma tendência que foi considerada herética e perseguida até desaparecer completamente na Idade Média, mas que, conhecida como maniqueísmo, enquanto extensão de seu fundador Manes, dividiu a valoração, necessariamente, entre boa ou má.
Em termos ético, pautando decisões em volta de uma finalidade especifica: normatizar comportamentos em torno da prática do bem em oposição ao mal.
O que criou um problema para a práxis ética, uma vez que pretende transformar em sentido evolutivo, sem possuir finalidade externa, ao passo que a busca de padrões de boas ações constitui um objetivo a parte do ato em si mesmo.


Concluindo.
A práxis é essencial para ética, pois permite garantir a racionalização das ações, independente da valoração entre bem e mal, em grande medida imposta pela moral.
 No entanto, não consegue fugir totalmente do relativismo, respondendo anseios éticos maniqueístas, marcados pela dualidade que força o sujeito a escolher sempre entre dois caminhos: o bem ou o mal.
O que é diferente do certo e errado, dualidade que acaba sofrendo também influência do maniqueísmo, não permitindo enxergar que existem ações que podem ser boas e más ao mesmo tempo, assim como certas ou erradas simultaneamente.
Um bom exemplo poderia ser o caso de um soldado que é ensinado a obedecer ordens, valoradas como seu dever para com a pátria e a coletividade; enquanto esta premissa pode exigir o cumprimento de ordens que configuram atos contrários ao que o sujeito considera ético, opondo-se a ação correta como ser humano, membro de uma coletividade maior.
Centro de um conflito interno do sujeito, que a ética tenta resolver através da práxis, mas que nem sempre consegue solucionar quando entrelaçado com a moral ou o Direito.
Em outras palavras, a práxis ética, somada ao contexto teórico, serve de guia para que o indivíduo possa balizar suas ações, no entanto, a racionalização sozinha não consegue atender aos anseios e responder as perguntas no interior do sujeito.
Dotado de sentimentos, o sujeito não é só guiado pela racionalidade transformada pela práxis ética.


Para saber mais sobre o assunto.
COSTA, Marcos Roberto Nunes. Maniqueísmo: história, filosofia e religião. São Paulo: vozes, 2003.
LALANDE, André. Vocabulário técnico e crítico da filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1993.
NIETZSCHE, F. W. Além do bem e do mal. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.
NIETZSCHE, F. W. Assim falava Zaratustra. São Paulo: Vozes, 2008.
NIETZSCHE, F. W. O anticristo. São Paulo: Martin Claret, 2000.
VÁZQUEZ, Adolfo Sánchez. Filosofia da Práxis. São Paulo: Expressão Popular, 2007.


Texto: Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.
Doutor em História Social pela USP.
MBA em Gestão de Pessoas.
Bacharel e Licenciado em Filosofia pela Universidade de São Paulo.

sábado, 17 de março de 2012

Moral, Ética e Religião.


Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 3, Vol. mar., Série 17/03, 2012, p.01-04.


A vinculação entre religião, moral e ética é imensa, à medida que se influenciam mutuamente.
Nos primórdios da humanidade, o que depois seria chamado de direito natural, convencionou um contexto mitológico para servir de referência e padronizar comportamentos, tornando a convivência coletiva possível.
A mitologia não explica somente fenômenos para os quais não existe explicação racional, é também o primeiro padrão ético instituído.
Os parâmetros mitológicos foram criados por tentativa e erro, expressando o conhecimento acumulado, portanto, tradições; assumindo um viés sagrado, transformado em religião.
Neste sentido, poderia ser argumentado que os mitos inserem-se na heteronomia, ligados mais a moral do que com a ética.
Afirmação que estaria correta, já que a mitologia é também a base primitiva da moral, continuando ativa até hoje.


Mitologia e pensamento freudiano.
Os mitos configuram a memória coletiva da humanidade, expressando o Aparelho Psíquico desvendado por Sigmund Freud no século XIX.
A estrutura de funcionamento da mente humana seria formada por ID, Ego e Superego.
Onde ID representa a energia psíquica, os instintos e impulsos orgânicos inconscientes, tendo como principio básico o prazer puramente hedonista, sobretudo baseado na libido.
Para Freud, o ID expressa a natureza animal que não obedece ética ou moral, caracterizado pela impulsividade, não estando sobre o controle racional do individuo, revelando um caráter humano antissocial e egoísta.
Contraposto a esta esfera da mente, o Superego representa a consciência moral, que determina o certo e errado, convencionado pela tradição, para possibilitar a convivência em grupo, agindo como mecanismo repressor do ID.
Ocorre que a configuração do Superego é pautada pela mitologia, muitas vezes evidenciada pela religião.
Dentro desta dinâmica, o Ego é fruto da relação entre ID e Superego, compondo o principio da realidade, o comportamento racional, que pondera para decidir; onde se processa a ética.
Assim, a mitologia pauta a mentalidade, compondo parâmetros para o Superego, reprimindo o ID, estando na base da moral.
O que interfere diretamente no Ego e, portanto, na configuração do raciocínio ético, que também não está totalmente isento da influencia do inconsciente.
Por este motivo, a religião, como expressão maior da mitologia, deve ser observada porque acaba interferindo nos preceitos morais e éticos.
A despeito destas duas esferas se influenciarem mutuamente e sofrerem efeitos a partir de outros fenômenos.
O que suscitaria questionar se a autonomia do pensamento ético também não é limitada, embora não seja embasada puramente na heteronomia como a moral ou a religião.


O papel da religião.
A religião - do latim religare, que significa “ligar com”, “ligar novamente” – pode ser definida como a sistematização de crenças metafísicas, não palpáveis, em geral ligados com a espiritualidade, o entendimento simbólico do mundo.
A partir da mitologia, a institucionalização dos valores e crenças, a oficialização e organização, originou as primeiras religiões.
O contexto etnológico da palavra já indica seu viés tradicional, uma ideia de uma ligação com obrigações e práticas, condicionadas como obrigatórias pelo divino; expressando uma condição perdida pelo homem devido a sua natureza animal, que tenta ser recuperada pela religação com o divino.
Entretanto, alguns defendem a hipótese de que a religião não deriva etimologicamente de religare; mas sim de relegere, que possui o sentido em latim de “ler de novo”, “ler várias vezes”.
O que confere um significado de repetição, de normatização para servir de parâmetro de comportamento.
Ambos sentidos para a origem da palavra terminam se completando e confluindo para o conceito de religião como instituição social, caracterizada pela existência de um grupo unido por um conjunto de valores, mantendo coesão comportamental.
É por isto que a religião termina oficializando uma moral de grupo, que, por sua vez, interfere no padrão de comportamento da sociedade.
No século XIX, August Comte, considerado o pai da sociologia, foi o primeiro a teorizar pelo viés cientifico e não apenas filosófico sobre o papel das instituições sociais na organização do funcionamento da sociedade.
Neste contexto, o componente religião assumiria grande destaque.
Porém, foi outro francês, contemporâneo deste, que desenvolveu teoricamente a concepção em detalhes, trata-se de Émile Durkheim, responsável pela introdução da sociologia nos currículos das universidades.
Ele demonstrou que o fato social, um acontecimento ou ação relevante para o funcionamento da sociedade, seria determinado pela coerção, fazendo os indivíduos se conformarem com as regras impostas pelo Direito.
Para Durkheim, a sociedade funcionaria como um organismo vivo, onde, semelhante aos órgãos, cada função social depende das outras para existir, fazendo a consciência individual dar lugar a coletiva, formando padrões sociais, onde se insere a religião como fomentadora da heteronomia.
Embora não propriamente coercitiva, a religião exerceria o poder de coação, forjando uma moral, com regras maniqueístas de comportamento que interferem nas ações do sujeito no interior do grupo, pautando mentalidades e concepções de mundo em sentido amplo.
As rápidas mudanças provocadas pelo sistema capitalista, diante da ausência de regras evidenciadas pela religião, pelo prisma de sua decadência frente à racionalidade pura; geraria em estado de anomia (a = não + nomia = normas), deixando os indivíduos desorientados.
Sem parâmetros para nortear o certo ou errado, a sociedade seria conduzida para o que Durkheim chamou de estado patológico, com vários problemas que passariam a interferir no funcionamento normal.
Destarte, no inicio do século XX, o alemão Max Weber aprofundou o estudo do papel da religião no comportamento humano, publicando, em 1905, a obra A ética protestante e o espírito do capitalismo.
Ele estudou os fenômenos da vida religiosa, chegando à conclusão de que vários preceitos do cristianismo protestante, mais do que fomentadores da moral vigente, criaram uma ética capitalista distinta da ética grega.
Para Weber, as religiões protestantes terminaram contribuindo para a ascensão do capitalismo.
As convicções religiosas que consideram o êxito econômico como sinal de benção de Deus, o que ele chamou de ética protestante, configurou uma nova realidade moral, sendo assimilada pela mentalidade capitalista.
 Ocorre que Weber não percebeu que a moral protestante se transformou em ética capitalista institucionalizada pela burocracia, subdividindo-se em várias configurações inerentes ao contexto grupal circunscrito às profissões.
A ética que decorre das religiões protestantes, a partir da moral, ajudou a cunhar o centro da ética profissional capitalista, baseada na felicidade identificada com a capacidade de consumo; desvirtuando o significado original grego da eudaimonia, multiplicando as possibilidades de entendimento do conceito de ética.


Religião e Estado.
Desde seus primórdios, a religião constituiu um mecanismo de controle social do Estado usado para doutrinar e padronizar comportamentos que servem aos interesses dos grupos hegemônicos.
Segundo Althusser, um autor francês de linha marxista, a religião, ao lado da educação, sempre foi um Aparelho Ideológico de Estado.
Usada para vender a ideologia da elite e organizar a estrutura social, hierarquizando a sociedade.
Para garantir a submissão completa das massas, outro mecanismo, o Aparelho Repressivo de Estado, excluiria ou segregaria os indivíduos que não são convencidos ideologicamente.
Contemporaneamente, apesar da religião possuir uma força de penetração menor que no passado, continua atrelada ao Estado, sendo propagada pelos meios de comunicação.
Este, como Aparelho Ideológico, assim como a própria religião, possui internamente Aparelhos Repressivos, reproduzindo a desigualdade e a divisão social e econômica capitalista.
A religião, ao invés de representar a possibilidade de libertação e autonomia, através da construção ética do sujeito; como mecanismo de Estado, impõe padrões de comportamentos, uma moral que serve a interesses de grupos hegemônicos.
Embora seja possível discorrer sobre uma ética religiosa ou uma metafísica ética, a religião acabou transformando-se em elemento utilizado para doutrinar, impondo uma moral que configura pura heteronomia, elegendo o Estado como figura centralizadora da fixação de parâmetros de ação.
Não obstante a confusão reinante entre ética e moral, assim como outros fatores como o Direito interferindo na conceituação e entendimento; a religião, atrelada ao Estado, complica mais este cenário.


Para saber mais sobre o assunto.
BERGSON, Henri. As duas fontes da moral e da religião. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.
GIDDENS, Anthony. Sociologia. Porto Alegre: Artmed, 2005.
RICOEUR, Paul. Da metafísica a moral. Lisboa: Instituto Piaget, 1998.
WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
WEBER, Max. A gênese do capitalismo moderno. São Paulo: Ática, 2007.


Texto: Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.
Doutor em História Social pela USP.
MBA em Gestão de Pessoas.
Bacharel e Licenciado em Filosofia pela Universidade de São Paulo.

sábado, 10 de março de 2012

A evolução conceitual da Ética.

 

Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 3, Vol. mar., Série 10/03, 2012, p.01-12.


Desde a antiguidade, a ética percorreu um longo caminho, distinguindo-se da moral e se segmentando, adquirindo contemporaneamente um sentido amplo e outro mais estreito.
Atualmente, existe uma ética da humanidade que pauta comportamentos pensando em pressupostos maiores; e outra que padroniza ações no interior de um grupo especifico.

As duas vertentes nem sempre caminharam juntas, gerando recomendações contraditórias e paradoxais.

Para entender o que e como se configurou a chamada ética profissional, apenas um dos ramos da ética normativa, é necessário percorrer o desenvolvimento conceitual da ética ao longo da história.


A ética na antiguidade.
A ética nasceu na Grécia, praticamente junto com a filosofia, embora seus preceitos fossem praticados entre outros povos desde os primórdios da humanidade, mesclados ao contexto mítico e religioso, tentando pautar regras de comportamento para permitir o convívio entre indivíduos agrupados no conjunto da sociedade.
A rigor, os gregos foram os primeiros a racionalizar as relações entre as pessoas, repensando posturas e sistematizando ações.
Momento em que surgiram discussões que até hoje fomentam reflexões éticas.
Apesar dos pré-socráticos se inserirem neste contexto, a maioria dos autores atribuem a tradição socrática um olhar mais atento sobre problemáticas em torno da ética.
Para Sócrates, o verdadeiro objeto do conhecimento seria a alma humana, onde reside a verdade e a possibilidade de alcançar a felicidade.
O grande problema é que o individuo não está preparado para encontrar a verdade dentro de seu espírito.
Tentando eliminar os próprios erros, ocultos em sentimentos confundidos com a felicidade, o sujeito acaba buscando somente o prazer puramente hedonista.
Por esta razão, seria missão do filósofo conduzir o sujeito ao conhecimento, direcionando para eudaimonia, a verdadeira felicidade.
Um conceito importante para os gregos, tanto que a palavra eudeimon tem a mesma origem etimológica, denotando riqueza e denominando um homem poderoso e com boa fortuna.
Para a tradição socrática, a felicidade só pode ser alcançada pela conduta reta, a verdade só pode ser contemplada pelo conhecimento virtuoso do mundo, pelo comportamento orientado pela bondade.
A virtude é o centro da ética socrática, podendo ser definida como uma disposição para praticar o bem, suprimir os desejos despertados pelos sentimentos, racionalizando as ações em beneficio da coletividade.
O individuo virtuoso, bom, é aquele que se preocupa em aperfeiçoar a convivência comunitária, em tornar-se o cidadão perfeito.
Neste sentido, devemos notar que a ética é uma busca pela felicidade coletiva, mas envolve apenas a eudaimonia entre iguais.
A preocupação ética abarca a comunidade, a Pólis, onde estrangeiros e escravos estão excluídos em meio à hierarquização da sociedade.
Os sofistas, tendo um conceito relativizado de verdade, duvidaram da possibilidade da virtude poder ser ensinada, contudo, admitiram que poderia ser desenvolvida pelo sujeito através do despertar da consciência.
O conhecimento seria o meio do individuo se aperfeiçoar, tornando-se virtuoso pelo amadurecimento intelectual; enquanto a ignorância representa o vicio.
Desta concepção decorreu a fundamentação da ética em volta da liberdade, virtude e bondade.
Parâmetros que nortearam o pensamento ético aristotélico, onde a felicidade é definida como a própria virtude, garantia da liberdade.
Antes de Aristóteles, herdeiro da tradição socrática, Platão tratou a ética como componente indissociável da vida política, da harmonia entre os habitantes da Pólis.
Sua tarefa seria promover o nivelamento entre os indivíduos, diluindo as diferenças em prol do bem comum.
A ética deveria permitir que os indivíduos partilhassem o poder, impedindo a concentração do governo da Pólis nas mãos de um segmento da sociedade ou de um individuo.
Portanto, fornecendo limites à liberdade, equalizando diferenças sociais e econômicas, a ética deveria fazer o sujeito se preocupar com o outro, partilhando o poder.
A questão é que a tentativa de organizar a distribuição do poder desvirtua o homem, corrompe a busca da felicidade coletiva em favor da ilusão hedonista individualizada.
Para Platão, todas as formas de governo poderiam ser resumidas em quatro, todas produtoras de homens não éticos:

1. Timocracia. O regime dos amantes da riqueza, onde o poder é partilhado apenas entre os membros das oligarquias, palavra que em grego significa “governo de poucos”, restringindo-se ao controle exercido pelas famílias mais ricas e proeminentes que formam a nobreza.
O poder é transmitido hereditariamente, sem possibilidade de alternância ou de compartilhamento.

2. Oligarquia. O regime decidido pela transação de fortunas, governado pelos ricos, independente de sua origem familiar, sem nenhuma participação dos pobres.
Onde o que é valorizado é a capacidade econômica e não a virtude.

3. Democracia. O governo da Pólis ao gosto de cada um, com representantes eleitos ou cidadãos participando diretamente, estabelecendo acordos para pautar leis, as quais os indivíduos devem se adaptar.
O problema deste regime é que tende a anarquia, a desorganização em meio a discussões intermináveis que defendem interesses múltiplos, sem alcançar resultados práticos.
Além do fato que, o crescimento populacional, inviabiliza a sua efetivação, conduzindo a uma das outras três formas de governo, disfarçadas em democracia.

4. Tirania. O sistema em que um homem, o tirano, assume o poder sob pretexto de beneficiar o coletivo, mas que na verdade representa seu desejo por bajulações, demonstrando total ausência de virtude e pobreza de alma.

Uma vez que todas as formas de governo conduzem ao vicio, inviabilizando a existência ética do individuo e da Pólis; Platão propôs a construção de um Estado Ideal, onde a virtude pudesse ser cultivada, garantindo a liberdade efetivada no exercício da justiça, o que ficou conhecido como República Platônica (Res Pública = coisa pública).
O Estado deveria ser governado pelos reis filósofos, sendo a racionalidade o que permitiria dirigir o destino coletivo com sabedoria e virtude.
Os guardiões deste sistema de governo seriam os soldados, selecionados entre os mais corajosos e obedientes.
Aos artesãos caberia viabilizar economicamente o Estado, constituindo a base da sociedade, composta por indivíduos governados pelas coisas sensíveis.
Os filósofos possuiriam alma de ouro, cultivando a virtude da sabedoria; os soldados teriam alma de prata, possuindo a virtude da coragem; e os artesãos seriam dotados de alma de bronze, devendo cultivar a virtude da moderação para conter seus desejos pelos bens materiais.
Esta concepção leva em consideração que haveria escravos para cultivar alimentos para suprir a população.
Estes não estão incluídos nas preocupações da ética platônica, pois não passam de animais vocais, capazes de falar, mas não de interiorizar virtudes e a razão.
Assim como também, neste mundo perfeito, não havia espaço para as mulheres, consideradas serem inferiores por se entregarem aos sentimentos.
Um segmento indesejado seria composto pelos poetas, que deveriam ser expulsos da Pólis, já que despertam sentimentos, fazendo o sujeito deixar a racionalidade de lado.
Modernamente, poderíamos traça uma analogia dos poetas com os meios de comunicação, que constroem verdades e desviam a atenção das massas das questões realmente importantes, iludindo os indivíduos e manipulando suas ações.
Aristóteles também considerava a ética como possibilidade de eliminar a desigualdade, harmonizando o convívio coletivo; mas envolve, antes, o equilíbrio interno do individuo, externalizado pela eudaimonia coletiva.
Ao inverso de Platão, para ele não é o sistema político que corrompe o homem, este é que desvirtua o regime.
É por isto que Aristóteles foi um grande defensor da democracia, relacionando a liberdade com a responsabilidade para compartilhar o poder de forma igualitária, através do conceito de representatividade.
Para tal, seria necessário preparar o individuo para o exercício virtuoso da política, cultivando virtudes como prudência, sabedoria e justiça.
Não sendo possível determinar a essência destes conceitos, sendo relativos no tempo e espaço; é difícil definir parâmetros para um comportamento virtuoso.
Problema contornado pela repetição de ações consideradas boas para a coletividade, garantindo a ordem das coisas para atingir a felicidade.
O papel da ética é justamente convencionar o que deve ser repetido, racionalizando comportamentos benéficos ao individuo e à Pólis.
Para racionalizar o convívio entre as pessoas, seria preciso assimilar três tipos de conhecimentos que compõem o que Aristóteles chamou de sabedoria voltada para o bem, o belo e o honesto:

1. Conhecimentos Teóricos. A averiguação do que ocorre no mundo, transformado em conhecimento sistematizado, em Ciência e, portanto, naquilo que hoje chamamos de ética.

2. Conhecimentos Produzidos. Normas de orientação técnica, necessárias à efetivação da prática, correspondentes às leis e ao Direito.

3. Conhecimentos Práticos. Orientações obtidas pela vivência diária, conduzindo a maneira justa e saudável de viver em harmonia com a natureza e o outro, condizente com a moral.

Em outras palavras, a ética aristotélica propõe observar as necessidades do homem como individuo e membro da coletividade, o que é possível estabelecer como norma em dado contexto, teorizar e refletir para padronizar como correto.
A ética se constitui como Ciência normativa da conduta individual e coletiva em sentido amplo.
Diferente da concepção platônica, onde a ética é inerente a um grupo e padronizada de forma segmentada, origem do que hoje chamamos ética profissional.
Ainda na antiguidade, os romanos tiveram que lidar com a oposição antagônica proposta por Platão e Aristóteles, entre o padrão de comportamento da sociedade e de grupos inseridos nela.
O que originou a moral e sua distinção com relação à ética, o Direito e a justiça.
 A conclusão foi que a existência coletiva precisa de regras para efetivar-se, percorrendo esferas distintas que vão do privado ao convencionado para o conjunto, do individuo ao grupo e deste para o contexto mais amplo; comportando paradoxos, distinções e segmentações.


A ética medieval.
A Idade Média foi dominada pelo catolicismo na Europa Ocidental, pautando uma ética vinculada com a religião e dogmas cristãos, dominando o panorama conceitual entre o século XI e XIX; a despeito de mudanças significativas com o renascimento e, depois, a entrada na modernidade e o iluminismo.
Dentre as concepções filosóficas que influenciaram fortemente o conceito de ética medieval, cabe destacar as ideias de Santo Agostinho, Santo Anselmo e São Tomás de Aquino.
Para Santo Agostinho a verdade é uma questão de fé, é revelada por Deus, superando a razão; subordinando o Estado e a política à autoridade da Igreja.
Houve também uma subordinação da ética à moral; com a última sobrepondo-se a primeira e invertendo a ótica a favor da heteronomia pautada pelo cristianismo.
O catolicismo alterou profundamente a ética, introduzindo a ideia de que a bondade, uma vida virtuosa, só podia ser alcançada pela vontade de Deus, desvinculando a felicidade da racionalização do mundo.
Embora a máxima cristã - fazer ao outro o que queres para ti - seja perfeitamente condizente com a concepção original de ética; o ascetismo e o martírio modificaram o conceito, operando uma releitura das ideias filosóficas de Platão e Aristóteles.
O ascetismo cristão - do grego ascese = exercitar - consistia na renúncia ao prazer e mesmo a satisfação de qualquer espécie, aplicada a tudo que é terreno e material, fomentando práticas como mutilação genital, celibato e jejum.
Um grande problema para fundamentação ética, visto que a mesma se caracteriza pela busca do prazer, representado pela felicidade, configurando um hedonismo relativo e satisfação consigo mesmo e o próprio papel no coletivo.
Uma concepção considerada pecado da vaidade pelo cristianismo, razão que tornava a moral mais importante que a ética na idade Média.
O martírio implicava em valorizar a dor em nome da fé - do grego martys = testemunha - implicando em agir de acordo com a vontade de Deus, mesmo quando contrário à razão, guiando-se pelos dogmas estabelecidos pela igreja, independente do que é determinado pela ética.
Mais um fator de fortalecimento da moral, aumentando a ignorância da maior parte da população europeia quanto ao discernimento conceitual da ética.
Neste contexto, o mundo sensível e inteligível platônico foram reinterpretados; identificados com a vida mundana em oposição ao paraíso nos céus, com a verdade só podendo ser contemplada através da fé em Deus e a felicidade alcançada somente após a morte.
Tudo, desde que os preceitos católicos tivessem sido seguidos à risca em vida.
A ética cristã, através do pensamento de São Tomás de Aquino, também fez uma releitura do pensamento aristotélico.
O tomismo procurou conciliar a fé e a razão, condicionando os atos dos indivíduos à natureza humana.
No entanto, ao afirmar que a dita natureza humana estaria na essência divina, inclinada a bondade, como pretendia Aristóteles; não fez mais que reafirmar a subordinação da razão à fé.
Para Tomás de Aquino, o caminho para a felicidade passaria pela “grande ética”, caracterizada pelo justo equilíbrio divino, projetado na ordenação da sociedade.
Portanto, em aceitar as contradições sociais e econômicas, a desigualdade, como vontade de Deus, esperando receber a recompensa no além, quando finalmente a contemplação do paraíso permitiria atingir a felicidade plena, individual e coletiva, participando e retornando ao espírito divino.
O que representou uma relativização da ética, fragmentada e aplicada apenas a um contexto especifico de estamento e grupo social.
Segundo ele, “os princípios comuns da lei natural não podem ser aplicados do mesmo modo indiscriminadamente a todos os homens, devido à grande variedade de raças, costumes e assuntos humanos; por isto, existe a diversidade das leis positivas nos diversos povos”.
Para harmonizar a sociedade, ao invés da ética, dada sua segmentação, caberia a moral servir de referencial.
Santo Anselmo, pai da escolástica, tendência filosófica que propunha a educação como meio de vencer o ceticismo e doutrinar o homem na fé cristã, mostrando sua superioridade frente à razão; afirmou que os princípios morais seriam intuitivamente auto-evidentes, condicionando as ações à vontade de Deus.
Relegada ao segundo plano na efetivação da justiça, a ética passou a ser entendida como aplicada a contextos específicos; abrindo caminho para a visualização conceitual dos aspectos éticos erroneamente apenas vinculados com a atuação profissional, com regras que valeriam somente entre iguais.
Assim, a tendência de interpretação conceitual da ética platônica prevaleceu sobre as demais abordagens, sendo acentuada pela visão cristã que valorizou a moral em detrimento da uma concepção ética universalizadora.


A ética moderna.
Entre os séculos XVI e XVIII, as discussões éticas estiveram centralizadas no embate entre racionalismo e empirismo.
A Idade Moderna foi à época da formação e consolidação dos Estados Nacionais europeus, precedendo a Revolução Francesa e Industrial, quando a separação entre Estado e igreja tornou-se definitiva, com a preponderância do antropocentrismo e a aceleração do avanço da Ciência.
Foi também um período de transição para a Idade Contemporânea, registrando contradições de cunho ainda medieval e forte influencia da religião na vida das pessoas.
Qualquer que seja a tendência teórica, a ética passou a ser vista novamente enquanto voltada para a busca da felicidade coletiva, retomando seu sentido original grego, vinculado com a política, compondo orientações para a realização plena do cidadão.
Diante de múltiplos caminhos para chegar a eudaimonia, a ética foi pensada como garantia de condições para que o sujeito se aprimore por meios legítimos.
Onde entraria o Estado como fomentador e garantidor de condições de condições transformadoras, providenciando educação, direitos individuais, justiça e subsistência.
Neste sentido, os preceitos religiosos começaram a perder força, em uma tentativa da ética se sobrepor a moral, universalizando e discutindo princípios de convivência em sociedade.
O que tornou atributo da ética realizar uma reflexão sobre a construção dos valores que balizam a moral, instituindo uma critica sobre práticas e ações humanas no âmbito da axiologia e da teoria dos valores.
Embora Descartes não tenha pensando especificamente a ética, sua concepção filosófica remete a uma transição entre a Idade Média e Moderna, pois Deus é a garantia de existência do eu físico, fator significativo que compôs a ética racionalista em meio à dúvida que origina o cogito.
O caminho da dúvida cartesiana conduziu Descartes a estabelecer uma moral provisória, baseado em recomendações como obedecer às leis e costumes do país, mantendo a religião e a fé em Deus, guiando-se pelas opiniões mais moderadas e aceitas pela prática, evitando excessos e cultivando o bom senso.
Em primeiro lugar, existe uma defesa da ética vinculada com as necessidades do Estado, estando subordinada ao Direito.
Depois, uma normatização ética atrelada à razão, obrigando o individuo a refletir e tomar decisões, sob pena de entregar-se ao azar.
Outro racionalista, Baruch Spinoza, delineou com maior precisão as questões éticas na obra Ethica, publicada em 1677.
Ele fixou como parâmetro de definição do que é bom ou mau as necessidades e interesses humanos, inserindo a razão como elemento capaz de frear as paixões, permitindo alcançar prazer e felicidade.
É interessante notar que, também para Spinoza, o amor intelectual a Deus é garantia da virtude, esta definida como a própria felicidade advinda da contemplação da totalidade do universo mental e físico, através da natureza divina, sendo ela inata.
Os empiristas adotaram uma postura diferente, apesar de não totalmente desvinculada da metafísica, porém mais próxima da política e do contexto padronizador do comportamento coletivo.
Thomas Hobbes forneceu a base de sustentação para o Estado Absolutista, ligando a monarquia com a vontade de Deus; mas defendeu a ideia de que a natureza humana é desonesta, solitária e violenta, expressa pela máxima “O homem é o lobo do homem”.
Como consequência seria necessário organizar a sociedade, estabelecendo um contrato social para eliminar a guerra de todos contra todos, fortalecendo o Estado para reprimir a maldade humana.
A implicação ética estaria fixada na figura do cidadão, o qual, para integrar-se a sociedade, precisaria refletir sobre si mesmo e seu papel coletivo.
Influenciado por esta concepção, John Locke retomou o conceito de contrato social como limitador do poder absoluto da autoridade, promovendo a felicidade através da garantia de liberdade individual restrita.
David Hume também complementou a concepção de Hobbes, afirmando que as ideias inatas não existiam, sendo regras compostas pela experiência, exigindo a padronização de comportamentos éticos a partir daquilo que fosse útil e prazeroso para a maioria.
Portanto, a ética moderna, a despeito de ainda vinculada com a religião, começou a tentar sobrepujar a moral, resgatando discussões presentes na antiguidade, avançando alguns passos rumo à vinculação com a liberdade.
Entretanto, foi pensada como instrumento de sustentação do poder do Estado perante a vida coletiva e individual.


A ética contemporânea.
Ao separar o conhecimento da religião, no século XVIII, o iluminismo inaugurou uma releitura da ética, estabelecendo criticas que voltaram a centralizar o foco na razão, apostando na autonomia humana e na crença otimista no progresso.
Foi estabelecida uma visão ética por um viés mais amplo, não só circunscrito ao grupo, mas sim ao contexto do conjunto da humanidade.
É por isto que a Revolução Francesa pregou o ideal de liberdade, igualdade e fraternidade; tendo como centro a questão da tolerância para com as diferenças e o estabelecimento de um pacto social.
O que deveria ser garantido pelo Estado para permitir uma igualdade efetivada pela restrição parcial da liberdade.
Neste período, pela primeira vez, iniciou-se um dialogo em torno dos direitos humanos, culminando com a “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão” em 1789.
Representando o iluminismo alemão, Immanuel Kant exerceu forte influencia na universalização dos preceitos conceituais da ética humana.
Segundo o qual, não é tarefa da ética normatizar, pois, sendo de caráter puramente racional, é guiada apenas pela boa vontade.
Esta é relativa e fixada pela lei moral, porém deve se isentar da vontade emotiva, dos gostos e desejos particulares.
Assim, a ética segue os mesmos parâmetros da moral, mas ao racionalizar os atos, seleciona como corretos apenas o que está em concordância com a razão.
A ética passa a se distinguir da moral por ser autônoma, enquanto os preceitos morais são fixados pela heteronomia.
O agir corretamente passa, não só pelo conceito de liberdade, mas também de responsabilidade pelos próprios atos e intenções.
O problema é que o ato pode não corresponder à intenção, motivado pela inclinação moral, onde a racionalização serve de parâmetro.
Reside neste ponto outro problema, já que o homem encontra-se na menoridade, sendo incapaz de fazer uso do próprio entendimento.
Os ideais iluministas aparecem como inicio da maioridade humana, justamente por proporem o conhecimento como base da racionalidade.
No entanto, pensando na natureza falha da razão humana, Kant propõe que imperativos passem a servir de referência para o agir.
O imperativo é uma regra obrigatória que deve nortear a normatização da vida racional.
O imperativo categórico, aquele que deveria ser dever de toda pessoa, estando também vinculado com a moral, é definido como agir pela vontade, de tal forma que a ação possa ser tomada como uma lei universal da natureza.
Portanto, tornar padrão o comportamento que seria aprovado como correto em qualquer caso e por qualquer pessoa.
Deste imperativo decorrem outros, todos baseados na fraternidade para com o outro, expresso na máxima de desejar a todos o que se deseja para si mesmo, estreitando este conceito com o de liberdade, responsabilidade e igualdade.
Entretanto, mesclada a esta concepção de ética, a tendência utilitarista, inaugurada pelo empirismo, também ganhou força a partir do século XVIII, principalmente por conta dos avanços da Ciência.
A partir das leis da física de Isaac Newton, a sociedade passou a ser vista como máquina, onde a ética atenderia e regularia seu funcionamento.
Enquanto a teoria evolucionista de Charles Darwin possibilitou conceber a moral como produto da evolução do comportamento humano.
Tendências que transformaram a ética em Ciência do julgamento dos atos morais, alterando normas de comportamento, pensadas em beneficio da utilidade para a vida coletiva harmoniosa.
A rigor, o utilitarismo surgiu na Grã-Bretanha, representado por Jeremy Bentham e John Stuart Mill, contrapondo-se a ética kantiana ao relativizar o conceito de eudaimonia, afirmando que o correto é aquilo que traz felicidade para o maior número de pessoas.
Não é a intenção que importa, como no caso da ética kantiana, mas sim o resultado; relativizando igualmente as regras, indo na contramão dos imperativos, condicionando os comportamentos a sua utilidade aparente, extremamente vinculada ao Direito.
O que levou Friedrich Hegel, no século XIX, a discutir se os princípios éticos condicionam a história, ou, ao contrário, esta modifica os parâmetros.
Algo que poderia conferir a ética uma grande semelhança com a moral.
Embora Hegel nunca tenha escrito especificamente sobre a ética, até porque considerava esta como mero sinônimo de moral, sua concepção foi herdeira das discussões do século XVIII, vinculando a vivência ética com a política, a sociedade e a história.
Para ele, como também para a tradição estabelecida a partir do século XVI, o Estado deveria garantir a vivência ética.
Destarte, Friedrich Nietzsche, na segunda metade do século XIX, tornou a ética definitivamente uma Ciência, totalmente desvinculada da religião.
Para ele, a ética seria o centro, justificativa e fundamentação das ações humanas; constituindo o elemento que torna possível a convivência, estabelecendo padrões de comportamento que reprime a natureza.
É neste contexto que se insere o conceito de além-do-homem - Übermensch -, erroneamente traduzido como super-homem.
Trata-se da defesa do sujeito superar sua humanidade, sua natureza falha, para ir além do bem e do mal, da moral estabelecida, racionalizando as ações para transformar-se de escravo em senhor, guiado pela autonomia de pensamento.
Um processo ligado à ideia de “eterno retorno”, envolvendo tentar superar-se contínua e infinitamente em busca do prazer dionisíaco.
No entender de Nietzsche, o único imperativo ético existente.
Esta conjuntura formou o conceito e ética como Ciência normativa, baseado na construção interna do sujeito e externalizada na preocupação racional com o outro; a despeito de sua ramificação circunscrita a contextos específicos, como a ética profissional.


A crise da ética.
O século XX, centralizado na sociedade de consumo e no individualismo, desvirtuou o caminho da preocupação com a coletividade no mundo Ocidental capitalista, inaugurando a crise da ética em sentido amplo.
A preocupação com o outro foi substituída pelo egoísmo focado apenas no eu em detrimento do nós, com um ambiente de permanente competição.
A despeito de alguns pensadores terem tentado retomar a tradição grega, agregando elementos desenvolvidos posteriormente, a tendência platônica de normatização de comportamentos, diferenciada entre grupos, é que prevaleceu no século XXI.
A ética passou a ser um termo comum na boca de todos, mas esvaziada de sentido concreto, conceitualmente interpretada pelo senso comum de forma torta e equivocada.
Simultaneamente, a ética profissional passou a dominar o cenário globalizado, igualmente contextualizada em um sentido extremamente especifico, aplicada apenas entre supostamente equivalentes.
O grande problema é que a ética deveria justamente repensar posturas que fazem de alguns mais iguais que outros, refletindo sobre sua natureza generalizadora e universalizante, racionalizando as ações humanas até o limite do possível, diante da natureza emotiva e movida por sentimentos individualistas.


Para saber mais sobre o assunto.
ARISTÓTELES. A ética; textos selecionados. São Paulo: Edipro, 2003.
BENTHAM, Jeremy. Uma introdução aos princípios da moral e da legislação. São Paulo: Abril Cultural, 1974.
DARWIN, Charles. A origem das espécies e a seleção natural. Curitiba: Hemus, 2003.
DESCARTES, René. Discurso sobre o método. São Paulo: Hemus, 1972.
DESCARTES, René. Meditações. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. A fenomenologia do espírito. São Paulo: Abril Cultural, 1974.
HUME, David. Ensaios morais, políticos e literários. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo: Abril Cultural, 1974.
KUJAWSKI, G. M. Descartes existencial. São Paulo: Edusp, 1969.
LALANDE, André. Vocabulário técnico e crítico da filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1993.
LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
MACIEL JR, A. Pré-socráticos: a invenção da razão. São Paulo: Odysseus, 2007.
NEWTON, Isaac. Princípios matemáticos. São Paulo: Abril Cultural, 1974.
NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Além do bem e do mal. São Paulo: Cia. das Letras, 2005.
PLATÃO. A república. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000.
SPINOZA, Baruch. Ética. São Paulo: Abril Cultural, 1973.


Texto: Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.
Doutor em História Social pela USP.
MBA em Gestão de Pessoas.
Bacharel e Licenciado em Filosofia pela Universidade de São Paulo.